Anatomy

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Mais um capítulo! Leiam as notas finais, sim?! *0* ah, boa leitura :*

Brian’s Pov


A quinta feira chegou rapidamente, e pela primeira vez o tempo resolveu colaborar comigo, ou talvez não.

Bom, quinta feira era dia de aula de Zachary, certo? Errado. Teríamos palestra naquela semana, justamente na quinta e na sexta.

– Cinco dias da semana e vamos ter essas malditas palestras na quinta e na sexta. Acho que tem alguém no céu que não gosta de mim. – disse enquanto me jogava em uma cadeira no auditório da faculdade.

– Calma Brian. – Ashley disse rindo da minha cara de raiva misturada com frustração. – Vocês não combinaram de sair hoje à noite?

Flashback

Era terça-feira e eu aguardava ansiosamente me encontrar com Zachary na faculdade. Fiquei com Ashley no corredor esperando que ele passasse, porém para a minha frustração, ele não apareceu. No intervalo de uma aula para outra, resolvi esperá-lo novamente, e Ashley mais uma vez veio em minha companhia.

Estávamos animados falando sobre o filme que havíamos assistido no dia anterior até que sinto alguém me cutucar no ombro, olhei para trás e me deparei com Zachary que cumprimentou Ashley com um mero aceno de cabeça e sorriu tímido para mim, dizendo um “oi” quase inaudível.

– Você está bem? – perguntei, sorrindo.

– Sim e você? – me encarou com um sorriso de canto nos lábios.

– Também. – respondi sem jeito. Ashley pigarreou indicando que entraria na sala, apenas concordei com a cabeça enquanto Zachary olhava para os lados.

– Você contou pra ela? – ele perguntou assim que percebeu que ela entrou na nossa sala.

– Contei o que?

– Sobre a gente... – respondeu num tom baixo.

– Nós somos amigos... Ela logo entendeu.

– Ah sim... – encarou suas pastas que segurava, parecia envergonhado.

– Zachary? – o chamei.

– Hm. – murmurou, voltando a me olhar.

– Vamos sair na quinta à noite?

– Para onde?

– Eu deixo você escolher o lugar. – pisquei, sorrindo divertido em seguida. – Confio no seu bom gosto.

– Ok. – ele concordou sorrindo. — Pensarei num lugar então. – sorriu. – A gente se vê por aí, nos corredores. Caso contrário, eu te ligo.

– Tudo bem. – olhei ao redor e vi que não tinha mais ninguém além de nós dois, aproveitei e selei rapidamente meus lábios nos dele. Ele já iria me repreender, mas sorri tão inocentemente que Zachary foi incapaz. – Até mais. – me afastei rapidamente.

Percebi que Zachary ficou por instantes parado, olhando em minha direção. Então logo entrei na sala de aula, com um largo sorriso nos lábios.

/Flashback


– Sim, mas... Eu gosto de anatomia.

– Aham. – Joseph sentou atrás de mim. – Bom, pelo menos ele vai assistir a palestra junto com a gente. – ele indicou com a cabeça em direção a porta e eu acompanhei com o olhar, me deparando com Zachary vestido com uma camisa preta, e um jeans surrado, além de usar óculos, o que o deixou com a aparência mais adorável ainda. Sorri automaticamente.

Ele cumprimentou alguns professores que já estavam em seus lugares e pude perceber seu olhar percorrer pelo local. Logo seus olhos pararam em mim. Mordi meu lábio e acenei timidamente, ele apenas sorriu e se sentou.

– Isso foi a coisa mais fofa que eu já poderia ter visto numa manhã de quinta-feira. – Ashley comentou. – Vocês dois poderiam parar de ser tão fofos. – ela riu. — Joseph, me agarre na sala ok?

– O que? – Joseph perguntou com uma sobrancelha arqueada.

– Quero um caso semelhante com o do Brian, e você é o escolhido. Beije-me loucamente e me leve para sua casa para fazermos amor o dia inteiro.

Joseph a olhou assustado, e sem jeito se levantou.

– Bom, eu vou ao banheiro antes dessa palestra começar. – coçou a nuca e se retirou.

– Impressão minha ou você o cantou? – perguntei assim que vi o menor sair do auditório, completamente atordoado.

– Não é só impressão. – Ashley disse. – Eu realmente estou gostando dele, mas ele não me leva a sério. – ela me olhou triste. – E percebi isso na segunda feira. Mas acho que não tenho chances... – disse cabisbaixa.

– E quem disse que não? – perguntei sorrindo. – Converse com ele.

– Acha que eu deveria?

– Sim... Só não seja escandalosa, nem nada. Vai assustá-lo.

– Quando o assunto é comigo, eu não sou nem um pouco escandalosa. – ela afastou seu cabelo de seu rosto. – Mas você já ficou com ele, não?

– Não. – ri sem graça. – Eu estava bêbado e carente e tentei o beijar, mas nada de mais aconteceu.

– Ah sim... – mordeu o lábio.

– Bom, ao menos tente algo. – pisquei. – J.J, sente-se no meu lugar. – me levantei e cedi meu lugar a ele assim que ele retornou. Ele me encarou confuso, mas se sentou.

A tal palestra finalmente começou e eu prestava atenção, porém eu me distraia toda vez que meu olhar se encontrava com o de Zachary.

Brian's Pov Off


Ashley’s Pov

Desde segunda eu estava reparando em Joseph. Ele tinha um jeito tímido e extrovertido ao mesmo tempo, além de ter um ar misterioso e brincalhão e ele realmente havia me chamado a atenção.

E não só isso, ele realmente era bonito, seus olhos eram verdes, não tão verdes como os de Zachary, mas eram verdes! Sua pele era bronzeada e tinha seus músculos realçados com tatuagens. O cabelo semi-raspado combinava com a feição de seu rosto. Não tinha grande estatura, mas eu também não e altura era a ultima coisa que me interessava.

Em meio a palestra, permiti-me encostar minha cabeça em seu ombro. Ele pareceu se assustar no início, mas depois se entregou ao momento e encostou sua cabeça na minha, resolvi segurar em sua mão e ele sorriu sem jeito para mim.

Estava decido! Eu iria conversar com ele após aquela torturante palestra.

Ashley’s Pov Off


– Pois já dizia Henry Ford: “Acredite no melhor... Tenha um objetivo para o melhor, nunca fiques satisfeito com menos que o teu melhor, dê o teu melhor, e no longo prazo as coisas correrão pelo melhor”.

Brian após um longo bocejo passou a aplaudir em pé junto com os outros alunos a palestrante e todo o seu discurso. Se perguntassem a ele algo que a mesma dissera durante as duas horas de palestra, Brian certamente não saberia o que responder.

– Joseph... Eu queria falar com você em particular, é rapidinho. – Ashley disse um pouco receosa.

– Tudo bem. – o menor se levantou assim que a loira o fez.

Brian olhou divertido para os dois enquanto eles se retiravam em meio à multidão de alunos.

Assim que o acumulo de alunos na porta diminuiu, ele calmamente se dirigiu a saída até reparar em Zachary, que conversava animadamente com a tal palestrante. Tentou ignorar, mas uma pontada de ciúmes o atingiu. Mordeu o lábio e seguiu a diante, porém o professor o viu e se despediu rapidamente da mulher.

– Brian! – o chamou, pulando do palco e correndo em direção ao aluno que simplesmente sorriu fraco. – Está tudo certo para a nossa saída hoje à noite? – perguntou assim que se aproximou de Brian, enterrando suas mãos nos bolsos de sua calça.

– Sim. – respondeu o encarando nos olhos.

– Ok! – o professor sorriu. – Estarei as oito em frente a sua casa.

– Estarei te esperando. – sorriu tímido e acenou se retirando de vez do auditório.

Porém assim que se retirou, deparou-se com Ashley e Joseph se beijando, e pode perceber que o menor era bem abusado, pelo que pode perceber no movimento e na localização de suas mãos sobre o corpo de sua amiga. Arregalou os olhos por instantes, mas por fim riu baixo e sentou-se ao lado do casal que não percebeu sua presença. Por fim sacou um livro de sua mochila e começou a ler.

Estava ali aguardando os dois, pois desde o dia em que fora atacado, preferiu nunca mais ir embora sozinho. Antes ficar de vela do que correr riscos na rua.

Zachary se retirou em seguida e deparou-se com a cena rindo em seguida, o que assustou o casal e Brian. Joseph desvencilhou-se dos lábios da loira e encarou Brian e Zachary, sorrindo sem jeito. Ashley também encarou os outros dois, mordendo o lábio, tímida.

O professor estendeu a mão para que Brian levantasse, e assim ele o fez.

– Está de “vela”? – fez aspas com a mão, perguntando risonho.

– Pois é. – riu, principalmente ao encarar o outro casal que estavam extremamente corados.

– Maldade o que estão fazendo com ele. – Zachary disse divertido para os dois, apontando para Brian.

– Mas ele vai ter a noite... – Ashley disse, sorrindo maliciosa para o professor.

Zachary concordou, sorrindo sem graça e piscou para Brian.

– Até mais, garotos. – se retirou, acenando e batendo levemente no ombro de Joseph.

– Ah, que bonitinho! – Ashley disse rindo contra o pescoço do menor.

– Ah que bonitinho vocês dois! – Brian disse, apertando as bochechas de Joseph, afinando a voz, imitando assim Ashley. – Quem diria hein?! Meus dois amigos quase se comendo no campus. – riu alto e a loira o acompanhou.

– Está muito bom aqui, mas o dever me chama. – o menor disse. – Tchau Ash.

– Ah... – a loira olhou triste, mas o puxou para mais um beijo.

– Owwwwwwwwn. – Brian continuou zoando com os dois, fazendo Joseph rir e se despedir em seguida de ambos.

– Você é chato, Brian. – a loira disse, batendo de leve no braço do rapaz. – Estraga prazer!

– Você que é rápida demais... Eu demorei pra ficar com Zachary e você em menos de um dia fica com Joseph... – riu.

– Mas se não fosse você, isso não teria acontecido...

– É, pode me amar.

– Eu já te amo Brian. – ela riu. – Quer uma carona?

– Claro! Estou aqui de vela pra isso! – os dois riram, pegaram suas coisas e se retiraram da faculdade logo em seguida.


Brian’s Pov

Ao chegar em casa, me deparei com Owen deitado em minha cama.

– Vou começar a trancar a janela do meu quarto. – disse, rindo, enquanto jogava minha mochila num canto.

– Eu sei que você gosta de ser surpreendido com a minha visita. – ele riu, se levantando e me abraçando em seguida. – Como você ta, Brian?

– Bem e feliz... Depois de um longo tempo. E você?

– O que houve? Sim, estou bem. – ele perguntou enquanto eu me sentava em minha cama, e ele no chão. – Faz tempo que não nos falamos.

– É... Pra quem vinha todo dia aqui em casa. – ri, enquanto tirava minha camiseta.

– Não quero atrapalhar seus estudos...

– E quem disse que eu estou estudando? – ri e ele me acompanhou. – Lembra de Zachary?

– Seu professor que te salvou e você o agarrou? – perguntou com uma mão sobre o queixo.

– Exatamente. – sorri.

– Lembro. O que tem ele?

– Podemos dizer que estou tendo um “caso” com ele. – ri.

– Você não estava com ódio mortal dele? – Owen perguntou com a sobrancelha arqueada.

– Ele se desculpou e tudo mais... Ele é diferente de Matthew, eu posso sentir.

– Você está feliz, Brian?

O encarei e abri o mais sincero sorriso.

– Muito. Eu acho que estou o amando.

Ele me abraçou forte.

– Torço pra sua felicidade... E se esse Zachary te magoar, eu não vou ser tão tolo como fui com Collins... – riu e eu acabei rindo junto.

– Eu sei que ele não vai me magoar... Mas obrigado pela força, Owen.

Passamos a tarde inteira jogando conversa fora, bebendo algumas cervejas e fumando.

Brian’s Pov Off


Joseph’s Pov

Cheguei na quadra onde costumava me encontrar com John uma vez por mês para treinarmos Muay Thai. Estava um pouco atordoado sobre o que havia acabado de me acontecer com Ashley. É, eu havia a beijado. Ela disse que estava gostando de mim e eu simplesmente a beijei.

Merda Joseph. Você não gosta dela, você gosta de John...

– Hey J.J. – John me chamou, sorrindo.

– Hey John. – sorri nervoso, enquanto tirava minha camiseta, tentando não reparar nele, uma vez que já estava pronto para treinarmos. Ou seja, sem camisa, exibindo suas diversas tatuagens, vestido somente com uma bermuda preta e aquele maldito sorriso vitorioso nos lábios que eu tanto amava.

– Pensei que tinha se esquecido do nosso treino. – disse enquanto se aquecia.

– Você sabe que eu nunca esqueço. – disse enquanto ajeitava minha bermuda e vestia minhas luvas. – Apenas demorei por causa da faculdade. – passei a me alongar também.

– Por causa de Brian? – perguntou, despejando alguns golpes no boneco, que ele havia apelidado carinhosamente de Collins.

– Não... Eu estava com uma garota. – disse baixo.

– Uma garota? – John perguntou risonho. – Quem diria hein?

– É... – sorri sem jeito. Queria aproveitar a circunstancia e tentar fazer ciúmes nele, mas, ele não se importava comigo ao ponto de sentir ciúmes. Quer dizer, ele se preocupava, mas não pra sentir ciúmes.

– Nunca te vi com alguém. – comentou enquanto acertava o boneco com vários golpes de perna.

– Porque eu gosto de uma pessoa em especial... – eu respondi, passando a socar um saco de pancadas que estava pendurado próximo ao boneco. – Mas essa pessoa nunca olhará pra mim... – eu socava várias vezes seguida. -... Como eu gostaria que me visse. – por fim acertei o saco de pancadas com um golpe de perna.

– Por que acha isso? – me encarou rapidamente.

– A pessoa gosta de outro, que está longe. – soquei o saco de pancadas, imaginando o rosto de Peter. O amor da vida de John.

O loiro apenas murmurou qualquer coisa e estralou seu pescoço.

– Então desconte sua raiva no Muay Thai. – riu enquanto preparava-se para se defender de meus ataques.

Mal sabia ele de que quem eu falava era ele mesmo, mal sabia ele que eu jamais descontaria minha frustração de não tê-lo comigo nele mesmo.

– Vamos lutar de igual para igual. – sorri forçadamente, e ele apenas concordou.

Passamos a lutar e é claro que pegávamos leve um com outro, pois não queríamos que nos machucássemos por brincadeira. E quando um golpe mais forte era desferido, pedíamos desculpas. Ele sempre sorria e dizia que eu havia melhorado minhas táticas e habilidades, e eu sempre o elogiava, porque ele realmente era bom no Muay Thai.

Merda, por que o amor existe?

Joseph’s Pov Off

Brian’s Pov

Estava vestido com uma camiseta preta de gola v, um jeans escuro que ficava justo em meu corpo, me perfumei até onde não podia mais e logo estava pronto, aguardando a chegada de Zachary para poder sairmos para jantar em um restaurante que ele havia sugerido, porém, para a minha infelicidade, antes mesmo que Zachary chegasse, meu pai entrou em casa, tropeçando em tudo que havia pela frente além de estar com uma faca em mãos.

Arqueei uma sobrancelha e o encarei.

– Eu estou cansado disso tudo. Eu não posso trabalhar, eu perdi minha esposa e filho. Para que viver? – meu pai dizia, atropelando as palavras, tentando se manter em pé, mas seu teor alcoólico o fez despencar no chão, em minha frente.

Eu me levantei e tentar tirar a faca das mãos dele, porém ele gritou uma ofensa qualquer e apontou a faca em minha direção.

– Perdi meu filho para você... Um estranho que se apossou do corpo dele.

– Pai, para com isso. – mordi meu lábio, nervoso, tentando não transparecer em minha voz.

– NÃO ME CHAME DE PAI. – gritou e tentou se levantar, sem sucesso. – Eu vou me matar e não é nem você nem ninguém que vai me impedir. – jogou seu corpo violentamente contra o chão, deixou a faca escapar e eu por puro reflexo consegui pegá-la e a guardei bem longe. – Devolva isso! – ele dizia enrolado. Mas eu nada respondi. – Que seja, eu não preciso de uma faca tola para morrer. – com muito esforço se levantou e começou a quebrar vários objetos da sala.

Encostei minha cabeça na parede e fechei os olhos por instantes.

Eu já não tinha mais mãe, e mesmo meu pai me detestando e não me considerando mais seu filho... Bem, ele era meu pai.

Subi rapidamente para meu quarto e peguei meu celular, discando logo o celular de Zachary.

– Oi Brian, estou saindo de casa agora. – ele disse assim que me atendeu.

– Desculpa Zachary, estou com problemas em casa e não vai dar para sairmos mais hoje. Desculpe. – eu disse trêmulo.

– Ah... Tudo bem. – ele pareceu hesitar e eu fiquei muito puto por desmarcar nosso encontro. – Mas você está bem?

Mordi meu lábio.

– Sim. – menti.

– Quer que eu vá aí?

– Melhor não... Amanhã a gente se fala. – eu disse apressadamente assim que ouvi um barulho muito alto de vidro quebrando sobre a parede.

– Ok. – murmurou.

– Tchau Zacky, me desculpe mais uma vez.

– Está tudo bem... Tchau. – seu tom de voz demonstrava que ele havia ficado decepcionado. E também não era para menos. Parecia que eu queria distancia dele, sendo que o que eu mais queria era tê-lo do meu lado em todo instante.

Desci novamente e meu pai estava na cozinha, talvez procurando algo cortante ou algo envenenador. Me lembrei de um remédio para dormir que comprei um pouco depois da morte de minha mãe, uma vez que eu não conseguia mais pregar o olho.

Peguei o remédio e apliquei algumas gotas num copo com água, arrastei o copo até onde ele estava recebendo um olhar de duvida vindo de sua parte.

– Vai me envenenar? – perguntou com os punhos cerrados.

Eu nada respondi, apenas peguei outro copo e coloquei um pouco de suco que tinha na geladeira, bebendo em seguida. Assim que me virei novamente, meu pai havia bebido toda a água com a doce ilusão de estar envenenado. Ele se dirigiu até o sofá e se jogou ali praguejando tudo e todos, subi para o meu quarto decidido a dormir também.

Tirei minha camiseta, jogando-o em cima de minha cama, suspirando a cada ato meu. Iria fechar a janela, uma vez que ventava muito forte, até que me deparei com um cara encostado numa Land Rover preta estacionada em frente a minha casa. Logo reconheci o carro e o cara... Bom, aquele carro era de Zachary e o próprio estava ali.

Sorri abobadamente, encarando-o por alguns segundos, tomando a decisão de pular a janela e correr em sua direção, o que o fez se assustar. Mas logo um sorriso se formou em seu rosto.

– Eu sou insistente e fiquei preocupado com você. – ele disse com os braços cruzados.

Aproximei-me mais e o abracei, até porque eu estava sem camiseta e o mesmo vento violento e gélido colidia em meu corpo sem pudor algum.

Ele levantou meu rosto e encostou seus lábios nos meus. Suas mãos quentes deslizaram pelas minhas costas nuas enquanto seu corpo encaixava-se perfeitamente no meu.

– Acho que eu não aguentaria ficar sem te ver. Mal nos falamos hoje. – disse assim que paramos nosso beijo.

– Você estava todo empolgado conversando com aquela palestrante pela manhã. – desviei o olhar, enquanto uma risada tímida soava em seus lábios.

– Ciúmes? – perguntou enquanto pousava suas mãos em minha cintura.

– Nem um pouco. – disse me entregando a risada em seguida. – Talvez eu tenha sentido um pouco de ciúme sim.

– Ela apenas é uma velha conhecida... – se explicou, enquanto seu olhar fixava-se no meu. — Quer dar uma volta? Até porque cancelei a reserva no restaurante, o que nos resta então é dar uma volta...

– Melhor não. – o interrompi, olhando para trás, encarando a porta principal de casa. – Mas se você quiser entrar, sinta-se convidado. – voltei a encará-lo, sorrindo.

– Eu aceito o convite. – sorriu. — Vou ficar um pouco, só pra não fazer desfeita com você. – selou rapidamente nossos lábios, enquanto ativava o alarme do carro.

– Então vamos. – o puxei pela mão até a área da janela do meu quarto.

– Pular a janela? – ele perguntou com uma sobrancelha arqueada.

– Sim. – ri sem jeito.

– Por que não entramos pela porta, feito pessoas normais que somos?

– O problema... – disse me referindo ao telefonema.

– Ah...

Pulei para dentro de meu quarto e ajudei Zachary a pular também. Rimos assim que finalmente adentramos em meu quarto, por conta do esforço dele em pular a janela.

– Eu conheci seu quarto, nada como você conhecer o meu. – sorri, sentando-me em minha cama.

Ele encarou a arquitetura do meu quarto e por fim comentou:

– Imaginei que seu quarto fosse bem desse jeito mesmo. – ele riu.

– Sério?

– Sim.

Puxei meu professor para que ele se deitasse em minha cama e assim que ele assim o fez, eu me deitei ao seu lado. Sentindo seu braço me envolver e sua boca encostar-se em minha nuca.

Ficamos em silêncio a partir de então. Nossos dedos se entrelaçaram, enquanto sentia sua respiração leve em minha nuca. Eu acariciava sua mão enquanto podia sentir sua respiração leve. Era engraçado como ter ele por perto me fazia esquecer mesmo que por instantes todos os meus problemas.

– Brian, seu bastardo desgraçado. Não merece nem ter o mesmo nome que o meu. – meu pai esbravejou em algum canto da casa. Fechei meus olhos, tentando ignorar a vontade de espancar meu pai e torcendo para que ele calasse a boca, uma vez que Zachary ergueu sua cabeça e me encarava com a sobrancelha arqueada.

– Seu pai? – perguntou baixo.

Concordei, reabrindo meus olhos e encarando aquela imensidão verde.

– Meu pai tem problema com alcoolismo desde a morte de minha mãe... E quase todo dia é assim. Ele bebe, me xinga, ou finge que eu não existo. Às vezes ele só diz que eu não sou mais filho dele e coisas do tipo.

Zachary me envolveu em seus braços e me abraçou forte mais uma vez.

– E às vezes fica falando essas coisas. – continuei, mordendo meu lábio. – Hoje mesmo ele estava dizendo que iria se matar porque não tinha mais esposa nem filho.

- Esse era o problema?

- Sim...

Ele me soltou e me encarou novamente.

– Eu mal conheci meu pai... – comentou enquanto deslizava seus dedos sobre meu rosto, secando uma lágrima teimosa que escorreu em meu rosto.

– Por quê?

Ele apenas desviou seu olhar para o chão, sorrindo fraco.

– Um dia você e seu pai vão se acertar novamente. – beijou meu rosto. – É melhor eu ir embora, traria mais problemas pra você se seu pai nos visse... Amanhã a gente se vê. Juro que vou te dar mais atenção. – sorriu nervoso, selando seus lábios nos meus. – Durma bem, Brian. – e com a mesma dificuldade que ele teve para entrar em meu quarto, ele pulou para fora indo rapidamente até seu carro, partindo imediatamente.

Era a segunda vez que Zachary desconversava quando o assunto era família.


Notas finais
Bom, perceberam que eu venho postando até que "rapidamente" certo?! Estou com pequeninos problemas pessoais e até que eles se resolvam as postagens não serão suspensas, mas sim menos frequentes do que vem sendo. Postei bastante nesses últimos dias para não "abandonar-lhes" e para deixar aquele gostinho de "quero mais" e peço que não abandone a tia aqui, pls. Eu tenho mais um capítulo semi pronto e devo postar na sexta ou sábado. Espero que entendam e que continuem acompanhando Anatomy... relembrando, não abandonarei a fic. Caso esse meu pequenino problema se resolva brevemente, ou então não passe de um "drama queen" relevem esta nota e segue o baile.