And All Things Will End
1 And All Things Will End
Notas iniciais
And All Things Will End
- É isso? – perguntei, sentindo meus olhos arderem conforme as palavras escapavam lentamente de minha boca. Brian me olhou com os olhos, antes alegres, vermelhos e tristes. Esboçou um pequeno sorriso, que só fez com que as coisas piorassem ainda mais. As lágrimas voltaram para os meus olhos, escorrendo impiedosamente pelo meu rosto. Ele passou as mãos pelo cabelo, parecendo totalmente agoniado, e se aproximou mais um pouco de mim, de modo que nós dois ocupamos um único lugar no sofá. Acariciou lentamente minhas costas, enquanto eu deitava minha cabeça em seu peito, aproveitando para fechar os olhos.
Seu coração disparava de vez em quando, fazendo com que o meu se apertasse só de imaginar a dor que ele sentia por perder seu melhor amigo. Quer dizer, eles se conheciam desde os tempos de escola e agora, do nada, tudo estava acabado. Todos os momentos felizes e divertidos estavam sete palmos abaixo da terra.
- Brian... – falei baixo, torcendo para que ele não ouvisse. Pude ouvir um soluço e antes que eu levantasse completamente minha cabeça, seus braços me apertavam com tanta força que eu senti o ar escapar de meus pulmões. Eu sabia o quanto ele precisava daquele abraço. O quanto ele precisava de um ombro amigo para chorar. – Olha... Não... – tentei dizer alguma coisa que pudesse confortá-lo naquele momento, mas tudo no que eu pensava parecia idiota e patético demais.
Ele me soltou aos poucos, secando os olhos vermelhos e me olhando como uma criança perdida. Respirei fundo, levando minha mão até seu rosto e acariciando levemente sua bochecha. Seus olhos se fecharam levemente e sua mão quente e trêmula segurou a minha. Um sorriso triste brotou nos cantos de meus lábios.
- Eu sinto muito. De verdade. – falei com toda a tranqüilidade que sobrava em mim, que não era muita, portanto, minha voz saiu um pouco fraca e rouca. Era claro que eu não estava bem, afinal, o pouco tempo que eu passei com Jimmy foi o suficiente para considerá-lo um bom amigo e a sua perda também era de grande impacto para mim.
Brian sorriu. Ou tentou sorrir, mostrando ligeiramente sua fila de dentes perfeitamente alinhados e brancos. Segurou minha mão com um pouco mais de força, levando-a lentamente para baixo, de modo que ela parasse de acariciar seu rosto e ficasse suspensa no ar. Ele abriu os olhos, ainda tristes, mas com um brilho diferente, e respirou fundo.
- Por que ele? – sua voz soou mais rouca que nunca e, embora aquela tenha sido a sua primeira frase desde que chegamos do enterro, não era preciso dizer mais nada. Fechei lentamente meus olhos cansados e me permiti lembrar de James sorrindo, como sempre fazia quando ganhava algum jogo ou quando bebia demais – e também quando não bebia nada – ou quando via uma câmera ou quando via algum amigo distante ou quando... Quando estava vivo. E eu percebi que era assim que ele deveria permanecer em nossas mentes. Ele deveria estar sempre sorridente, com aqueles lindos olhos azuis e aquela expressão e atitude infantil que conquistavam o coração de todos. Ele gostaria de permanecer assim em nossa memória.
- Nós nunca vamos saber por quê. – respondi tristemente. – Mas, Brian, você se lembra quando ele nos disse o quanto era feliz? – ele assentiu calado. – Você se lembra da risada dele? Das brincadeiras, das piadas? Você se lembra de todos os momentos felizes que vocês passaram juntos? – meneou positivamente com a cabeça e seus olhos se encheram de lágrimas no instante seguinte. – É assim que você deve se lembrar dele. Não se lembre dele em um caixão. Lembre-se dele aqui, ao seu lado, sorrindo e se divertindo. É assim que ele quer ser lembrado; é assim que ele deve ser lembrado. Por ele... E também por você.
Sorri fraco, soltando minha mão da sua e colocando uma mecha fina de seu cabelo grande atrás da orelha. Ele deu um sorriso fraco, mas ainda sim um sorriso, e concordou com a cabeça, aproximando o seu rosto do meu. Roçou levemente a ponta do seu nariz no meu e, antes de me beijar, sussurrou a palavra: “obrigado”, com seus olhos fechados e a expressão um pouco mais calma. Eu sabia que não tinha uma forma de acabar com aquela dor que ele sentia no momento, mas eu tinha que fazer algo para tentar ao menos diminuí-la um pouco.
E eu sabia que era assim que Jimmy gostaria que as coisas fossem. Ele gostaria que, apesar de tudo, nós continuássemos a nossa jornada.
Fale com o autor