And Happy Birthday.
1 Cap. 1
Dia 31 de dezembro, 22h. Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Soul Society, do qual sou líder. Sou também capitão da décima segunda divisão da Gotei 13, mas minha presença não é necessária em lugar algum. Não agora. Me chamo Urahara Kisuke, e hoje é meu aniversário.
Final de ano e todas as pessoas estão lá fora, se divertindo. Enquanto isso, estava eu, infurnado, sucumbindo perante o tédio. Inquieto, podia ouvir o barulho dos meus próprios dedos batendo contra a mesa em uma sequência ordenada, um após o outro, e initerrupta. Aquela festa toda, regada a álcool e risadas, deveria me atrair, mas eu não estava nem um pouco com vontade de ir até tal. De qualquer forma, eu precisava fazer alguma coisa.
"Já sei!" — Finalmente tive uma ideia. Levantei-me da minha cadeira e passei a procurar por toda minha sala. "Eu guardei em algum lugar por aqui..." — Me lembrava de ter levado uma garrafa de sakê para tal local, mas não me recordava onde. Procurei, procurei, até que finalmente a achei. E sem perder tempo, afinal, o fim do ano se aproximava, rumei em direção à área do segundo esquadrão, onde esperava escontrar minha querida Yoruichi-san.
Caminhei até meu destino com um sorriso no rosto; a ideia daquela companhia me animava, me alegrava, e eu sabia que ela gostaria do "presente" que eu estava levando, afinal, a Yoruichi-san adora beber.
- Yoruichi-san? — Bati lentamente na porta e, mesmo sabendo que os corredores estavam completamente vazios, acabei por chamá-la com um tom de voz um pouco mais elevado; talvez pela pressa que eu sentia. — Trouxe uma coisa pra você — Logo anunciei, esperando a permissão para adentrar a sala, afinal, apesar da liberdade que tinha para com ela, ainda não tinha me acostumado com a ideia de não ser mais seu subalterno no segundo esquadrão.
- Kisuke? Vai, pode entrar. — Disse ela, em um tom de voz que, pelo que pude reparar, demonstrava um certo desânimo. Desânimo esse que eu logo pude conhecer o motivo.
- Ué, trabalhando? Quase na virada do ano? — Abri a porta logo que pude e surpreendi-me ao ver uma mesa repleta de papéis.
- Pois é, relatórios e papelada atrasada — Era final de ano! E era meu aniversário! Que relatório e pelada o que, aquilo tudo ia ter que ficar pra depois.
- Faça isso amanhã, venha, vamos beber um pouco — Meu sorriso nessa hora ficou um pouco maior, e então levantei o braço, mostrando a garrafa que havia trago comigo.
- S-Sakê? — A reação dela foi exatamente a que eu esperava. Sabia que ela não negaria aquele convite, e minha convicção se confirmou através da expressão dela, que entregava como ela desejava aquilo, mesmo que relutasse. — Não dá, tenho que entregar para o velho amanhã — Essa hora eu me segurei, mas juro que, por dentro, eu ri. Será que ela achou mesmo que ia me enganar com um papo furado igual esse? Ela não conseguia enganar nem a si própria!
- Vamos, Yoruichi-san! Uma pausa rápida, conversamos um pouco e bebemos — Desconversei, afinal, sabia que se eu dissesse aquilo era faria justamente o contrário; teimosa do jeito que ela é. E antes que ela pudesse pensar em rejeitar o meu convite, puxei-a pela mão, tentando fazê-la se levantar.
- Ta, ta bom. Mas só um pouco, tenho muito o que fazer. — Pronto! Agora que ela havia topado começar, eu não precisava mais me preocupar com nada, só aproveitar.
Fomos a um jardim de pedras que ficava praticamente em frente a sala dela, e ficamos por ali, bebendo sakê e conversando. Podia te dizer que era o sakê, mas estaria mentindo. A presença da Yoruichi-san me deixava tão... bem! Eu sou, por natureza, um cara descontraído, mas todas aquelas obrigações como líder do esquadrão e do centro de pesquisa me deixavam cheio de coisas na cabeça. Mais ali, com ela, era só a gente.
- Né, Kisuke... Feliz anivrsário — Eu sabia que ela não esqueceria.
- Ah, obrigado, Yoruichi-san — Simplesmente sorri, sem muito o que falar, e bebi mais um pouco de sakê.
Não tinha muito o que dizer a ela, mas devo lhe confessar que aquelas palavras foram muito importantes pra mim. A Yoruichi-san sempre foi uma grande companheira; sem dúvidas, a pessoa em que mais confio e gosto. E mesmo por trás daquele jeito sério dela, eu sabia que, lá no fundo, ela também gostava de mim.
Aquele conversa com ela era tão boa que eu já sequer sabia que horas eram; aliás, não sabia nem que ano era! Ela... Ela me fazia esquecer tudo. E, sem perceber, eu acabei por me perder na imensidão daqueles lindos olhos amarelos. Não conseguia tirar os olhos dos dela, a quem tanto admirei e admirava naquele exato momento, de tal forma que parei até de falar, ficando com um semblante nulo, como se estivesse inerte.
- Ei, que foi? — Sua voz atuara como um despertador e, ao ouví-la, cerrei as pálpebras de forma a voltar a mim.
- Nada não — Era muita, muita coisa. Mas em hipótese alguma eu poderia falar. Até pouco tempo eu era seu comandado e, no máximo, era seu amigo. Pelo menos era assim que eu me classificava. Sorri e desviei o olhar do dela, para que não fosse "pego" novamente, e depois observei o relógio que ficava dentro da sala dela. — Deixa pra lá. Olha só, quase meia-noite já. -
- Não Kisuke, me fala, o que foi? — Aaaah meu Deus, por que logo uma tão teimosa assim? O pior é que eu sabia porquê. Sabia também que não adiantaria tentar mudar de assunto, porque ela insistiria até ouvir o que desejava, então, tentei fazê-lo de forma mais sutil possível.
- Você é linda. — Resumi tudo aquilo que se passava na minha cabeça em um único adjetivo. Linda: essa era a palavra.
- Idiota — Segurei-me pra não rir perante sua reação e, por instinto, acabei levando a mão a rosto dela assim que a vi virando o mesmo. Tornei-a novamente de forma que ficasse frente-a-frente comigo, e eu pudesse admirar aqueles belos olhos mais uma vez. Assim ficamos, por alguns instantes e, por mais que eu não reparasse, nossos rostos estavam cada vez mais próximos, mesmo nenhum de nós tendo feito isso intencionalmente. Mais uma vez por instinto, fechei os olhos e terminei de aproximar-nos, de forma a tocar os lábios dela com os meus. Ah, eram tão macios! Eu não sabia se podia fazer o que estava fazendo, mas eu queria tanto!
Abraçei-a e trouxe seu corpo até mim. Estava completamente desinibido, e minha vontade era de aproveitar aqueles momentos que, com certeza, foram o melhor presente de aniversário que eu recebi em toda a vida. Voltamos a nos beijar até que, no fundo, vários fogos de artifício explodiam no céu, deixando aquela noite mais bonita ainda. O beijo foi se encerrando aos poucos, até que, por mim, os lábios afastaram-se completamente e eu voltei a tocá-la no rosto, onde fiz uma leve carícia.
- Feliz ano novo, Yoruichi-san. — Sabia que os fogos anunciavam a chegada do aniversário dela. Não conseguia conter meu semblante maravilhado, e pronunciei tais palavras com o rosto ainda próximo do dela.
- Feliz ano novo, Kisuke. — Ela me respondeu, seguida de uma breve risada e um sorriso; Ela, sempre tão contida, finalmente havia se entregado e deixava escapar pelas suas expressões um pouco do que sentia, o que me deixava ainda mais alegre. Ainda não conseguia acreditar que havia beijado minha tão amada Yoruichi-san, mas a proximidade entre nós não me permitia a dúvida, afinal, podia sentir até o calor da sua respiração.
Retirei a mão do rosto dela e segurei sua mão, virando-me para o show de fogos. Desejei aquilo por tanto tempo, que não sabia sequer o que fazer. Deixei que ela se apoiasse em mim e, depois de um certo tempo, apertei um pouco mais forte sua mão. Eu nunca mais queria soltá-la.
- Yoruichi-san... — Sussurrei, afinal, sabia que ela poderia ouvir, apesar do barulho. — Feliz aniversário — Conclui, arrancando dela um risinho.
Ela também apertou minha mão e, como eu nunca esperei, senti como se estivesse sendo correspondido. E como isso era bom!
- Arigato, Kisuke — E meu sorriso era maior do que nunca.
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