And All These Little Things
1 Capítulo 1
Notas iniciais
As luzes piscavam tão rápido que meus olhos mal podiam distinguir as pessoas ao meu redor. Eu tentava com dificuldades encontrar Lindsay, era a quarta vez que seu telefone tocava em meu bolso e eu não fazia idéia de onde diabos essa garota havia se metido.
Poucos minutos antes deu a deixar na pista de dança para pegar uma bebida, ela estava mais louca que um esquilo depois de ingerir muita cafeína. Mas o que ela usava para ficar assim era bem mais potente do que cafeína e essa não era a primeira vez que isso acontecia.
Seu telefone vibrou em meu bolso pela quinta vez e eu olhei o identificador de chamada. Era a mãe dela e para ela estar ligando a essa hora alguma coisa errada estava acontecendo. Eu havia visto a mãe dela poucas vezes e de longe, mas Lindsay sempre reclamava do quanto ela era protetora, o que só me fez procurar Lindsay mais rápido.
Eu soltei um suspiro ao vê-la entrando correndo no banheiro feminino, mas não deixando o copo de bebida para trás. Eu sou três anos mais velho que ela e a conheci na faculdade há um ano e desde então nos tornamos melhores amigos. Eu meio que me sinto responsável por ela.
Entre protestos de muitas garotas eu entrei no banheiro e a encontrei vomitando no vaso.
- droga, garota o que você fez? – eu perguntei a segurando, desencostando seu corpo da parede fria.
- Eu estou tão feliz em te ver. – ela disse se jogando em cima de mim. Eu a segurei e a puxei para fora do banheiro. Coloquei o braço dela sobre o meu ombro e a guiei para fora da casa de show.
- eu não quero ir embora, a festa mal começou. – ela protesta, mas eu continuo caminhando sem dar atenção para ela, que estava visivelmente alterada.
- você precisa de um ar. – eu disse e a levei até o banco da praça que tinha do lado de fora e a sentei. Comprei uma garrafa de água em um supermercado próximo e dei a ela.
- sua mãe já te ligou cinco vezes, acho melhor eu te levar para casa. – ela balança a cabeça em afirmativa e eu a levo para casa.
Eu me virei para a porta que se abriu abruptamente, revelando uma mulher loura apontando uma arma para mim. Eu rapidamente retirei as mãos de Lindsay e as levantei, eu sabia o quanto uma mulher armada poderia ser perigosa.
- senhorita Willows, não é nada disso que está pensando. – eu tento dizer em minha defesa. Ela ainda mantinha a arma em minha direção, então eu achei melhor continuar com as mãos para o alto.
- quem é você? – ela perguntou sem abaixar a arma.
- meu nome é Dam Beckman, eu sou amigo dela da faculdade. – eu disse a encarando nos olhos. Ela me analisou por alguns segundos e abaixou a arma, eu suspirei aliviado e abaixei minhas mãos também.
- Dam cadê você? – Lindsay gemeu com a cara no travesseiro abafando sua voz.
- estou aqui Lindsay! – eu disse e a ajeitei na cama, cobrindo-a. – durma, você já está em casa.
- o que ela fez? – ela me perguntou guardando a arma na gaveta e eu percebi que não sabia seu primeiro nome.
- ela só bebeu um pouco demais. – ela me analisou mais uma vez, isso me fez lembrar que Lindsay havia mencionado alguma coisa sobre ela ser uma CSI e investigar todo mundo. – bem, acho melhor eu ir. – eu disse cortando o silêncio que se prolongava.
- se não se importa eu gostaria de falar com você. – ela pediu e eu acenei com a cabeça a seguindo para a sala onde eu pude vê-la melhor, já que a luz era mais forte. Observei seus cabelos um pouco abaixo dos ombros, eram loiros e brilhantes. Não pude deixar de olhar seus quadris balançando enquanto ela dava a volta por trás do sofá. Quando ela se virou de frente para mim pude ver que ela se parecia muito com Lindsay, os traços, a cor dos olhos e o formato do rosto eram iguais.
- então, Dam...? – ela fez uma pausa tentando recordar meu sobrenome.
- Beckman. – eu disse estendendo minha mão para ela que a pegou com um aceno de cabeça.
- você não me é estranho. – ela diz.
- provavelmente esse é o motivo pelo qual não atirou em mim, certo? – ela sorriu sem graça e puxou sua mão, mas eu não a soltei e ela me olhou em alarme. – eu não sei o meu nome.
- Catherine. – ela disse e relutante eu deixei sua mão ir.
- sou amigo da Lindsay há um ano e nunca conheci a senhora. – eu disse e ela se sentou, fazendo sinal para que eu me sentasse também.
- me chame de Catherine, não me faça sentir mais velha ainda.
- desculpe, você parece bem para mim. – eu soltei antes mesmo de registrar a frase. Ela se calou e eu comecei a ficar constrangido.
- bem, como minha filha chegou a esse ponto? – ela me perguntou, finalmente. Lindsay provavelmente irá atirar em mim com a arma da sua mãe, mas eu não podia esconder isso dela.
- eu sempre acompanhei Lindsay nas baladas e ela não costumava fazer isso, mas de uns tempos para cá ela começou a andar com as pessoas erradas e... – ela me ouviu atentamente e pareceu ficar frustrada.
- o que ela faz?
- ela vai me matar amanhã, mas eu preciso dizer isso a você.
- diga.
- ela está usando êxtase. – ela soltou um suspiro e encolheu os ombros.
- obrigada por me dizer. – ela diz e se levanta me dando sinal para que eu deixasse.
- qualquer coisa que precisar, Lindsay tem meu numero na agenda dela, me ligue, por favor. – eu disse e me lembrei do celular dela no meu bolso. – ah, o celular dela. – eu a entreguei e sua mão esbarrou na minha causando um choque estranho.
- obrigada, Dam. – eu sorri para ela e fui embora.
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