Anatomy
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Fadetoblack pela recomendação, MUUUUUUUUUUUUUUITO OBRIGAAAAAAAAAADA ♥ bem, e lá vamos nós pro capítulo.
John’s Pov
Já havia amanhecido e Joseph não me atendia e muito menos retornava minhas ligações. Eu tentava não me preocupar, mas era praticamente impossível, pois o medo de alguém ter machucado Joseph me dominava a cada instante.
Nós nos conhecíamos há muitos anos. Joseph nunca teve uma vida boa, ele cresceu sem seus pais e eu o adotei como membro da minha família, até porque eu havia saído da minha própria casa muito cedo. Nós nos entendíamos muito bem e não era a toa que eu o protegia e sempre o mandava fazer coisas que não colocaria a vida dele em risco.
Depois de bufar diversas vezes, andar pelo pequeno cômodo e discar inúmeras vezes para ele, decidi sair pelas ruas para procurá-lo. Mas então meu celular começou a tocar e era o próprio.
– Joseph? Mas que merda... Onde diabos você se meteu? – atendi com certa raiva em minha voz.
– Desculpe John, meu celular estava desligado, provavelmente deve ter acabad...
– Venha para cá agora! – eu disse rude.
– Mas...
– Agora Joseph.
Não tardou até eu ouvir três batidas na porta, revelando-o, com o rosto levemente corado e um olhar que não me permitia brigar com ele.
– Oi John. – sorriu sem jeito, dando pequenos e leves passos em minha direção.
– Onde você estava? – perguntei seco, cruzando meus braços.
– Não vem ao caso... – ele respondeu rouco. — Perdoe-me em relação ao celular, eu...
– Como assim não vem ao caso? – perguntei, não disfarçando meu tom de indignação. — Você poderia estar por aí, caído na sarjeta, morto e isso não vem ao caso? – bati com força na mesa, o assustando. – J.J, você é um dos poucos que eu considero, um dos poucos que eu me preocupo e você diz que não vem ao caso? – soquei a mesa mais uma vez e pude perceber que ele me encarava confuso. – Você não sabe o quanto eu me odiaria se algo acontecesse com você.
– Assim como você se odeia por causa da prisão de Peter? – sorriu tímido.
– Pior. – concordei cruzando meus braços e o encarando. – Fui eu quem te colocou nesse mundo. Eu me odiaria muito mais se você morresse por causa disso... Por minha culpa.
Ele me encarava com um semblante diferente do normal, seu sorriso aumentara e seus olhos se encheram de alegria. Eu não entendi bem, mas acabei retribuindo seu sorriso.
– Eu estava na casa da Ash. – disse em seguida.
– Quem é Ash? – perguntei sem interesse.
– Ashley. – disse desviando o olhar. — A garota que eu te falei.
– Hm... – murmurei. – Poupe-me dos detalhes do que vocês fizeram na casa dela. – ri sem vontade. – Estão namorando? – tentei puxar conversa, para não soar tão antipático.
– Ainda não.
– Bom, seja lá que tipo de relacionamento você está tendo... Eu não quero que nada de mal aconteça com você. Ouviu bem? – perguntei e ele apenas acenou com a cabeça. — E você sabe quem realmente é a garota? Sabe sobre a família dela?
Ele me encarava com um olhar curioso e por um momento até cheguei a me sentir pai de Joseph por conta daquela nossa conversa.
– Não é necessário John... – ele respondeu depois de bufar.
– É necessário Joseph! – o interrompi, elevando meu tom de voz. – Mas que merda! Eu já disse, eu não quero que nada de pior aconteça com você. Eu confio em você, eu gosto de você, eu te considero e você simplesmente está fazendo pouco caso disso. – bufei. – Eu estou pouco me fodendo para o que você faz com a garota ou deixa de fazer, só quero que você tenha um pouco de juízo nessa cabeça!
- Eu tenho juízo. – resmungou feito uma criança quando contrariada.
- Nem sempre. – abaixei meu tom de voz.
- É... Nem sempre. – concordou coçando a nuca. – Me perdoe. – disse em seguida. – Eu sei que agi de modo errado e eu sei que te devo explicações e...
- Não J.J. – sorri terno. – Você não me deve explicações... Só não quero que me deixe preocupado.
- Não farei mais isso. – mordeu o lábio.
– Espero que não. – abri meus braços e logo ele me abraçou. – Eu não consigo me imaginar sem você e sua falta de tamanho. – ri baixo e pude ouvir sua risada abafada em meu peito.
– Você me ama? – ele perguntou, levantando sua cabeça, me encarando nos olhos.
– Está carente? – ri sem jeito, disfarçando a minha confusão com sua pergunta.
– Não. – ele riu baixo. – Só queria saber se tem alguém nesse mundo que me ame.
– Claro que tem alguém nesse mundo que te ama. – o encarei. – Mas eu te amo sim, você é meu irmão mais novo que eu não tive.
Ele se desvencilhou do abraço, enquanto seu semblante mudava mais uma vez, era possível ver a tristeza em seu olhar.
- É... Irmão. – se retirou da sala, me deixando com uma sobrancelha arqueada sem entender absolutamente nada.
John’s Pov Off
Brian’s Pov
Estava sentado na poltrona da sala de espera, com Owen me envolvendo em seus braços e me dizendo palavras consoladoras, mas eu não as ouvia. Nada me consolava naquele momento.
Eu havia acabado de perder Zachary, o que me consolaria?
O homem que eu amei, o professor que eu me apaixonei estava simplesmente morto. Eu não podia acreditar, eu não queria acreditar.
Um médico ruivo, de aparência jovial apareceu na sala onde eu estava e se aproximou de mim lentamente. Provavelmente ele havia aparecido para confirmar a morte de Zachary.
– Sinto muito pela cena que você assistiu agora pouco. – ele suspirou e se abaixou em minha frente, colocando sua mão em cima da minha. – Mas nós conseguimos trazer Zachary de volta a vida. – sorriu gentil.
– O quê? – minha voz saiu rouca. Eu estava delirando, só podia! Eu queria ouviu isso, mas era impossível ser verdade, eu tinha visto Zachary morto com os meus próprios olhos.
– É isso o que você ouviu rapaz... Nós conseguimos reanimá-lo. Na nossa última tentativa no desfibrilador, ele reagiu. Ele está vivo! – ele ainda sorria enquanto tentava me animar, mas eu encarava o médico sem conseguir esboçar reação alguma.
- Isso... Isso é verdade?
- Sim. – o médico riu enquanto Owen nos encarava surpreso com um largo sorriso estampado no rosto. – Fique mais tranqüilo okay? Nós vamos transferi-lo para o quarto logo mais. Não iremos mais deixá-lo na UTI por ele estar muito frágil e exposto a diversos tipos de doenças. – sorriu. — Num quarto separado, será muito mais fácil a recuperação dele.
– Eu mal consigo acreditar. – sorri mínimo, ainda fragilizado.
– A nossa atenção em Zachary será redobrada, mas acredito que não há outra possibilidade de mais uma parada cardíaca... Assim espero.
– Ele vai acordar logo? – perguntei baixo.
– Nós aplicamos alguns sedativos para fazer alguns exames toxicológicos para verificar se ficou algum resto de toxina em seu corpo, então acho que ele não deve despertar hoje. – ele disse. – Descanse um pouco.
– Eu não vou descansar até ele ficar bem e acordar, doutor.
O médico riu baixo e se levantou.
– Assim que o mandarem para o quarto, alguém virá te avisar... É permitido um acompanhante por paciente e certamente você é quem o acompanhará. Estou certo?
– Sim. – ri baixo.
– As poltronas dos quartos são mais aconchegantes. – riu também. – Até mais, rapaz.
– Obrigado doutor.
Ele apenas sorriu para mim e para Owen e se retirou.
– Viu Brian? – Owen sorria enquanto nós nos abraçávamos. — Ele voltou... E com certeza foi por você. – riu enquanto mexia em meus cabelos. – Vamos comer alguma coisa? Você não comeu nada, só bebeu café e fumou. Daqui a pouco eu terei que te internar.
– Não... Quero ficar aqui. Ele pode acordar. – resmunguei em seu ombro.
– Brian, você ouviu o médico. – Owen me olhou. — Ele não vai acordar hoje.
– Pela manhã eu pensei que ele iria se recuperar e a noite ele teve uma parada cardíaca. Tudo pode acontecer. – cruzei meus braços. – Não confio em médicos.
– Larga de ser cabeça dura e vamos comer algo. – ele me puxou pelo braço até a lanchonete do hospital. – E você quer ser um médico... Não confiará em si mesmo?
– Pode ser que eu mude de idéia até me formar, se eu me formar. – respondi enquanto me deixava ser guiado por Owen. — Se ele acordar agora, eu vou ficar muito bravo com você. – eu disse assim que me entregaram um suco natural.
– E se você desmaiasse por não ter comido nada, eu ficaria muito bravo com você. – ele riu, bebendo sua água.
Comemos rapidamente e voltamos para a sala de espera. Na verdade, eu mal deixei Owen comer para voltarmos o mais rápido possível. Eu estava ansioso para rever meu professor e saber que ele estava vivo me dava uma paz incrível.
– Brian, para de bater o pé no chão... Estou ficando aflito com isso.
– Desculpe, estou ansioso. – ri baixo.
– E eu não sei? – meu amigo riu. – Fico melhor te vendo com esse sorriso gigante no rosto. – nos encaramos. – Eu já estava fazendo as contas de quantos antidepressivos eu teria de comprar pra você.
– Que horror Owen. – rimos.
Talvez alguém lá no céu resolveu me dar uma segunda chance para ser feliz e eu certamente não iria desperdiçar.
Brian’s Pov Off
Charles’s Pov
Acordei com uma dor de cabeça miserável, após meu olhar se acostumar com a claridade do cômodo, encarei o teto deste e o mesmo era bem diferente do teto de meu quarto, uma vez que o teto era todo sujo e embolorado com algumas teias de aranha. Fiz uma cara de nojo e tentei me mover, mas a cama rangeu e eu encostei-me a alguém, e para a minha surpresa, era um homem!
– Que merda eu fiz ontem? – perguntei baixo pra mim mesmo. – Onde eu estou? Numa caverna?
Para o meu maior susto, eu estava só de boxer que por sinal não era minha e com o corpo completamente marcado por arranhões e chupões.
Aquele cara que estava do meu lado fez tudo aquilo?
– Bom dia, Charles! – o tal me encarou sorrindo.
– Bom dia? Eu estou morrendo de dor de cabeça e não me lembro de merda nenhuma, portanto meu dia não tem nada de bom. – bufei e gemi assim que senti uma violenta pontada em minha cabeça.
Ele apenas riu e eu não sabia o nome dele, mas bem, ele era bonito. É, bem bonito.
Charles Howard achando homem bonito? Tinha algo extremamente errado comigo. E eu não poderia dizer que eu estava andando muito com Zachary porque nós mal havíamos nos visto nos últimos dias.
– Devo ter algum comprimido para ressaca... Mas acho que uma boa ducha já deva ajudar. – ele disse em seguida, sentando-se na cama que rangeu monstruosamente. Resmunguei mais uma vez de dor de cabeça.
– É. – apesar dos pesares, eu estava extremamente tímido, pois estava na cara que eu havia dormido com ele, até porque ele estava usando a minha cueca. – Onde é o banheiro? – perguntei após sentir seu olhar percorrer sobre meu corpo inteiro.
– No fim do corredor. – ele sorriu mordendo o lábio.
– Hm. Obrigado. – me levantei sorrindo sem jeito. – Essa cama é bem chata né?
Ele concordou rindo alto. Ri também e me dirigi ao banheiro.
Eu estava na casa de um desconhecido, tomando banho em um banheiro um pouco (pra não dizer totalmente) nojento. Eu não sabia seu nome, mas só sabia que havia dormido com ele. Quer dizer, eu não sabia, só supus. Mas dois homens seminus na mesma cama para mim era sinal de sexo na noite anterior.
Gemi de dor ao sentir a água quente cair sobre os arranhões em meu corpo e me encarei pelo reflexo do pequeno espelho quebrado que tinha e me assustei.
– Que merda eu fiz ontem? – acabei por rir com a minha própria pergunta. – Como Zachary pode me deixar beber tanto? Falando nele, onde será que aquele cidadão se meteu? Depois eu ligo pra ele, é. – eu sempre tive a mania de falar sozinho, principalmente no banho. – Como eu queria me lembrar de algo que eu tenha feito ontem... Não vou perguntar pro cara aí né?! Nem o nome dele eu sei.
– Matthew Collins. – disse entrando no banheiro.
Arregalei os olhos, me encolhendo num canto do banheiro, escondendo minhas partes intimas.
– Para que esconder? Vi tudo isso ontem. – disse rindo enquanto deixava uma toalha em cima da pia. – E a noite ontem foi ótima, se quiser relembrar um pouco... – permaneceu rindo enquanto eu sentia minha pele corar. – Estou brincando Charles... Termine seu banho. – ele se retirou encostando a porta.
– Que situação! – me ensaboei. – Eu juro que vou matar Zacky por me deixar sair daquele bar com outro homem. E agora eu nem sei se eu fui ativo ou passivo, ou os dois. Ah Senhor, eu juro que nunca mais colocarei uma gota de álcool na boca!
Encerrei meu banho e tomei café da manhã com o tal de Matthew Collins... Ele era bonito e simpático... Ora Charles, pare de boiolagem e volte para sua casa!
Charles’s Pov Off
Após um longo tempo de espera, uma enfermeira se aproximou de Brian e indicou o quarto onde Zachary fora transferido.
– Vou para casa. – Owen se levantou junto de Brian, após um longo bocejo. – Amanhã, depois de levar Amy ao aeroporto, eu volto para te ver e finalmente conhecer Zachary, que provavelmente estará acordado.
– Te esperarei. – Brian sorriu. – Nem sei como te agradecer.
– Amigos são para essas coisas, Brian. – riu baixo. – Até amanhã e vê se descansa.
– Você também.
Despediram-se com um longo abraço e Brian em seguida apressou seus passos em direção ao quarto onde Zachary estava.
Ao chegar ao mesmo, Brian se deparou com Zachary ainda adormecido, com alguns fios ligados em seu corpo. Aproximou-se e sorriu largo, principalmente ao perceber o semblante sereno de Zachary. Pois até parecia que o mais velho estava apenas num sono tranquilo sem ter passado por um envenenamento seguido de parada cardíaca.
– Que susto você me deu, Zee. – mexeu nos cabelos do professor. – Você poderia acordar logo e me encarar com esses olhos que eu tanto amo. – riu baixo, olhando para trás e encontrando uma larga poltrona de couro, um tanto quanto convidativa. – Mas tudo bem, eu espero a sua boa vontade de acordar, seu dorminhoco.
Estava tão exausto que sentia seus olhos se fecharem sozinhos mesmo com ele querendo se manter acordado, zelando por Zachary.
– É, você não deve acordar agora. – murmurou baixo após um bocejo, decidido então a se acomodar na poltrona. – Boa noite, Zee. — jogou sua cabeça para trás, fechando os olhos e entregando-se de vez para o sono.
Notas finais
Reviews? Prometo responder as reviews do cap anterior também ♥
Fale com o autor