Anatomy
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Brian’s Pov
Depois de uma noite tranquila de sono, acordei por volta das nove horas da manhã e percebi que Zachary não estava mais ao meu lado na cama.
– Zee? – perguntei e não obtive respostas. – Saiu de casa e nem me avisou. – murmurei enquanto me levantava da cama, calçava o par de chinelos e ia para o banheiro fazer minha higiene matinal. Encarei meu semblante no espelho, reparando na barba já evidente em meu rosto, decidindo fazê-la rapidamente.
Lavei meu rosto pela ultima vez, vesti uma bermuda preta e uma camiseta branca e desci as escadas lentamente, enquanto bocejava e me espreguiçava pela enésima vez.
– Olha quem acordou. – Zachary comentou assim que me viu descer as escadas. – A bela adormecida! – riu.
– Sem graça. – murmurei. — E você? Caiu da cama?– perguntei risonho, beijando-lhe rapidamente assim que me aproximei.
– Pois é. Estou corrigindo as provas. – ele riu, voltando sua atenção nas provas. – Tem café pronto na cozinha, acabei de fazer. – disse enquanto eu ia em direção da mesma.
Servi-me de café e voltei para onde ele estava.
– Nem quero ver minha nota. – ri, encostando-me na mesa. – Pouco estudei e não consigo me concentrar na matéria já que eu fico concentrado na sua beleza.
– E você acha isso bonito? – ele me olhou, tirando seus óculos e rindo em seguida. – Não é porque estamos juntos que eu vou facilitar pra você, mocinho...
– Nossa! – fingi estar chateado, mas acabei rindo também. – Eu sei que no fim você vai facilitar pra mim...
– Eu posso te reprovar só pra ter você mais um ano nas minhas aulas.
- Isso está virando obsessão. – comentei arrancando risadas de sua parte.
– Idiota. – disse por fim. – Sinceramente detesto corrigir provas, aliás, detesto provas. – comentou. — Vou tentar corrigir tudo hoje, se bem que tenho mil e uma provas pra corrigir. – bocejou.
– Ótimo. – sorri, terminando de beber todo o café.
– Ótimo? – perguntou, me encarando surpreso.
– Ótimo para eu por em prática um plano meu... – sorri. – Enquanto você está aí ocupado, eu vou sair às compras.
– Sair as compras, madame? – encostou-se na cadeira, cruzando os braços com o semblante divertido.
– Não é o tipo de compra que você deve estar achando que é... E madame é a senhora sua irmã.
Ele apenas ria enquanto acendia um cigarro.
– Então que tipo de compras seria, madam?
– Aguarde e confira. – sorri presunçoso. – Posso usar o telefone?
– A casa é toda sua. – ele sorriu me encarando, tragando seu cigarro.
Sorri e fui até o telefone, discando o numero da casa de Ashley, porém ninguém atendeu.
– Ah ótimo... Queria um toque feminino para me ajudar. – comentei comigo mesmo.
– Toque feminino? – Zachary apareceu atrás de mim, me assustando. – Você já tem isso Brian... – riu alto.
– Resolveu me espionar agora? – perguntei baixo, o prensando com meu corpo na ia da cozinha, passando a morder seu queixo.
– Não... Só vim pegar mais café pra mim. Sou inocente, eu juro. – ele ergueu as mãos para o alto, selando nossos lábios. – Mas já que é assim... Para quem ligou? – perguntou, depositando beijos em meu pescoço e ombro.
– Ashley. – me desvencilhei, antes que eu resolvesse fazer amor com ele ali mesmo na cozinha. O que faria atrasar meu plano. — Mas ela não está em casa... Vou ter que sair sozinho.
Zachary me encarou confuso, por fim relaxou sua expressão, parecendo pensativo.
– Não gosto disso. – ele disse por fim, pegando um pouco de café.
– Me empresta seu carro? – perguntei. – Seria menos perigoso.
– Não é melhor você tentar falar com Ashley e sair com ela...
– Mas até eu conseguir falar com ela, pode ser que meu plano não dê mais certo! – resmunguei.
– Então tome cuidado. – ele pegou a chave do carro e estendeu pra mim. – Muito cuidado mesmo!
– Pode deixar, capitão! – sorri e o beijei brevemente.
– E tome cuidado com meu carro...
– Já entendi. – rolei os olhos, me retirando do cômodo. – E obrigado.
Subi para o tal quarto que era de Zachary e Kathleen e encarei o mesmo por instantes.
– Hora da reforma!
Brian’s Pov Off
Charles’s Pov
Meus últimos dias se baseavam em dois trajetos: do tribunal para casa e de casa para o tribunal. Não que isso fosse de todo ruim, mas para quem vivia saindo para mil lugares, ir de casa ao trabalho e vice-versa acabava sendo um tanto quanto estranho.
Tinha dias que eu me pegava com saudades, saudades de Alicia, saudades de Zachary... Mas logo elas eram apagadas quando Matthew aparecia na porta da minha casa, com um largo sorriso e aquele olhar que me cativava.
Ele era misterioso, pois da mesma forma repentina que ele aparecia, ele desaparecia. E até tinha dias que eu me pegava pensando se tudo o que eu estava vivendo era real. Mas era... Claro que era. E a realidade tratava de me estapear no rosto, toda vez que eu me lembrava que Zachary não se considerava mais meu amigo, que ele não entraria mais em minha casa comentando sobre os artigos científicos que havia lido. Que ele nunca mais lamentaria a morte de Kathleen para mim, e nunca mais me agradeceria por ter evitado seu suicídio.
Eu estava me detestando por ter sido tão rude com meu amigo... Uma discussão tão tola, um motivo tão banal. E eu sabia que eu era quem havia provocado toda aquela situação. Como eu gostaria de reconhecer meus erros para Zachary e pedir seu perdão. Eu poderia até tentar, mas eu me conhecia muito bem, para saber que ao ficar cara-a-cara com ele, nós discutiríamos mais uma vez.
Eu me perguntava se as acusações de Zachary contra Matthew teriam sentido, mas também me faltava coragem para questioná-lo.
– Covarde... Covarde. Isso que eu sou... Um covarde. – eu dizia ao me encarar no espelho, enquanto ajeitava a minha gravata.
Modéstia a parte, eu era um excelente advogado, mas quando o assunto se resumia a mim mesmo, eu até parecia um garoto indefeso. Eu sabia que tinha de mudar esse meu jeito de ser, até porque eu queria que minha vida voltasse aos eixos. Não exatamente como era antes, mas que grande parte voltasse ao normal.
A questão era que eu estava me envolvendo a cada dia mais com Matthew. Eu não diria que eu estava amando, ou me apaixonando, mas eu estava gostando dele. E eu sentia que era recíproco.
Charles’s Pov Off
– Cuidado Zee! – Brian o advertiu assim que ambos quase caíram da escada.
– Como você quer que eu tenha cuidado na escada com você tampando os meus olhos? – o mais velho perguntou rindo.
– Tendo cuidado, oras. – Brian também riu. — Confie em mim e deixe-me guiá-lo. – disse baixo.
– Eu acho que você esta tirando proveito, já que está me encoxando.
– Cala a boca. – riu e beliscou o professor, recebendo um resmungo de dor em resposta. – Pronto, pode abrir os olhos.
– Brian, você ainda está tampando o meu rosto. – o mais velho soou óbvio.
– Espera um minutinho. – Brian se inclinou, abrindo a porta a sua frente. – Pronto. – sorriu assim que tirou sua mão do rosto do professor.
Zachary encarou Brian primeiro e em seguida encarou o cômodo, não escondendo sua surpresa.
– Você fez tudo isso só essa tarde? – o mais velho perguntou, olhando pasmo para Brian que apenas ria tímido.
– Sim. – Brian pegou a mão de Zachary o convidando para entrar no novo cômodo. – Seja bem vindo ao seu novo escritório... Aqui você poderá ler seus livros, corrigir suas provas e coisas do tipo.
Zachary soltou sua mão na de Brian e passou a andar pelo cômodo, enquanto encarava as estantes de livros devidamente organizadas, uma escrivaninha com uma iluminaria e seu notebook sobre o mesmo. No lugar onde estava a cama, havia uma poltrona de couro. Brian decidiu fazer um mural de fotos e no mesmo havia as fotos do porta-retratos que ele havia encontrado além de mais algumas fotos que ele havia achado espalhados pelas gavetas e algumas dos dois juntos.
– Gostou? – perguntou para o professor enquanto o abraçava por trás, beijando seu ombro em seguida.
Zachary encarava cada detalhe com um largo sorriso.
– Sim... E-Eu nem sei o que dizer.
– Esse seu sorriso já compensa todo o meu esforço em reformar tudo isso na correria. – respondeu baixo.
– Eu sabia que estava certo em confiar em você. — o mais velho riu fraco. — Obrigado Brian.
– Não precisa agradecer Zee... Lembro-me do dia em que você me abrigou aqui, e alegou que esse quarto era um escritório. Então, eu transformei num escritório de verdade.
– Agora não deixa de ser mentira que aqui é um escritório... – riu sem graça.
– Verdade. – Brian sorriu. – Só espero que você não passe mais tempo aqui do que comigo.
– Isso nunca. – comentou baixo. – Principalmente com nós dois nos acertando do jeito que estamos.
Ficaram em silencio, Brian acariciava os cabelos do mais velho que encarava mais uma vez todos os detalhes de seu mais novo escritório. Ele sabia que aquela mudança era essencial para que o relacionamento de ambos alavancasse.
Ele mesmo pedira para que Brian apagasse as memórias daquele quarto e ao ver que o próprio havia se empenhado, queria agradecer-lhe de todas as formas possíveis.
Sentia que sua vida finalmente tomaria um novo rumo, depois de tantos anos em luto.
– Você deve estar acanhado em perguntar sobre o fim de alguns objetos do quarto... – Brian disse, quebrando o silencio, enquanto abria as cortinas, para que a luz do sol invadisse o cômodo.
Zachary apenas concordou com a cabeça.
– Bom, os cômodos eu doei para uma casa de repouso... – Brian dizia baixo e lentamente, tinha medo da reação que Zachary viria a ter, porém o mais velho apenas meneava com a cabeça. – As roupas eu também doei... Mas os objetos mais pessoais dela eu guardei numa maletinha e guardei no seu closet. Acho que cabe a você decidir o que fazer com elas...
– Perfeito Brian... – Zachary aproximou-se novamente do mais novo e o abraçou com força.
Brian retribuiu o abraço e sorriu.
– Você tinha de conhecer as pessoas que vivem na casa de repouso... – disse em seguida. — Eles são uns amores, sério. Se dependesse deles eu ficaria a tarde inteira lá conversando... Qualquer dia te levarei lá.
– Capaz de me deixar por lá. – comentou rindo. – Não quero.
– Quem vê, pensa que você tem setenta e poucos anos.
– Estou perto. – disse coçando a nuca.
– Exagerado! — Os dois riram, se entreolhando.
Brian se aproximou mais uma vez do professor e o beijou de forma mais quente e envolvente, enquanto caminhavam rumo ao outro quarto, procurando não separar seus lábios. Deitaram na cama após encerrar o beijo com longos selinhos, e Zachary por fim acolheu Brian em seus braços.
– Você tirou a nota mais alta da sua sala... – comentou, beijando o topo da cabeça de Brian.
– Sério? – Brian levantou seu rosto, sorrindo.
Zachary concordou com a cabeça.
– Estou orgulhoso de você, Brian... – disse em seguida. — Em todos os sentidos.
– Obrigado por ser meu melhor professor e por ser o cara que eu tanto amo.
Os dois trocaram sorrisos e por fim decidiram adormecer.
Ashley’s Pov
Meus dedos deslizavam sobre os lençóis de minha cama enquanto eu me recordava dos momentos em que Joseph esteve ali comigo. Eu queria me mostrar forte, mas eu falhava. Principalmente quando me encontrava sozinha.
Tanto meu celular, quanto o telefone de casa tocaram, mas eu não atendi. Não queria conversar com ninguém. Apenas queria ficar só, pensando e me remoendo por amor.
Abracei meu travesseiro enquanto memórias de um passado não distante vinham a mente.
Flashback
– Oh, let our love survive, or dry the tears from your eyes. Let’s don’t let a good thing die… — eu cantava junto com o rádio, enquanto dançava e pulava em cima da cama, em frente a Joseph, que estava deitado em minha cama, me encarando.
– Você não tem cara de quem gosta de Elvis. – ele comentou em seguida, enquanto ria da minha performance. – No máximo Britney Spears e olhe lá.
– Por que acha isso? – ri enquanto me jogava em cima dele, beijando-lhe brevemente os lábios.
– Não sei... Talvez aquela tal coisa chamada “estereótipo”... Mas estou feliz pela minha garota ter um bom gosto musical.
– Acabou de descobrir mais alguma coisa sobre mim... – sorri. – E sabe o que eu percebi?
– O quê?
– Você sabe muita coisa sobre mim e eu nada sei sobre você.
Ele se remexeu desconfortável na cama, enquanto seu rosto não demonstrava sentimento algum.
– O que você quer saber? – perguntou baixo.
– O que você gosta, onde você mora, com quem mora, o que faz quando não está comigo nem estudando... – eu encostei minha cabeça em sua coxa.
– Moro sozinho. – respondeu. – E é num local perigoso, por isso não te levo pra minha casa.
– E seus pais?
– Moram longe.
– Longe onde?
– Eu não sei onde eles moram. – suspirou triste.
Resolvi encerrar o assunto, depois daquela reação dele. Apenas segurei em sua mão e ficamos ali curtindo a musica, em silencio. Talvez ele estivesse pensando nos familiares dele, enquanto eu estava pensando e tentando deduzir quem realmente era ele.
Mal sabia eu naquele momento que aquela música do Elvis faria tanto sentido no meu relacionamento com ele.
/Flashback
– Por que eu tinha que te amar tanto? – perguntei encarando a foto de Joseph no meu celular. Enquanto a mesma música daquele dia tocava na rádio. – We can’t go on together, with suspicious mind...
Embora eu quisesse toda a felicidade do mundo a Joseph, eu queria poder ser a felicidade para ele. Eu queria poder saber mais sobre sua vida para poder lhe abraçar e dizer que tudo estaria bem.
Se ele não tinha pais, meus pais o acolheriam. E se ele tivesse, eu faria de tudo para que ele se reencontrasse com seus parentes. Se ele não gostasse da onde vivia, eu o convidaria para viver comigo até comprarmos uma casa, nem que fosse minúscula...
Mas eu nada sabia sobre ele, apenas sabia que meu coração pertencia a ele.
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