Anatomia do Amor
3 Saturday, bone saturday
Notas iniciais
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Bem, estou amando ler os comentários deixados por vocês. Fico contente em saber que estão gostando. Continuem opinando, sim?
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Espero que gostem do capítulo, penso que está mais fofo que engraçado. Me digam o que acharam no fim.
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Boa leitura
POV Edward
Ela, com certeza, tinha um metro e cinquenta e seis e exatamente cinquenta e dois quilos. Perguntei-me se eu estava ficando louco, pois não fazia sentido ficar mensurando as medidas das pessoas, preferi colocar a culpa em meu olhar treinado. Tentei, mas não consegui parar de pensar ininterruptamente na mulher de sorriso nervoso e olhar desconfiado. Bella atravessava todos meus pensamentos, aquilo não fazia sentido e eu constatei que eu estava doente.
Por coincidência ou não, espirrei. Agradeci por eu ter encontrado uma causa para tudo aquilo. Era a gripe, um vírus mutante qualquer. Andar a pé, sob o sol quente também não ajudava. Era fácil sentir o sol torrando minha cabeça, a camisa branca, para minha sorte, não mostrava o quão suado estava. Grace deveria me agradecer muito, eu estava usando meu horário de almoço para encontrar um bom presente para ela.
Depois de perambular por lojas de todos os tipos, não encontrei nada que fosse bom para Grace. Não que ela fosse exigente em receber presentes, Grace gostava de tudo. A questão era que eu era completamente exigente sobre tudo que envolvia minha filha. Eu realmente queria dar o melhor presente. A esperança estava quase indo embora quando avistei uma loja simples e pequena. Entrei meio apressado, vendo uma quantidade imensurável de pingentes e correntes brilhantes. Bem, aquilo faria de Grace um alvo fácil para ladrões, mas decidi arriscar.
O colar era irritante de tão delicado; a corrente era finíssima e ela carregava um pingente de laço, o pequeno detalhe era cheio de cristaizinhos. No fim, a jóia parecia combinar com Grace. Coloquei o embrulho no bolso; meio desanimado, voltei ao trabalho. Emm me deu um aceno, saindo da posição sentada.
“Sua irmã vai estar no aniversário de Grace?” Ele me perguntou com rapidez, fazendo-me sorrir e deixar um tapa no ombro dele. “Só é curiosidade, Edward!” Emmett fingiu dor e me deu um sorriso.
Sentei-me na cadeira ao lado, sem saber se tínhamos algum corpo para abrirmos. “Claro que você verá Rose amanhã.” Falei com diversão. “Ela e Alice estão organizando a decoração, embora eu ache que um churrasco não precise de decoração.”
Emmett me olhou em dúvida. “Sua filha está fazendo treze anos e você fará um churrasco? Você realmente acha que os amigos dela vão se encher de cerveja e carne mal passada?”
Aquele estava sendo um ano sem criatividade, o que era ruim. Pedi para que Grace ficasse satisfeita com um almoço em família. Eu estava certo sobre comer carne a tarde inteira e ter uns copos de cerveja. Antes que Emmett me deixasse responder, ele se apressou em continuar, o sorriso estranho me deixou assustado.
“Alguma novidade sobre a professora de Grace?” Ele me perguntou com o mesmo sorriso estranho. “Confesso, estou um pouco surpreso, depois de anos você está falando sobre qualquer ser humano do sexo feminino. Você sabe, isso é anormal.”
A fala, apesar de engraçada, era verdadeira. Encolhi-me na poltrona, olhando para meu tênis branco e quase desamarrado. “Ela é bonita.” Falei com impressionante displicência. “Completamente louca também.” Continuei no mesmo tom, lembrando-me do escândalo que ela fizera por causa de Shady.
“Ela vai dar um jeito de me processar, pode ter certeza.” Minha voz saiu engraçada, divertida demais. “Bella realmente acha que meu cachorro estuprou a cadelinha dela.”
“Olhe, pense pelo lado bom, seu cachorro deve ter sido bom o suficiente para deixar essa cachorra prenha.” Emmett usou uma voz mais séria, mas era muito fácil ver a diversão saindo em cada palavra. “Vocês terão um vínculo, mesmo que seja uma ninhada de cachorros chatos.”
Não contive minha risada. Se Shady tiver colocado filhotinhos naquela cadela minúscula, o processo de Bella contra mim terá inúmeros agravantes. Emmett me olhou sugestivamente, me deixando confuso. Dei-lhe o mesmo olhar, ganhando uma risada alta.
“É melhor trabalharmos. Não se esqueça de me apresentar esta Bella, preciso saber quem está te deixando retardado.” Ele falou no mesmo instante em que ficou de pé, eu fiz o mesmo, com um pouco mais de preguiça.
“Deus, ela é bonita e engraçadinha, nada de mais, certo?” Falei-lhe, meio irritado e duvidando de minhas palavras. “Grace fala muito sobre ela e pronto.” Minha voz soou mais alta. “Não há ninguém retardado aqui, não há interesse, nem mesmo curiosidade.” Terminei a fala incisiva com certa irritação. “E eu não vou abrir esse cara desmanchando de tão podre.” Falei por último, vendo Tyler trazer um corpo praticamente decomposto.
“Sim, você vai.” Emmett falou com uma diversão assustadora, ele me deu um par de luvas. “Todo seu, Edward.” Sem ter para onde fugir e sem querer realmente fugir, encarei o corpo despedaçado, eu só consegui sorrir para as larvinhas que se nutriam das vísceras do homem gordo e indigente.
(...)
Era injusto eu me atrasar para buscar Grace no dia do aniversário dela. O trânsito de sexta era um inferno, mas consegui dirigir até o colégio. Eu estacionei no lugar de sempre, procurando por Grace. Estranhei o fato de ela não estar sentada na escada, no segundo degrau.
Meus olhos varreram a entrada do colégio, vendo alunos e mais alunos. Uns ainda conversando, outros entrando nos carros dos pais. No meio deles, encontrei Grace. Eu paralisei e não consegui pensar, pois eu estava pronto para ver tudo, menos para ver um menino beijando-a. Beijando-a de verdade.
Trinquei meus olhos, fechando-os, a ponto de só ver o escuro. Aquilo só era uma alucinação, culpa da gripe. Grace estava sentada na escada, não beijando um menino. Não correndo as mãos pelas costas dele, não o deixando pastar os dedos entre os cabelos loiros dela.
Nem mesmo o vidro escuro me deixava sem os detalhes. Eles pareciam experientes, eles sorriam. Se aquele menino idiota e magrelo se esfregasse nela, eu não pensaria antes de cortar o que ele tinha entre as pernas. Eu faria com prazer até.
A vontade de vomitar existia, mas o aperto no coração era maior. Era ver que ela estava crescendo e dependendo muito menos de mim. Não existia pessoa mais ciumenta que eu e ver Grace naquela situação só me fez ter certeza que eu estava perdendo minha filha. E eu não estava preparado para nada daquilo.
Eu buzinei apenas para tirar o nervosismo de mim, o som estridente arrastou-se, fazendo muitos rostos olharem para trás. Grace fez o mesmo e sorriu, ela olhou para o menino e deu um último beijo nele, sendo rápida e sorridente. Com certeza, ela não tinha me notado. O menino magrelo e de olhos escuros abraçou-a, eu buzinei de novo, assustando a todos novamente. Grace correu os dedos pelos cabelos, mas antes que ela desse os tradicionais passos curtos, o menino puxou-a pelo pulso, entregando-lhe um embrulho rosa. Era um presente de aniversário. As coisas ficariam sérias se ele tivesse dado um presente melhor que o meu.
Em algum instante, o menino magrelo, de olhos escuros e idiota soltou minha filha. Grace estava em uma tarde de desatenção, pois ela demorou muito para ver meu carro estacionado. Eu não estava muito certo sobre o que falar com ela, também não sabia se estava nervoso ou com medo.
Meio letárgico, destravei a porta. Tateei meu bolso, conferindo se o presente ainda estava ali. Grace carregava um semblante calmo, como se não tivesse agarrada em um menino um minuto atrás.
“Oi, pai!” Ela disse com felicidade, antes mesmo de se sentar. “Milagre você chegar tão cedo.”
“Eu deveria ter demorado um pouco mais.” Falei sem pensar, perguntei o motivo de eu ter chegado mais cedo, aquilo só serviu para me deixar atordoado.
Grace levou os olhos para os meus, o embrulho ainda estava nas mãos dela e ela fez de tudo para escondê-lo. “Ganhou presente de alguém?” Perguntei sem medo de ser cínico, eu precisava saber até onde ela queria falar sobre aquilo.
O rosto alvo corou por completo. Grace encarou as unhas, procurando uma boa resposta. Meio sem jeito, ela olhou em meus olhos. “Só uns chocolates, meu amigo me deu.”
Certo, um amigo que ela beijava. Concentrei-me em dirigir, mas não tive muito sucesso. Realmente não sabia o que pensar, se eu deveria ser completamente aberto sobre aquilo, ou se deveria adverti-la, dizer que ela era apenas uma criança. O carro parecia pequeno para nós dois; Grace só tinha olhos para as próprias mãos e, esporadicamente, penteava os cabelos com os dedos.
“Você está estranho, aconteceu alguma coisa?” Ela me perguntou quando paramos no semáforo. “Você está com raiva de mim, eu posso ver.” Grace usou um tom baixo, meio desolado. “O que houve?”
Eu soltei meu ar, sentindo-me o maior egoísta do mundo. Grace não merecia aquela confusão toda. “Nós conversamos em casa, apenas me diga o nome.”
Ela não mascarou o desentendimento. “Que nome, pai?” Grace também gesticulou, sendo extravagante. “Você está estranho, devo ficar assustada?”
Não resisti e simplesmente soltei tudo, sem me preocupar em parecer um louco. “Eu estou assustado! Eu te encontro beijando um menino qualquer, quer que fique como? Feliz?!” Obviamente, minha voz saiu alterada, deixando Grace com os olhos arregalados e com o rosto absolutamente vermelho. “Só me diga quando isto começou.” Pedi por último, olhando dentro dos olhos verdes dela. “Por favor.”
Tudo que ela fez foi me olhar atônita, vi uma emoção cruzando o rosto dela. Como se eu tivesse tirado toda a alegria que ela tinha. “Você viu?” Grace colocou baixinho. “Pai, por favor, não vamos falar sobre isto. Não há nada para falar.”
“É claro que há!” Refutei-a com uma pitada de irritação. “Grace, sou seu pai, me preocupo com você. Preciso saber o que você tem feito com seus amigos.” Eu disse com duas pitadas de irritação, falando a última parte com certa ironia.
“Pai, não quero discutir isso, não hoje, por favor.” Ela pediu, deitando a cabeça na janela. “É o meu aniversário, não quero estragar esse dia.”
Bufei, irritado comigo. Eu espirrei e deixei meus olhos nos dela, existia um pedido de desculpas em mim, pedi para que ela o aceitasse. “Desculpe, filha.” Falei em minha voz normal, meio afetuosa e repleta de desculpas. “Eu comprei um presente para você. Quer que eu te dê hoje ou amanhã?”
Grace sorriu de lado, parecendo pensar. “Quando você quiser.” Ela me deu a opção, ainda sorrindo. “Eu sei que vou gostar.”
O caminho até nossa casa foi silencioso, a falta de palavras era incômoda e Grace evitava qualquer tipo de contato. Ela saiu do carro com pressa, sem bater a porta pelo menos. Eu entrei em casa depois de passos preguiçosos, encarei a cozinha e protelei qualquer coisa sobre ela.
Não passava das oito quando Grace desceu as escadas, vestida com o pijama cor de rosa. Ela se sentou ao meu lado, o sofá era espaçoso e ela decidiu ficar bem longe de mim. Olhei-a, pedindo algumas respostas, ou pelo menos, um comportamento menos distante.
“O que vamos jantar?” Ela perguntou em tom baixo, meio pedinte. “Podemos comer pizza? Estou com vontade.”
Por um milésimo de segundo, cogitei a hipótese de Grace estar grávida, mas para eu não ficar ainda mais demente, acreditei que ela só estava com vontade de comer pizza. Era sexta e eu estava preguiçoso, pedir comida parecia o escape perfeito. Procurei meu celular em todos os lugares possíveis, não o encontrando.
“Em seu bolso, pai.” Grace falou com uma risadinha. “Talvez seja a hora de você procurar um médico, não acha? Você se esquece de tudo!”
Também sorri. “Eu sou o médico dessa história, então atesto que estou perfeitamente bem e saudável.” Brinquei com ela, sabendo que eu realmente estava relapso demais. “Não se preocupe, isso é estresse.”
“Vou fazer suco para nós, pode pedir de calabresa.” Grace falou enquanto caminhava para cozinha. “Precisamos comprar mais laranjas, pai.” Ela disse assim que viu nosso estoque de frutas meio escasso. “Será suco de morango de novo.”
Liguei para a pizzaria de sempre. Eu era um fã de promoções, principalmente daquelas que envolviam comida, então agradeci quando a moça me presenteou com mais uma pizza e uma garrafa de refrigerante. Grace não tinha dificuldades em fazer um suco, embora ela sempre o deixasse doce demais. Observei-a, sorri quando ela colocou muito gelo no liquidificador.
Ela se assustou quando me viu, os olhos verdes piscaram e eu ganhei um sorriso. “Sempre tão silencioso!” Grace falou enquanto observava o furacão que era o suco dentro do liquidificador. “Está menos irritado agora?”
Puxei uma cadeira para eu sentar. Por puro hábito, penteei meus cabelos, deixando-os ainda mais bagunçados. “Levemente irritado, mas não é com você.”
Grace veio para perto de mim, antes, ela prendeu os cabelos e serviu dois copos de suco. “Pai, eu só não sei o que dizer sobre isto tudo.” A voz fora pausada e repleta de indecisão. “Eu queria que você ficasse feliz por mim, não irritado e pensando que eu estou errada.”
Soltei algo perto de um chiado, o que fez Shady correr para perto de nós também. Ele subiu em meu colo, fazendo gestos amplamente obscenos em minha perna. “Só é estranho saber que você cresceu.” Falei também em pausas, olhando-a. “Você é tão bonita e doce, eu deveria saber que esses meninos ficariam loucos com você.”
Ela apenas sorriu de verdade, o rubor estava nas bochechas dela. “Certo, já falamos o suficiente sobre isto.”
“Eu ainda penso que você é uma criança, mas não sou tão chato a ponto de te proibir de nada. Seja responsável, sim?” Falei-lhe, sorrindo para as bochechas rosadas. Aquilo não era sobre ela começar a transar e usar camisinha, era sobre ela ter discernimento, saber o que era bom para ela.
“Você teve uma filha quando tinha dezoito anos. Pai, você não é o melhor exemplo de pessoa responsável.” Grace falou com diversão, deitando o rosto em meu ombro.
Minha risada ecoou na cozinha, guiei-nos para a sala. Sentei-me e tive os pés de Grace em meu colo. “Apenas me prometa que não vai deixar que ninguém te desrespeite.” Pedi-lhe em meu tom mais suplicante. “Que só vai fazer o que você quiser.”
“Eu prometo.” Grace cantou para mim, mudando o canal da televisão. “Pai, posso te contar um segredo?”
Meu sorriso foi minha resposta, o aval. Grace procurou meus olhos, sorrindo de felicidade. “Você sempre vai ser o homem que mais vou amar nesse mundo, pode ter certeza.”
Meu coração realmente alegrou-se, sorri ainda mais. “Isso é muito bom.” Falei alto, externando um punhado de coisas boas. “Também amo você, Grace.”
Grace sorriu no mesmo instante em que tocaram a campainha. Ela pegou as duas caixas de pizza e a garrafa de refrigerante. “Pai, por Deus, me ajude!” Grace pediu entre risadas. “Sei que você está terrivelmente cansado, mas hoje é meu aniversário, não deveria ficar carregando peso.”
“Certo, garota mimada!” Exclamei e peguei as caixas. “Vamos procurar um filme bom para assistirmos, como fizemos nos últimos treze anos.”
“Ah, precisamos de fotos.” Grace nos lembrou, pegando meu celular. “Para colocarmos em nossa coleção.” Ela continuou, já sentada no sofá e pegando a fatia com a mão mesmo.
Nós éramos fanáticos por filme de terror, Grace e eu sempre ríamos de tanto sangue e gritos. Gostávamos de espíritos, zumbis e toda aquela coisa de esquartejar corpos. Minha filha tinha vindo para meu colo, deitando como um bebê. Ela ria em meu pescoço e soltava gritinhos de surpresa. “Confesso, esse está mais macabro que os outros. Preciso de coisas menos sangrentas.”
“Guarde filmes doces e melosos para ver com seu futuro namorado.” Eu falei, penteando os longos cabelos loiros. “Enquanto isto você continuará assistindo filme de terror comigo.”
“Você ainda está pensando nisto?” Grace perguntou baixo, sorrindo com os olhos. “Já encerramos este assunto.”
“Filha, eu só vou pensar nisto agora.” Assegurei-lhe. “Até eu ter certeza que você está com quem te merece.”
“Pai, sério, arrume alguém para você também!” Grace falou com felicidade, efusiva demais. “Você é tão bonito e educado, não merece ser um solteirão.” Ela continuou com a mesma energia. “Vou te inscrever em um programa de namoro, sim? O país inteiro vai te mandar vídeos e cartas.”
“Grace, você está ficando louca!” Soltei com diversão, gargalhando daquele discurso fora de lógica. “Nada de me colocar na televisão. Vou fazer isto pelos meios tradicionais, certo?”
Juro, os olhos de Grace brilharam. “Isto quer dizer que você vai tentar?” Ela me perguntou, saindo de meu colo. “Preciso avisar à Bella.” Grace andou pela sala, procurando o celular dela.
“Grace, venha cá.” Chamei-a rapidamente, coloquei minha mão na testa dela. Embora fosse um método ineficaz, descobri que ela não estava febril. “Filha, por que você está delirando?” Perguntei-lhe, ficando preocupado. “O que Bella tem a ver com isso tudo?”
“Pai, nem fale que você não viu o jeito que ela te olhou!” Grace falou enquanto gesticulava. “Ela está te querendo, pai. Eu tenho certeza.”
Tudo que fiz foi sorrir de verdade para ela. “Grace você está vendo demais. Bella e eu trocamos um par de palavras, isso porque você nos obrigou a fazê-lo.” Minha voz morreu sobre os cabelos loiros dela. “Você já tem o número dela? Bella só é sua professora.”
“Shady provavelmente engravidou a pequena Kim, eu disse que queria acompanhar tudo, ela me passou o número.” Grace falou com naturalidade, como se fosse normal aquela relação entre aluna e professora.
Deixei-a sem resposta, apenas beijei-lhe na testa. “Você parece com sono, quer que te leve lá para cima?” Dei-lhe a opção, ninando-a em meu colo. “Só não sei se consigo te carregar ainda.”
“Claro que consegue.” Grace falou baixinho. “Você é o mais forte de todos.” Ela murmurou mais alguma coisa que não pude entender. “Boa noite.”
Minha filha não era pesada, mas lutei para subi a escada com ela no colo. Abri a porta do quarto dela, vendo a cama desarrumada. Um péssimo hábito que Grace teimava em cultivar. Deitei-a na cama, jogando o edredom de borboleta sobre ela. “Feliz aniversário.” Desejei-lhe baixinho, beijando a bochecha dela. “Amo você.”
Antes de sair do quarto, tateei meu bolso e peguei meu presente. Abotoei o colar delicado no pescoço de Grace, o pingente sumiu entre os cabelos loiros e bagunçados. Eu sorri e caminhei para meu quarto. A cama estava lá, não pensei antes de me jogar sobre ela.
(...)
Meus dotes artísticos estavam aflorados, pois gostei do resultado. A bandeja tinha tudo o que Grace gostava de comer, tinha biscoitos, geleias, e eu fui ao supermercado apenas para comprar laranjas.
Bati contra a porta do quarto dela, já se passava da metade da manhã. Grace hibernava nos finais de semana, com certeza eu a encontraria dormindo. “Filha, posso entrar?” Perguntei antes de girar a maçaneta.
“Só espere eu me trocar, não demoro.” Ela gritou e deixou alguma coisa cair. E esperei exatamente doze minutos até Grace me dar o aval para entrar.
Ela estava sorrindo para mim, prendendo os cabelos no alto. Grace vestia a cor que eu mais gostava nela. A camisa azul era simples e combinava com o short jeans, ela estava de meia e me olhou em dúvida.
“Bom dia, pai.” Grace me desejou com um sorriso. “Não estou certa sobre o que calçar.”
“Se te ajuda, eu vou de chinelos.” Falei, encarando meus pés dentro do chinelo velho. “Trouxe seu café, tem suco de laranja.”
Grace conseguiu sorrir mais, ela me abraçou e pegou a bandeja de minhas mãos. “Obrigada por isto.” Grace usou uma voz quente, de quando está feliz de fato. “Quer ir para casa de meus avós agora ou mais tarde?”
“A festa é sua, você é quem escolhe.” Falei-lhe, caminhando para perto da janela. “O sol está quente, seus amigos e você podem pular na piscina.”
“Sim, já combinamos essa parte.” Grace disse, indo para o banheiro. “Meu cabelo amanheceu tão rebelde, tia Alice precisa arrumá-lo. Ah, eu amei o colar! Demorei séculos para entender o motivo de ele ter vindo parar em meu pescoço.”
Sorri e me sentei na cama, perguntei-me como Grace conseguia dormir em um colchão tão mole. Eu poderia ficar pulando nele o dia inteiro. “Sua tia vai levar o nonagésimo segundo namorado que arruma. Ela disse que será para sempre dessa vez.”
Acompanhei a risada de Grace, ela beliscou um pouco da comida que levei para ela. “Acho que podemos ir agora; levar Shady, ou não?” Ela perguntou realmente em dúvida. “Se ele ficar aqui sozinho, quando voltarmos nossa casa será uma bagunça completa.”
Quando Grace, Shady e eu chegamos à casa de meus pais, tudo o que vimos foi uma quantidade imensurável de coisas amarelas. As mesas no jardim estavam forradas com toalhas da mesma cor, enfeitadas com um arranjo qualquer.
“Alice, isso é o aniversário de Grace ou um casamento?” Perguntei mais alto, tentando tirar a atenção de Alice dos arranjos de flores. “Preciso me trocar e colocar um terno.”
“Bom dia para você também, Edward!” Alice me respondeu cheia de ironia, mas ela carregava um sorriso feliz. “Grace, você está linda e espero que esse cachorro demente não tente nada comigo.”
Shady latiu para ela, os dois nunca viveriam em harmonia. Alice deixou um beijo em minha bochecha e repetiu o ato em Grace. “Você vão conhecer Jasper, ele é tudo o que sempre busquei. Vocês vão amá-lo!”
“Assim espero, Alice.” Eu disse, procurando por meu pai ou minha mãe. “Já cansei de ser apresentado aos seus namorados. Onde estão todos”?
“Rose está se arrumando, ela está na frente do espelho desde o instante em que você disse que Emmett viria. Sério, os dois têm que se resolver!” Alice falou em um misto de diversão e indignação. “Minha mãe e meu pai estão preparando o churrasco, Abigail pediu folga hoje.”
Eu estava em meu segundo copo de cerveja quando Emmett chegou. Juro, ele babou um pouco quando viu Rose em um vestido meio curto e justo. Ela o cumprimentou e tudo o que ele fez foi correr para o meu lado. “Edward, você deveria ter me avisado que Rose tinha planos sobre me matar essa tarde!”
“E você está achando isto uma droga.” Lancei-lhe em tom de brincadeira. “Aproveite que Rose está de ótimo humor, isso nunca acontece.” Falei e Emmett abriu uma gargalhada. “Onde está o presente de sua afilhada?”
“Você sabe, nunca sei escolher nada. Grace ficará feliz com minha presença.” Ele deu a desculpa de todos os anos, fazendo-me balançar a cabeça em negação.
No meio da tarde aquilo realmente começou a virar um churrasco. Grace andava de um lado para o outro, tentando agradar os amigos da escola. Ela conversava e sorria, também sorri, pois sabia que ela estava feliz. O tal namorado de Alice chegou sem ser anunciado. O homem era mudo ou tinha problemas, pois trocamos exatamente cinco palavras. Jasper era estranho, mas, de um modo desconhecido, ele ficava bem ao lado de Alice. Rose, movida pelo álcool, gargalhava de tudo que Emmett dizia.
Eu alternava a carne com os copos de cerveja. Grace sentou-se ao meu lado, dando-me um copo de água. “Eu nunca vou entender como você não fica bêbado, olhe o tanto que você já bebeu.” Ela disse meio assustada e eu detestava quando bebia perto dela.
“É só beber água e comer, sem contar que cerveja não me deixa bêbado.” Expliquei-lhe, empurrando meu copo para o lado. “Acho que já está bom, prometo parar por aqui.”
Grace sorriu para mim, mas um segundo depois, ela correu os olhos para a entrada do jardim. Eu a segui e pisquei, perguntando-me o motivo de eu estar tendo alucinações. Não era culpa da cerveja. Bella estava ali, caminhando de modo atrapalhado, olhando para nós. O short era de uma cor diferente, decidi dizer que era de cor de goiaba. A camisa era branca e de alças. A bolsa tiracolo era bonita, também de uma cor que eu não conhecia. Dei um olhar rápido para Grace, querendo saber o motivo daquilo.
Ela empurrou o copo para mim, sorrindo. “Eu a convidei.” Grace falou o óbvio. “Pensei que seria divertido.” A voz se misturava a sorrisos fáceis. “Pai, você está sendo inadequado, pare de olhá-la.”
Tirei meus olhos dela, mas a vontade era ver o balançar do cabelo solto. Sorri para Grace, querendo saber o que mais ela escondia de mim, além dos beijos e de querer jogar Bella em meu colo.
POV Bella
Eu queria ter o poder de fazer os ponteiros andarem para trás. Porque nada era pior que estar atrasada para o aniversário da filha do médico delicioso. Ele não era um traficante, nem mesmo um mafioso. Apenas um médico bonito demais, meio calado e dono de uma voz irresistível.
Apenas por precaução, salvei a foto em todas as pastas possíveis, em todos os formatos. Eu não admitiria perder meu trabalho, pois tinha ficado bom e minha criatividade me surpreendeu. Escolher presentes nunca seria uma tarefa para mim, então não pensei antes de dar uma boa foto para Grace. Era para ser uma tarefa da aula, apenas levar uma foto que eles gostassem e que tivesse algum significado. Só consegui sorrir de verdade quando vi a foto entregue por Grace. Era uma fotografia antiga, as intempéries a tinham desbotado, assim como danificado as bordas. Ela era uma bebê loiríssima e Edward estava diferente, mais magro e jovem. Ele a segurava no colo, beijando a cabeleira loira. Eu não daria uns dois meses para Grace.
A foto parecia recém-tirada, eu fizera uma boa restauração. Tudo estava nítido e brilhante, imprimi e emoldurei-a, minhas mãos meio descoordenadas fizeram traços imprecisos em um porta-retrato velho. Também existia uma dedicatória.
A tela do computador me dava sono, então corri para o banheiro e tomei o banho mais longo de minha vida. Kim choramingou do outro lado da porta, as unhas arranharam a madeira e, para me livrar daquele barulho chato, deixei que ela entrasse.
“Princesinha, você está tão insuportável!” Falei-lhe, sentindo-me uma péssima dona. “Será que você já está grávida? É muita má sorte engravidar na primeira vez, não acha?!”
Kim me encarou, latindo logo em seguida. Era loucura, mas me senti estranha em saber que ela estava me vendo nua e tomando banho. “Estou ficando louca, Kim!” Desabafei enquanto tirava o condicionador de meu cabelo. “Eu penso que isto seja culpa daquele médico, como alguém pode ser tão bonito?”
Conversar com Kim não me faria chegar a lugar algum. Enrolei-me na toalha e caminhei para o quarto, sem saber o que vestir. Não que eu quisesse atrair todos os olhares do mundo, mas pedi para que eu ficasse apresentável. Era um churrasco, o que achei estranho; Grace só estava fazendo treze anos! Encarei minhas roupas de verão e acabei dentro de um short colorido e de uma camisa branca, que ia até o meio de minha coxa. Por causa da pressa, acabei indo de chinelos mesmo.
O endereço dado por Grace não era muito distante. Eu dirigi observando os números, a rua estava cheia de casas bonitas e grandes. A casa dos avós dela era no final da rua, com uma fachada discreta. Existia certo barulho e, sem qualquer cerimônia, caminhei para o jardim.
Caminhar já era uma tarefa complicada e a grama alta não me ajudava. Meus passos foram desajeitados e chegar depois de todo mundo era horrível, eu recebi algumas dezenas de olhares. Meus alunos sorriram por me ver ali, usando roupas curtas e chinelos. Fiz meus olhos trabalharem, eu só precisava encontrar Grace.
Antes que eu estreitasse meus olhos para procurá-la, ouvi meu nome ser chamado em uma voz alta e enérgica. Grace acenou com as mãos e sorriu para mim. Também sorri para ela, mas meus lábios realmente subiram quando vi o pai dela. Deus, aquele homem ainda me mataria. Não importava o fato de ele mexer com gente morta, nem mesmo o fato de ele falar pouco. Ele era indiscutivelmente de dar água na boca e, se eu não estivesse louca, Edward estava me medindo. Perguntei-me como consegui cogitar que Jacob era o homem mais bonito que eu conhecera. Jacob, coitado, era nada perto de Edward.
“Bella?!” Grace me chamou novamente, ela sorriu para Edward e veio me encontrar. Os passos foram apressados e eu tentei andar também.
Ela estava ainda mais bonita, o sol conferia certo brilho aos cabelos loiros e o verde dos olhos parecia transbordar. “Ei!” Falei-lhe quando a distância entre nós tornou-se pequena. “Desculpe pelo atraso, estava fazendo seu presente. Espero que goste.” Entreguei o embrulho nas mãos dela, sabendo que eu deveria falar mais. “Muitas felicidades, certo? Tudo de melhor para você.”
Grace piscou para minhas palavras, ela me abraçou repentinamente. “Para nós, Bella.” A voz soou baixinho. “Venha, quero te apresentar às minhas tias.” Agora a voz era animada e eu fiquei com medo, tudo o que eu não precisava era ser ignorada pelas irmãs do médico calado.
“Está tudo tão bonito.” Falei enquanto caminhávamos pelo jardim bonito e cheio de mesas. “Só não vou poder ficar muito tempo, tenho um casamento para fotografar essa noite.”
Ouvi um gemido de frustração, Grace nos parou, encarando meu rosto. “Eu não posso acreditar, Bella!” Ela praticamente ralhou. “Nós vamos pular na piscina logo mais, estava contando com você.”
Grace era louca, eu não tinha dúvidas. As chances de eu pular em uma piscina com não sei quantos alunos meus não existia. E ainda tinha o pai delicioso dela, o que Edward pensaria de mim? Ele já me achava uma louca e dona de uma cachorra influenciável, não seria bom se ele pensasse que eu tivesse problemas mentais.
Mal percebi que Edward estava perto de nós. Grace abriu um sorriso enorme e alternou olhares entre mim e o próprio pai. “Bem, vocês já se conhecem, mas não custa nada se apresentarem novamente. Pai, você se lembra da Bella, certo?” Grace perguntou em um tom completamente divertido. Edward sorriu para ela, de canto a canto.
“Eu me lembro, Grace.” Edward falou para ela, mas olhando para mim. “Esqueceu que eu tomei meus remédios pela manhã? Penso que conseguirei controlar o Alzheimer.” Ele continuou falando e sorrindo, deixando-me confusa e deslumbrada. “Como está, Bella? Obrigado por ter vindo.”
Alguém, por favor, fale para esse homem que ele está me deixando louca? Como ele conseguia ser tão diferente de tudo? Ela sabia exatamente fazer o papel de pai da aniversariante, me deixar tonta e ainda sorria de um jeito perturbador.
“Certo, pai!” Grace cantou para ele. “Penso que você esteja um pouco bêbado, então troque a cerveja pela água, vou levar Bella para conhecer tia Alice e Rose.”
Edward sorriu para filha, ele aproveitou para correr os dedos pelo cabelo de Grace. “Mais sóbrio é impossível. Só tentei ser engraçado.”
“Deus! Pai, você está estranho.” A voz de Grace saiu assustada, mas, ainda assim, ela conseguiu sorrir para Edward. “Não fale mais nada, certo? Bella está ficando com trauma da gente.”
Minha risada saiu sem minha permissão, eu corei levemente, o que fez Edward me olhar de lado. “A propósito, como sua cachorra está?”
A pergunta era completamente impertinente, mas uma boa maneira de eu continuar ouvindo a voz de timbre bom. “Ela está irritada e chata, penso que ela esteja com os sintomas da gravidez.”
O olhar que Edward me deu fez-me suspirar e me sentir idiota, com certeza eu tinha dito uma besteira, pois ele balançou a cabeça. “Animais não têm sintomas, só os sinais clínicos.”
Nem se eu quisesse, teria entendido o que ele quis dizer com aquilo. Apenas assenti para ele, concordando com a correção. Edward levou os olhos para os meus, existia certo divertimento. “Ela não vai desmaiar ou vomitar, é bem provável que fique mais arisca e com mais apetite, é só levar ao veterinário.”
“Você quer dizer que você vai levar, certo? Eu não brinquei quando disse que você seria responsabilizado por essa gravidez precoce.” Soltei com rapidez, vendo ele e Grace rirem.
“Não se preocupe, Bella. Meu pai entende de gravidez precoce!” Grace falou entre risadas, levando as de Edward junto. Edward apenas olhou para mim, pedindo para que ignorasse a fala da filha. “Você e meu pai terão muito tempo para conversar, vamos procurar minhas tias.”
Eu tropecei em um degrau, meu dedinho doeu e eu fui obrigada a gemer de dor. Grace sorriu para meu drama desnecessário. “Alice deve estar em algum lugar com o novo namorado dela. Não estranhe, deduzi que ele é mudo.”
Abri minha boca para falar qualquer coisa, mas parei quando encontrei um casal atracado no sofá, eu nunca saberia dizer onde começava e terminava as pernas deles. A mulher loira estava praticamente sem o vestido e, meu Deus, o homem estava louco para estar dentro dela.
“Grace, feche os olhos.” Pedi. Grace fez exatamente o contrário, deixando-me constrangida. Eu tapei os olhos dela com minhas mãos. “Deus, que pouca vergonha é essa?”
Os dois pararam com a movimentação suspeita, eles me olharam como se eu tivesse um terceiro olho. Grace tirou minhas mãos do próprio rosto. “Bem, essa é Rose.” Ela disse no meio de uma risada arrastada. “Este é Emmett, amigo de meu pai. E nós temos um novo casal.”
A loira sorriu para mim, ajeitando os cabelos ondulados. “Quem é ela, Grace?” A pergunta, apesar de parecer rude, fora feita em voz calma.
“Bella, minha professora.” Grace me anunciou com felicidade, sorrindo para mim. “Vocês sabem onde estão Alice e Jasper?”
Antes que Rose falasse qualquer coisa, o homem desesperado, que ainda passeava os dedos pela cintura dela, me encarou. Ele sorriu logo depois, dando-me duas covinhas. “Você é a Bella, professora de Grace e que tem uma cachorrinha?”
Certo. Edward não era um traficante, mas o amigo dele era. Por que aquele homem tinha minha ficha completa? Andei para trás, esquivando-me de um ataque. Ele saiu do sofá, vindo para o meu lado.
“Eu sou Emmett. Edward não disse que você estaria aqui.” Ele falou em dúvida, coçando os cabelos curtos. “Edward sempre esteve certo. Você é engraçada, Bella.”
Senti o calor em meu rosto, Grace me puxou pela mão, levando-me para uma escada qualquer. Olhei para trás e vi os dois se atracando novamente, de um modo que me assustou. Tentei, mas não consegui tapar os olhos de Grace.
“Alice deve estar aqui em cima.” Grace falou enquanto andava pelo corredor amplo. “Este era meu quarto.” Ela apontou para uma porta perto da escada. “Meu pai resolveu comprar um casa para nós, ele sempre falava que meus avôs me mimavam demais.”
Apenas concordei com a cabeça. Uma porta se abriu e nos revelou uma mulher baixa e sorridente, ao lado dela estava um homem loiro, com os olhos claros. Eu sorri para eles, tentando uma aproximação.
Grace soltou uma risadinha. “Tia Alice, preciso te apresentar minha professora.” A voz foi pausada e quente. “Essa é Bella.”
“Oi!?” Falei-lhe com hesitação. “Prazer.”
Ela me deu um sorriso comedido, mas consegui ver a sinceridade. “Prazer, Bella. Sou Alice e este é Jasper.” Ela continuou sorrindo, eu não esperei nenhum cumprimento do homem, apenas sorri para ele.
“Ah, ainda tem meus avôs.” Grace falou e pegou minha mão. Eles devem estar lá em baixo. São os velhinhos mais fofos que existem; você vai adorá-los.”
Só consegui sorrir para as palavras. Grace era uma anfitriã e tanto, mas era injusto fazê-la me acompanhar por toda a festa. “Grace, aproveite seu aniversário, sim?” Pedi quando voltamos para o jardim. “Obrigada por não me deixar deslocada, mas eu me viro.”
“Então venha se sentar com meu pai.” Ela falou e sem pedir minha permissão, fez-me sentar na cadeira ao lado da de Edward. “Pai, Bella só conhece você, então, por favor, deixe-a confortável. Ah, se não quer ver tia Rose em cima de Emmett, não entre em casa.”
“Certo, filha.” Edward falou-lhe com calma. “Coma um pouco, seu estômago vai doer se você não o fizer.”
Grace comeu os últimos pedaços de carne, ignorando por completo o copo de refrigerante. Edward a observava com certa adoração, ele sorria como bobo, como se estivesse sozinho. Ela não demorou a deixar a mesa, Grace correu pelo jardim e parou perto da piscina, apenas encarando o azul límpido.
Meus olhos foram para os de Edward, ele desviou de mim e sorriu. “Você cuida tanto de Grace, é bonito de se ver.” Falei sem pensar, colocando sinceridade em cada palavra. “Ela te adora.”
Edward sorriu de canto a canto e aproveitou para encher o copo. “Ela costuma dizer isto, embora eu saiba que ela logo estará esquecendo que eu existo.”
Perguntei-me se ele estava ficando bêbado, pois a fala estava dramática demais. Ele não me deixou fazer qualquer posicionamento. “Eu realmente não consigo acreditar que ela já beijou um par de garotos.”
Minha risada simplesmente saiu, fazendo Edward sorrir também. “Eu já passei por isso e você também, o que te faz pensar que Grace deixaria de viver essa parte da vida dela?”
“Eu só sou ciumento sobre tudo que a envolva.” Edward falou antes de dar um gole na cerveja. “Ela é tudo o que tenho, não estou tão certo sobre deixá-la sair de perto de mim.”
“Oh!” Soltei no auge de minha eloquência. “Por que não para de beber?” Perguntei-lhe, colocando a garrafa longe das mãos dele. “Hoje não é dia para ficar pensativo.”
“Não estou bêbado, pode acreditar.” Edward falou depois de se ajeitar na cadeira, os olhos pegaram os meus e eu sorri. “Eu sempre fico assim nos aniversários de Grace. Não quer beber comigo?”
Sorri e peguei um copo. “Cuidado, eu ainda posso não ter idade para beber.” Brinquei com ele, vendo que era fácil ter seus sorrisos.
“Eu sei que você tem vinte e três, Bella.” Ele falou com certeza, sorrindo de lado e bebericando a cerveja. “Eu poderia dizer seu peso e sua altura, mas como sei que mulheres não gostam dessa parte...”
Meus olhos, que estavam fixos no colarinho da camisa vermelha dele, voaram para os olhos verdes, eu estava um pouco impressionada. “Como consegue?”
Edward encheu meu copo, a cerveja gelada queimou em minha garganta e eu quis mais. Ele sorriu para mim, quase me fitando. “Virou hábito, Emmett e eu sempre apostamos quem vai acertar as medidas, estou bem na frente dele.”
“Deve ser estranho fazer o que você faz, já pensou que um dia você pode se deparar com alguém que você conhece?” Perguntei-lhe, tentando dar mais profundidade em minha arguição.
“Não costumo pensar nisto. Quando acontecer, eu provavelmente estarei clinicando. Eu gosto de muita coisa, não só ficar vendo gente morta. Talvez fazer outra especialização, cirurgia, não sei.”
“Estudar é sempre bom.” Falei por fim, indo para o meu segundo copo. “Eu não deveria estar bebendo, tenho um casamento para fotografar mais tarde.”
Edward riu para minhas palavras. “Não me diga que você é fraca para bebida, é o seu segundo copo! Estou bebendo desde a hora que cheguei aqui.”
Não deu tempo para eu lhe responder, Grace apareceu do nada, sorrindo para mim. Os cabelos loiros estavam ligeiramente bagunçados. “Está tudo certo, Bella? Quer água? Mais carne? Ir para sombra? Mais bebida?!”
“Grace.” Interrompi a fala atropelada. “Estou ótima, não há anfitriã melhor que você.” Assegurei-lhe. “Só preciso de um banheiro, penso que meu rosto esteja suado demais.”
“Certo!” Ela disse depois de sorrir, o rosto estava meio divertido e eu não entendi nada. “Pai, leve-a lá em cima, no banheiro de seu quarto.”
Edward assentiu e esperou que eu levantasse. Uma rajada de vendo rompeu contra nós e eu cambaleei ao sentir um cheiro gostoso e forte. Para me deixar ainda mais louca, ele vinha de Edward. Era impossível descrever com precisão, mas o cheiro, eu juro, era excitante. Daqueles que te fazem ficar horas com o nariz enterrado na curva do pescoço.
Não sei quantas vezes eu inspirei, foram inúmeras, de certo. Edward caminhava à minha frente, dando muita margem para minha imaginação, porque eu realmente estava ficando besta ao ver as costas dele. Tão largas e, com certeza, brancas. Eu daria tudo para vê-lo sem camisa, sem roupa. Nu e sorrindo.
“Bella, você está bem?” Edward perguntou e olhou para mim, parando para pegar uma chave na cozinha. “Você está arfante.”
Procurei qualquer cavidade para esconder minha cara. Por que eu tinha quer ser tão óbvia?! Edward ainda me encarava, pedindo uma boa resposta. A culpa não era minha se ele era um pecado de homem. “Estou bem, só preciso de um banheiro.” Falei-lhe, percebendo que agora ele iria pensar que eu estava com qualquer desordem intestinal.
Edward destrancou uma porta qualquer, dando-me a visão de um quarto bonito e organizado, em cores sóbrias e cheio de fotografias e, é claro, eu olhei uma por uma. Eram diversas, todas de Grace e Edward em diferentes momentos. Não resisti e peguei um porta-retrato pesado, que emoldurava uma foto de Grace dando papinha na boca de Edward. Ela era uma menininha e ele estava de barba.
“Ela tinha três anos e eu estava indo para o terceiro semestre da faculdade.” Edward falou muito baixo, em algum lugar atrás de mim. “O banheiro é naquela porta ali.” Ele falou ainda mais baixo, meio incerto. “Eu te espero.”
Não estava dando muito certo ficar ali, então corri para a porta entreaberta. Olhei-me no espelho, vendo meu rosto corado; não soube dizer se era pela situação ou pelo sol. Aproveitei para molhar minha nuca e meus pulsos, arrumei meus cabelos e apenas cerrei meus olhos, processando tudo aquilo. Sim, aquele homem era uma delícia e me fazia pensar em coisas absurdas.
Eu voltei para o quarto, Edward estava sentado na ponta da cama. “Vocês têm tantas fotos, eu penso que não há recordação melhor.” Falei apenas para ele me notar.
Ele levantou um segundo depois, mas, antes que saíssemos do cômodo, ouvimos um leve estralar e ele vinha da porta. Deu para ver a maçaneta girando, alguém havia nos trancado. Eu segurei um choramingar, pois não soube dizer se era ruim ou excelente estar trancada no mesmo quarto que Edward.
Edward soltou um barulho engraçado, algo perto de um bufar. “Eu ainda me pergunto se Grace acabou de fazer treze anos.”
Minha surpresa não foi mascarada. Era uma verdade, Grace era louca. “O que ela quer com isso?” Perguntei-lhe em dúvida. “Eu preciso ir embora, já está tarde.”
“Grace tem que parar de enxergar demais.” Edward falou enquanto caminhava para a sacada que tinha ali. “Ela gosta de fantasiar tudo, isso pode virar um problema.”
Fiquei em silêncio, no meio do quarto. Edward andou de um lado para o outro, correndo os dedos pelos cabelos e eu descobri que aquilo era sexy, bom para meus olhos. Por um breve instante, ponderei o motivo para eu não aproveitar aquele momento. Edward poderia, com meu total consentimento, me beijar, ou até mesmo, fazer qualquer coisa que envolvesse aquela cama grande.
Para minha tristeza, ele não levou os olhos para mim. Era como se ele estivesse envergonhado com aquela situação. Edward sentou-se, encarando o tapete. “Você deve pensar que Grace e eu somos loucos. Juro, somos completamente normais.”
“Não.” Falei baixinho, sentando perto dele. “Não acho, não. Só procuro um motivo para Grace me deixar trancada com você.”
Ele sorriu de lado, olhando-me do mesmo modo. “Grace gosta muito de você e isso é bom, ela é muito seletiva. Não tem muitos amigos e você parece entendê-la, penso que ela te queira por perto.”
A resposta não respondia metade de minhas dúvidas, mas decidi que não precisava de mais nada. Voltei a ficar em silêncio, observando a respiração padronizada de Edward. “O que vamos fazer? Esperar alguém sentir nossa falta?”
Edward sorriu mais, ele tateou o bolso da bermuda. “Eu ainda tenho uma chave daqui, Grace só se esqueceu desse detalhe.” A voz foi divertida e ele tirou várias chaves do bolso. Não consegui disfarçar meu espanto ao ver o chaveiro dele.
“Deus, o que é isto?” Perguntei-lhe com rapidez, querendo logo uma resposta, pois o pequeno objeto era estranho.
Os olhos verdes piscaram para mim. “É uma falange. Suas mãos e pés estão cheios delas.” Edward falou com naturalidade. Se eu não estivesse ainda mais louca, aquilo era um pedacinho de osso.
“Isso é mórbido.” Falei sem pensar, tirando meus olhos do osso amarelado. “Por que você tem isto?”
Ele riu de minha pergunta, caminhando para o armário. “Venha cá.” Ele pediu e tudo que fiz foi seguir os passos dele. Edward abriu o armário, só não caí para trás porque sabia que aquilo seria ridículo. Existiam muitos ossos, de todos os tamanhos e formatos, fiquei menos enojada quando não vi nenhuma caveira. “Gosto de guardá-los.”
“É, eu vejo.” Falei em tom engraçado. “Como você os consegue?”
“Peço às famílias, poucas se opõem.” Edward usou uma voz calma. “Eu gosto dos ossos pequenos, são mais bonitinhos.”
“O do chaveiro é de qual parte?” Perguntei com curiosidade, encarando o molho de chaves.
Repentinamente, Edward pegou minha mão. O contato foi diferente, meio inusitado. Ele sorriu para mim, correndo os dedos em meu anelar. “É engraçado tocar em alguém tão quente, me acostumei aos corpos frios.”
Eu não tinha resposta. O que Edward queria que eu respondesse?! Frente ao meu silêncio, ele continuou. “Falange é esse osso aqui.” Edward massageou a primeira porção de meu dedo, a que terminava no primeiro nó. “Pode chamar de metacarpo também.”
Eu estava meio mole, deliciando-me com o contato absolutamente viciante. Olhei para o enlace de nossos dedos, Edward me acompanhou e, depois, me deu um sorriso estupidamente tímido. “Você é casada?”
“Não!?” Praticamente cuspi para ele, sem saber o motivo da pergunta. “Por que quer saber?”
Edward sorriu mais uma vez, sem me olhar nos olhos. “Tem uma marca de aliança aqui.” Ele falou baixinho, tocando a região. “Parece que você teve uma aliança por um bom tempo.”
“Acabou do pior jeito.” Soltei sem querer, sentindo meu rosto esquentar. “Acho que é hora de eu ir.”
Nosso enlace perdurou e eu estava ficando tonta. “Quer me contar sobre isto?” Edward me perguntou depois de muito tempo. Perguntei-me se eu queria que ele soubesse sobre toda a história da noiva traída.
“Conversa para outro dia.” Falei apenas, dando passos para a porta. “A gente se vê, Edward.”
“Ei, posso te dar uma coisa?” Edward me pegou pelo pulso, parando meus passos. Ele me olhou rapidamente e sorriu. “Não sei se você vai gostar.”
Edward caminhou para o armário, ele voltou com um ossinho na palma da mão, quase do tamanho do que ele carregava com as chaves. “Esta aqui é do dedo anelar, só está meio velha, é uma das primeiras que consegui.” Ele disse entre sorrisos. “Grace também tem uma.”
Com certeza eu estava com a boca aberta. Era um presente diferente, mas que me agradava. “Eu não posso aceitar, Edward.” Minha voz cortou e meu rosto tingiu-se de vermelho. “Faz parte de sua coleção, é importante para você.”
Ele sorriu e, dessa vez, olhou dentro de meus olhos. “Justamente por isso que estou te dando, apenas por ser importante para mim.”
Notas finais
Então, o que vocês têm a dizer? Gostaram? Quem quer dar parabéns para Grace? ( :
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Vejo vocês nos comentários e, por favor, fantasminhas, venham me dizer o que estão achando da história. Recomendações são bem vindas também.
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Quem quiser spoiler, é só deixar o email no comentário. Mando a prévia assim que der.
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Beijinhos, até
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