An Impossible Love
6 Perfect Moment
Notas iniciais
Para não se cansarem de mim, vou acelerar mais os fatos. Eu, Kurt Hummel, já passei por muitos momentos nesses três anos onde eu tive vontade de desistir de tudo, de mim, minha casa, minha vida, tudo. Eu digo desde o início que Blaine me abandonou ou e talvez esse seja o momento certo de eu dizer a vocês o motivo de eu pensar isso.
Para começar, vamos desde o início. Três dias atrás, quando tudo aconteceu, ele tinha passado a noite em meu lado, pois eu não conseguia parar de chorar. Eu só sabia dizer que eu não era importante, da mesma maneira que minha vida não valia nada aos meus olhos.
Ele ficou dizendo que eu não deveria pensar desse jeito, que eu valia a pena e que muitas pessoas se importavam comigo. Com muitas pessoas, eu diria que Beth, Quinn, ele e Sebastian eram os que se preocupavam. Ou aparentavam se preocupar e Sebastian ainda era mais que os outros.
Para constar, eu dei um jeito em minha vida. Voltei a estudar — moda, é claro — e comecei a trabalhar em uma revista, já que, segundo Blaine, eu não podia desistir das coisas apenas por estar demasiadamente triste.
Na tarde de sábado, após o almoço, eu me deitei para descansar a cabeça. Estava explodindo de dor e queria apenas dormir até a dor ir embora. Nesse exato momento, na terça-feira, estou apenas relembrando de tudo isso, pensando no quanto eu queria que as coisas tivessem dado certo. Não consigo nem me concentrar em meu trabalho. Mas voltando ao sábado.
Eu estava reclamando sobre minha vida, como de costume, dizendo que ninguém se importava o suficiente, inclusive eu mesmo.
Provavelmente irritado com a minha exagerada atuação de pura tristeza, Blaine andou até a cama onde eu estava deitado, subiu na mesma e sentou sobre minhas pernas. Eu queria poder dizer que senti algo além de meu coração acelerado como nunca, mas a verdade é que mais uma vez eu não o sentia. Já estava até me acostumando a isso.
Quando ele se inclinou sobre mim eu não senti nem mesmo sua respiração. Lembro-me de que fechei meus olhos após ver ele fazer o mesmo e senti um leve formigamento, provavelmente provocado pelo fato de que ele estava me beijando. Foram segundos, segundos que foram mais especiais do que toda a minha vida. Meus vinte e um anos de idade não significaram tanto quanto aqueles breves segundos.
Ao abrir os olhos, apenas a lembrança do rápido formigamento e a leve sensação de paz e calma foi o que permaneceu, já que sua presença agora estava presente apenas em meus pensamentos. Seu corpo, ou a ilusão do mesmo, já havia ido embora.
Tentei chamar por ele, chorar, até fazer um corte em meu braço. Até mesmo ameacei me atirar da janela do meu quarto, mas de nada adiantou. Ele havia quebrado sua promessa, havia abandonado a mim e aquela era a única certeza que permanecera visível aos meus olhos.
Nunca vou esquecer essa dor, sei que ela nunca passará. Passaram-se três dias e ele simplesmente não voltou para mim. Ele nunca ficou tanto tempo longe de mim.
Ele sempre permanecia ao meu lado até que eu dormisse e fazia carinho em mim, mesmo sabendo que eu não sentia. A intenção dele era o mais importante. Agora eu simplesmente sinto que não sei mais nada sobre ninguém no mundo, muito menos sobre eu mesmo.
Agora eu estou aqui, encarando as roupas da nova campanha da revista onde trabalho e, honestamente, queria que todas elas pegassem fogo. A culpa é minha. Eu deveria ter seguido em frente sem ter me apaixonado por ele. Ele deveria ter permanecido sendo apenas meu anjo da guarda, mas eu estraguei tudo.
Minha chefe me liberou por dizer que eu estava muito desperso e, assim, segui para casa, triste e desolado. Era uma das únicas coisas que eu podia fazer agora. Eu quero seguir minha vida, quero pensar que as coisas podem andar para frente sem as lembranças conturbadas do meu passado. Mas essa é apenas mais uma mentira que conto a mim mesmo.
A verdade é que eu permaneço querendo ele e, mais que isso, querendo saber o motivo de ele ter partido sem nem dizer adeus. Essa era a importância que ele dizia que eu tinha? Pois se era, eu preferia não ser importante.
Ao chegar em casa, encontrei Sebastian atirado no meu sofá com o seu sorriso de sempre. Ele percebeu como eu estava e me apertou firme quando simplesmente, e literalmente, desabei em seus braços e comecei a chorar.
— O que houve? – Perguntou-me de seu jeito usual. Sua voz me acalmava tanto quanto a de Blaine.
E antes que perguntem: Não me apaixonei por ele. Ele é meu amigo. O que sinto por ele é um amor normal que temos por nossos amigos.
— Você sabe o que houve. – Falei com desespero. – Ele me abandonou. Ele quebrou a promessa dele.
— Espera... – Sebastian levantou e me encarou confuso. – Por que ele te abandonou? Isso não faz sentido. Ah, isso só pode significar uma coisa. Droga, Blaine, de novo não.
— O que você está querendo dizer? Me fale logo, Sebastian, não use curvas, por favor. – Pedi aflito, vendo ele em pé andando de um lado para o outro.
— Ele só pode ter se apaixonado por você, por isso se afastou. Ele tem medo de sofrer de novo. É claro! Agora faz sentido. – Sebastian continuava falando como se estivesse conversando consigo mesmo, ignorando completamente minha presença ali, sem se importar de eu estar bem na sua frente. – Sinto dizer isso, mas só tem um jeito de ele voltar para você, já que ele não vai escutar conselho meu e se machucar de novo.
— Me fala! Eu faço qualquer coisa. – Disparei as palavras e ele negou com a cabeça, soltando um suspiro e sentando-se novamente. – Por que não quer me dizer?
— Você precisa beijar alguém. Machucar o coração dele. É o único jeito. – Sebastian disse um pouco desapontado, novamente negando com a cabeça.
— Então me beija! – Aquilo foi praticamente uma ordem. – Se esse é o único jeito, eu te imploro, me beija.
— Desculpa, Kurt, mas eu já tenho o meu humano querido. Não posso fazer isso com ele.
— Amigos vêm em primeiro lugar. – Tentei. – Por favor. Eu juro que nunca mais te peço nada.
— Não, Kurt. Não posso fazer isso. – Novamente ele se levantou e se aproximou de mim. – Queria poder ajudar, mas não posso. Não com isso.
— Por favor. – Pedi cabisbaixo, literalmente agindo feito uma criança.
— Ah... eu vou me arrepender tanto disso. – Mais um suspiro foi o que ouvi.
Sebastian me puxou para mais perto e então juntou seus lábios nos meus. Por mais que eu não tenha sentido Blaine quando o mesmo me beijou, ainda assim senti uma coisa diferente, um certo nervosismo, algo assim. Eu gostava de Sebastian quase que como se ele fosse meu irmão, então era estranho beijá-lo.
Esse é o tipo de coisa que se faz por amor. Se essa é a única maneira de eu ver Blaine de novo, então que seja assim. O beijo não durou muito, fomos interrompidos por um estrondo na sala.
— Eu posso saber o que isso significa?
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