Anata no Fantasy: Fairy Tales Hen

4 Capítulo 4 - Recompensa


Notas iniciais
Oho! Demorei mas voltei! Bom capítulo pra vocês ♥

Das 5 arenas utilizadas naquela segunda rodada, 3 delas atraiam toda a atenção dos outros à sua volta. Os novatos Laura e Hans de certo se sentiram desvalorizados devido ao descaso do pessoal com suas lutas, mas não tinha o que se fazer, afinal eram lutas a mãos armadas.

A voz de Andersson anunciando o início da rodada fez mais uma vez todos que lutavam prenderem a respiração por 1 segundo antes de assumirem que havia enfim começado. Agora era derrotar ou ser derrotado.

A alguns minutos atrás, Eien havia recebido permissão para ir até seu quarto pegar sua arma para lutar com Tal. Não só ela, como todos ali. E durante o caminho, dentro de seu quarto e durante a volta para as arenas de treinamento já com sua arma em mãos, a garota recebia pequenos fragmentos de memórias, enquanto ainda se sentia internamente em chamas após a torrencial de pensamentos que a fez aceitar as condições de Tal. Esses fragmentos de memórias eram dela mais nova junto com uma outra garota bem mais velha que ela. Segurando sua arma, uma Adaga com a base em detalhes vermelhos, ela se lembrava perfeitamente de quem havia lhe dado aquela arma...

De volta para a arena e de frente para seu oponente, Eien sabia que não tinha mais volta. Seu coração estava acelerado, mas ela nem queria saber o motivo disso. Não queria admitir nada, porque nada mais importava. Ela sabia o que tinha que fazer, e dessa vez, com sua Adaga em mãos, ela se sentia ainda mais capaz de fazer isso.

— Certo, então, sem mais enrolações...

Se preparava Andersson, para finalmente anunciar.

Nesse curto período entre o início e o fim de sua frase, Tal manipulava duas facas em suas mãos, quase que brincando com elas, com seu sádico sorriso.

Eien, em contraste, segurava 1 adaga, sorrindo de emoção, com seu interior pegando fogo.

Victória tinha um bastão de madeira com pontas de ferro nos dois lados, e Hegel uma longa e pesada espada.

Judit, possuía, estranhamente, linhas quase que transparentes enroladas em seus braços, frente a Dulci... Que se aquecia... Com um chute assustador que dera no ar, tão potente que uma rajada de vento era formada a cada golpe. Suas armas eram... Botas de aço... Em um formato de patas... Patas de Urso. Patas metálicas de Urso!

— Comecem!

1 Segundo.

...

Eien, na arena numero 4, sofreu uma overdose de sensações ao sentir a intenção agressiva de Tal 1 segundo após a rodada começar. Ela travou por mais 1 segundo enquanto o via se aproximando dela correndo com aquelas duas facas. Ela não queria admitir, mas Tal lhe dava medo. Entretanto, não era como se ela não estivesse bem armada com sentimentos fortes o bastante para fazê-la enfrentar esse medo. Se ela não os tivesse, nem teria tido forças para aceitar o desafio. A questão é que ali foi um pico de sentimentos, um pico que deixou o medo muito abaixo do que estava agora. Mas esse pico não é consistente, uma vez que ele diminui, o medo começa a se mostrar novamente. Durante esse segundo, Eien precisou superar o medo com uma escala de determinação que não fosse 1000%. Precisou se acostumar com o medo para então conseguir conviver com ele. E então, logo após aceitar o medo como uma realidade, ela se surpreendeu com um choque de empolgação que invadiu seu corpo.

"Sim... É isso. É isso que ela sentia quando lutava. A Adrenalina da batalha!" Eien não conseguia conter o sorriso. Ela havia enfim alcançado a recompensa de enfrentar o medo.

O sentido de sua vida? Talvez!

O plano era simples na cabeça dela. No meio da osmose de querer vencer, iria simplesmente atirar sua Adaga em Tal quando ele se aproximasse o suficiente para não poder se esquivar. Sua adaga tinha 40 centímetros, uma lamina daquelas o atingindo deveria pará-lo. Eien poderia tentar lutar de frente com ele com cada um empunhando suas armas, mas como seu oponente possuía duas, ela tinha certeza de que não conseguiria trocar golpes com ele à curta distância.

Tal corria sedento em sua direção, e Eien fez o mesmo para tentar fazê-lo acreditar que seria uma troca de golpes a curta distância. A cada segundo os dois ficavam progressivamente mais próximos, mas a progressão geométrica também valia para a tensão imposta na garota.

Não demorou para que chegasse o momento. Ali, Eien sequer podia pensar nos outros a sua volta, ela perdeu a noção de qualquer coisa, ou melhor, tirou a atenção de tudo, para focar todos os seus sentidos e suas potencialidades para aquele momento.

A adrenalina da batalha, a certeza da vitória como forma de se auto-afirmar e lidar com o medo do fracasso... Mas Eien não estava brincando. Sua concentração surpreendeu alguns dos que assistiam. Alguém tão envolvido assim não poderia fracassar em seu objetivo.

Seu objetivo era lançar a Adaga no timing exato que Tal não pudesse se esquivar, ela miraria em seu joelho para não matá-lo e fazê-lo cair no chão impossibilitado. E como sabia que ele não ia morrer, ela podia jogar com toda a sua destreza para que ele realmente se machucasse. Esse era seu objetivo.

A Adaga foi atirada como no tempo perfeito, perfurando e cravando-se na perna de Tal com a potencia de uma bala!

"Consegui!" Foi um dos pensamentos de Eien dentre outros que flasharam em sua mente em milésimos de segundos. "Se fez de torturador sanguinário o tempo todo, mas no fim quem se machucou de verdade foi você!" Também pensou, talvez não nessas exatas mesmas palavras, mas algo nesse sentido, ou uma substância disso. Isso porque os milésimos de segundos se passaram, indo pro primeiro segundo após a Adaga atingir seu alvo.
Foi quando Eien percebeu que estava em maus lençóis.

Tal não caiu! Ele continuou correndo, ainda mais sedento!

Era tarde demais para ela se defender. Ele se aproximou dela totalmente mal posicionada, e também psicologicamente abalada. Ela nem sabia o que pensar, só sabia que estava morta.

Um pouco antes desse momento, a batalha na Arena 2 também havia começado. Dulci e Judit também não fizeram cerimônia. A garota mais nova engoliu em seco e saltou absurdamente alto! Foi em torno de 6 metros, sendo que ao atingir o pico da altura, ela abriu e movimentou seus braços com um movimento estranho, e então mergulhou na direção da Dulci, que com uma concentração incrível não se mexeu 1 centímetro. Ela encarava a garota seriamente enquanto se posicionava com as pernas bem separadas e levemente flexionadas. Seus braços tinham um caráter defensivo, que em conjunto com o resto de seu corpo a fazia parecer uma cobra pronta para dar o bote.

Judit desceu com um ataque aéreo em cima de Dulci, disparando uma rajada de socos antes mesmo de tocar o chão. Dulci de imediato usou seus braços para se defender de alguns, e seus reflexos para se esquivar de outros, como que numa incrível exibição de força encontrou rapidamente um momento de abertura e não o deixou passar batido para Judit, disparando um chute na altura em que a garota estava, tão rápido que ela nem viu de onde veio!

O golpe atingiu o rosto da garota e a atirou para longe! Judit caiu de costas no chão, por pouco não caindo fora da Arena. Em seu rosto, uma expressão de extrema fúria transparecia. Já no de Dulci, apenas indiferença.

Essa cena acontecia em conjunto com a de Eien, que juntas fizeram com que os espectadores não soubessem onde deixar seus olhos.

Assim como uma injeção que sabemos que vai doer mas que desejamos que passe logo, Eien torcia para que a dor fosse breve. Que ela morresse rapidamente e sem sofrimento, embora a ideia de morrer a deixasse profundamente triste.

O grito da garota fez com que todos vissem o sangue jorrando de seus ombros, enquanto ela chorava de dor no chão com duas facas enfiadas nas laterais superiores de seus braços.

Com exceção dos membros oficiais da Guilda, todos ali se espantaram com a cena. Eien chorava sem parar no chão, abraçando seus braços sem nem ter forças para retirar as facas, e Tal se agachou, pois sua perna perfurada também sangrava horrores. Ele expressava sentir dor, mas não deixava de sorrir. Retirou a Adaga da perna e para a surpresa de Andersson ele se levantou, apanhando a Adaga e se aproximando de Eien.

— Bem... Acho que isso foi 2 pontos pra mim e 1 pra você... — Disse com a voz prejudicada pela dor, enquanto ainda sorria.

Um pouco mais de 3 segundos haviam se passado com os gritos da Eien no chão. A esse ponto, até mesmo os outros que tinham suas próprias lutas olharam para a Arena 4. Foi então que Dulci, da Arena 2, desfez sua face de indiferença ao ver sua amiga. Ela arregalou os olhos desesperada.

— Eien!! — Gritou ela.

E o tempo não parava. Tal ficava a cada segundo um passo mais próximo de Eien, mas já haviam se passado os 5 segundos para a ficha cair para Andersson e ele intervir na luta.

— Mikhail Tal, parado! — Exclamou. — Está encerrada a luta na quarta arena! Vitória por Nocaute!

— Hã? — Estranhou Tal. — Como você é chato...

Tal parecia desapontado, mas Andersson não deu a mínima. Foi até Eien no chão e a pegou em seus braços com uma cara bem aborrecida.

— Ei, Tai! — Disse se referindo a um dos membros Oficiais da Guilda que assistia sozinho em um canto da área de treinamento. — Leve ela para a recuperação!

— O que? — Questionou Tai. Ele era um homem bem mal arrumado, possuía um jeito cansado de falar e agir, e seus olhos escuros eram caídos como os de alguém que não dormiu. — Por que eu?

E a atitude dele não agradou Andersson nem um pouco. O Sub-Comandante o olhou de maneira assustadora.

— Leve ela. Se algo acontecer com a Eien, você está morto. — Proferiu seriamente.

— Aff... — Reclamava Tai, se levantando e indo até Andersson para pegar Eien.

Ao mesmo tempo, Isaac e seu amigo riam de seu companheiro de Guilda tendo que obedecer o Andersson. Eles pareciam não dar a minima para Eien.

Mas Dulci, e até mesmo Victória e Rafael, estavam preocupados. Dulci estava apavorada.

— Eu vou com você! — Disse ela correndo para Tai.

Mas então, ela se surpreendeu com o que ouviu logo em seguida.

— Espere aí! — Era Judit. — Se você sair da Arena, a vitória será minha! — Exclamou, ainda visivelmente irritada pelo forte golpe que levou. Seu rosto estava machucado por levar aquele chute.

Dulci a encarou com desgosto.

— Você acha que eu ligo pra isso? Pode pegar a vitória!

E essa frase deixou Judit ainda mais irritada. Ela cerrou os dentes de insatisfação. Pareceu que iria falar algo bem ofensivo para Dulci, mas Anderssou falou antes.

— Dulci, e todos vocês 7. Foquem-se em suas lutas. A Eien vai ficar bem assim que entrar na recuperação. Eu mandei Tai levá-la justamente para que eu possa continuar avaliando vocês. O que aconteceu com a Eien era algo esperado de uma luta de armas. Toda essa comoção não faz sentido agora. Então continuem.

— M-Mas... — Dulci não conseguia não se preocupar com Eien.

— Mas o que? — Interrogou Judit. — Quer tanto assim correr da luta?!

A amiga de Eien olhou para Judit de maneira ameaçadora, mas manteve-se em silêncio. Enquanto isso, Tai que ia indo com Eien nos braços, foi acompanhado por Tal que se encontrava mancando.

— Essa tal recuperação parece ser boa mesmo... Acho que se ela pode ajudar a Eien, também pode ajudar minha perna, né? — Pergunto a Tai em um tom sarcástico.

— Relaxa... Você vai estar bem já já. — Respondeu Tai preguiçosamente. — Aliás, bem vindo novato. Talvez você consiga sair dessa peneira...

Os dois caminharam lentamente para dentro do castelo, deixando todos os outros para trás, ainda um pouco surpresos.

"Eien... Fique bem." Pensava Dulci.

Após isso, mais alguns segundos de cochicos entre os espectadores se fizeram presentes, e também de silêncio tanto dos que lutavam quanto de Andersson. Os que lutavam precisaram desse tempo para retomarem a concentração, já Andersson, não conseguiu não se lembrar da cena da luta de Eien e Tal.

"Naquele momento... Eu vi. Eien agiu com uma performance praticamente perfeita. O plano de mirar no joelho foi muito bem pensado. É quase que humanamente impossível um jovem da idade dele conseguir se mover depois daquele tiro atravessando seu joelho." Pensava enquanto tocava seu queixo com a mão direita. "A questão é que... Ela não acertou o joelho dele. O que ocorreu foi que ele conseguiu notar que ela mirou no joelho. Naquela posição, Tal não conseguiria se esquivar do ataque, Eien esperou o momento exato, somente alguém muito experiente conseguiria sair daquilo. Mas o detalhe foi esse, Tal não podia se esquivar do ataque, mas podia mudar o alvo do ataque. Para vencer a luta, ele naquele curto espaço de tempo precisou assumir que não conseguiria se esquivar, e também identificar que o alvo era seu joelho. Uma vez que ele já havia desistido de se esquivar do ataque, ele pôde usar todo o tempo e agilidade para se focar apenas em mover sua perna, recebendo o golpe em outra parte da perna, dessa forma não caindo no chão e desferindo ataques na Eien que estaria desprotegida. Ele fez um ótimo uso de percepção e tomada de decisão. Se ele se afobasse por 1 segundo tentando esquivar o corpo todo, nem mesmo o joelho ele conseguiria salvar, e o fato dele saber que se atingisse o joelho ele cairia, mostra que ele tem bastante noção de batalhas. Eien se esforçou, mas foi derrotada no detalhe. Mas isso é o mundo dos Aventureiros." Concluiu, e retomou a palavra para os que lutavam.

— 1 Ponto para Dulci na Arena 2. — Anunciou com presença. — Todos vocês, comecem!

Dulci não estava mais com animo para continuar ali, mas já que era obrigada, ela definitivamente não queria estar no lugar da Judit. Olhou para a garota com um olhar sério e anti-pático.

— Tudo bem... Já que você quer tanto isso... — Dizia ela, entrando em posição de batalha novamente pisando pesadamente no chão com suas patas de urso metálicas.

Já Judit, nessa situação, voltou a esboçar aquele seu sorriso desafiador.

— Não fique tão confiante com 1 ponto! — Exclamou sorrindo. — Porque esse seu ponto será a sua ruína!

Ela então levantou um pouco os seus braços de uma maneira estranha. Dulci ainda não tinha entendido o que ela quis dizer, mas logo a resposta veio.

De uma hora para outra, Dulci se viu cheia de linhas enroladas em seu corpo. Pernas, braços, tronco, pescoço... Haviam finas e quase invisíveis linhas enroladas em todas as partes do corpo dela, que a apertavam sem parar.

— O que? Quando...? — Questionava Dulci, surpresa.

— Quando eu pulei... Abri meus braços lá em cima, lembra? E também, quando troquei golpes com você. A cada soco que soltei na sua direção, dezenas de linhas foram despejadas em você. Eu realmente não esperava que você tivesse respostas tão boas, mas no fim das contas meu objetivo foi realizado. — Explicava arrogantemente. — Agora acabou... Desista, ou então...

As linhas que estavam ligadas entre Dulci e Judit apertavam todas as partes do corpo dela. Pequenos cortes em sua pele começavam a ser feitos, e ela estava com diculdade para respirar com as linhas em sua garganta.

— Ei Isaac, parece que você tinha razão. As batalhas estão rendendo um pouco. — Comentou um dos dois Oficiais da Guilda que assistiam.

— Eu disse... Mas, ainda aposto na Dulci. A diferença de força é muito grande. — Respondeu Isaac.

Andersson parecia se entreter com aquela batalha também. Mas não podia se esquecer de sua função de juíz.

— 1 ponto para Judit na Arena 2. Como os danos são contínuos, é a mesma lógica de uma faca que perfurou um corpo e não foi retirada de lá. Mesmo que o sangramento se perpetue, ainda conta como apenas 1 golpe.

— Mas eu joguei várias linhas nela... — Contestou Judit. — Não seria 1 ponto por cada linha?

— Não, porque o dano de uma linha sozinha é tão insignificante que eu considero como um golpe mal aplicado. — Disse com rigidez.

— Bem, não faz diferença... — Ela olhou para Dulci que já começava a abaixar um pouco seu corpo. — Ajoelhe-se, e peça perdão pelo chute que me deu.

E então, a garota de cabelos brancos sorriu. Um sorriso de quem estava com a vitória garantida. Ela não estava se abaixando por se sentir fraca, e sim para se preparar... Ela se posicionou como uma quadrupede, com as pernas bem esticadas, as costas levantadas e as mãos no chão. Foi então que Judit entendeu.

— Espera aí... Você...

— Sim... Eu já venci. — Falou Dulci. — Porque antes que você possa me derrubar...

Ela havia finalizado sua pose. As garras das patas metálicas de urso cravaram-se no solo. Aquela era a pose de uma corredora imparável! O ultimo corte feito em seu corpo pela linha, foi como o tiro de largada para um atleta disparar a toda velocidade. Dulci velozmente foi em direção a Judit, que nem teve tempo de reação.

— Eu só preciso acabar com você! — Ela finalizou sua frase com um chute de direita no corpo de Judit, que atirou a garota para fora da Arena com facilidade!

Enquanto os novatos ficavam boque-abertos e Dulci sorria como se sua oponente fosse uma piada, Andersson anunciava o fim de mais uma batalha na segunda rodada.

— Está encerrada a luta na segunda Arena.

Notas finais
Até o próximo capítulo!