Ancient

3 Capítulo 2 - Encounters


Sebastian estava de pé na lanchonete do hospital. Alguns minutos depois, Noah chegou. E logo após, Donald.
–Obrigado por virem. Vamos sentar em algum lugar?
–Sim, sim. — disse o escritor. Sentaram-se numa mesa próxima de onde estavam.
–Desculpa ter ligado com tanta urgência. A noite foi muito confusa.
–O que houve? — perguntou o professor.
–Vocês se lembram que um homem me ofereceu dinheiro para ir em uma expedição atrás de uma antiga espada maia? — eles acenaram com a cabeça — Eu fui. Passei um tempo lá e encontrei a espada. Eu realmente fiquei em dúvida se deveria entregar. Ela não parecia valer tanto quanto ele quis pagar. O museu devia pagar a metade daquilo. E não estou falando de pouco dinheiro. E ontem, quando chegamos, ligamos para ele por um número que ele havia nos passado e marcamos em um beco perto do hotel. Esperamos lá por meia hora e ele chegou com dois homens, que eu imagino que sejam seguranças dele, ou algo assim. Ele pegou a espada, entregou o dinheiro e virou as costas. Quando ele ia sair, mandou os homens que estavam com ele nos matar. Ou melhor, executar, nas palavras dele. E eles começaram a atirar. Eu derrubei um deles com a maleta, mas vieram atrás da gente. Conseguimos fugir pra estrada, mas acertaram o Trevor.
–Ele está bem?
–Sim, Noah. Os médicos falaram que não foi nada demais. Conseguiram retirar a bala e ele está se recuperando. Querem ir lá em cima? — e indicou a janela do quarto onde estava o garoto.
–Não, vamos deixar ele descansar. Tudo bem, Don?
–Ahn? Sim, sim. Desculpe, eu...
–Você está disperso. Aconteceu alguma coisa?
–Nada demais. Problemas pessoais. Desculpa. Os policiais estão indo pro quarto dele. Você não devia estar lá também?
–Policiais? Eles já vieram hoje. Eu disse que foi só uma tentativa de assalto. Acho que eles não voltariam por isso. — e virou para olhar — Eles não são policiais!
–Como? — perguntou Noah.
–Esses caras. Parecem com os que nos atacaram ontem. — e levantou, atravessou o pátio do hospital correndo e os dois o seguiam.
Eles chegaram na parte interna do hospital. Apertaram o botão do elevador. Estava subindo. Eles correram para a escada. Subiram ela apressadamente. Quando chegaram no segundo andar, dois enfermeiros pararam eles.
–Por que vocês estão correndo? Isso é um hospital. Vocês podem machucar alguém.
–Nós não temos cinco anos! Você acha que estamos correndo na escada por diversão. Estão indo pro quarto do nosso amigo, e querem matar ele.
–Que ridículo. Ninguém quer matar seu amigo!
–Por favor, vocês podem vir conosco. Vocês precisam nos deixar passar.

O homem estava com a mesma roupa da noite anterior: terno, gravata azul e a cartola. Seu cabelo chegava nos ombros e tinha um andar firme. Segurava uma pequena bolsa na mão direita. Cinco seguranças o seguiam. Ele entrou no quarto de Trevor. Ele estava deitado na cama lendo uma revista. Eles fecharam a porta. Ele estava sozinho com o homem.
–Lembra de mim?
–Você... Você me deixou assim! O que você quer? Não contamos seu segredinho pra polícia.
–Vocês são espertos. Teriam que dar muitas explicações. Mas não é por isso que vim aqui. Vim te fazer uma oferta.
–Uma oferta? Quer que eu roube mais alguma coisa pra você?
–Não! Claro que não. Quero que trabalhe pra mim. O seu amigo te ensinou alguma coisa? Acho que sim. Trabalho de campo na Arqueologia. Posso pagar.
–Eu vi seu pagamento ontem.
–Aquilo? Olha, deixa eu explicar, aquilo foi um pequeno mal entendido. Eu achei que vocês não aguentassem a pressão e acabassem falando sobre aquilo para alguém. Hoje, com o depoimento de vocês, me provaram o contrário. Me desculpe por todo o transtorno. Você aceitaria o trabalho?
–Não. — respondeu, seco.
–Como? Não entendi, desculpe.
–Você tenta me matar e depois vem aqui me oferecer emprego? Claro que não!
–Sejamos racionais. Você não tem muita escolha.
–Vai me matar dentro do hospital?
–Não. Mas erros médicos acontecem. — ele abriu a maleta e tirou uma seringa.
–Vai enfiar isso em mim? Eu estou bem acordado. Eu vou reagir.
–Pode reagir. — ele foi até a porta e deu uma batida leve na porta. Um dos seguranças entrou — Segure ele.
O homem segurou os pulsos dele e subiu, travando suas pernas com seu peso. O homem deu um sorriso sarcástico.
–Você pode escolher.
–Seu covarde! Atacar um homem desprotegido?
–Melhor um covarde vivo do que um herói morto. — e deu um peteleco na seringa — Não se preocupe. Não vai... Que barulho é esse?
Do lado de fora, Noah reclamava com um dos guardas.
–Você não pode nos proibir de entrar.
–Eu posso. Eu tenho ordens.
–Dane-se suas ordens. Sai da minha frente ou vou entrar.
–Controle-se, loirinho.
–Não vamos nos controlar! — e agarrou ele pelo terno.
–Me solte! — ele rosnou e empurrou Sebastian. Que respondeu com um soco.
Os outros dois guardas o puxaram, segurando-o pelos braços. Donald agarrou um deles e o puxou, jogando-o na parede oposta. O segurança atacado respondeu, invertendo as posições e empurrando ele contra a parede, empurrando seu pescoço contra a parede com um dos braços. O escritor conseguiu acertar um chute no estômago de seu adversário. Ele tropeçou para trás, com a mão sobre o local do chute. Noah havia sido derrubado ao tentar acertar um soco no último, enquanto Sebastian tentava resistir ao primeiro. O arqueólogo se jogou no chão, rodando para o lado e atingindo um chute no rosto do seu agressor. O segurança desviou e o segurou pelo colarinho da camisa, puxando e derrubando-o. Ele ensaiou um soco, mas Don segurou o braço do segurança. Mas foi surpreendido pelo mesmo guarda que derrubara o professor. Ele o puxou para trás e o imobilizou. Ambos os guardas riram enquanto batiam neles. Então, o homem que estava no quarto com Trevor, saiu. Com a agulha ainda cheia na mão.
–O que está acontecendo aqui? — ele perguntou. Os homens pararam para olhar para ele, atrás de uma explicação.
Noah, em um movimento rápido, correu a acertou um chute em um deles, sem olhar para o homem de terno na porta. Agora apenas um dos guardas estava em ação. Um estava inconsciente e o outro estava quase recuperado do forte chute. O escritor desviou de um soco e empurrou o último guarda contra um dos bancos e o socou no rosto. A cabeça dele bateu na parede com a força e ele desmaiou. O que fora chutado se levantou, mas viu a desvantagem. Recuou. Sebastian se levantou, se recuperando dos golpes que levara. Os três olharam para o homem na porta. O professor empalideceu.
–Edward? — ele perguntou, pálido.
–Noah? — o homem perguntou.
–O que está acontecendo aqui? — perguntou Donald — Vocês se conhecem?
–Sim, sim. Nos conhecemos muito bem. Seu mentiroso, desgraçado. Por que você tentou matar meus amigos?
–Esse detalhe de eles serem seus amigos foi uma triste coincidência.
–Você assumindo que algo é uma coincidência. Isso é engraçado.
–Não, não. Mudei um pouco nesse tempo.
–Que seja, por que você quer matar eles?
–Eu não tenho que me explicar pra você! — e virou as costas. Noah correu e segurou a porta antes dela ser fechada. O professor a empurrrou com força. O homem deixou a seringa cair. Ela quebrou.
Ele o segurou pelo pescoço,empurrou contra a parede, tirou uma faca do bolso e colocou na garganta dele.
–Professsor, eu não quero que entre no meu caminho outra vez. Eu não me meto no seu trabalho e você não se mete no meu. Estamos entendidos?
–Mexa com meus amigos outra vez e eu juro que vou acabar com você.
–Você? Acabar comigo? — e deu uma gargalhada — Você não é nada pra poder acabar comigo. Eu tenho dinheiro, eu tenho influência, eu conheço pessoas, eu tenho poder. E você? O que você tem? Amigos? Um livro? Você acha que pode me tocar? Eu posso tirar tudo o que você tem!
–Você acha que eu tenho medo de você?
–Você tem medo de mim. Sua voz está tremendo. Você está suando frio. E você acha que seus amigos se preocupam com você? Eles estão esperando eu rasgar sua garganta. Eles estão só observando isso. Mas não, não vou fazer isso. Eu terei outras chances. Outras situações. Agora... Eu acho que você me atrapalhou. Minha vinda aqui foi inútil. Adeus. — ele se afastou, guardou a faca no bolso outra vez e sussurrou algo no ouvido dele. Virou as costas e saiu. O guarda que segurava Trevor foi atrás dele.
–Certo, o que foi isso? — perguntou Sebastian — De onde vocês se conhecem? Esse cara tentou me matar ontem! E hoje ele fala com você como se fossem velhos amigos. Ou inimigos, que seja. O que ele quer?
–Tudo bem, Noah? — perguntou Donald.
–Tudo, não se preocupem. Acho que devo uma explicação pra vocês. Ele é um... Colecionador de relíquias antigas. Espadas, artefatos, entre outros. A última vez que o vi, antes de hoje, eu havia descoberto que ele havia entrado pra uma antiga seita daquela sua teoria, Donald. Ele estava totalmente escravizado por aquilo. Ele começou a financiar várias expedições e buscas atrás de artefatos. E tivemos um confronto. Eu mandei ele escolher e ele escolheu eles. E, nunca mais nos vimos.
–E o que ele sussurrou no seu ouvido?
–Bom, ele disse... — um telefone começou a tocar — Não é o meu.
–É o meu. — disse Sebastian. Ele atendeu — Alô? Sim, e você? Claro. Não, não. Estou no hospital. Comigo sim. Longa história. Sim, me encontra aqui. Certo, vou te passar o endereço. Espero sim. Certo, posso falar?
–O que você dizia? — disse Trevor para Noah.
–Ele me mandou dar um recado pra uma pessoa. Nada relevante.
–Desculpa a demora. — disse, guardando o telefone — Dois amigos meus estão vindo aqui. Visitar o Trevor. Podemos conversar enquanto eles não chegam. Temos cinco minutos. Desculpe, Noah, mas posso fazer uma pergunta?
–Claro. Por que não poderia?
–Você não disse como conheceu aquele homem. O Edward.
–Sim, e?
–De onde vocês se conhecem?
–Bom... Ele é meu irmão.
–Como? — Donald se engasgou — Você nunca me disse que tinha um irmão!
–Vocês nunca perguntaram. Vocês viram que nosso relacionamento é complicado.
–Certo, é muita informação pra mim. Eu estou estourando de dor de cabeça e preciso de café. A noite foi horrível. O dia está confuso. Já volto.
–Eles traficaram uma espada para o meu irmão. Eu escondi que tinha um irmão. Então, já que estamos nessa troca de segredos, você pode dizer o que está te incomodando, Don?
–Me roubaram. — ele cuspiu a resposta — Me ligaram, marcaram um encontro, eu encontrei um casal que disse que iria me ajudar. Eu acabei levando ela pra casa e quando eu acordei, ela tinha levado meu notebook. E deixou uma mensagem no meu telefone dizendo que... Se desculpando por ter levado minha pesquisa, e que ela faria um bom uso.
–Então uma mulher desconhecida te liga, marca um encontro e você vai alegremente pra cama com ela?
–É mais idiota do que eu pensei que seria.
–Não, é mais idiota ainda. Meu telefone de novo. — o arqueólogo atendeu — Sim, certo. Vou descer pra encontrar vocês. — e desligou — Eles chegaram. Vocês vem comigo. Já vamos subir de novo, Trevor. Não se preocupe.
–Podem ir. Acho que eles não vão voltar.
Eles foram até o corredor. Um médico estava de pé na porta, entrando.
–Vocês podem me explicar o que houve aqui? Antes que eu chame a polícia.
–A versão resumida: Queriam matar o nosso amigo, nós vimos, chegamos aqui no último minuto e conseguimos impedir que ele fosse assassinado dentro do seu hospital. Se você realmente dá valor ao seu emprego, você não vai chamar a polícia pois sabe que seus chefes vão ter que dar muitas explicações de como eles deixaram pessoas não autorizadas entrarem no quarto de um paciente que deveria estar sendo observado. E isso daria um belo processo. E eu tenho certeza que ganharíamos. E seus chefes, sem dúvida, iriam te colocar na rua. Então não faça mais perguntas. — ameaçou Noah — Mais alguma coisa?
–Não. — o médico virou as costas e saiu, murmurando algo sobre respeito.
–O que foi isso? — perguntou Sebastian enquanto iam para o corredor.
–Se eu aprendi alguma coisa sendo professor, essa coisa é que qualquer pessoa acredita em você se você for firme. — respondeu, enquanto esperavam o elevador.
O elevador chegou e eles entraram. Desceram. Quando chegaram no térreo, foram até a recepção. Ele os levou até um banco onde dois ruivos estavam sentados de costa. Ele tocou o ombro deles, chamando-os. Donald estava distraído respondendo uma mensagem em seu celular.
–Esses dois são meus amigos. Noah Hayes e Donald Curtis. Don, Noah. Esses são são meus amigos que vieram visitar o Trevor. — Don tirou os olhos do telefone e olhou para o casal na sua frente.
–Vocês? — ele engoliu em seco.
–Don? — ela disse, surpresa — Desculpa.
–Vocês se conhecem? — perguntou Sebastian — Vocês conhecem todos as pessoas que eu conheço ou é muita coincidência?
–Lembra que eu disse que me roubaram ontem? Foram eles.
–Espera, eles te roubaram?
Maureen deu um leve sorriso. Eoghan olhou para ele com um olhar de reprovação. Noah e Sebastian tentavam entender a situação. Donald estava confuso.
–Peça desculpas para o Trevor. Tenho que ir. — o escritor virou as costas e saiu.
–Fique aí com eles. Vou tentar falar com o Don. Qualquer coisa eu te ligo. — o professor o seguiu. Ambos saíram para o pátio. O arqueólogo seguiu com o casal para o quarto de Trevor.