Ancient
4 Capítulo 3 - Edward Hayes
Notas iniciais
Edward estava sentado em uma cadeira de seu escritório. O local era bem espaçoso, as paredes laterais eram cobertas por enormes estantes cheias de livros. Atrás dele havia uma parede quase vazia, com exceção de algumas espadas. Na parede oposta estavam alguns quadros e a porta de mogno. Diante dele estava uma mesa de madeira com alguns papéis, um notebook, uma luminária e dois livros. Ele girava uma caneta nos dedos, quando a porta se abriu. Uma garota loira entrou. Ela estava vestida com um uniforme de secretária.
–Senhor Hayes?
–Sim, querida. — ele respondeu — O que houve?
–Eles estão aqui. Posso deixar eles entrarem?
–Pode sim. Obrigado, amor. — e deu uma piscada discreta para ela. Ela corou e saiu. Ele largou a caneta sobre a mesa e mudou de posição na cadeira. Cinco homens entraram. O da frente vestia um manto negro e os outros quatro, mantos em um estranho tom de marrom. Todos usavam capuz, tornando difícil ver qualquer característica física. Edward se levantou, deu a volta na mesa e se ajoelhou diante deles, abaixando a cabeça — Mestre.
–Não sou seu mestre. Sou apenas seu Alto Sacerdote, servindo os verdadeiros Mestres. Seus verdadeiros Mestres estão dormindo. Você sabe o motivo? — disse o de preto. Sua voz era perturbadoramente calma.
–Porque nunca os libertamos de suas prisões. — sua voz tremia — Eu afirmo outra vez: eu quero que eles retornem. O que eu preciso para que eles...
–Quieto. — ele o interrompeu — Os Profetas sussurraram em meu ouvido essa noite. E esses sussurros me disseram que você conseguiu a Primeira Chave. Isso é um fato?
–Sim, eu consegui. Quer que eu pegue?
–Por favor. — Edward se levantou e foi até sua cadeira, ainda de cabeça baixa, e tirou a espada de debaixo da mesa. Ela ainda estava enrolada no manto na qual Sebastian a entregou a ele. Ele voltou, se apoiou sobre um joelho e ergueu a espada para ele. O sacerdote a desenrolou e a ergueu. Uma voz preencheu a sala. Ela dizia algo em uma língua desconhecida. O homem de preto conseguia entender o que falava — Os Construtores estão falando.
–O que eles dizem?
–Que essa é a espada. Que ela pode libertar um dos Primeiros Filhos. Que ele está submerso em um rio antigo nas Terras da Origem. Ele foi obrigado a lutar até sua libertação contra um... Eu não compreendo, meu senhor. — dizia o sacerdote — Por que eu não posso? Meu senhor, eu... Sim, sim. Ele quer que você o liberte, Hayes.
–Eu não... Eu não fui iniciado. Eu não posso.
–Ele disse que é você. Eu não posso. Você precisa. Assim que eles querem te iniciar. Pegue a espada.
–Quem falou? Você sabe, sacerdote?
–Um Construtor.
–Qual deles?
–Isso é irrelevante. Ele nos deu ordens. Que sejam obedecidas.
–Eu não vou fazer nada sem saber quem mandou! — Edward aumentou o tom da voz. No mesmo instante, ele sentiu sua cabeça doer, uma corrente elétrica atravessou seu corpo e ele caiu para o lado.
–Como ousa enfrentar os Mestres Antigos? Você foi marcado, como todos nós. Faça o que ele disse.
–Quem devo libertar? — sua voz retornou o tom nervoso e contido.
–A Serpente do Caos. — disse, em um tom enigmático.
–Eu não compreendo. Se refere a Apófis, a grande serpente da mitologia egípcia?
–Não use os nomes humanos para se referir aos Mestres. Use o verdadeiro nome deles. Ou seus títulos. Mas não use os nomes profanos.
–Eu não sei seus verdadeiros nomes. — ele tremia, não de raiva, mas de medo.
–Você tem o que precisa. A espada e os Livros Antigos. Procure como despertar ele.
–Sim, senhor. — então ele se levantou, de cabeça baixa.
O sacerdote enrolou a espada no pano outra vez e a entregou a Edward. Ele a pegou e a segurou, esperando o grupo sair. Quando o último fechou a porta, ele se sentou na mesa e suspirou fundo, olhando para o chão. E do chão para a espada enrolada. Ele estava tonto, sua cabeça latejava com o choque. Ele ficou lá por cerca de cinco minutos. A sua secretária entrou. Tocou seu ombro, despertando-o de seu aparente transe.
–Senhor Hayes? Tudo bem?
–Helena? — e ele olhou para ela e deu um sorriso com o canto da boca — Helena... Eu não sei o que eu fiz. Você...
–Senhor, calma. Respire. Quer alguma coisa? Um café? Quer que eu desmarque sua reunião mais tarde?
–Por favor, faria isso por mim?
–Claro que sim. Mais alguma coisa?
–Não, obrigado. Na verdade, sim. Quero ficar um pouco sozinho. Só você pode entrar aqui sem minha autorizaçao, certo?
–Como quiser. — ela sorriu e saiu.
Ele se levantou, desenrolou a espada e a colocou em um suporte vazio na parede atrás de sua cadeira. Andou até uma das estantes com livros e passou olhando um por um, procurando um em especial. Ele então tirou um tomo grosso, com uma capa de couro. Algo estava escrito em branco na capa. Ele abriu e passou algumas páginas, elas estavam todas escritas.
Nada.
Colocou no lugar e tirou outro ao lado dele. Esse tinha uma capa preta com uma escrita dourada. Ele abriu. Novamente passou algumas páginas, mas esse continha várias imagens e informações sobre elas ao lado. Em uma delas, ele achou uma imagem que era parecida com a espada. Ele começou a ler. Era um capítulo sobre os Primeiros Filhos.
" As vozes que sussurram para a Grande Serpente repetem algo obscuro. A vida que ela acredita ter não passa de uma simples ilusão. Ele geme em suas correntes e em sua prisão, que a cada dia se mostra mais ineficaz. Em seu profundo silêncio, ela aguarda que a espada que ele erguia na sua antiga glória retorne para ele. E ele rastejaria para fora de seu exílio, trazendo o caos.
Suas características físicas entre os humanos não são complexas. Ele é apenas um enorme réptil sibilando na escuridão, trazendo o Caos. Seu nome é *este trecho está ilegível*, que significa, em sua língua perdida, o filho da morte. Sua forma real é desconhecida, assim como a de seus irmãos.
Quando desceu para eles, trouxe o caos. Queria que visse que não somente de paz se fazia uma sociedade. E os que o conheceram o nomearam Apep. E ele não tinha seguidores, somente as almas dos que morreram em ódio e agonia o seguiam, mesmo contra sua vontade. Eles não queriam, mas era o destino que os esperava. Nada além das sombras.
Mas, diante de seus mestres, ele era fraco. Os mesmos tinham poder, e nos criaram, e espalharam sua palavra para que os sigamos, e é o que fazemos. Os Criadores eram tão superiores que criaram toda sua descendência. E o que vinha antes e depois. E deram o mundo para que o devastem. E suas criações o tomaram para si, sem negar que agora ele o pertencia. Acreditavam em uma liberdade, mas são controlados, não sabem de suas limitações pois nunca as alcançaram. Para os Antigos e os Primeiros Filhos, são apenas bebês diante de todo o Universo.
Apenas sigam seus mestres.
Para trazer a Grande Serpente, deve-se colocar sua espada como uma chave em seu portal e proferir os antigos comandos gravados em sua lâmina.”
Edward fechou o livro, guardou-o na estante e saiu.
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