Regina sorri ao sair do banheiro e exibir-se num babydoll minúsculo elegante e bordado. Apoia uma das mãos na cintura e a outra mão no batente lateral da porta.

— Uau! Isso é...isso é maravilhoso... – Vladimir tenta encontrar as palavras certas para descrever a sensação surgida diante da beleza de sua esposa. Gira as mãos e gesticula como se quisesse arrancar as palavras certas da boca. – Uma diva! Venha, venha, venha!

Sorrindo ainda mais, Regina caminha até a cama e sobe ali. Depois vai engatinhando na direção de seu homem. Emite um som agudo, quando ele segura seus braços e a puxa para perto de seu corpo. Beijam-se por muito tempo.

— Onde você comprou isso, menina? Na sessão infantil?

Gargalhando, Regina se senta nas coxas do marido, encarando-o. Inclina-se para o travesseiro ao lado e retira uma peça pequena, vermelha e reluzente.

— Na mesma sessão em que encontrei este daqui!

Apanhando a peça e cheirando, Vladimir estreita as sobrancelhas grossas e depois encara a esposa. Balança a pequena peça.

— Estilo fio dental? E de couro?

— Você tem a obrigação de mostrar tudo para mim! – ela se senta no colchão e aponta para o banheiro. – Então, eu perdoarei você por colocar meu emprego em risco!

Momentos depois, Vladimir surge com uma performance teatral e fazendo caras e bocas, avança para a cama, presenteando Regina com seu corpo enfeitado.

Era madrugada quando Regina desperta com a sensação de ter ouvido seu nome ser chamado. Alguém do lado de fora da casa, a estava clamando. Levanta-se e apanhando sua arma, caminha até a janela, camuflando-se nas sombras do quarto. Observa o jardim lá embaixo e identifica uma figura bizarra, olhando em sua direção. A mulher a estava vendo.

— O que há, meu amor? – Vladimir se senta na cama e ia descer, mas para ao atender à ordem muda da esposa.

— Há uma mulher velha em nosso jardim.

Levantando-se com cuidado, Vladmir apanha sua arma e vai para junto de Regina. Olha por cima do ombro dela.

— O que é isso? Alguma louca fugida de algum manicômio? Quem será ela?

— Ela está nos vendo, Vlad. Eu sinto isso.

— Não há como, Gigia. Estamos os dois escondidos pela escuridão...enquanto que ela está iluminada pela luz da rua. Nós podemos vê-la...não ela a nós.

Negando com a cabeça, Regina aponta para a mulher e insiste.

— Ela está sorrindo para nós.

— Eu vou lá embaixo...

— Não! – Regina impede o movimento do marido. – Ela está saindo...veja!

A mulher, trajando uma longa camisola branca, cabelos grisalhos soltos pelos ombros, e passos lentos, afasta-se dali.

— Quem será?

— Alguém que me conhece, Vlad.

Olhando mais uma vez pela janela, Vladimir tenta localizar a mulher outra vez.

— Como pode afirmar?

— É a terceira vez este mês que esta mulher visita nosso jardim.

— Por que não me disse nada? Há uma louca invadindo nossa casa e você não me comunica? Ela pode ser uma lunática e pôr nossas vidas em risco! Eu vou pedir ajuda e descobrir quem é essa mulher!

Vladimir se afasta e vai cobrir o corpo com alguma roupa. Depois sai do quarto e não demonstra estar calmo.

Um tempo depois, uma equipe policial de ronda está na sala principal da casa. Regina se mostra serena, protegida em seu pijama horroroso, com desenhos de patinhos. Já Vladimir andava de um lado a outro, esfregando as mãos e inquieto.

— Fizemos a varredura na área e uma mulher velha com a da descrição, não poderia ter ido tão longe, em questão de dez minutos. – a jovem policial fala para tranquilizar Vladimir.

— Regina me disse que é a quarta vez...

— Terceira. – ela o interrompe.

— Terceira? Terceira vez que esta louca fica passeando pelo meu jardim. E se ela resolver voltar quando nosso filho estiver sozinho com a babá? – ele olha para a esposa e não entende a tranquilidade dela.

— É uma mulher velha e pode ser avó de alguém da vizinhança, Vlad. Ela sai para caminhar e gostou do nosso jardim.

— Ah, claro! E pode ser uma assassina usando uma daquelas máscaras de borracha!

Regina sorri e caminha para segurar os ombros do marido. Beija-lhe os lábios e o tranquiliza com sua serenidade.

— Que mal uma mulher tão velha pode fazer ao nosso filho?

— Caso essa lunática retorne, eu vou atirar nela!

Um dos policiais da ronda toca o ombro de Vladimir e consegue a sua atenção.

— Há dois carros nos perímetros próximos. Caso a mulher retorne, ligue e viremos o mais rápido possível. O seu alarme está funcionando?

— Perfeitamente, policial. Meu marido e eu os agradecemos pela rapidez com que vieram.

— Caso ela reapareça, irá sair daqui dentro do carro do IML. É um aviso!