Notas iniciais
E em nome de Leonardo, agradeço aos que escreveram Just Like Heaven, do The Cure; pois não há letra nenhuma que defina tanto o amor de Leonardo e Anabel como esta.

Passaram quatro dias depois de toda a confusão, e Olavo, como um bom amigo, estava vindo me visitar, já que eu estava chateado demais para sair de casa. Ele vinha, trazia uma pizza ou um pouco de pó para usarmos a noite. Estava tão decepcionado com a vida que não tinha mais noção do que eu estava fazendo com ela. Era tão frustrante; há uma semana atrás eu amava todas as coisas do mundo e, agora, voltei a me sentir vazio e morto.

– Vamos, cara – disse Olavo, abraçando-me meio atrapalhado –, as coisas melhoram, eu garanto. A Isabel volta, ela vai se tocar que você é melhor que isso.

– Anabel, cara – ri –, meu Deus.

– Sou péssimo com nomes, desculpe – Olavo riu também.

Olavo era o melhor amigo do mundo. É óbvio que ele me ajudava de sua forma confusa e perturbada, mas era de uma bondade imensa. Eu não gostava de falar muito; pelo contrário, eu sempre deixava ele tagarelar o quanto quisesse em relação aos seus sentimentos e problemas. Porém, eu tinha total certeza que sempre que eu precisasse, ele estaria lá mais do que ninguém para ser meu psicólogo. E ele estava lá comigo, exatamente na hora certa.

– Eu ainda não entendi o que aconteceu, Leo. Ela ficou puta porque a Deborah te deu um selinho? – deitado ao chão com um cigarro nas mãos, ele perguntava.

– É, Olavo, mais ou menos isso. Eu tinha falado que eu e a Deborah não tínhamos nada. E daí passam vinte minutos e a Deborah aparece na minha porta, me beijando – apoiei a cabeça no braço do sofá.

Olavo suspirou.

– A Deborah tá completamente doida. Mas acho que só você pode parar tudo isso – engoli seco. Eu sabia que Deborah continuaria a fazer tudo que ela fazia se eu não deixasse claro que quero que ela pare. Porém, não enxergava mais opções de fazê-la desistir de mim. Deborah insistia em nós há anos; e eu não aguentava mais isso.

– Eu só queria fazer as pazes com a Bel – cocei a testa e acendi um cigarro.

– Por que não faz? – Olavo levantou, brincando com a fumaça.

– Cara – cerrei os cílios e bufei –, não é tão simples.

– Você já tentou? – foi o que eu precisava ouvir. Eu queria tanto voltar a falar com a Anabel mas eu ainda não tinha tentado. O medo de piorar tudo era como uma barreira para qualquer atitude que eu podia tomar. De qualquer forma, eu não queria perder Anabel antes de tê-la.

As chaves do meu carro estavam jogadas na mesa de canto e eu sentia que elas me chamavam. Encarei-as pensativo, perguntando à mim mesmo se deveria ou não ir até o Loretto e dizer para Anabel tudo que eu estava sentindo.

– Você só vai fazer as pazes com ela se você tentar falar com ela, Leo. Não seja estúpido – falou e deitou-se novamente sobre seus próprios braços.

– Levante. – chutei a perna de Olavo e peguei as chaves da mesa. Ele se assustou e me olhou sem entender nada – Vamos, porra!

– Você tá ficando doido também? – pôs novamente o cigarro na boca. Estendi a mão para ele levantar.

– Vamos no Loretto, cara. A Anabel deve estar lá agora – assim que terminei a frase, Olavo pegou em minha mão e levantou-se rapidamente. Ajeitou a blusa, bagunçou seu próprio cabelo e deu uma leve batida nas minhas costas.

Peguei apenas o maço de cigarro e minha carteira para pôr no bolso. As chaves já estavam em mãos, então fomos saindo do meu apartamento. Olavo começou a falar sobre Amelia, mas não conseguia prestar atenção tanto quanto deveria porque estava muito nervoso para encontrar Anabel. O elevador já estava no meu andar, então entramos e Olavo não parava de tagarelar. Eu sabia que ele só precisava que eu falasse “é, cara, é foda”, então não hesitei em repetir isto para quase tudo que ele comentava.

Entramos no carro e Olavo resolveu ir deitado no banco de trás. Eu tinha tanto medo do que ele poderia fazer ao meu lado quando eu estava dirigindo que concordei totalmente. Achei que ele continuaria falando de seu namoro com Amelia mas ele só dormiu durante todo o caminho até o Loretto. Segurei-me para não avançar todos os sinais novamente, de tão aflito que eu estava. Pensei na possibilidade dela me desculpar e aceitar sair comigo, e também na possibilidade dela não me desculpar e me mandar tomar no cu. Ambas me assustavam, pois as duas requeriam uma coragem e autoconfiança que eu não tinha. Exceto que a culpa por ter irritado Anabel era enorme; eu nunca queria ter feito algum mal à ela, que tem me feito tão bem nas últimas semanas.

– Estamos chegando, Leo? – perguntou Olavo, com uma voz sonolenta.

– Quase, amigo, quase – respondi, virando a rua do Loretto.

Parei um pouco antes do lugar para que Anabel não visse meu carro e fugisse de mim, caso ainda estivesse chateada. Antes de sair do carro, buzinei apenas para acordar Olavo de um modo engraçado. E foi bem engraçado.

– Porra! – ele levantou do banco, com a mão no peito – Vai se foder, Leonardo! – deu-me um tapa no braço, enquanto eu gargalhava.

– Vamos, cara – saí do carro. Ele saiu um pouco tonto, com a cara um pouco marcada. Evitei olhá-lo tanto para não rir e correr o risco de levar uma bordoada.

O Loretto, mais uma vez, estava diante de nós dois. Fechei os olhos, respirei fundo e entrei ao lado de Olavo. Procurei rapidamente por alguma menina ruiva, mas não vi nenhuma. No caixa, haviam só duas pessoas.

– Ali, Leo. – Olavo apontava para uma menina abaixada empilhando os discos no canto esquerdo da loja – É a Muriel ali, não é? – encarei-o com os olhos cerrados.

– Isabel, Muriel... cacete, Olavo, é Anabel – puxei-o pelo braço até chegarmos nela.

Anabel sequer notou nossa presença bem atrás dela; ela continuava a pôr um disco em cima do outro. Pensei em catucá-la, mas pensei também que isso poderia irritá-la. Então, cheguei à conclusão de só chamá-la, sem fazer mais nada.

Engoli seco.

– Anabel – falei. Ela olhou para cima, com uma expressão séria. Gelei por dentro –, eu só quero que você me ouça, por favor.

Ela se levantou, limpou a poeira sobre o avental e não falou nada. Sentia um nervosismo ainda maior por não saber o que se passava dentro da cabeça dela. Não fazia ideia se ela realmente queria me ouvir ou só queria que eu fosse embora logo. Mesmo assim, arrisquei; comecei a falar tudo como um louco, sem nem respirar direito.

– Olha, Bel, eu sei que você acha que eu sou um mentiroso, mas eu não sou. Eu não menti quando disse que gostava de você e nem menti quando disse que não gostava da Deborah e não tinha nada com ela. Eu não tenho, o Olavo tá de prova! – toquei-o com o cotovelo, mas ele estava focado olhando para o nada – Olavo!

– Sim! – ele disse, mexendo a cabeça positivamente – Sim!

– Por favor, Bel – engoli o choro –, acredite que a Deborah é louca e que não quer que eu a deixe. Mas eu vou fazer com que ela me deixe em paz porque é contigo que eu quero ficar – percebi que estava fazendo levemente um beicinho. Ela olhava para mim com os olhos brilhantes, como quem sabia que estava ouvindo a coisa certa. Nunca imaginei que uma menina me faria quase chorar; quase chorar não só em casa mas em público também.

Anabel sorriu. Não havia sensação mais maravilhosa do que aquela. Alívio.

– Eu também quero ficar com você, Leo – ela me abraçou. Meus braços a envolveram e eu a abracei forte, parecendo que eu não a via há anos. Porém, os últimos quatro dias foram decerto como anos. Anabel havia se impregnado em mim como um cheiro de cigarro. Conheci emoções e sentimentos que me fizeram ver a vida como uma montanha-russa, e não como um cemitério de boas sensações. Quando eu estava com Anabel, eu não precisava fugir de nada, nem de mim, porque era nela que eu me encontrava. Somente nela.

– Ah, que lindo! – Olavo nos abraçou também. Estávamos todos tão perto um do outro que eu conseguia sentir a risada de Bel. Meus dedos se enroscavam nos cabelos dela e eu não queria soltá-los nunca. Não me lembrava da última vez que me sentia tão aliviado. Aquele momento foi tão adocicado que eu queria poder eternizá-lo.

– Olavo, você pode... – ele nos soltou –, isso, obrigado amigo – soltei Anabel e ela afastou-se um pouco de mim. O sorriso dela era apertado, suave, e marcava as maçãs de seu rosto. Olhei para Olavo com os olhos levemente arregalados, para ver se ele sentia que aquela era a hora de nos deixar sozinhos.

– Ah, eu vou... – ele tossiu – acender um cigarro... lá fora... – falou, fazendo um sinal de “ok” com os polegares. Olavo saiu do Loretto, atravessou a rua e ficou encostado na parede de um outro estabelecimento, fumando. Respirei fundo para continuar a conversar com Anabel, mas ela falou antes de mim.

– Acredito que você não goste da Deborah, Leo, mas eu não quero viver isso de ter que te dividir com ela. Eu não quero ficar com você enquanto você fica com ela ou... ou deixa ela ficar com você. Não quero isso – pôs alguns fios de cabelo para atrás da orelha.

– Bel, eu não vou deixar que ela atrapalhe a gente – segurei suas mãos –, não vou. Vou fazer com que ela saiba separar as coisas e ver que só somos amigos. Só quero que você acredite em mim e não me deixe, por favor – suspirei.

– Não vou – Anabel ficou na ponta dos pés e me beijou. Eu a envolvi com meus braços e puxei-a mais pra perto de mim. A felicidade era inexplicável. Sentia fogos de artifício explodindo ao nosso redor como em uma noite de Ano Novo. Minha alma estava tão radiante que gritava aos céus o quão maravilhoso era estar vivendo tudo aquilo. Era magnífico.

Após o beijo, sorrimos um para o outro. No outro lado da rua, apenas se enxergava Olavo pulando desesperadamente feito um ganhador da loteria. Anabel cerrou os olhos para confirmar se era aquilo mesmo se estava vendo, enquanto eu apertava a barriga de tanto rir.

– Ele usou alguma coisa antes de vir para cá? – perguntou ela, rindo.

– Não – eu ainda ria também –, eu acho que não. – respirei fundo para continuar falando – Meu Deus, eu não ria assim desde que ele caiu de bicicleta.

Anabel virou o rosto espantada.

– Olavo anda de bicicleta? – ela pôs a mão na boca, assustada.

– Sim. Eu e ele andamos algumas vezes na Lagoa...

Ela deu um sorriso tão grande que me deixou com medo do motivo da alegria. Andar de bicicleta era tão normal; não tinha um porquê para se admirar tanto.

– Eu amo andar de bicicleta! Acho que é isso que se deve amar quando não se tem dinheiro para um carro.

Umedeci os lábios e pus meu braço sobre seus pequenos ombros. Incrível era como eu e Anabel tínhamos tantas coisas em comum. Era tudo tão encantador; eu tinha uma vontade de conhecer todas as coisas que ela amava apenas para gostar também, porque eu sabia que tudo que pertencia à Anabel era digno de amor. Cada coisa que formava aquela moça era como uma linda poesia.

– Então já temos o que fazer quando nos virmos de novo – falei.

– Por que não fazer agora? – Bel pôs suas mãos na minha cintura.

– Porque você está trabalhando?!

Ela riu.

– Meu expediente acaba em dez minutos, Leo. E o dono do Loretto já foi embora. Gabriel pode fechar a loja por mim.

Senti como se estivesse sendo uma péssima influência para ela, apesar de tudo ser por uma ótima causa.

– E onde vamos andar de bicicleta? Na Presidente Vargas? – ri ironicamente. Esperei que ela risse também e levasse o que eu disse no sarcasmo, mas não foi o que aconteceu.

– É boa ideia. – encarei-a assustado – Tô só brincando – ela riu –, mas poderíamos ir à Lagoa.

Eu amava andar na Lagoa Rodrigo de Freitas. Seria maravilhoso; eu, Anabel e uma bicicleta rodando por aí. O vento em nossos rostos e o pôr do Sol faria a gente se gostar ainda mais. Não estava com medo de me apaixonar – até porque eu sentia que a paixão já estava acontecendo. Em duas semanas, uma garota ruiva fez eu sentir coisas que nunca havera sentido antes. Acho que isso era se apaixonar.

Olavo jogou a guimba de cigarro no lixo e atravessou a rua para entrar no Loretto. Anabel ainda tentava me convencer de irmos andar de bicicleta na Lagoa mas eu estava aéreo, ouvindo pouco do que ela estava dizendo. A beleza dela me encantava; percebia cada curva e marca de seu rosto. As sardas castanho-claro no seu rosto pálido de menina se sobressaíam a cada sorriso, que ressaltava as maçãs de seu rosto. Seus lábios eram finos e rosados, como se sempre estivesse usando batom. Os olhos de Anabel eram os mais bonitos que eu já tivera visto em toda minha vida: verdes como a grama, redondos como a Lua. Parecia, simplesmente, uma escultura enviada pelos anjos. Ela decerto era como um.

– Então, amigos, eu preciso ir para casa porque eu combinei com a Amelia que ela iria para lá. Você me deixa em casa, Leo? – perguntou Olavo. Olhei o relógio e vi que dariam cinco e meia.

– Deixo, deixo. E Anabel – olhei para ela –, você pode ir para minha casa, se quiser. De lá eu pego a minha bike e a gente pode rodar pela praia.

Anabel mexeu a cabeça positivamente e sorriu.

– Bem, então vamos todos, vamos todos – Olavo nos abraçou e nos levou até a porta. Estavámos todos sorridentes. Em mim, sentia como estivesse vivendo uma tarde de verão. Tudo estava ensolarado demais, quente demais, maravilhoso demais. A vontade de acabar com tudo, inclusive com a minha vida, finalmente me dava adeus.

Seguimos para o meu carro, que estava estacionado na mesma calçada do Loretto. Olavo tagarelava sobre as suas idiotices enquanto Anabel caía em pura gargalhada. Eu ria também, apesar de saber todas as coisas que ele já tivera feito. Conhecia-o desde os dois anos, quando nos encontráramos no térreo do prédio. Éramos vizinhos de porta – Olavo morara em frente ao meu antigo apartamento no Leblon. Compartilhei com ele todas as aventuras que poderia ter tido ao longo da vida. Ele estava presente na primeira vez que fui à escola, na primeira vez que beijei uma garota, na primeira vez de quase todas as coisas que fiz. Papai já chegou a achar que eu e Olavo teríamos um caso, mas logo depois percebeu que tínhamos namoradas demais para isso. De qualquer forma, não havia outro amigo tão parceiro quanto ele.

Anabel entrou no banco do carona e Olavo no banco de trás. Abrimos as janelas do carro e, quando comecei a correr com o carro, parecia que iríamos decolar, já que o vento estava muito forte. Bel prendeu os cabelos reluzentes como o fogo em um belo nó. Olavo parecia uma criança hiperativa e foi nos fazendo rir até chegar em sua casa.

– Valeu, valeu – ele deu um beijo gelado em nossas bochechas –, amanhã a gente se vê – saiu do carro, batendo a porta e acenando. Esperei Olavo entrar no edifício para seguirmos até meu prédio, que ficava à algumas ruas dali. O Sol estava se pondo e o céu tornava-se ainda mais lindo. Percebi que Anabel olhava o céu admirada como uma criança.

– Ei – sussurrei perto do ouvido dela –, porque não estacionamos perto da praia e ficamos por lá mesmo?

– Ir à praia às... seis da tarde? Você é louco, Leonardo, meu Deus – ela ria suavemente. Continuei insistindo e ela olhou para mim com as sobrancelhas arqueadas, dizendo que sim. “Meu Deus, não sei o que está acontecendo comigo”, pensei. E não sabia mesmo.

Acelerei o carro e dirigi até chegarmos a praia de Ipanema. O pôr do Sol era lento e adorável. Durante o caminho, conversamos sobre tudo que poderia se conversar em alguns minutos. Anabel contou-me dos poucos amigos e da família média que tinha – possuía só uma irmã chamada Helena – e dos dois únicos namorados que teve. Um aos dezesseis e outro aos vinte e três. O que mais durou foi o último, que foi por volta de quatro anos.

– Ele te traiu?! – perguntei abismado, encarando-a, apesar de saber a resposta.

– Pois é – ela respondeu –, pois é. Com uma amiga minha. Nunca mais falei com nenhum dos dois.

– Meu Deus – eu continuava assustado. Como diabos alguém era capaz de trocar uma pessoa tão doce como Anabel? Perguntei-me se ele era cego ou perturbado; recusei-me a acreditar que ele era um cara normal.

– Bem, mas já fazem quase quatro anos, eu nem ligo mais. Como eu já tinha dito, ninguém fala comigo, então não falo com ninguém. Não namorei desde então.

– Seus amigos nunca insistiram para você conhecer alguém novo?

– Sim, bastante – ela riu, mexendo a cabeça –, mas não adianta. Eles vão ficar felizes ao descobrir que eu gosto de alguém, e que esse alguém gosta de mim também.

Sorri de ponta à ponta.

Chegamos à praia e saí do carro. Fiquei parado na minha porta esperando até ela sair. Anabel bateu a porta, deu a volta e ficou do meu lado, segurando minha mão e apoiando sua cabeça no meu braço. Estava tudo perfeito – perfeito demais.

– É lindo, não é? – ela disse, sorrindo. Não hesitei em olhar para ela e sorrir também – É digno de uma fotografia. Queria ter uma câmera aqui.

Lembrei da câmera fotográfica que ganhei de meu pai quando ele viajara para os Estados Unidos. Uma linda Polaroid que revelava os retratos na hora. A última vez que eu havera visto foi dentro do porta-trecos do carro – e provavelmente ainda estava lá.

– Espera – falei, abrindo a porta do carro e me ajoelhando no banco – acho que tenho uma coisa aqui. Achei! – tirei a câmera do porta-trecos. Levantei com ela na mão, sorridente.

– Você é mágico ou só faz as coisas aparecerem quando as pessoas querem? – ela riu.

– Bem – abracei-a –, só quando algumas pessoas especiais querem. Acho que tá com filme. Então... sorria! – posicionei a câmera em nossa frente. Viramos de costas para o pôr do Sol.

– Xis! – Anabel gritou.

Depois de um tempo, a foto revelou. O flash era forte, então meus olhos saíram quase fechados, enquanto Anabel saiu com os dela arregalados, mais verdes do que nunca. Era uma linda foto. Guardei a câmera e a fotografia dentro do carro e depois, andamos pela areia. Brincávamos como crianças; corríamos um atrás do outro, nos derrubando e rolando pela areia. Eu não conseguia parar de sorrir por um minuto de tanta felicidade. Caí sobre a areia e Anabel jogou-se em cima de mim, rindo desesperadamente. Ela passava as mãos levemente sobre meu rosto e minha barba mal feita e eu acariciava suas costas delicadamente.

– Eu acho que eu te amo – Bel deitou a cabeça em meu peitoral e enroscou sua mão na minha.

– É, eu acho que eu também te amo – passei os dedos por seu cabelo. Tudo aquilo era maravilhoso demais. De repente, eu realmente me sentia amando uma garota, como nunca amei ninguém. Estava tudo tão lindo, tão dourado. Era como a canção do The Cure. Eu não sabia como ela havia feito aquilo, mas sei que parecia um truque de magia que me fazia querer largar tudo e fugir com ela, para onde fosse. Passar por aquelas coisas ao lado de Anabel era como o paraíso.