Anatomy

27 Capítulo 27


Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOOOOOOOPA! Oi :) Então, mais uma vez gostaria de agradecer a todas que estão lendo, obrigada pelas reviews lindas que vocês me mandam, eu ainda não as respondi de novo ¬¬ AHUAS mas responderei e sim, eu leio tooooodas. Gostaria de agradecer a littlera pela recomendação... Fez a minha pessoa ficar muuuuuuuuuuuito feliz. Cada recomendação que eu ganho, mais motivada a escrever eu fico. Obrigada de coração e chega de blablabla, vamos ao capítulo. Boa leitura :*

Os olhos se abriram lentamente tentando se acostumar com a claridade que invadia o quarto. Notou então que este não era seu quarto. Onde estaria? Sua duvida fora tirada assim que ouviu um som semelhante de monitor cardíaco. E bem, era um monitor cardíaco!

Com um pouco mais de esforço encarou o próprio corpo, notando então que sequer vestia roupa alguma, estando da cintura para baixo coberto com um lençol azul... Havia fios conectados em seu tórax, braço e em alguns dedos, além da sonda nasogástrica e o som do monitor cardíaco, que fazia Zachary despertar ainda mais, completamente curioso.

Estava em um hospital? Mas por quê? Não se recordava de nada que o levaria até um hospital para ficar numa situação daquelas.

Virou seu rosto e deparou-se com Brian, que dormia desajeitadamente numa poltrona. Tentou chamá-lo, mas sua voz não saia. Perguntou-se mentalmente há quanto tempo estaria ali dormindo. Sentia náuseas e uma dor intensa pelo corpo. Queria levantar e sair daquela situação, mas parecia estar impossibilitado em meio de tantos fios.

Já que sua voz falhava, tentou a todo custo esticar-se para alcançar a campainha para chamar algum enfermeiro, porém seu corpo doeu mais e um gemido de dor escapou de seus lábios fazendo Brian despertar, coçar os olhos infantilmente e sorrir largo ao perceber que seu professor havia finalmente acordado e estava agitado. Levantou-se num pulo e se aproximou.

Zachary encarava Brian com o olhar exibindo confusão, mas por fim sorriu fraco ao ver o semblante de felicidade do mais novo, piscando os olhos pesadamente. Em seguida, acenou com a cabeça para que Brian apertasse a campainha e assim ele o fez.

Não falaram nada, até porque palavras eram desnecessárias naquele momento. Apenas o olhar e o sorriso de Brian faziam com que Zachary se sentisse melhor e se acalmasse. E os olhos brilhando de Zachary encarando Brian faziam com que ele sentisse uma onda de alivio dominá-lo.

A troca de olhares fora somente quebrada com a entrada de uma enfermeira que se aproximou dos dois e fez algumas perguntas a Zachary que apenas acenava como resposta.

A enfermeira demorou apenas alguns minutos, fazendo algumas anotações.

– O doutor já vira vê-lo. Com licença. – saiu rapidamente do quarto assim que ambos a agradeceram.

Por fim voltaram a se encarar.

Matthew’s Pov

Assim que Charles saiu de minha casa, eu encostei-me à porta e me permiti sorrir. Ele era extremamente diferente do cara bêbado que eu havia conhecido no bar. Ele tinha um olhar fofo e o que eram aquelas covinhas?

Nada superava a beleza de meu Brian, mas Charles realmente era extremamente muito bonito.

Na conversa animada que tivemos em meio ao café da manhã, ele me contou que estava noivo e era advogado. O que fez eu me interessar mais por ele, pois com o próprio sendo advogado, qualquer encrenca com a justiça ele certamente me ajudaria.

– Ah Collins, como você é sábio! – ri comigo mesmo, enquanto me encarava no espelho.

O que me dava até certa dó, era o fato de ele acreditar fielmente que nós havíamos transado na noite anterior. Até era possível ver seu olhar de duvida me encarando diversas vezes na mesa. Mas quem nunca deu aquela enganadinha num bêbado que atire a primeira pedra!

Resolvi deitar-me em minha cama e dormir mais um pouco. Depois de despertar, eu iria atrás de saber sobre o velório e o enterro de Zachary, gostaria de acompanhar mesmo que de longe a minha própria vitória.

– Coitado de Brian... Ficou viúvo. – ri baixo. – Mas eu vou voltar pra você, meu amor.

Fechei meus olhos e adormeci.

Matthew’s Pov Off


Brian's Pov

– Zee... Que bom que você acordou! – com a voz trêmula, toquei em seu rosto assim que a enfermeira se retirou. – Tive tanto medo de te perder.

Ele riu fraco, fechando os olhos assim que sentiu meu toque.

– Ora, ora, veja quem acordou! – o médico ruivo entrou no quarto. – Quem diria que um dia eu cuidaria de Zachary Campbell, o melhor aluno da minha turma. – riu.

– Christopher Mcknight! – Zachary o encarou e por fim sorriu. – Quem diria que se tornaria médico? Pensei que havia se dedicado a fotografia. – disse rouco.

– Fotografia virou apenas um hobby meu amigo. – sorriu e se aproximou. – Como se sente?

– Com a sensação de que fui eletrocutado, jogado numa máquina de moer carne e em seguida jogado no mar. – riu fraco. – Além de ter passado numa longa seção de lavagem cerebral. Por que diabos eu estou aqui?

– Você teve uma parada cardiorrespiratória depois de horas desacordado após ingerir veneno, meu amigo. – o médico lhe respondeu, encarando o monitor cardíaco. – Bom, nós fizemos uma lavagem gástrica assim que você chegou ao hospital, e ao apresentar dificuldades na respiração, nós o sedamos para conectarmos o tubo orotraqueal, junto do ventilador mecânico. E era esperado você acordar a qualquer momento, porém você nos surpreendeu com uma parada cardiorrespiratória. É um milagre você estar vivo e sem nenhuma sequela. – continuou em seguida.

Zachary me olhou assustado e em seguida o médico.

– Veneno? Eu ingeri veneno? – ele voltou a me olhar, apenas segurei em sua mão, concordando com a cabeça. — Como eu ingeri veneno? Por que eu não me lembro de muita coisa? Só me lembro de ter bebido muito num bar.

– Você me ligou dizendo que estava passando mal e pediu para eu ir te buscar. – finalmente me pronunciei. – Quando fui te buscar, meu amigo encontrou um copo próximo de você com uma substancia no fundo.

– Nós levamos o copo com a substância para averiguar. Ainda não sabemos qual foi a substancia que você ingeriu. – o médico completou. — Dentro de algumas horas ou dias, você deverá lembrar-se de algo a mais que aconteceu naquela noite. – o médico sorriu. – Demos um grande passo com você despertando sem apresentar nenhuma sequela, Zacky. Agora é questão de muito repouso.

– Maravilha. – resmungou.

– Há quanto tempo você não repousa? – Christopher perguntou, arrancando risadas de Zachary.

– Desde o segundo ano na faculdade, acho.

– Você não ia a nenhuma festa, só estudava... Não sei como você não ficou louco! – o médico comentou risonho.

– Eu não via graça naquelas festas... Preferia estudar e bem, você sabe, não só estudar. – ambos riram.

Eu encarava os dois, confuso. Zachary pareceu entender meu olhar.

– Eu e ele estudamos juntos na faculdade. – disse baixo para mim, segurando em minha mão.

– Zachary me ajudou muito na época de faculdade, eu não entendia quase nada das aulas até porque fotografia sempre foi o meu forte. – ele permanecia rindo. – Mas Zacky sempre ficava por lá após as aulas me explicando todas as matérias. Só não nos formamos juntos, pois eu repeti o ultimo ano, por pura besteira minha.

– Eu me senti culpado naquele ano.

– Que nada... Quis largar tudo por conta de uma namorada australiana, para no fim ela resolver morar comigo aqui, assim fazendo-me voltar a estudar. – sorriu. – É, as vezes fazemos merda por amor.

– Mas vale a pena. – Zachary sorriu.

– É, vale muito a pena... Fiquei sabendo o que houve. Sinto muito pelo que aconteceu com Kathleen... – Zachary apenas assentiu, desviando seu olhar. – Mas vejo que arranjou uma excelente companhia... – encarou a minha mão entrelaçada com a de Zachary, e sorriu largo. – Ele não saiu do hospital em nenhum instante desde quando você chegou.

Senti meu rosto corar e encarei o chão, envergonhado. Senti o olhar de Zachary em mim.

– Brian está no primeiro ano de medicina. – comentou.

– Sério? – sorriu, e eu apenas concordei com a cabeça, voltando a olhar os dois. – Então estamos entre médicos aqui. – riu baixo. – E deixe-me adivinhar Zacky, você é professor dele?

Zachary riu também e concordou.

– Muito inteligente... Estar com um professor de anatomia é ser aprovado tranquilamente... E não, não estou te chamando de interesseiro, não me interprete mal. – sorriu. – Zachary sempre foi bom para explicar as coisas e tê-lo disponível sempre, deve ajudar.

– É e ajuda... – ri sem jeito.

– Eu adoraria colocar todos os assuntos em dia, mas tenho muitos pacientes para visitar ainda hoje. – disse enquanto escrevia numa prancheta. — Vamos sair para jantar qualquer dia desses, ok?! — nos encarou.

– Claro. – Zachary sorriu e eu apenas acenei.

– Bom, você deverá ficar em absoluto repouso. Portanto eu já providenciei a papelada para você apresentar a faculdade e pegar licença médica. Um mês no mínimo. Seu organismo ainda está muito fraco e você não pode passar por muito estresse. – sorriu. — Comidas leves e, por favor, evite bebidas alcoólicas e cigarros.

– Vai me privar de fazer sexo também? – Zachary riu apesar de seu tom demonstrar que ele não havia gostado muito das coisas que deveria evitar. Principalmente de fumar, ele fumava todo dia, nem que fosse ao menos um cigarro.

– Bom, é recomendado depois de 30 dias após a alta hospitalar.

– Ah, legal. – cruzou os braços.

Eu e o médico rimos.

– Você vai saber esperar né Zee?! – disse pousando minhas mãos em seus cabelos.

Zacky apenas bufou em resposta.

– E por ultimo, antes que você se levante e jogue o monitor na minha cabeça. Evite dirigir, pois entre os primeiros dias, seus reflexos estarão lentos.

– Resumindo, só vou poder dormir.

– E ver TV, assistir um filme, jogar xadrez...

– Tudo que eu pedi a Deus. – disse irônico.

– Bom, siga minhas recomendações e logo tudo voltará ao normal. Qualquer complicação volte, por favor. – sorriu e bateu levemente no ombro de Zacky. – Um dia desses ligarei para marcarmos o jantar.

– Ok. – Zacky sorriu forçado. – Estarei esperando.

– Nos vemos por aí. Se cuide.

– Você também, Chris. Foi bom te rever, e obrigado.

– Não fiz mais que minha obrigação, meu amigo. — acenou. — Tchau Brian.

E assim o médico se retirou do quarto.

– Ele não disse que eu não poderia te beijar né?! – perguntei.

– Acho que não. – ele riu. – E se ele disse, eu fiz questão de não ouvir essa parte.

Ri também e me sentei ao seu lado, me inclinando em sua direção e colando nossos lábios, o beijando lentamente. Os lábios de Zachary estavam diferentes do modo que eu era acostumado, eles estavam ressecados e gélidos, mas senti-los sobre os meus novamente me deixava mais feliz.

Nosso beijo foi interrompido com alguém pigarreando atrás de nós. E esse alguém era Owen.

– Até no hospital, minha gente!

Eu ri e Zachary encarou Owen sem entender nada. Me aproximei de Owen e o abracei, apenas por costume, e então eu podia sentir um olhar pesar sobre mim. Zachary encarava a cena com uma sobrancelha arqueada e com uma expressão perplexa.

– Zee, este é Owen, meu melhor amigo. – eu disse, puxando Owen pelo braço para mais perto de Zachary.

O professor encarava a mim e a Owen, apenas concordando com a cabeça.

– Eu disse para Brian que você acordaria hoje. Mas ele jurava que você acordaria ontem ainda. E quase não se alimentou por causa disso.

– Com ele morrendo você acha que eu conseguiria comer? – encarei Owen.

– Bem que eu percebi que você está magrelo. – Zacky comentou, rindo em seguida. – E prazer em conhecê-lo... Owen. – sorriu fraco.

– Prazer todo meu... Já ouvi tanto sobre você, que para mim você já é um velho conhecido. – riu. – Mas é bom te conhecer pessoalmente e ver que você está bem... Ele quase deixou o hospital embaixo d’agua de tanto chorar.

– Owen...

– Mas é verdade! — riu, voltando a encarar Zachary. – E aí já vai receber alta? – perguntou.

– Sim, ainda bem... — então eles começaram a conversar como se fossem velhos amigos, era até engraçado perceber. Acho que eu nunca me dei bem com alguém assim, tão rápido.

– Bom, se vocês quiserem que eu os leve para suas casas, para mim será uma honra. – Owen disse assim que um enfermeiro entrou no quarto e passou a retirar toda a aparelhagem que estava ligada ao corpo do professor.

– Eu vou ficar com o Zee na casa dele... É melhor. – eu disse. – Vou ficar cuidando dele.

– Ok então. – sorriu. – Vou aguardá-los lá fora, está bem?

– Ok Owen. Nós já vamos. – sorri e assim meu amigo se retirou, sendo seguido do enfermeiro.

Ajudei Zachary a se sentar na cama e a vestir suas roupas. Em seguida passamos na recepção para pegar todos os papéis que Christopher havia deixado separado e finalmente fomos embora daquele hospital.

– Espero não voltar aqui tão cedo. – comentei assim que Owen deu partida no carro.

– Não voltaremos. – ouvi Zachary murmurar enquanto sua cabeça encostava-se no vidro no carro.

Brian’s Pov Off


Charles’s Pov

Cheguei a minha casa, me deparando com Alicia dormindo no sofá. Uma sensação de culpa me invadiu. Respirei fundo procurando ignorar essa sensação e tirei minha camisa, jogando-a num canto da sala.

– Onde você estava Charles? – perguntou fazendo-me assustar.

– Eu? No bar, oras. – procurei não olhar para ela.

– Até esse horário? – sentou-se no sofá e me encarou. Seus olhos demonstravam cansaço, no mínimo não dormiu por ter ficado me esperando.

– É, eu estava com Zacky... – cocei minha nuca.

– Você não parece estar embriagado. – comentou mal humorada.

– Eu dormi na casa de Zacky. – joguei minha carteira e a chave do carro em cima da mesinha de centro.

– Você estava no bar ou na casa de Zacky?

– Oras, mas que desconfiança é essa? – ri sem graça.

– Eu liguei no celular de Zachary e deu caixa postal, liguei no seu celular e você não atendeu. Liguei na casa de Zachary, a mesma coisa. – ela se levantou e se aproximou. – Você estava com alguma vagabunda?

– Claro que não, Alicia. Que merda! – olhei irritado para ela.

– Por que eu não estou conseguindo acreditar em você? – perguntou cruzando os braços.

– Ah, se não quer acreditar, o problema é seu! – a empurrei, indo em direção ao meu quarto.

– Não. – ela me segurou pelo braço. — O problema é nosso!

– Pelo amor de Deus, Alicia. Cale a boca! – meu tom já estava elevado. – Eu não estava com ninguém além de Zachary.

– Você estava com alguma vadia? – ela pegou a camisa que eu deixei na sala e a cheirou. – Sua camiseta está com perfume de outra pessoa. Com quem você passou a noite? Sinto muito Charles, mas eu não vou aceitar ser traída.

A segurei pelos braços e a prendi contra a parede.

– O que você quer dizer com isso? Quer terminar? – eu perguntei indignado. — Um relacionamento de tantos anos... Você quer terminar por causa de um ciúme idiota?

– ME SOLTA CHARLES! – ela gritou, fazendo-me recuar. – Então me conte com quem você estava.

– Eu não estava com ninguém, que porra Alicia! – disse nervosamente, passando minhas mãos pelos cabelos.

– E aquele perfume? Ia impregnar do nada na sua roupa? – ela disse enquanto apontava para a camisa.

– Pode ser de Zachary, pode ser do garçom, sei lá. – voltei a olhá-la. – Eu estava em um bar, muitas pessoas passam por lá, sabia?

– Você estava se esfregando com o garçom então? – ela perguntou ironicamente.

A peguei mais uma vez pelo braço e apertei com mais força, não hesitando em deixar marcas.

– Ouse falar isso mais uma vez. – disse com certa raiva em minha voz.

– Você está me machucando, me solte!

A encarei e a soltei bruscamente. Decidi ir ao meu quarto e dormir mais um pouco, porém durante o caminho um pequeno bilhete caiu do bolso de minha calça. Era um bilhete de Matthew com seu número de telefone.

– Você realmente estava com alguma outra vadia! – ela veio em minha direção e acertou um tapa em meu rosto.

– Ninguém nunca bateu na minha cara antes, Alicia! – eu a olhava pasmo, e cerrei meus punhos.

– Talvez antes você não fosse um cafajeste. Olhe só... Bilhetinho com telefone e olha só seu corpo marcado por arranhões e chupões pelo pescoço... Como você pode Charles? – ela começou a chorar. – E ainda vem dizer que não estava com ninguém... O que foi que eu fiz pra você me trair desse jeito? Por que? Eu sempre procurei ser a melhor pra você... Pra você simplesmente chegar nesse horário e cheio de marcas e com um telefone. – ela gritava entre lágrimas, fazendo sua voz falhar algumas vezes.

Entrei em meu quarto e comecei a chorar também. Eu havia feito merda sim, eu havia ido para cama com outro homem e havia me encantado por aquele homem, sim, eu estava encantado por Collins. Mas eu ainda amava Alicia e não suportaria perdê-la.

Ela apareceu na porta de meu quarto e me encarou, eu permanecia chorando.

– Sai daqui Alicia, por favor. – eu disse entre soluços, secando as lágrimas.

– Eu vou... E talvez não volte nunca mais. — pegou sua bolsa, e saiu de casa logo em seguida.

Ao ouvir a batida da porta, eu chorei mais, eu me odiei mais. Eu havia perdido minha noiva, por causa de uma noite com outro homem.

Maldita hora em que me deitei com outro homem. Maldito desejo de querer sentir outro homem.

Charles’s Pov Off

Brian’s Pov

Assim que chegamos à casa de Zachary, fomos recepcionados por Maggie e Icky, que pareciam estar completamente alegres com a volta de seu dono.

– Quer entrar um pouco Owen? – Zachary perguntou.

– Opa, claro. – Owen sorriu para nós dois e assim entramos na casa.

– Estou me sentindo tão fraco, que nem forças nas pernas tenho. – Zachary disse, encarando a escadaria que ligava a sala aos quartos.

– Calma Zee. – eu disse enquanto envolvia seu braço em meu ombro e o ajudava a subir as escadas. – É só efeito de remédio, ou sei lá.

– Por que essas coisas acontecem comigo? Puta merda...

– Oh velhinho reclamão! – brinquei e ele me encarou com um bico adorável. – Você cuidou de mim e agora é minha vez... E você terá de comer a minha comida horrível.

– É, agora só posso comer a sua comida, nada mais do que isso. – lamentou.

– Safado! – bati de leve em seu braço.

Owen ria durante o nosso trajeto até o quarto de Zachary. Assim que entramos no mesmo eu o deitei em sua cama. Ele resmungou qualquer coisa, enquanto se acomodava.

– Zee... Você não se lembra de nada que tenha acontecido aquela noite? – perguntei assim que o cobri e me sentei ao seu lado.

– Eu me lembro de estar conversando com Charles, mas não me recordo sobre o assunto... Na verdade não me lembro de muita coisa, só sei que um tempo depois, um cara se aproximou da gente e beijou Charles, ok, eles estavam quase transando no meio do bar... E ah, esse mesmo cara me deu um copo com bebida.

– Quem era esse cara? – perguntei. – Que bebida era?

– Eu não sei Brian, eu não sei. – resmungou.

– Você se lembra como esse cara era? – Owen perguntou enquanto se aproximava de nós.

Zachary olhou para o nada.

– Eu estava bêbado demais... Só me lembro dele ter cabelos negros e compridos.

Arregalei meus olhos e encarei Owen, que me encarou de volta.

Não podia ser Collins... Não, não podia ser ele.

Ele estava por perto todo esse tempo? Por que ele envenenaria justamente Zacky? Não fazia sentido.

Owen se retirou do quarto em seguida, e eu pensei em segui-lo, mas me contive, já que Zachary encarava confuso a porta que acabara de ser fechada.

– O que aconteceu com ele?

– Não sei. – respondi com a voz trêmula, voltando a encará-lo.

– Você está bem? – ele me encarou, sentando-se na cama. – Falei algo que não deveria?

– Não Zee... Você não falou nada de mais e sim, estou bem. – mordi meu lábio, tentando disfarçar a preocupação que me invadiu.

– Charles foi me visitar no hospital? – perguntou um tempo depois.

– Não... – o olhei.

– Estou preocupado com ele. – ele me encarou de volta. – Porque se isso aconteceu comigo, pode ter acontecido algo mais grave com ele. – sua voz falhou.

– Ele deve estar bem, Zee. Não pense assim... – se o tal homem descrito for mesmo Collins... Ele deve ter saído com Charles, no mínimo. Portanto, Charles não deveria estar bem. Não com aquele monstro por perto. – Depois você liga pra ele.

– É... Ligarei. – bocejou. – Vou dormir um pouco. – disse se acomodando novamente na cama. – Você deveria dormir, Brian. – comentou, já fechando os olhos. – Você parece cansado.

– E estou cansado... Daqui a pouco dormirei Zee. Descanse agora. – beijei-lhe na testa e me levantei, cobrindo seu corpo em seguida.

Brian’s Pov Off


Brian desceu as escadas rapidamente e deparou-se com Owen na sala, desligando seu celular.

– Com quem estava falando? – perguntou, sentando-se no sofá.

– Amy. – sorriu fraco, guardando o aparelho em seu bolso. — Ela acabou de chegar no Texas.

– Ela gravará um filme lá?

– Sim. – sorriu sem graça. – E Zachary? Como está?

– Dormiu. Deve ser efeito dos remédios que ele está tomando.

– Ah sim...

Ficaram em um breve silencio.

– Owen? – Brian chamou o amigo enquanto acariciava os pêlos de Icky que acabara de subir em seu colo.

– Sim?

– Acha que o homem que deu a bebida com veneno era Collins? – perguntou baixo e com a voz trêmula.

– Não sei Brian... Até porque ele não é o único cabeludo da região né?! – riu baixo. – E faz tempo que não o vemos, pode ser que ele tenha cortado o cabelo... Oras, por que acha que é Collins? – respondeu nervosamente, torcendo para que Brian não percebesse tal nervosismo.

– Não sei. Só sei que estou com medo. – mordeu o lábio e encarou o cachorro que brincava com sua mão. – Independemente de quem foi... A pessoa queria matá-lo.

– Calma Brian... – Owen abraçou o amigo. – Vamos descobrir primeiro o que era a substancia que tinha na bebida. – voltou a encarar Brian. – E talvez a pessoa tenha confundido Zachary com outra pessoa... Vamos esperar para ver.

– Estou preocupado e com medo.

John’s Pov

Owen havia acabado de me ligar e havia me contado sobre o que ocorreu.

Collins resolveu por as asinhas para fora. Estava na hora de cortá-las e colocá-lo no seu devido lugar... No inferno..

– Ora Collins... Envenenamento? Que assassino a La filme hollywoodiano. – ri comigo mesmo, apagando meu cigarro no cinzeiro.

– John? – Joseph entrou em minha sala. – Você mandou me chamar?

– Sim, e te chamei apenas para contar uma novidade.

– E o que seria? – perguntou sentando-se a minha frente.

– Collins está por perto e está agindo. – sorri sádico. – Ele quer jogar... E assim, que se iniciem os jogos! – bradei.

– O que ele fez, mais precisamente dizendo? – Joseph me encarava com a sobrancelha arqueada.

– Envenenou seu professor de anatomia.

O menor me encarou assustado.

– Ele envenenou Zachary? Como assim? Como Zachary está?

– Segundo o que Owen me disse por telefone, ele conseguiu ligar para Brian após ingerir a bebida com veneno e o mesmo o salvou, o levando para o hospital. – sorri. – Ele já está na casa dele, recuperado.

– Nossa! Brian morreria caso acontecesse algo com ele.

– Eles estão tendo um caso? – perguntei. – E Zachary não me é um nome estranho.

– Sim. – ele me olhou. – Conhece algum Zachary?

– Conheço, mas faz tempo que não o vejo. Deve estar morando em outro país, ou sei lá.

– Ah sim... E como Owen sabia que foi Collins que o envenenou?

– O tal Zachary descreveu o homem que lhe deu um copo com bebida. E bem, a descrição bate com o dito cujo.

– Eu sinceramente não entendo os atos dele... – Joseph comentou, inclinando-se e encostando seus braços em minha mesa.

– Ele ainda deve cair de amores por Brian, e ao ver o mesmo com outro cara, nada como apagar o homem que está ao lado dele. Simples caso de ciúmes, J.J.

– Se tudo se resolvesse com mortes, não restaria uma pessoa no mundo. – comentou.

– Talvez. – peguei um pequeno pacote, abri o mesmo e fiz uma pequena carreira com o pó branco em cima da mesa. – Mas enfim, sei como pegaremos Collins. – peguei um pequeno tubo que estava dentro de uma gaveta e aspirei todo o pó branco.

– Como? – ouvi Joseph perguntar, enquanto eu fechava os olhos e sentia o prazer dominar o meu ser. Ri sádico.

– Ele vai surtar quando souber que o tal professor não morreu, e provavelmente tentará mais coisas contra o próprio. – guardei tanto o pacote quanto o pequeno tubo. – E é aí que o pegaremos... No pulo do gato.

– Você vai usar Zachary como isca?

– Use o termo que preferir. – sorri. – Quero que se aproxime do casal e qualquer coisa, me contate. – coloquei minhas pernas em cima da mesa. – Vamos mandá-lo para o inferno. – ri alto e Joseph me acompanhou, embora parecesse demonstrar uma ponta de preocupação com seu professor.

John’s Pov Off

Zachary’s Pov

Havia despertado e pude perceber que era noite, olhei o relógio e o mesmo marcava 23h40min. Respirei fundo e fitei a janela, tentando me lembrar do que havia me acontecido. Flashes vinham a mente, mas nada concreto. O que eu havia contado a Brian era a única coisa que eu conseguia me recordar melhor.

Brian entrou em meu quarto e se aproximou lentamente. Talvez acreditasse que eu estava dormindo ainda, pois silenciosamente ele deitou-se ao meu lado e se cobriu.

– Brian? – o chamei instantes depois que ele se deitou.

– Hm. – murmurou contra o travesseiro.

– Eu também te amo. – eu disse baixo, fazendo-o levantar seu rosto e me encarar surpreso.

– V-Você me ouviu aquele dia?

– Sim... Eu só não consegui te responder. – mordi meu lábio. – Sabe quando você acorda, mas seu corpo não te responde? Seu despertador toca, indicando que você deve levantar, mas seu corpo permanece deitado, seus olhos continuam fechados, mas sua mente está trabalhando e você quer levantar, mas você não levanta? É a mesma coisa que aconteceu comigo no hospital. – suspirei, tocando em seu rosto. – Eu te amo muito, Brian... Eu pensei que nunca mais diria isso para outro alguém, ainda mais para outro homem, mas é, eu te amo muito e nunca foi minha intenção te abandonar. E eu me preocupo com você, e me preocupei desde aquele dia no laboratório. Foi coincidência te encontrar mais tarde no mesmo dia sendo agredido, mas eu já havia me preocupado... Você se tornou peça principal na minha vida e se for para eu morrer, Brian... Que seja por você.

A única luz que nos iluminava era a luz da lua que invadia a janela aberta de meu quarto, mas era possível ver seu rosto e ver que seus olhos estavam marejados.

Ele me abraçou e escondeu seu rosto em meu pescoço.

– Você não sabe o quanto eu chorei quando você teve a parada cardíaca... Você não sabe o quanto eu chorei ao pensar que tinha te perdido pra sempre.

– Talvez eu possa imaginar, me colocando no seu lugar. – eu disse, beijando o topo de sua cabeça.

– Eu nunca mais vou te deixar sair sozinho, ouviu bem? – disse contra a minha pele. Eu apenas ri. – É sério, a única vez que você saiu sozinho, ou sem a intenção de me encontrar, olha a merda que aconteceu.

– Vai virar meu guarda costas então? – perguntei enquanto acariciava seus cabelos.

– Sim. – riu, voltando a me encarar. — Não sairei mais de perto de você. E começarei a partir de agora! E dane-se as aulas...

– Não Brian... Eu ficaria muito triste com você se faltasse às aulas por minha causa.

– Mas Zee...

– Não tem “mas” nem “porém”, nem nada Brian. – acariciei seu rosto, o olhando nos olhos. – Pode ficar todos os dias aqui em casa, mas depois da aula.

– Posso faltar e ficar com você pelo menos essa semana? – fez bico e eu ri.

– Bom, eu não posso te colocar dentro do meu carro e te forçar a ir. – permaneci o olhando. – Mas me prometa que irá as aulas depois dessa semana.

– Prometo.

Nos beijamos até Brian começar a resmungar de sono. Ele deitou-se ao meu lado e adormeceu em seguida.

A vontade de fumar me dominou. Então me levantei e procurando não fazer muito barulho desci as escadas, pensando em algo que pudesse saciar a vontade de fumar. Peguei uma maçã e me sentei no jardim da frente de casa, enquanto Maggie e Icky deitavam-se ao meu lado.

Passei a pensar na vida enquanto encarava a rua deserta.



Notas finais
Bom, o próximo capítulo vai demorar um pouco pra sair .-. as 2 próximas semanas serão só de provas e sabe, tenho que ir MUITO bem... Tentarei postar, mas não é nada garantido... Reviews?