Anatomy
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Brian’s Pov
Abri os olhos lentamente, enquanto tentava me acostumar com a claridade do dia que invadia o quarto.
Meu corpo doía bem menos em relação ao dia anterior, talvez eu ainda estivesse sob efeito do medicamento que Zachary havia me dado.
Levantei da cama e caminhei calmamente até o banheiro, lavei meu rosto e mais uma vez encarei meu reflexo no espelho. Muitos dos machucados pareciam ter piorado e eu tive a sensação que ficaria com grandes cicatrizes pelo corpo. Mas ignorei tanto a aparência dos meus machucados quanto a dor que eles vinham a causar assim que lembrei que eu estava na casa de Zachary, o professor que eu tanto admirava nas aulas. E ainda por cima dormi em sua cama.
Em que outra circunstância, Zachary me abrigaria em sua casa? Em que outra ocasião ele cuidaria de mim assim como ele cuidou desde quando me salvou?
- A males que vem para o bem. – comentei comigo mesmo, com um sorriso tímido nos lábios. – E que bem. – meu sorriso aumentou ao me recordar de um momento que aconteceu durante aquela madrugada.
Flashback
O relógio marcava 2h41 quando eu acordei assustado devido a um pesadelo.
As dores estavam bem amenizadas e eu agradeci mentalmente ao meu professor por ter me dado aquele comprimido antes de dormir. Acreditava que um dos efeitos do remédio seria de sono profundo, mas meus pesadelos sempre foram bem mais “poderosos” que qualquer substância que provocasse o sono.
Estava decidido a voltar a dormir até que escutei um barulho, alguém havia aberto a porta e pela silhueta, percebi que era Zachary. Fingi estar dormindo para saber o que ele faria.
Ouvi seus passos, mesmo que quase silenciosos se aproximarem de mim, e então senti sua mão tocar meu rosto. Talvez ele quisesse apenas medir minha temperatura, mas aquela preocupação vinda de meu professor me tocou de uma forma tão profunda, que eu gostaria de abraçá-lo naquele instante. Mas não, permaneci imóvel, apenas sentindo o toque de sua mão e sorrindo internamente.
Porém, Zachary logo retirou sua mão de meu rosto e cobriu parte do meu corpo descoberto.
Senti algo deitar-se ao meu lado na cama e estava começando a acreditar que era ele, mas logo esta suposição fora descartada assim que ouvi sua voz soar, quase num sussurro:
– Icky, não. – Senti algo cheirar meu rosto. E por fim percebi que era um cachorro. – Icky, já disse que não, menino. Vem. – e pelo canto do olho, vi Zachary pegar o cachorro no colo e se retirar do quarto.
Sorri abobadamente, quase não acreditando no que havia acabado de acontecer.
/Flashback
Ao abrir a porta do quarto, me deparei com outra porta no final do corredor. Como a mesma se encontrava fechada, acreditei que Zachary estaria ali.
Decidi descer as escadas e para a minha surpresa, deparei-me com Zachary dormindo no sofá com um cachorro de pelagem negra em seu colo, interpretei que seria o mesmo que me visitou durante a madrugada.
Resolvi voltar para o quarto e esperar meu professor despertar primeiro até que um latido estrondoso ecoou pelo cômodo, fazendo-me assustar e Zachary acordar.
- Desculpe Zachary, eu...
- Brian? Oh, está melhor? – ele perguntou sonolento, sentando-se no sofá em seguido, esfregando os olhos infantilmente. – Quieta Maggie. – advertiu a cachorra que estava próxima da escada me encarando, com um brinquedo na boca e abanava o rabo.
- As dores cessaram... Graças ao seu remédio. – sorri. – Desculpe ter te acordado e além do mais, por que dormiu no sofá? – perguntei, terminando de descer as escadas passando a acariciar o pêlo de Maggie.
- Você é visita e está machucado. Logo, merece mais repouso do que eu. – ele se espreguiçou e por fim levantou do sofá. – Vou fazer o café da manhã. – seguiu para a cozinha e eu o acompanhei, sentando-me numa bancada.
- Tem outro cômodo no corredor. Não é um quarto? – o encarei.
- Não, não... É um escritório. – disse rapidamente, enquanto colocava água para ferver. – Não dá para dormir lá. – sorriu, virando-se para mim.
- Entendo. – retribui o sorriso.
A partir de então, um silêncio chato nos envolveu até Zachary terminar de preparar o café e nos servir.
- Sei que isso já está se tornando repetitivo, mas eu gostaria de te agradecer. – eu disse, bebericando um pouco do café que ele havia acabado de servir.
- Não precisa agradecer. – sorriu. – Eu faria isso por qualquer aluno meu.
Meu sorriso se desfez completamente enquanto eu desviava meu olhar. Zachary não havia me notado do jeito que eu gostaria que me notasse. Se bem que, eu já estava pedindo demais.
- É injusto várias pessoas baterem em uma só. – ele continuou. – Mesmo que por qualquer motivo, isso é covardia. – nossos olhares se encontraram. – Se fosse um mero desconhecido, eu e Charles deixaríamos num hospital e retornaríamos ao que estávamos fazendo, mas como era um aluno, eu me vi na obrigação de cuidar. – ele por fim sorriu.
- Mas mesmo assim... Muito obrigado Zachary.
- Me chame de Zacky. – ele disse.
- Zacky? – arqueei uma sobrancelha.
- É... Me chame de Zachary apenas na faculdade. – sorriu enquanto levava sua xícara para a pia e a lavava.
- Ok... Zacky.
- Seu pai deve estar preocupado com você. – comentou cruzando os braços e encostando-se na pia.
- Duvido muito. – suspirei.
- Por quê? – me encarou curioso.
- Eu e ele nos afastamos muito desde a morte de minha mãe.
- Eu sinto muito.
- Não sinta. – forcei um sorriso. – Ele vive a vida dele e eu vivo a minha, aos trancos e barrancos, mas vivo.
- Antes de sua mãe morrer, você e seus pais eram unidos?
- Sim. – mordi meu lábio. – Eu era aquele típico adolescente revoltado sem motivo. – nós dois rimos. – Mas minha mãe sempre conseguia nos manter unidos. Ela era a peça principal naquela casa.
- Entendo... – disse baixo.
- E seus pais?
Porém ele desviou o olhar.
- Gostou do café? – desconversou, me deixando intrigado.
Brian’s Pov Off
Matthew’s Pov
O dia estava tranqüilo e eu resolvi ver se Brian estava bem, porém, algo me deixou extremamente intrigado... Ele não havia dormido em casa.
Como eu sabia?
Primeiramente, Brian sempre deixava a janela aberta quando estava lá, e dessa vez a janela estava fechada.
Liguei para sua casa e ninguém atendeu... Eu sabia que o pai dele estava lá, pois o carro se encontrava na garagem e ele nunca atendia, apenas Brian costumava atender.
Desnorteado e com medo de que algo tivesse acontecido com ele, decidi procurá-lo na região. Porém para o meu desespero, ele não estava em nenhum barzinho, não estava caído em nenhuma calçada, não havia sinal algum de Brian e isso quase me enlouqueceu.
– Ele não pode ter pego Brian. – comentei baixo, porém socando uma parede. – Eu juro que se John tocar num fio de cabelo de Brian, eu vou torturá-lo até ele implorar para que eu o mate.
Caminhando pelas ruas próximas a casa de Brian, deparei-me com Owen, sentado numa calçada, fumando e encarando o nada. Acreditei que ele soubesse do paradeiro de Brian.
Hesitei algumas vezes, mas tomei coragem e me sentei ao lado dele. Logo ele me encarou, sem esconder a surpresa.
– Pensei que havia morrido. – comentou, voltando a encarar o nada, fingindo não ter sido afetado pela minha presença.
– Eu sei que você e Brian gostariam que isso tivesse acontecido. – eu disse baixo.
– Que bom que sabe. O que você fez não tem perdão, Collins. Aliás, não sei como você tem coragem de vir falar comigo.
– Vim perguntar sobre o único assunto que temos em comum...
Ele me encarou.
– Eu não tenho nenhum assunto em comum com filhos da puta como você...
– Brian é o nosso único assunto em comum. – ignorei seu comentário.
– Você deveria lavar a boca mil vezes antes de ousar citar o nome dele. – ele disse ríspido.
– Ok Owen, eu sei que fiz merda, mas foi para o bem dele.
Ele me encarou pasmo, gargalhando ironicamente em seguida.
- Desculpe, mas eu não estou bêbado o suficiente para ouvir esse tipo de lorota. – ele se levantou, jogando a bituca de seu cigarro longe.
– Me escuta. – me levantei e segurei em seu braço, porém ele se desvencilhou, me encarando raivoso. – Eu só quero saber onde Brian está...
– Você acha que eu tenho cara de otário ou o quê? – ele perguntou irritado. – Não venha bancar o cão arrependido e querer saber do Brian. Ele está vivendo muito bem sem você. Então desapareça como você desapareceu desde aquele dia...
– Owen... O Brian não está na casa dele.
– E você teve a pachorra de procurá-lo na casa dele. Como você é um grande filho da puta!
– Estou pouco me fodendo pra sua opinião. – eu disse irritado – Eu só quero saber de Brian.
– E mesmo se eu soubesse onde ele está, eu certamente não te contaria... Vá foder com a vida de outro cara em outra freguesia.
– Então você não sabe onde ele está?
– Procura no meu bolso pra ver se você acha. – ele me encarou com desdém e se virou.
Saquei uma arma e apontei na direção de Owen.
– Seria bom se você me respondesse, meu velho amigo.
Ele se virou para mim e pareceu não se assustar.
– Ui, ele tem uma arma. – cruzou os braços. – Eu não sei onde Brian está, e se eu soubesse, não seria essa arma que me faria te contar. Agora posso ir ou você vai atirar nas minhas costas?
– Eu deveria. – respondi seco. Voltando a guardar minha arma. – Por favor. Eu não quero falar com ele... Eu apenas quero saber se ele está bem.
– Você é surdo ou o quê? Eu já disse que não sei dele... Espera aí. – ele olhou para os lados. – Ele não está na casa dele... Puta que pariu! Se algo tiver acontecido com ele, você está fodido na minha mão. – e então ele saiu correndo.
– Não pode ter acontecido nada com Brian... Ele deve estar na casa de algum conhecido... – suspirei e voltei a andar pela região, procurando por algum sinal de Brian.
Matthew’s Pov Off
Brian passou a sentir um leve desconforto devido aos seus machucados assim que se sentou no sofá com a ajuda de seu professor.
– O efeito do remédio deve estar passando. – riu fraco para o professor que apenas o encarava preocupado.
– Vou procurar outro medicamento para você e...
– Você vai me deixar dopado desse jeito. – riu e o professor o acompanhou. – Vou ficar sentado um pouco, daqui a pouco deve passar. Não posso viver à custa de medicamentos... – sorriu.
– Tudo bem então. – Zachary se sentou ao lado de Brian. – Não sei como alguém poderia ter batido em você... Era alguém que não ousou em falar ao menos um oi para você. – comentou baixo para o outro que apenas sentiu seu rosto corar.
– Por quê? – mordeu o lábio.
– Você não me parece do tipo que faz mal para alguém...
Brian sorriu e concordou com a cabeça.
– Eu não entendi porque fui o alvo daqueles três caras... Mas se não fosse você e seu amigo. Bem, eu estaria morto... Vocês chegaram na hora certa. – sorriu tímido. – Mas enfim, eu não posso perder essa oportunidade de dizer que eu adoro suas aulas. – riu divertido. – Você é um ótimo professor.
– Obrigado. – Zachary riu também, fazendo assim o assunto terminar e ambos se encararem, talvez procurando por um novo assunto.
Brian encarava seu professor nos olhos e com um pouco de dificuldade se aproximou do outro que apenas o olhava sem entender seu ato. Em seguida tocou em seu rosto, assustando o mais velho, fazendo-o engolir em seco.
– Eu me perco na cor dos seus olhos... São como se me hipnotizassem. – dizia baixo, encarando o professor. – Eles parecem uma nova luz que passou a me iluminar e me ajudar a seguir em diante.
Zachary não esboçava uma reação. Não sorria, e não quebrava a troca de olhares, não aproximou seu rosto no de Brian, porém também não se afastou do outro.
– E não é só nos seus olhos que eu me perco... – Brian sussurrou, sentindo a respiração já descompassada do mais velho bater em seu rosto.
– E-Eu... Bri... – Zachary tentava dizer algo, mas vacilava. Ele estava perdido nos próprios pensamentos. Ele não sabia o que fazer.
Brian apenas sorriu
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