Notas iniciais
Depois de um certo tempo sem atualizar, cá estou eu e espero muito que gostem, porque estamos nos encaminhando para a reta final *-*

Saí da casa de Kurt com muito custo, porém com uma determinação sem igual. Eu precisava falar com Jason, o chefe de nós anjos. Eu precisava pedir uma segunda chance a ele, precisava que ele permitisse o meu retorno ao mundo humano. Eu não podia continuar longe de Kurt por nem mais um segundo.

Precisava abraçá-lo e sentir seu calor, sentir seu toque. Precisava sentir seu beijo, precisava sentir tudo que ele pudesse me proporcionar. Eu o amava, só isso importava.

— Jason. – Chamei, me aproximando lentamente dele. – Eu tenho um pedido a fazer.

— Eu sei. – Sorriu para mim. – A resposta é não.

— O que? Por que? – Eu já estava me sentindo derrotado.

— Blaine, meu querido, você sabe o que aconteceu da última vez. – Jason me olhou um pouco triste, mas logo voltou a sorrir. – Não quero que sofra.

Me senti inconformado. Eu já estava sofrendo e se fosse apenas para sentir o abraço de Kurt eu não me importaria de sofrer mais um pouco. É horrível amar alguém, ser amado de volta e não poder sentir a pessoa. É horrível, no maior nível possível.

— E se fosse só por uns dias? – Novamente tentei, mas tive meu pedido negado.

Eu só não esperava que ele dissesse o que me disse a seguir:

— Se for amor de verdade, você se libertará do mundo dos anjos em um piscar de olhos, ou um mísero toque. O destino trabalhará por conta própria. Eu não estou permitindo que você vire humano, mas não estou negando as chances de isso acontecer. Boa sorte, Blaine!

Eu sorri tristemente, me sentindo derrotado por não ter conseguido a simples aceitação de meu pedido. Eu só queria uma nova chance, mas nem isso não fui capaz de conseguir.

Saí dali e fui de encontro a Sebastian. Precisava do meu melhor amigo, agora mais do que nunca. Eu sentia que estava me despedaçando lentamente e não era nem um pouco boa a sensação. Cheguei em sua atual casa e comecei a desabafar.

Falei sobre meu medo de não ser verdadeiramente amado por Kurt, falei do meu medo de nunca poder ficar com ele, falei de meu medo de algo acontecer com ele. Eu basicamente falei que tinha medo e que tudo que eu sentia, fosse medo ou boas sensações, era relacionado diretamente à Kurt. E, novamente, não era bom.

— Você precisa se acalmar. – Sebastian disse quando eu finalmente fiquei em silêncio, depois de uns quarenta minutos falando sem parar. – Você quer dar um passo maior que a sua perna, Bee. Isso não é bom, nem saudável. Você não pode ficar desse jeito. Me escuta, eu sei que as coisas não são fáceis, nunca foram nem nunca vão ser, mas desistir nunca foi algo que você fizesse. Você lutou durante muitos anos por esse amor impossível para acabar com isso de repente. Você provou que nós anjos podíamos amar por escolha e provou que somos capazes de nos apaixonar, provou que isso não é um amor tão impossível quanto aparentava. Você mostrou a todos nós que nada, absolutamente nada, é impossível. Não vou permitir que desista agora.

E a seriedade com que ele disse aquelas palavras me convenceu de um jeito anormal. Eu sabia que ele estava certo e sabia que sempre poderia confiar em suas sábias palavras. Sebastian era mais velho e muito mais experiente que, além de muito mais sábio, esperto e inteligente. Ele sempre tinha os melhores conselhos e dificilmente errava suas projeções. Não é à toa que eu fiquei durante uns bons meses em dívida com ele por não ter acreditado que Kurt seria capaz de se apaixonar de novo por mim.

A questão, é que Sebastian sempre foi aquele com quem eu podia contar e sempre foi o que mais me ajudou, sem pedir absolutamente nada em troca. Isso é o que eu chamo de amizade verdadeira e duradoura, são mais de cem anos de amizade.

Suspirando de maneira frustrada e me sentindo derrotado mais uma vez, saí para andar pela rua, espairecer um pouco. Só voltei para algum lugar quando já era para lá de meia noite. Entrei no quarto de Kurt e sentei-me ao seu lado na cama, passando a acariciar o seu rosto de maneira tranquila e delicada.

— Blaine?! – Kurt murmurou abrindo seus olhos e os coçando, me encarando em seguida.

— Você parecia tão distante no mundo dos sonhos... – Estranhei, já que mal havia encostado nele. Kurt acabou se sentando e me encarando.

Foi então que eu pareci entender o que havia acontecido e, lentamente, aproximei minha mão de seu rosto, o acariciando amorosamente. Percebi que ele fechou seus olhos e, logo em seguida, colocou sua mão sobre a minha.

— Eu consigo te sentir. – Sussurrou ele, abrindo um lindo sorriso em seguida. – B, eu consigo te sentir.

— E-eu também consigo te sentir. – Eu mal conseguia acreditar e acabei também abrindo um largo sorriso. – Kurt, nós estamos nos sentindo... isso significa que o destino está nos dando uma nova chance. E-eu... eu sou humano de novo.

A alegria havia tomado conta de mim e eu o puxei para um abraço apertado. Lágrimas caíam pelos meus olhos sem parar e, assim como eu, Kurt também estava chorando. A emoção em mim apenas aumentava, eu estava feliz, eu queria manter aquele momento na eternidade de minhas lembranças, ainda que agora eu tivesse a plena certeza de que eu não seria mais eterno. Mas minha alma permaneceria intacta e essa sim seria eterna.

— Deita comigo? – Me perguntou o meu menino de olhos azuis, me fazendo assentir com um enorme sorriso brincando em meus lábios.

Ele novamente se deitou em sua cama e eu me deitei em seu lado. Permanecemos de lado na cama e de frente um para o outro, trocando carícias amorosas, como se estivéssemos conhecendo um ao outro no meio de toques. E era maravilhoso sentir a pele macia e delicada de Kurt sob meus dedos, era incrível sentir os arrepios que tocar nele me causavam.

Aproximei-me um pouco mais e, lentamente, o notei fechando seus olhos e também fechei os meus após colocar meus lábios sobre os seus para finalmente sentir seu beijo, depois de um século na procura por um toque tão incrível quanto o dele. Permaneci com minha mão em seu rosto, o acariciando enquanto o beijava e senti ele levar sua mão até meu pescoço, me puxando para mais perto e aprofundando o beijo, que permaneceu calmo, porém mais intenso.

— B... – Permanecemos de olhos fechados, mas Kurt iniciou sua fala. – Posso te pedir uma coisa? Quer dizer... duas coisas?

— Claro que pode. – Finalmente abri os olhos e o encarei, vendo ele sorrir para mim.

Se existia em algum outro lugar um amor tão puro quanto o meu e de Kurt, eu diria que são pessoas com sorte. Porque o amor que partilhamos é tão maravilhoso, que daria um belo livro de amor.

— A primeira é: você promete que não vai sair do meu lado até eu acordar novamente? – Me encarou profundamente e eu não tive como negar seu pedido.

— Eu prometo, Kurt. – Sorri. – Qual a segunda coisa?

— Me beija de novo? – Pediu, então eu me aproximei e selei nossos lábios mais uma vez.

— Tem algo que preciso te dizer. – Comuniquei.

— Então diga.

— Eu te amo, Kurt.

Ele sorriu para mim e me beijou mais uma vez, entrelaçando sua mão na minha e logo em seguida sorrindo largamente.

— Eu também te amo, B.

Notas finais
Awwwwn, que bonitinho *u* Eu só queria perguntar alguma coisa: ficaria muito sem sentido se eu botasse uma coisa meio fantasiosa por aqui? É que são anjos e, sei lá, a história tá meio parada... espero pela opinião de vocês ♥ Bjo ♥