Anatomia de um Corretor de Merda
1 Capítulo 1: O Plano que Deu "Zebra"
O sol ainda não havia vencido as imponentes faces esculpidas no Monumento dos Hokages quando o despertador de Shikadai Nara tocou. Ele não precisava de despertador — seu relógio biológico era tão preciso quanto um cronômetro de cirurgia —, mas o som servia para lembrá-lo de que, a partir daquele dia, sua vida deixaria de ser "preguiçosa" para se tornar um caos calculado.
Shikadai, aos 22 anos, acabara de ser aprovado em primeiro lugar para a Residência Especial de Medicina na Universidade Federal de Konoha (UFK). Ele era o prodígio do clã Nara, o herdeiro de uma inteligência estratégica capaz de prever cem passos à frente em um tabuleiro de Shogi. No entanto, quando o assunto era o "tabuleiro social", especialmente lidar com as expectativas das garotas, Shikadai sentia que seu cérebro operava em um dialeto que ele ainda não dominava.
Fisicamente, ele era a imagem cuspida de seu pai, Shikamaru, mas com o olhar afiado e perigoso de sua mãe, Temari. O cabelo preto vivia preso no rabo de cavalo alto, uma marca registrada, e seus olhos verdes eram semicerrados, como se estivesse constantemente avaliando o custo-benefício de cada interação humana. Ele tinha uma beleza singular, "desleixada por opção", que atraía as meninas de Konoha como abelhas ao mel, embora ele achasse tudo aquilo um "saco".
— Shikadai! As malas já estão no hall! Se você perder o trem expresso por causa de um bocejo, eu mesma te mando para o hospital, mas como paciente! — o grito de Temari ecoou do andar de baixo, fazendo a estrutura da casa tremer.
— Já vou, mãe... que problemático — resmungou ele, fechando seu kit de anatomia.
A vinda para a área central de Konoha, onde ficava o campus universitário, era um rito de passagem. Deixando para trás a tranquilidade dos bosques do clã, Shikadai desembarcou na Estação Central sob um calor de 40 graus. O centro de Konoha era uma metrópole vibrante, cheia de telões de LED, ninjas-entregadores e uma multidão que parecia se mover na velocidade de um Shunshin no Jutsu.
No saguão, sua madrinha, uma influente kunoichi da área de inteligência, o esperava com um sorriso radiante.
— Shikadai! Olhe para você! Seus olhos verdes vão causar uma epidemia de desmaios nessa faculdade — disse ela, apertando-lhe as bochechas enquanto ele tentava, em vão, manter a dignidade. — E para você não ser um médico das cavernas, aqui está o presente da sua formatura prévia.
Ela lhe entregou um smartphone de última geração, feito de um material sintético que brilhava como uma lâmina de chakra.
— Um celular, madrinha? Eu já tenho aquele rádio comunicador que o papai me deu...
— Aquilo é peça de museu! Esse aqui tem o Corretor Preditivo Nin-Tech 5.0. Ele analisa sua pulsação e sugere as palavras que você "realmente" quer dizer. É perfeito para um garoto calado como você!
Shikadai guardou o aparelho no bolso, sentindo o peso da tecnologia. Mal sabia ele que o algoritmo de "IA" do aparelho fora treinado em redes sociais de fofoca e estava configurado no modo "Extrovertido Sedutor".
Enquanto seguia para o alojamento da Medicina, o aparelho começou a vibrar. Ele fora adicionado ao grupo "Calouros Medicina & Enfermagem 2026".
Uma caloura chamada Taene (filha da amiga de seu pai, mas que ele não via há anos) postou: "Gente, alguém já está no campus? Vamos nos encontrar no Ichiraku para um check-in?"
Shikadai, querendo ser apenas cordial para não criar inimizades no primeiro dia, decidiu responder. Seus dedos longos, afeitos a manusear bisturis e peças de Shogi, hesitaram sobre o vidro temperado.
Ele tentou digitar: "Obrigado, Taene. Vou passar lá depois que organizar meu material de estudo."
Mas o corretor Nin-Tech, detectando que ele estava suado e com o batimento cardíaco acelerado pelo calor, decidiu "ajudar". Shikadai apertou enviar sem olhar. O que apareceu para todos os 200 alunos no grupo foi:
"Obrigado, Taene. Vou passar a língua em você depois que organizar meu material de sedução."
O silêncio que se seguiu no grupo durou exatamente cinco segundos antes de explodir em emojis de fogo, rostos corados e mensagens de "Eita, o Nara chegou com tudo!".
Shikadai parou no meio da calçada, o rosto ficando tão vermelho quanto o brasão do clã Uchiha. Ele tentou apagar, mas o sinal da rede oscilou.
— Que saco... — sussurrou, sentindo uma gota de suor frio descer pela nuca. — O diagnóstico é claro: eu estou morto.
Aquele era o começo de sua vida acadêmica. Enquanto ele tentava desesperadamente desativar o corretor, ele cruzou com uma moça que carregava apenas livros físicos e um estetoscópio tradicional, sem nenhum sinal de tecnologia nas mãos. Era Hilana, da Enfermagem. Ela o olhou curiosa, notando o rapaz bonito que parecia estar prestes a desmaiar de vergonha diante de um pedaço de vidro.
Shikadai ainda não sabia, mas sua estratégia para sobreviver à faculdade teria que ser offline. cara a cara. Porque, no que dependesse do seu celular, ele seria o maior garanhão — ou o maior maníaco — de toda a história de Konoha.
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