Acordo, ainda entre as cobertas e os espasmos musculares de minha panturrilha, tento me conectar novamente ao mundo. Lentamente abro os olhos tentando ajustar o foco no meio da névoa que vejo. Pressiono meu pé fortemente contra a parede para mandar a câimbra que me assola todas as manhãs para bem longe. Agarro novamente o coberto na vã tentativa de ainda conseguir absorver um pouco da paz que é dormir. Me sento por um minuto, levanto tiro a calcinha que está cravada nas nádegas e ainda meio sonsa vou tomar café.

Ainda é mais um dia fatídico de férias, com muito tempo livre e absolutamente nada para fazer. Só tenho que esperar e esperar até o tempo passar. O meu consolo e esperar pelo futuro. Há o futuro, este bom amigo tem-se mostrado em minha vida uma criança travessa, como o saci. Gosto dele, e de sua alegria, mais as vezes tenho vontade de dá-lhe umas boas palmadas. Quando imaginava meu futuro, jamais pensei que estaria sempre assim, como um burro correndo atrás de uma cenoura atada na sua rédea. Imaginava na minha inocência de apenas 6 anos de idade (toda minha vida foi planejada nessa época, mais falarei nisso mais tarde), que não seria refém do tédio, e da falta de ter o que fazer, seria livre de corpo alma, jeito, trejeitos e principalmente de mente e expressão.

Tomo um gole de café gelado (minha mãe não é adepta da garrafa térmica, por motivos que desconheço), ainda absorta em pensamentos e melancólica pela falta de opções disponíveis. Quando lentamente um serzinho preto de olhos negros, com um sorriso maroto, põe as patinhas peludas em meu colo. É o meu bebê. Olha para mim com um olhar apaixonado e depois para o pão em minha mão sorri e senta. E o jeito dele de pedir um pouco. O danado sabe como me manipular, em poucos segundos tem quase que meu pão todo. Está aí uma coisa boa de estar em casa. Esse amor, esse amor que cobra apenas uma parte da minha comida, e uns dengos. Esse amor que me faz acreditar que há coisas boas nesse mundo e principalmente em mim por merecer um sentimento tão puro de um ser que é só bondade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.