Anata no Fantasy: Fairy Tales Hen
8 Capítulo 8 - Amigos e Inimigos
Notas iniciais
Um estrondo foi ouvido, seguido de um grunhido banhado em revolta. Era Thomas dentro de seu quarto. O garoto acabara de socar a parede numa cólera descontrolada. E embora as duas crianças o espiassem pelo fino vão de sua porta semiaberta, elas não conseguiam ver as lagrimas que escorriam de seus olhos.
— Como eu pude perder?! Ainda mais pra um novato convencido como aquele! E o pior de tudo... — Ele se conteve. Terminar aquela frase abriria ainda mais a sua ferida. Porém, isso não ajudava tanto assim. No fundo de seu ser, Thomas sabia bem que perder para a imagem e semelhança de Andersson havia o humilhado ainda mais do que o fato de ter perdido para Jove.
Ele tirou seu ponho da parede. Sangue escorria de sua mão enquanto ela tremia. Ele sentia dor, e essa dor o irritava ainda mais. O ruivo emburrou-se como um animal furioso, enquanto relembrava de tudo, de todos os dias que passou ali, de todo o seu treinamento, de todo o seu ódio por todos dali, e por fim, do que havia acabado de ocorrer naquela manhã. E então, mergulhado em toda essa horrível sensação, ele sorriu com uma agressiva respiração pelo nariz e boca, que atravessou seus dentes cerrados enquanto seus olhos brilharam com determinação.
— Isso não vai ficar assim... — Proferiu, satisfeito por notar que havia acumulado o ódio necessário para movê-lo adiante. — Não mesmo.
Ele começou a se acalmar, ainda mais com a ajuda de uma pequena brisa que patinava pelos corredores do castelo. A brisa refrescou seu interior e lhe deu mais clareza mental, porém também o fez perceber que sua porta não estava totalmente fechada, sendo este o motivo da entrada dela. E foi neste instante, que ele se virou para sua porta e pôde notar que alguém estava o espiando.
Foi tudo tão rápido para Rafael e Victoria... Eles assistiam aquela cena dramática e caótica como crianças hipnotizadas por sua curiosidade. A brisa que invadiu aquele corredor balançou as roupas e cabelos deles, e de maneira puramente instintiva, Victória por 1 segundo sentiu que a situação podia se tornar complicada. Mas não foi tempo o suficiente para que ela pudesse mudar qualquer coisa. Ao vê-lo se virando e olhando rápida e diretamente para eles, um frio na barriga fez seus olhos se arregalarem de medo.
— O que?! Quem está aí?! — Indagava o jovem, já partindo em direção à porta.
— Ferrou! Corre! — Gritou Rafael com um pulo para trás enquanto puxava sua irmã junto.
Os dois saíram correndo como se não houvesse amanhã, tentando cruzar de corredor antes que ele abrisse a porta e os visse. Mas eles estavam longe o suficiente do corredor da parede direita, para que suas velocidades os limitassem a serem vistos por ele. Thomas pôde vê-los por trás, e se lembrou perfeitamente de quem eram eles. Estava novamente irritado, revoltado. Vê-los o fez se lembrar do quanto ele abominava esses novatos empolgados. Ele cogitou ir atrás deles, mas chegou à conclusão de que não precisava se estressar mais. Ele podia pegá-los mais tarde, já que a partir de agora seriam "Companheiros de Guilda". Apenas esboçou um sorriso vingativo e se trancou em seu quarto.
Apesar do medo que sentiam, aquele foi um momento que chamou a atenção deles, pois eles corriam tanto em seus máximos, que por um segundo perceberam que indiretamente também estavam apostando corrida. Uma corrida verdadeira que por curiosidade, Victória estava dois passos à frente. O que originalmente era uma fuga de Thomas, aos poucos passou a se tornar uma brincadeira para eles. Cruzaram de um corredor para o outro, onde deram de cara com mais alguns aprendizes da Guilda, eram 4 pessoas sendo duas delas novatos que haviam ingressado junto com Rafa e Vic, e dois aprendizes veteranos. Os 6 tomaram um susto com o quase atropelamento que causaram e sofreram. Os dois desviaram deles atrapalhada-mente e continuaram correndo.
— Desculpe! — Gritou Victoria de costas para eles, em um tom constrangido, até desaparecer no próximo corredor.
— O que foi isso? Esses novatos acabaram de chegar e já estão bagunçando! — Disse um dos 4, um veterano que penteava seu cabelo loiro, e desempoeirava sua roupa da sujeira que as duas crianças jogavam para trás com com seus passos desesperados no velho piso de pedra daquele castelo. Media cerca de 1.70.
— Olhem por onde andam! — Gritou uma garota que acompanhava eles, com as sobrancelhas levemente franzidas.
— Esses dois... Eu me lembro das lutas deles. — Disse outro, dessa vez um dos novatos. Era Artur, o novato que havia derrotado Jeffersson.
— Eu também. — Falou outra garota, com o dedo indicador estendido sob seu lábio inferior, era possível ver que suas unhas eram pintadas de verde, a mesma cor de seu cabelo que terminavam em seus ombros. — A menina venceu e o garoto perdeu. Mas ambas as lutas me impressionaram.
Já fora do castelo na parte de trás dele, os dois ofegavam exaustos. Victória estava com as mãos apoiadas nos joelhos e olhando para o chão. Já seu irmão, literalmente no chão, deitado com as pernas e os braços bem esticados enquanto olhava para o céu azul da mesma área onde fizeram suas lutas. Ali se encontravam alguns jovens e adultos, de "Aprendizes" a "Membros Oficiais". Alguns Aprendizes treinavam entre si, alguns Membros Oficiais se exercitavam sozinhos, e alguns outros Membros pareciam conversar com alguns outros aprendizes sobre alguma coisa, e por fim, também haviam aprendizes apenas sentados nos bancos que ficavam nos extremos daquele local.
— Acho que despistamos ele... — Dizia Victoria.
— Sim... Ou então ele não nos viu a tempo. — Sugeriu Rafael.
— Impossível. Nós levamos uns 5 segundos para sair dali.
— Bem, o que importa é que estamos a salvo.
— Se bem que não é como se ele não fosse nos encontrar nunca mais na Guilda.
Nessa hora Rafael percebeu que realmente não havia mais escapatória. A única saída era ele não ter visto eles mesmo. Mas no fim, ele nem parecia se importar tanto assim com isso. Ele continuava feliz por ter entrado na Guilda. E ela se sentia da mesma forma. Enquanto corriam, eles viram tantas partes do castelo. Embora tenham visto de relance, eles ficaram felizes por saberem que tem tantos lugares lá dentro, e até mesmo fora dele. Eles viam tantas pessoas também... Era algo muito empolgante.
— Nós podemos pedir desculpa por espiarmos ele. Talvez ele leve numa boa.
— Eu duvido muito. Aquele é o tipo de situação onde nós não queremos ser vistos por ninguém...
— Fala do que vimos ele fazendo?
— Ele parecia tão frágil... E parando para lembrar de sua luta, ele parecia irritado desde antes dela começar. Esse cara não parece ser muito amigável, acho que ele não vai nos perdoar por ter visto ele naquele estado.
— Estar em uma guilda é tão incrível... Nós já conhecemos tantas pessoas diferentes...
— Sim... Nós finalmente conseguimos. Mas eu percebo que algumas coisas estão meio tensas aqui. Digo, a Dulci... Esse cara... Parece que nem todos aqui são colegas. — Disse ela, um pouco desanimada
— As brigas deles não nos importam. — Respondeu desinteressado. — Sou amigo de todos que não me vejam como inimigo.
— Essa frase... — Ela pareceu se assustar ao ouvi-la, mas logo transpareceu um semblante sereno e orgulhoso. Ela se sentou no chão enquanto olhava para ele. — O Papai iria se orgulhar. — Disse sorrindo.
— O Papai não se orgulharia de me ver perdendo pra você. — Respondeu com sorriso bobo.
Os dois manteram-se sorrindo um para o outro, como se se conhecessem a milênios.
— Rafa... Vamos com tudo!
— Sim!
***
O resto do dia foi simples. Como os aprendizes haviam lutado entre si de manhã, eles tiveram o resto do dia de folga para descansarem. Os novatos começaram a conhecer os outros veteranos e o castelo. Alguns membros Oficiais interagiam bastante com eles, outros pareciam querer os evitar, e os tratavam com um discreto desprezo. Eien esteve sendo tratada durante o dia inteiro, e Dulci só saiu de seu quarto de noite, para ver como estava a amiga. Ao entrar em seu quarto, a encontrou dormindo. A garota preferiu não acordá-la. Se sentou ao lado da cama e retirou de sua bolsa um livro. O livro se chamava "O Sacrilégio Das Fadas".
Era por volta das 20 da noite. Dulci lia o livro na companhia de Eien, e da Lua que observava toda aquela Cidade. A Cidade Temir, um povoado de cerca de 10 mil habitantes. Ele se encontrava entre morros, florestas e rios ao seu redor. E naquela noite, a Lua também observava um grupo de pessoas, vestidas com capas pretas, a 2 quilómetros dos portões da cidade. No sentido oeste, reunidos na beira do Rio Frosch, esses indivíduos pareciam estarem se servindo com o churrasco de um javali enorme. Eram 5 deles até então, sendo que 4 estavam sentados em volta da fogueira feita, e um outro se encontrava em pé, olhando para a correnteza do rio. Porém, um sexto indivíduo apareceu, saindo do meio da mata. Imediatamente todos voltaram sua atenção para aquela silhueta escura se manifestando ali. Aquela era uma figura pequena, como a de um jovem. Seus cabelos eram bagunçados, e não tardou para que fosse possível ver sua cor... Branco.
— Está atrasado... O que andou fazendo até agora? — Disse um dos indivíduos que estava sentado em volta da fogueira.
— Foi mal, eu esperei a melhor hora para sair sem ser visto pelos Oficiais. — Disse saindo completamente do meio da escuridão da mata e revelando-se para os 5. Jove Nil.
— Que pena, eu estava louco para comer tudo e te deixar sem nada. — Falou outro encapuzado, logo antes de morder uma costela agressivamente, com dentes anormais.
— E então, como foi o primeiro contato? O que tem a dizer sobre eles? — Manifestou-se o que estava em pé ao lado do rio.
— Ainda é cedo para tirar conclusões... Mas não parece serem muito fortes. — Dizia Jove caminhando com as mãos nos bolsos e um sorriso confiante, enquanto começava a brilhar novamente. Era sua habilidade de Entity! — Essa filial da KOA está cheia de Aprendizes, algumas crianças bem promissoras, mas nada que precisemos nos preocupar. — Sua voz saia de dentro daquele casulo de luz ambulante, até que ela se extinguiu, mais uma vez revelando uma criatura de aparência diferente. Era a de um Homem adulto de no mínimo 30 anos! Usava o mesmo manto escuro dos outros 5, mas com o capuz abaixado, sendo sua única diferença os óculos negros que usava. Seu cabelo, ao contrário de antes, agora era escuro e curto, mas o sorriso provocativo continuava em seu rosto. — Agora sobre os Membros Oficiais, eu passei o dia observando eles... Eles são um total de 22 Aventureiros pelo que fiquei sabendo, ainda não pude conhecer todos eles, mas dos 10 que vi hoje, eu fiquei bem decepcionado. Os únicos que possuem alguma competência é o já esperado "Olho Que Tudo Vê", e um jovem chamado "Isaac". O Resto não tem nem metade da minha força.
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