Anatomy

37 Capítulo 37


Notas iniciais
~correndo das pedradas, tiroteios, tomates~ OOOOI GENTE '-' eu sei que demorei pra atualizar e muito, mas como vocês sabem eu editei a fic inteira e depois disso entrei em semana de provas na faculdade e fiquei de exame em algumas matérias (#XATEAD) e eu tive de abandonar a fic pra respirar livros e cálculos. Peço perdão a vocês que aguardaram tanto tempo pela continuação, mesmo depois da fic ter entrado em manutenção. Gostaria de saber o que vocês acharam das mudanças? Está confuso?
Espero que gostem do capítulo e bem, no capítulo tem lemon (já disse que sempre fica uma merda?) Boa leitura minhas lindas ♥

Zachary’s Pov

Acordei com o simples desejo de dormir o dia inteiro. O motivo? Era uma data que eu não gostava nem um pouco... Era 11 de dezembro, dia do meu aniversário.

Vendo que o despertador não pararia de tocar e que não adiantaria o fato de enrolar na cama numa tentativa frustrada de permanecer deitado, me levantei, desliguei o pequeno aparelho e segui até o banheiro.

Brian resmungou e não se levantou, sequer abriu os olhos.

– Não vai pra aula? – perguntei assim que o cutuquei no braço na tentativa de acordá-lo, uma vez que ele nem menção fez de se levantar, sendo que sempre era ele quem se levantava primeiro.

– Não. – Brian resmungou. – Estou com muita dor de cabeça. Acho que estou ficando gripado. E esse vento gélido da manhã só me faria piorar. – tossiu, voltando a se cobrir. – Pouco dormi durante a noite.

O encarei com uma sobrancelha arqueada enquanto pegava um termômetro no criado mudo e colocava em sua axila direita.

Brian parecia nem ter se lembrado da data, e eu até agradeci mentalmente.

– Bom, com febre você não está. – eu disse assim que peguei o termômetro e encarei o mesmo. – Menos mal. – sorri fraco.

– É... – ele resmungava enquanto demonstrava sonolência.

– Eu vou ter de ir, embora não queira... Qualquer coisa me liga que eu volto correndo pra ficar com você.

– Obrigado... Mas não precisa se preocupar comigo, Zee. É só uma gripe idiota.

Sorri, beijando-lhe no topo da cabeça.

– Logo estou de volta. Se cuide até lá.

Brian apenas acenou, fechando os olhos novamente. Aproveitei para me retirar e ir para a faculdade.

Zachary’s Pov Off

Brian’s Pov

Assim que Zachary se retirou, liguei para Ashley que logo estava em frente da casa, apertando desesperadamente a campainha.

– Eu poderia virar ator, se bem que eu não gostei de ter enganado Zacky. – disse assim que abri a porta para ela e me surpreendi ao me deparar com Joseph ao seu lado. – J.J, você por aqui. – sorri.

– Qual é? Sou pequeno, mas sou forte. – ele disse rindo. – E Ashley de repente começou a falar comigo e praticamente me arrastou pra cá e ok, eu gostaria de ajudar. Nunca fiz e/ou ganhei festas surpresas.

– Quem sabe um dia nós preparamos uma festa surpresa pra você. – eu disse risonho.

– Não será mais tão surpresa, mas o que vale é a intenção. – riu enquanto sentava no sofá. – Já sabem o que vão fazer?

– Já. – sorri sentando-me no outro sofá juntamente de Ashley. – Vamos começar cuidando da decoração da casa.

– Eu não sou bom pra decoração... Se vocês vissem meu apartamento concordariam comigo. – riu sozinho. – Mas é só dizerem o que fazer que eu certamente farei.

– É por isso que te trouxe. – Ashley finalmente se pronunciou.

– Bom... Vamos começar a decorar. – me pus de pé, pegando uma caixa grande contendo objetos de decoração para festa que se encontrava escondida atrás da escada e entreguei para Ashley. — Temos muita coisa pela frente até o inicio da festa.

– Com certeza temos... – a loira sorriu.

– Joseph, você poderia afastar um pouco os sofás para que a sala fique mais espaçosa?

– Claro. – o pequeno se pôs de pé e começou a fazer o que lhe pedi.

Puxei Ashley para a cozinha.

– Você e Joseph... – comecei.

– Não voltamos nem nada, apenas o chamei. Quer dizer, o arrastei, para ele nos ajudar... Nada mais do que isso. – mordeu o lábio. – Nós nem estávamos mais nos falando, mas eu sei que você o convidou e seis mãos trabalham mais que quatro.

– Você está sofrendo por causa dele, não é mesmo?

Ela apenas suspirou.

– Eu vou superar... Agora vamos focar na festa do seu amado. – ela sorriu, brincando com o meu cabelo. – Apesar de tudo, me faz bem estar perto dele... – murmurou.

– Eu gostaria muito que vocês se acertassem e voltassem... Saiba que estou torcendo para que isso aconteça.

– Não sei se isso acontecerá, mas agradeço pela torcida. – ela sorriu. – Vamos trabalhar, okay?

– Okay. – retribuí o sorriso e assim começamos a decorar os cômodos da casa. Enfeites, luzes coloridas, bexigas já davam uma alegria a mais para o local, dando sinais que a festa surpresa seria boa.

Joseph e Ashley andavam de um lado para o outro carregando caixas, subindo em escadas, arrumando as caixas de som, testando luzes enquanto eu fazia ligações para confirmar todas as encomendas que eu havia feito.

– O plano é o seguinte: enquanto vocês terminam a decoração, eu vou buscar doces, salgados, bebidas e claro, o bolo. Quando Zachary chegar, eu fingirei que estou passando mal e nem vou deixá-lo entrar, implorando para que ele me leve ao hospital. Lá seremos recepcionados por Christopher, um médico amigo dele, que tentará nos segurar durante a tarde toda, enquanto vocês ficam aqui, e o mais importante... Liguem para esses números. – joguei uma pequena lista no colo de Joseph. – Todos já estão cientes, apenas confirmem as presenças e no fim, podem se arrumar por aqui mesmo e recepcionar os convidados.

– Sim senhor. – Joseph bateu continência, rindo em seguida, voltando a organizar as músicas que tocariam na festa.

Rolei os olhos, pegando as chaves do carro de Ashley.

– Você vai ficar bem a sós com ele? – perguntei baixo para ela, que apenas riu sem jeito.

– Vou.

– Não vai atacá-lo?

– Não... – ela rolou os olhos, rindo em seguida. – Vai logo.

– E nem vão brigar.

– É provável que não troquemos uma só palavra.

– Parecem duas crianças birrentas.

– E somos. – piscou. – Agora vá logo.

– Já estou indo. Juízo. – beijei seu rosto e me retirei. Indo atrás das minhas pequenas encomendas.

Brian’s Pov Off

Zachary’s Pov

A manhã se passou mais lenta do que o comum. Muitas vezes pensei em ligar para casa para ver se Brian estava bem, mas era muito provável que ele estaria dormindo e eu não gostaria de acordá-lo.

Eu me via responsável por ele, e eu só me sentia bem ao fazê-lo se sentir bem.

Era engraçado notar que até meses atrás eu não conseguia sequer aceitar a idéia de ter outra pessoa ao meu lado, e desde então eu passei a me sentir tão dependente de Brian, tão dependente de seus toques, de seu sorriso, de sua presença.

Assim que o ultimo sinal do dia soou, indicando o fim das aulas, fiquei apenas tempo necessário para guardar alguns poucos pertences na sala dos professores e me encaminhar direto para o estacionamento, procurando ser o mais breve possível para chegar a minha casa.

Porém, logo que estacionei o carro em frente a minha casa, me deparei com Brian sentado no jardim, vestido de um moletom duas vezes maior que o tamanho que ele usava, enquanto acariciava os pêlos de Icky, que estava deitado ao seu lado.

– Brian? – o chamei assim que me retirei do veículo.

– Zee... Estava esperando você chegar para me levar ao hospital. – Brian foi correndo até mim, me abraçando fortemente em seguida. – Estou me sentindo muito mal.

– O que você está sentindo? – perguntei levantando seu rosto para mim.

– Tontura, enjôo, dor de cabeça, dor de garganta... Ai tudo dói. – fez um bico infantil, voltando a me abraçar. – Minha coluna também dói. Pensei que tinha sarado, mas voltou a doer depois de tanto tempo.

– Você fez algum movimento brusco?

– Não, eu passei o dia deitado, praticamente imóvel... Me leve ao hospital, por favor.

– Eu posso cuidar de você aqui.

– NÃO! Me leva ao hospital lo... – foi interrompido por uma crise de tosse.

– Só me faltava você estar com pneumonia... – comentei. – Entra no carro.

Ele seguiu para o lado do passageiro enquanto eu dava partida no automóvel, procurando seguir, o mais depressa possível para o hospital.

Brian tossia muito e por vezes resmungava.

– Você deve estar cansado... – comentou assim que a tosse lhe deu uma trégua.

– Não tanto quanto a minha preocupação com você agora. – acariciei seu rosto.

– Não precisa se preocupar. – disse baixo enquanto eu estacionava o carro próximo ao hospital.

O abracei e caminhamos juntos até a entrada, nos deparando com Christopher na recepção.

– Quem é vivo sempre acaba aparecendo no hospital. – comentou risonho assim que nos viu.

– Brian está com dores e uma tosse chata. – disse após cumprimentá-lo com um aceno de mão.

– Então vamos averiguar. – Christopher pegou uma ficha e acenou para nós dois. – Me acompanhe, Brian.

– Vem comigo Zee? – perguntou manhoso.

Eu apenas concordei com a cabeça, seguindo com Brian até a sala de Chris, que indicou com a cabeça para que nos sentássemos assim que adentramos em sua sala.

– Então Brian... O que está sentindo?

– Dor de cabeça, dor de garganta, muita sonolência. – Brian dizia pausadamente. – Até minha costela que eu fraturei há algum tempo atrás e que não doía mais, doeu

– E desde quando vem sentindo isso?

– Há alguns dias. – respondeu, me fazendo encará-lo confuso.

Brian até o dia anterior sequer apresentara um sinal de que estaria sentindo dor. Sequer parecia estar indisposto como pareceu pela manhã.

– Certo. – Christopher fazia algumas anotações e por fim voltou a olhar Brian. – Você fará alguns exames agora e assim que o resultado chegar, eu posso diagnosticar o que é que você realmente tem.

Brian concordou e me encarou com a dúvida no olhar.

– Posso acompanhá-lo nos exames? – perguntei assim que uma enfermeira adentrou na sala.

– Infelizmente não é permitido. – Chris sorriu reconfortante. – Mas pode me acompanhar em um café.

– Bom, eu aceito. – encarei Brian. – Vou ficar por aqui, te esperando.

– Tudo bem. – se levantou triste, beijou o topo de minha cabeça e se retirou juntamente da enfermeira.

– O que acha que Brian tem? – perguntei assim que caminhávamos rumo à lanchonete do hospital.

– Não posso afirmar ainda, tenho minhas suspeitas, mas não quero dizê-las para não te deixar assustado a toa.

Sentamos próximos ao balcão, pedindo duas xícaras de café.

– Só acho estranho o fato de Brian não ter comentado disso comigo nos últimos dias. Ele sequer reclamou de dor de cabeça.

– Tenho casos de maridos de pacientes que não aguentam as esposas reclamarem de dor, já com você é diferente. Brian não reclama. – riu e eu rolei os olhos.

– Está tudo muito estranho... Só espero que Brian não tenha nada de mais. – comentei, bebericando meu café recém entregue.

Christopher concordou com a cabeça com um sorriso de canto. Ficamos em silêncio, apenas degustando nossa bebida.

– Hoje é seu aniversário, não? – disse um tempo depois.

Concordei com a cabeça, com um sorriso fraco.

– Meus parabéns! – se levantou e por fim me abraçou, retribui o abraço sem muita vontade. Christopher fora o primeiro a se lembrar de meu aniversário, sendo que até então eu estava agradecendo por ninguém ter se lembrado da data.

– Obrigado. – forcei um sorriso, bebendo o pouco de café que restava na xícara.

– Vou ter de ir ver alguns pacientes... Os exames de Brian logo estarão prontos. Pode aguardar na sala de espera. É muito provável que não demore muito.

– Assim que souber do resultado, não hesite em me contar.

– Pode deixar. – sorriu. – Até já, Zachary. – se levantou e partiu rapidamente.

Chris parecia ter algo para me contar e isso estava me deixando mais preocupado. Brian teria alguma doença grave?

Suspirei e fui até a entrada do hospital, buscando no bolso de trás da calça meu maço de cigarros e pondo um na boca, acendendo-o em seguida.

Pessoas iam e vinham, umas choravam, outras sorriam. Outras sequer emboçavam um sentimento, e eu me incluía nesse grupo. Enquanto a nicotina dominava meus sentidos, eu pensava. Pensava na vida, e em tudo que eu havia feito nos meus 40 anos. Sim, eu estava completando 40 anos naquele dia.

Sentei-me num banco próximo a entrada, enquanto passava a observar melhor o ambiente e as pessoas.

Em 40 anos eu havia aprendido a lidar com perdas embora elas ainda doessem, assim como eu havia aprendido a amar mais uma vez e mais intensamente do que a primeira vez. Havia conquistado amigos, na mesma frequência em que os perdi, num piscar de olhos. Deparei-me com a morte e trabalhei com ela, embora tenha passado a desejar seu oposto desde quando conheci Brian.

Eu poderia até estar fazendo tempestade em copo d’água, até porque era apenas mais uma data tola onde eu estava fazendo mais um ano de vida. Nada de anormal. Mas pôr a própria vida numa balança naquele momento, me fez perceber que eu não havia vivido o suficiente o que eu deveria viver em todos aqueles anos. Remoer-me por mortes de pessoas próximas, fez o meu eu morrer. Fez o meu eu deixar de querer aproveitar a vida ao extremo.

A vida passa num piscar de olhos. E com esse susto de Brian, me fez enxergar isso muito mais claro.

Eu finalmente poderia dizer que estava vivendo a partir de então, mas e se Brian tivesse algo? Como é que eu conseguiria continuar a querer viver nesse ritmo?

– Zacky? – olhei para o lado e me deparei com Chris novamente. – Brian já está de repouso.

– Repouso? Por quê? – me levantei assustado, jogando a bituca do cigarro longe.

– Calma. Ele só está de repouso por conta dos medicamentos.

– O que ele tem? – perguntei rapidamente.

– Ele apenas está com a imunidade baixa. Não se preocupe.

– É só isso mesmo? – arqueei uma sobrancelha.

– Sim.

– Parece que você tem mais alguma coisa para me contar. – cruzei meus braços.

Christopher apenas riu nervoso e negou com a cabeça.

– Posso ir vê-lo? – perguntei.

– Claro.

O acompanhei até o quarto onde Brian dormia. Aproximei-me do mais novo e acariciei seu rosto.

– A tosse cessou? – perguntei para Chris.

– Sim. – bateu levemente em meu ombro. – Vou deixá-los a sós. Assim que Brian despertar, está dispensado.

– Ok. Obrigado Chris.

– Sem problemas. – sorriu.

Sentei-me na poltrona ao lado de Brian, enquanto passava a folhear uma revista que jazia ali.

Zachary’s Pov Off

Ashley’s Pov

Brian havia telefonado, avisando que tudo estava correndo dentro dos conformes. Dissera que estava conseguindo segurar Zachary e permaneceria assim até mais algumas poucas horas, ou seja, até o inicio da noite. Hora marcada para a chegada de todos os convidados.

Joseph terminava os últimos detalhes da decoração enquanto roubava alguns doces, já eu estava sentada prestando atenção em cada movimento seu.

– Joseph? – o chamei.

– Hm. – murmurou com a boca cheia.

– Você não sente falta?

– De? – me olhou após digerir os doces.

– Nós. – retribuí seu olhar.

Ele apenas engoliu em seco e desviou seu olhar.

– Por que pergunta isso? – sua voz saiu baixa e vacilante.

– Gostaria de saber se sente o mesmo que eu.

Mas ele mais nada disse, apenas encostou seu corpo no balcão e passou a encarar o nada. Eu me levantei e o único som que era possível ouvir era os de meus sapatos de salto contra o piso do cômodo indo em direção a Joseph, que procurava não me olhar nos olhos.

– Não Ash... – ele murmurou enquanto eu aproximava meu rosto do seu. – Não insista. Só vamos sair machucados.

– Por quê? Você não me ama mais? – eu perguntei baixo insinuando minha boca contra a sua.

– E-Eu... A campainha. – me empurrou delicadamente e se dirigiu para a porta, cuja campainha havia acabado de soar.

O primeiro convidado havia acabado de chegar, e eu havia desperdiçado minha chance de ter ficado quieta no meu canto sem parecer uma oferecida apaixonada para Joseph.

Ashley’s Pov Off

O caminho para casa fora silencioso. Brian fora dispensado assim que despertara.

Zachary dirigia receoso e lentamente enquanto Brian não se aguentava de tamanha ansiedade embora conseguisse disfarçar qualquer semblante que pudesse despertar a curiosidade aguçada de seu professor.

– Você realmente está bem? – o mais velho perguntou assim que ambos desembarcaram do automóvel.

– Sim. – sorriu. – Christopher realmente é um ótimo médico. – riu, abraçando o professor enquanto caminhavam para a entrada da casa.

– Acho que você estava inventando uma desculpa para vê-lo. – brincou o mais velho.

– Não mesmo. – riu baixo enquanto deixava Zachary abrir a porta e acender a luz.

– SURPRESA! – fora surpreendido por um coro de diversas pessoas conhecidas presentes em sua sala.

Zachary encarou Brian e por fim encarou a todos que estavam na sala.

– Acha que me esqueci da data? – o mais novo perguntou enquanto ria da expressão assustada do professor.

– Então foi tudo fingimento? – o mais velho perguntou ofendido para Brian que riu. – E todo mundo aqui sabia do ocorrido? – todos os convidados concordaram. – Como vocês são bacanas...

Todos riram e assim a festa finalmente fora iniciada. Com uma boa música ambiente, os convidados abraçavam e parabenizavam o aniversariante que por vez ou outra olhava para Brian, tentando agradecê-lo.

Presentes eram entregues, conversas eram postas em dia, bebidas eram consumidas, corpos movimentavam-se conforme a música. Enfim, a festa fluía como o planejado por Brian que sorria e agradecia quando era possível cada convidado que havia comparecido.

Logo Owen puxou Brian para conversar juntamente de Amy e a conversa seguia animada até o próprio reparar em Zachary, que estava sozinho e distraído na sacada, fumando, enquanto segurava um copo de bebida.

– Eu sei que você não gosta muito dessa data... Mas pensei em fazer uma pequena festa. – Brian disse enquanto abraçava o professor por trás, o pegando de surpresa. — Espero que tenha gostado. – sussurrou, pegando o copo de bebida do mais velho, bebendo um pouco do conteúdo em seguida. – E me desculpe por ter te enganado o dia inteiro.

– Eu gostei. – sorriu sem jeito, virando-se de frente para o mais novo, apagando seu cigarro em seguida. – Nunca ganhei uma festa do tipo. – comentou.

– Eu até gostaria de fazer uma festa maior com muita gente, mas achei que seria muita invasão mexer em sua agenda para ligar para seus amigos. Então chamei os amigos em comum e os mais próximos, e principalmente os que sabem sobre nós. – sorriu.

– Obrigado Brian... – o mais velho o encarava divertido. – Vou ficar mal acostumado com você me agradando e me surpreendendo sempre.

– Pode ficar mal acostumado, eu não me importo de mimar você pelo resto da minha vida. – riu, encostando sua cabeça no ombro do professor.

– Posso dar um abraço parabenizando meu amigo que eu tive de enganar no hospital hoje? – Christopher apareceu atrás do casal, fazendo-os se desvencilharem e assim pode abraçar Zachary.

– E quase falhou! – Zachary comentou. – Dava para ver que você gostaria de me contar sobre. – riram.

Brian sorriu ao ver a cena, mas resolveu se retirar dali para buscar uma bebida para si e deixar os amigos a sós.

– Brian? – Alicia o chamou antes mesmo que chegasse até a mesa. – Charles não virá?

– Acho que não... Eu mesmo nem o convidei.

– Por causa da briga dele com Zachary? Ashley comentou algo do tipo comigo...

– Sim, eles nunca mais se falaram a partir de então, seria inconveniente chamá-lo. – sorriu simpático. — E vocês se separaram mesmo?

– Sim. Faz um bom tempo que não o vejo e fiquei com receio de vir e encontrá-lo... Então Ashley me contou que os dois se desentenderam... Charles não é mais o mesmo cara que eu me apaixonei há um bom tempo atrás.

– Sinto muito pelo término de vocês.

Alicia sorriu triste.

– Sinto saudades dele, mas vou parar de me lamentar... – riu. — Gostei da sua iniciativa em fazer essa festinha surpresa para Zacky. – ela sorriu. – Espero que vocês sejam felizes, Zachary merece ser feliz.

– Obrigado. – o mais novo retribuiu o sorriso. – E espero que você também seja feliz, com ou sem Charles.

Alicia acenou com a cabeça enquanto via a irmã já alterada se aproximar dos dois.

– Eu quero Joseeeeph. – Ashley abraçou Brian com lágrimas nos olhos e um copo de bebida em mãos. – E ele está conversando com uma desconhecida!

– Sério mesmo que você está bêbada? – Brian rolou os olhos, abraçando a amiga e a levando para o quarto de Zacky.

– Você não entende Brian... Você tem um cara que te ama. Joseph nem liga mais para a minha existência. – disse assim que fora colocada na cama. — Eu só o queria de volta.

– Aquela história de que você iria superar... É, eu sei que você não vai superar.

– Eu vou descer e vou falar tudo o que eu tenho pra falar pra ele. – fez menção de se levantar, mas Brian a impediu. – E vou bater na vagabunda que está conversando com ele.

– Não! Você está bêbada e certamente se arrependerá depois.

– Mas Bri...

– Fique sóbria e converse com ele, caso contrário, não.

A loira cruzou os braços e se virou na cama. Brian deitou-se ao lado dela, zelando para que a amiga não cometesse nada que a fizesse se arrepender depois.

Enquanto isso, na festa que se seguia na sala, Zachary sorria ao ver os convidados que ali estavam. Não eram muitos, mas todos ali presentes tinham um enorme valor sentimental para ele. Pena que quem ele mais considerava, não estava ali presente. E provavelmente nunca mais estaria presente em qualquer circunstancia de sua vida.

Charles’s Pov

Estava sentado na poltrona, encarando a rua lá fora. Era aniversário de Zachary e pela primeira vez desde que nos conhecemos, eu estaria longe de meu amigo. Pela primeira vez eu não ligaria, nem mandaria presentes, como todo ano fazia.

Tudo aquilo me doía, mas meu maldito orgulho não me permitia demonstrar. Meu maldito orgulho não me fazia levantar daquela poltrona e me dirigir até a casa de Zacky para parabenizá-lo.

Nenhum amigo se comparava a Zachary, nenhuma amizade fora tão verdadeira como aquela que tive com ele.

Eu tinha de ser tão estúpido?

Eu apenas queria o meu melhor amigo de volta.

Charles’s Pov Off

Brian’s Pov

Assim que todos se despediram, Zacky encostou a porta enquanto eu o encarava com os braços cruzados e um sorriso sugestivo no rosto.

– A festa foi ótima, mas está na hora da nossa festa... – comentei mordendo meu lábio e ele me encarou com um sorriso largo no rosto.

– Você me enganou direitinho... Não sabe o quanto fiquei preocupado com você. – envolveu suas mãos em minha cintura, colidindo nossos corpos. – Fiquei com tanto medo de supor que você tivesse alguma coisa grave.

– Pelo menos consegui realizar meu plano.

– Você é um ótimo ator. – murmurou contra meus lábios.

– Eu sei. – pisquei antes de sentir seus lábios nos meus, iniciando um beijo, arrastando-o até o seu quarto.

Eu tirei sua camisa branca num excesso de desespero e necessidade, sem me preocupar com o fato de ter praticamente rasgado sua vestimenta. Zachary fez o mesmo comigo em seguida, arrancou-me a camiseta cinza que vestia e avançando em meus mamilos, sugando-os com desejo.

Sua ereção já era notável e eu fazia questão de me esfregar nela do modo mais obsceno possível. A luxúria era evidente em nossos olhares e atos. Já éramos tão íntimos um do outro. Conhecíamos cada detalhe do corpo do outro, mas a cada transa nossa era um momento especial.

Toda vez que estávamos prestes a nos amar, eu me sentia como se fosse a nossa primeira vez.

Beijávamos-nos enquanto arranhões e carícias eram desferidos em nossos corpos, fossem nas costas, peitoral, abdômen...

Zachary me conduziu até sua cama, me deitando em seguida, beijando-me do pescoço ao ombro enquanto sua mão acariciava meu membro por cima do jeans escuro que eu vestia. Eu mordia meu lábio fortemente cada vez que eu sentia seus lábios úmidos roçarem em minha pele.

Logo minha calça fora retirada junto de minha roupa íntima, e soltei um gemido alto ao sentir seus lábios me beijarem na região do abdômen e sua língua deslizar até próximo da minha virilha. Mas Zachary não prosseguiu naquilo que eu imaginaria que ele fosse fazer.

Ele parou subitamente e retirou o resto das roupas que vestia. Com um sorriso malicioso comecei a me tocar, analisando seu corpo despido a minha frente. Zachary me encarava com os olhos ardendo em desejo e eu sabia que ele gostava de me ver daquela forma, me tocando e o desejando ao mesmo tempo, o encarando com olhar de malícia e súplica para tê-lo, me causando sensações que só ele conseguia me proporcionar em quatro paredes.

Porém ele pousou sua mão em cima da minha e tomou meus dedos em sua boca, lambendo cada resquício de pré-gozo que meu membro havia liberado enquanto me tocava. Ao limpar minha mão, ele inclinou-se até o criado-mudo, abrindo a gaveta da mesma e retirando dali um pequeno tubo de lubrificante. Inevitavelmente ri enquanto seu rosto ganhava tons avermelhados, mas nossas reações não levaram muito mais tempo, logo Zachary estava passando lubrificante em seu membro ereto e na minha entrada.

Logo foi possível sentir seu membro invadir minha entrada de um modo nada gentil, me fazendo lembrar-me de acontecimentos passados que eu gostaria de esquecer. Mas Zachary interrompeu meus maus pensamentos ao encostar seus lábios nos meus e me beijar do modo mais apaixonado possível, enquanto sua mão acariciava-me nas maçãs do rosto.

Minhas pernas foram para em volta da sua cintura enquanto ele apoiava seus braços na cama. Seu quadril movimentava-se rapidamente contra o meu. Eu arfava e em meio a gemidos eu implorava por mais e chamava seu nome do modo mais provocante possível. Zachary correspondia aos meus desejos com estocadas cada vez mais fortes.

Nossos corpos suavam e movimentavam-se juntos, e então Zachary do modo mais bruto me deitou de lado e se posicionou atrás de mim, erguendo minha perna e penetrando em minha entrada mais uma vez.

Sentir seu membro dentro de mim junto com a sua respiração descompassada que colidia violentamente em minha nuca me causava uma sensação boa. Ele gemia coisas desconexas, sussurrava meu nome e por vezes mordia, beijava e lambia minha nuca e ombros enquanto sua mão fora até meu membro, que até então não tinha recebido nenhuma atenção, para me masturbar.

Eu joguei minha cabeça para trás enquanto minha mão foi até suas nádegas e eu as apertava com desejo e sempre clamava por mais, querendo que aquilo não acabasse nunca.

Meus gemidos saiam roucos por conta de minha voz que começara a falhar e minhas pernas já estava bambas, meu corpo suava e meus lábios entreabertos numa tentativa de recuperar o ar denunciaram que eu não aguentaria por muito mais tempo. Então eu me deixei levar pelas mãos ágeis de Zacky e por todo seu corpo em atrito constante com o meu. Logo eu me derramei em suas mãos, soltando um gemido baixo e aliviado.

Zachary deu mais quatro estocadas fortes e se derramou dentro de mim, gemendo pela última vez em meu ouvido.

Ele aconchegou-se ao meu lado na cama e eu encostei minha cabeça em seu peito, sentindo sua mão vir de encontro ao meu cabelo e acariciar-me ali.

Ficamos ali, sentindo a presença do outro em silêncio, com um sorriso de satisfação nos lábios.

Ao perceber que Zachary estava quase adormecendo, suspirei alto e depois de contar até dez, adquiri coragem para contar sobre um assunto delicado: a morte de minha mãe.

– Eu já te contei que meu pai foi policial? – perguntei quebrando aquele silêncio.

– Não. – Zachary respondeu depois de um longo bocejo. — Ele não é mais?

– Não... Foi aposentado antecipadamente. – mordi meu lábio, encostando minha cabeça no travesseiro para poder encará-lo.

– Por quê? – perguntou, remexendo-se na cama e deitou-se de lado, enquanto cobria nossos corpos.

– Bom... – suspirei mais uma vez. – Meu pai era considerado um dos melhores policiais daqui, principalmente por ser excelente no serviço de inteligência e nunca ter se submetido a nenhum tipo de corrupção. – sorri fraco. — Ele investigava e desvendava muitos crimes que ocorriam na região. Dias antes da morte de minha mãe, ele prendeu um traficante de uma das maiores quadrilhas daqui, sendo que ele investigava essa quadrilha há muito tempo... O traficante preso era o líder dessa quadrilha. Lembro-me que assim que ele obteve sucesso em sua investigação, seus superiores lhe deram folga... Então ele e minha mãe resolveram passear, para aproveitar a tal folga. Eles até me chamaram para ir junto, mas eu rejeitei. Até porque eu iria sair com Owen e... Collins. – disse o ultimo nome quase sussurrando, principalmente ao perceber o olhar curioso e por fim, raivoso de Zachary. – Segundo os policiais, alguns homens mascarados cercaram o carro de meus pais no momento onde só minha mãe e Luly estavam dentro... Esses homens então alvejaram o carro com minha mãe dentro. Vários disparos a acertaram, e inevitavelmente acabou acertando minha cadela também. – mordi meu lábio, enquanto meus dedos deslizaram sobre os cabelos de Zachary. – Meu pai ao ouvir os barulhos dos tiros, correu até o carro, mas os homens já estavam fugindo, porém um deles o viu e atirou em sua direção, acertando sua perna. Então por causa disso, ele fora aposentado por invalidez. – mordi meu lábio. — Disseram que minha mãe chegou a ser socorrida, e ainda estava viva no hospital, mas ao chegar lá, o médico plantonista fez pouco caso. Demorou a atendê-la, e no fim ela não resistiu aos ferimentos... O que mais me dói nessa história é saber que minha mãe poderia ser salva.

Zachary ficou em silencio, me encarando, enquanto uma lágrima solitária escorria sobre meu rosto.

– Eu sinto muito, Brian. – ele disse roucamente.

Acenei com a cabeça, secando minha lágrima.

– Às vezes me pego pensando em como seria se eu tivesse aceitado sair com eles... Talvez o meu fim fosse igual ao de minha mãe. E eu confesso que por longos dias, eu desejei estar ali com ela quando tudo aconteceu.

– A vida costuma nos testar... – ele disse sem tirar os olhos de mim. – O nosso destino é escrito a partir de nossas próprias escolhas. Parece confuso, mas no fundo faz todo o sentido. Eu já me peguei pensando em como seria se eu e Kath tivéssemos marcado um jantar em um restaurante qualquer... Aquilo teria evitado sua morte. – ele disse baixo, desviando seu olhar. – Mas agora eu penso e percebo que se você tivesse saído com seus pais naquele dia, provavelmente nós não teríamos nos conhecido... Se Kathleen não tivesse morrido, nós provavelmente nunca ficaríamos juntos.

– Faz sentido. – disse baixo, sorrindo fraco. – A males que vem para o bem, não é mesmo?

– Exatamente.

– Eu resolvi contar sobre minha mãe porque foi a partir de então que minha vida virou de pernas pro ar... E também porque você não gosta muito do próprio aniversário por conta de sua mãe.

Zachary concordou com a cabeça.

– Não comemoro meu aniversário desde os meus 11 anos. – comentou. – Mas acho que agora vou voltar a comemorar... Depois dos meus 40. – riu.

– Se depender de mim, irá comemorar mesmo.

– Obrigado mais uma vez Brian. – pousou sua mão em cima da minha.

– Não precisa me agradecer... – sorri. — Feliz aniversário, Zee.

– Acho que agora o “feliz” faz mais sentido para mim.

Nos entreolhamos e sorrimos.


Notas finais
Reviews lindos? ♥