And All Things Will End...
1 Volta as aulas
Eu sonho com muitas coisas, e uma delas é ser conhecida pelos meus desenhos. Eu sei que tenho um dom, mesmo tendo uma merda de vida, e um dia eu vou fazer o que quiser sem me importa com ninguém. Sabe, eu lembro muito pouco do meu pai, mas sei que ele me amava, no fundo, ao menos ele me amava. Mesmo minha mãe insistindo em dizer que a culpa dele ter ido embora foi minha. Ela me magoa muito, e ainda por cima arranjou alguém como “Steve” para piorar ainda mais nossa situação. Ele parece obcecado em bater nela e eu como sou uma “boa” filha tento ajuda-la e sempre acaba sobrando pra mim.Nem vou falar que há uma semana eu fugir e fiz o improvável. Vou contar desde o inicio:
Eu briguei com minha mãe e aproveitei que Steve não estava em casa. Peguei minha mochila e decidi fugir nesse dia, conheci um carinha chamado Donald perto de um barzinho onde eu estava, o mesmo era tatuador, me vi tentada a fazer uma tatuagem. E ele como um cara muito legal disse que faria de graça, eu aceitei na hora. Ele fez um anjo de cabelos pretos longos e olhos negros por toda a minha costa. Eu mesma havia desenhado e mostrei a ele. O mesmo se interessou, ate me ofereceu emprego no estúdio dele como design. Foi massa, mas como felicidade não dura muito, Steve me achou no dia em que eu estava de bobeira pelas ruas da cidade, eu levei uma surra, ele quase me mata, e o pior não foi isso.
Apenas voltei pra casa toda quebrada, todos me olhavam como se eu fosse um aliem ou coisa do tipo, e eu estava pouco me fodendo, tenho certeza que ele ou minha mãe inventarão alguma desculpa, do tipo “ela foi atacada por um marginal e estuprada...”, não deixa de ser verdade.
Subi as escadas e me tranquei no meu quarto. Tomei um banho sentido meu corpo todo doendo e tentando arrancar de mim o suor e o cheiro “dele”. Nunca pensei que minha primeira vez fosse ser tão... terrivelmente nojenta. Olhei no espelho sentindo nojo de mim mesma, minha maquiagem borrada, meu rosto parecia um papel de tão branca que eu estava, meus olhos não tinham mais o mesmo brilho, fitei meus cabelos que pareciam palhas no tom avermelhado, peguei a tesoura e comecei a corta-lo, tinha certeza que isso iria irritar tanto minha mãe como “Steve”, mas eu estou pouco me lixando.
Acho que tomei banho umas três vezes, se não mais, faltei arrancar minha carne de tanto nojo. Nunca chorei tanto na minha vida, não sei como ele não arrastou minhas costas no asfalto por causa da tatuagem, eu acho que “ele” nem viu, estava tão bêbado e alterado.
Vesti minha camisa de mangas do AC/DC e me joguei na cama. De tão cansada acabei por dormi sem nenhum sonho, sem nenhuma esperança de que o que eu tinha passado fosse apenas um pesadelo.
Eu poderia contar a minha mãe ou ate mesmo para alguém, mas eu não tinha ninguém, e ninguém me enxergava afundando em um buraco de lama sem fim. Afogando-me na merda toda.
Ainda era cinco da manha quando deixei minha casa para ir pra escola. Sempre saia mais cedo para não ter que encontrar com Steve, essa semana toda antes das aulas começarem, eu me esquivei do “maldito” de todas as formas. Me matinha trancado no meu quarto e algumas noites fugia pra ficar em um parque abandonado que tinha na cidade. Parecia um cemitério pra algumas pessoas, mas pra mim era quase como um castelo. Nessas minhas fugidas eu descobri que o senhor Pietro esta de rolo com a vizinha dos peitões, e vocês devem esta me perguntando qual o problema? Bem, ele é casado com a senhora Elizabeth, uma mulher muito fofoqueira que vive da vida dos outros, principalmente da minha e também descobri que tem novos vizinhos morando na casa de esquina.
Nesse dia eu estava voltando, já passava das seis horas. Avistei um caminhão de mudanças parado na frente do mesmo, como sempre minha curiosidade foi maior e eu fitei uma senhora levando algumas bolsas com a ajuda de um senhor, deveriam ter no máximo uns 40 ou 50 anos, logo em seguida veio um rapaz que me fez...sei lá... voar, talvez?!
Ele tinha um sorriso nos lábios incrivelmente cativante e ajudava a levar as coisas pra dentro da casa, não sei quanto tempo eu fiquei escondida do outro lado da rua atrás de uma moita, mas por um instante pensei que ele havia me visto. Me escondi e me xinguei, rezando para que não tivesse me visto. Mas quando voltei a espiar, ele estava sorrindo novamente e olhando para onde eu estava, não demorou muito e eu me toquei, já estava muito tempo fora e com certeza minha mãe e “Steve” já sentirão minha falta, mas por sorte não.
E desde esse dia eu sempre passava por lá tanto na ida quanto na volta. Às vezes as luzes estavam acessas e outras não, teve um dia antes das aulas começarem que eu vi ele, sim eu vi ele de novo e mais uma vez eu estava fora de mim. Ele não estava sozinho, eu vi três garotos que conhecia de vista da escola e outro que não sabia quem era. Ele sorria e os cinco bagunçavam, pareciam crianças. Eu sorri ao me imaginar ali, com eles. Acho que é isso, o que sinto quando eu o vejo, é inveja. Inveja da vida dele, da família dele e de seus amigos, eu queria ser ele.
E agora eu estou aqui, voltando as “malditas” aulas, e imaginando que talvez, só talvez ele também estude na mesma escola que a minha. Ao menos uma coisa boa iria acontecer naquele fim de mundo.
Quando eu pisei lá todos pararam pra me ver. Incrível como um corte diferente e uma tatuagem aparecendo faz as pessoas te olharem ainda mais diferente. Esse inicio de aula promete.
Notas finais
- Qualquer sugestão voces podem dizer e nao esqueçam de deixar Reviews.
bjinn
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