Anônima

19 Posso Te Ajudar a Ser Melhor Que Isso


Notas iniciais
Boa Tarde garotas! Não demorei muito desa vez! Quero agradecer a todas que comentaram no capítulo anterior e por todo o carinho que dedicam a mim e a minha historia. Sem vocês, eu não conseguiria tanto incentivo e não conseguiria escrever, além disso tudo, é muito importante saber o quanto estão comigo e apesar das longas pausas que faço, continuam firmes e lendo Anônima. Fico quase sem folego quando leio os comentários de vocês. MUITO OBRIGADA, SUAS LINDAS! Hoje temos um mega capítulo, por isso a pequena demora, estava pensando no que podia colocar, se era uma boa escolha para cena e então, acabamos aqui! rs Desejo a vocês uma Boa Leitura e nos vemos nos comentários!

Anônima

by: Archangel

Chapter 19 : Posso Te Ajudar a Ser Melhor Que Isso

Os ecos das vozes já estavam incômodos àquela hora da manhã. Era um péssimo dia, começou com uma tempestade que quase a impediu de sair de casa e encharcou seu cabelo. Seu humor também não estava lá essas coisas, ignorou as pessoas com a desculpa dos fones de ouvido e passou pelo corredor como se não existisse. Parecia que tudo voltava como era antes, ela estava invisível de novo, usando as mesmas porcarias de sempre e ouvindo a batida suave de una melodia de Blues.

Estava guardando o livro de Álgebra III no armário, repassando a aulas do dia e procurando seus horários entre os livros que nem reparou uma aproximação sútil, até que um par de mãos delicadas se abaixou para pegar um pequeno post-it vermelho e lhe oferecer. Sakura levou um susto e arrancou os fones de ouvido encarando uma Hinata olhando-a com expectativa. As sobrancelhas rosadas franziram-se e os olhos verdes tornaram-se desconfiados. Aceitou o papel adesivo agradecendo com um leve aceno de cabeça e guardando entre os objetos.

Imaginou que a interação com aquela semidesconhecida -ou sabe se lá em que categoria podia encaixar Hinata Hyuuga — tinha chegado ao fim. Ela era estranha, chegava silenciosamente como animal caçando sua presa, os olhos de uma tonalidade perolada banhada em desprezo e de vez em quando, raiva. Hinata era perigosa, isso ela sabia desde sempre. No entanto, Sakura gostava de entender as pessoas e mesmo antes, quando a morena a usou para uma vingança idiota, por um momento quando estavam sentadas na biblioteca estudando juntas, ela percebeu pouco de dor e solidão. E isso, Sakura entendia muito bem.

Mas hoje, parada a sua frente estava a garota indiferente de sempre. Como diriam seus colegas "Hinata age como a princesa que é. A princesa de gelo em sua total soberania". A Haruno achou que seu breve contato com ela terminaria no momento que ela lhe devolveu seus horários, enganou-se ao contastar ao perceber que ela ainda mantinha o olhar de expectativa.

Um alerta silencioso piscou de repente. Voltou a encarar a Hyuuga com total desconfiança, seus olhos buscavam qualquer indício ou algo que tivesse que Hinata poderia querer tanto com ela para esperar pacientemente até que ela organizasse seus matérias e tivesse sua total atenção. A morena ao notar o olhar felino e até mesmo frio, sorriu em escanio e espremeu os lábios em seguida em uma careta.

— Bom dia. — Ela respondeu. A voz doce elevando-se aos ouvidos atentos de Sakura.

— O que você quer? — Os olhos perolados arregalaram-se com a aspereza e a raiva contida.

— Conversar?

Sakura fechou o armário com solavanco alto, chamando a atenção dos outros alunos.- Não temos nada para conversar.

— Temos sim. — Um suspiro inaudível escapou pelos lábios finos da morena e bagunçou alguns fios da sua franja. — Eu tenho que te pedir desculpas por..

— Por fingir ser minha amiga e depois me levar para tomar uma surra? — A Haruno direcionou um olhar inquisitivo e cheio de mágoa. Antes de virar-se de costas e começar a ir para sala. — Não posso te desculpar, Hinata.

— Espere!

Sakura parou de andar e Hinata correu para alcança-la. Os alunos olhavam aquela cena interessados na conversa das duas pessoas que jamais imaginaram se esbarrar algum dia. Alguns até olhavam incrédulos algo como assim pudesse acontecer.

Por outro lado, o mau humor de Sakura transformava-se em irritação. Estava cansada, cheia de problemas familiares e com a cabeça dolorida por ouvir os gritos da mãe no dia anterior quando chegará em casa após a visita a casa dos avós. Era uma sorte que a raiva dela estava voltada apenas eles.

Agora tinha aturar aquela garota egoísta e mimada pela manhã e a falta de seu café que já estava quase impossível. Resolveu terminar logo aquela conversa e ir logo para sua primeira aula.

— Olha garota, eu não estou a fim de participar de mais um dos seus joguinhos. Eu tenh-

— Eu sei o que fizeram com Kiba. — Sakura olhou para ela com as sobrancelhas franzidas e a boca apertada em linha reta.

— Não sei do que está falando.

— Não se faça de sonsa! — Ela gritou. E seu dedo apontou para a cara de Sakura. — Eu vi você andando com o Sasuke e o Naruto. E não sou idiota! Achou que eu não ficaria sabendo que quem livrou a pele do Uchiha foi você? E conhecendo bem o Sasuke, já da para imaginar que ele não deixaria quieto e ia tramar algo contra ele. E veja só! Meus parabéns! Vocês conseguiram!

— O que. Você. Quer? — Sakura praticamente rosnou olhando tão fundo nos olhos perolados que suas faces se aproximaram.

Hinata se intimidou pelo olhar feroz da outra. Mas como estava acostumada, escondeu brilhantemente suas emoções. Sorriu sadicamente e acariciou uma mecha dos cabelos rosados, enrolando no dedo indicador.

— Eu quero ajudar.

Sakura afastou a mão dela de seu cabelo e negou com a cabeça. Hinata a fuzilou com os olhos e rangeu os dentes em frustração. Uma tensão de repente rodeava ás duas e um silêncio sufocante quase as engolia em plena agonia. Os olhos de Hinata de repente se se encheram de lágrimas.

— Por que não? — Ela perguntou com a voz embargada e quase sofrida. Sakura percebeu que ela estava sofrendo e via a punição de Kiba como forma de alívio. E se indagou se não era aquilo que Sasuke e outras pessoas como eles não queriam esse tipo de coisa só para se sentirem melhor e dar um fim as próprias frustrações.

Era exatamente isso que estava acontecendo. E a constatação do que vinha fazendo ultimamente foi como um escorregão na calçada fria em dias de neve. Ela negou a si mesmo o quanto pode e escondeu por baixo da casca de indiferença que aprendeu a usar com o tempo. As aparências enganam e todos tinham suas dores. Ela, Hinata, Sasuke ou Naruto não tinham o direito de julgar ninguém, cada um deve pagar pelos seus pecados.

E de repente, sentiu nojo de si mesma. De quem estava se tornando e quem seria futuramente se não parasse o que estava fazendo. Um passo para ser igual ao que sempre odiou e quis sempre se manter, longe. Não podia ser como os avós e sua mãe.

Ela se afastou de Hinata. Um passo de distância. Notou a face pálida e a magreza quase anormal e as olheiras negras abaixo dos olhos. Quando você só se importa com o que vê, deixa de enxergar o que tem a sua volta. Sakura enxergou um pedido de socorro silencioso e um aperto no peito encheu seus olhos de lágrimas — Por quê não, Sakura?! — Ela perguntou novamente e Sakura negou outra vez. — Por quê não, sua vadia imunda! — Hinata andou um passo a frente e segurou ombros de Sakura com força, enquanto berrava e as lágrimas derramavam em seu rosto. — Diga cadela nojenta! Por que não quer me ajuda acabar com ele?! Diga!

As próprias lágrimas de Sakura agora manchavam suas roupas. De repente uma pressão muito forte em seu peito espremeu-se como larva de um vulcão, a garganta se fechou e quando percebeu as marcas de seus dedos encontravam-se no rosto pálido e em choque de Hinata. Ela própria respirava ofegante e sua têmpora encharcava-se de suor.

Esperou os batimentos cardíacos normalizarem e tirou as mãos frias de seus ombros. Fechou os olhos por uns instantes e se afastou novamente da Hyuuga.

— Não posso deixar que faça isso consigo mesma, Hinata. Olhe para você! Esta se matando! Desiquilibrada! — Ela ofegou novamente e tentava a todo custo não berrar e esbravejar a raiva que sentia. — Você precisa de ajuda. Procure alguém! Eu posso te levar se quiser.

— O que é agora, vai me oferecer ajuda? Não se esqueça de que nem meu pedido de desculpas você aceitou pelo que fiz com você! Então me poupe de sua falsa empatia!

— Eu não a desculpei, por que você não foi sincera. Você queria que eu a desculpasse para você me ajudar a fazer algo que só agora percebi o quanto é errado. O que estamos fazendo só vai nos destruir cada vez mais, nos tornar pessoas cruéis e doentes por vingança. Depois do Kiba, será quem?

Hinata suspirou e baixou os olhos. As lágrimas vieram com mais força e algo dentro de si se quebrou. Os ombros pequenos tremiam e agora ela se encontrava com os braços em volta de si mesmos em um ato protetor.

— Ele me usou, me machucou e depois jogou fora.

— Eu sei. E se vingar vai mudar o que está sentindo? — Sakura aproximou- se de Hinata e colocou a mão em seu ombro esquerdo. — A resposta é não, não é?

Hinata apenas manteve-se em silêncio. Os pensamentos confusos e agora mais calmos. Ela, pela primeira vez, viu o que estava fazendo consigo mesma. Sentiu vergonha e medo, o que a impediram de mexer seu corpo.

Sakura sorriu de leve e colocou a mochila nas costas. Lambeu os lábios incertos do que iria fazer e preferiu seguir seus instintos. Abraçou Hinata forte e com carinho.

— Eu a desculpo, Hinata. — Afastou-se arrumando o cabelo e esticando a barra da camiseta. — Desculpe pela tapa. Me procure na biblioteca. Vou te ajudar a se tornar uma pessoa melhor.

Haruno deu meia volta quando sinal anunciou o início das aulas e correu no meio dos alunos ainda parados e surpresos pelo que tinha acabado de acontecer. Hinata por outro lado estava em choque, ainda abraçada a si mesmo. Um mínimo sorriso esticou-se em seus lábios secos e limpou as lágrimas, seguindo pelo corredor.

~~//~~

O cheiro do almoço impregnava o refeitório. Vários alunos se acomodavam nas mesas e riam em voz alta. Sasuke já estava emburrado, os gritos e a bagunça das mesas pioravam seu péssimo humor. Parece que era um dia para tudo dar errado seu pai encheu o saco até tarde da noite e Sakura não atendia sua ligações nem respondia suas mensagens. Esperava paciente no refeitório para que pudessem entender o motivo de ela estar tão distante.

Avistou-a na filha para comprar o almoço. Hoje ela não estava vestida como as putas lideres de torcidas, usava uma camiseta azul clara com um cardigã e calças negras com botas de chuva. O cabelo estava preso em um rabo de cavalo baixo e ela segurava um livro em um abraço apertado. Muitas das vezes se perguntou se ela estava insegura quanto a ficar no meio de muitas pessoas, ele já tinha notado que ela não era como as garotas que estava acostumado e nem de ser o centro das atenções – como a vaca Ino Yamanaka – era um menina mais voltada para os livros e curtia boas músicas e bons filmes.

Era uma boa garota. O tipo que ele estava disposto a conhecer profundamente quando toda essa confusão passar e Kiba e os amiguinhos dele pagarem pelo que fizeram com ele e Naruto. Principalmente com Naruto, que até hoje não se lembra do que aconteceu consigo mesmo e a sua mãe tinha pavor de deixar o filho sair para as festas que os alunos organizavam. Claro que Naruto sendo do jeito que é não obedecia à dona Kushina e acaba pulando a janela e indo se divertir. O lado bom disso é que um encobria o outro já que sua mãe começou a ouvir os alertas sobre essas festas que a Uzumaki fez questão de expressar nos almoços de domingo.

Falando em Naruto, ele chegou sentou-se à mesa quieto e começou a comer seu almoço. Ele assistiu incrédulo Sakura comprar natural um sanduiche acompanhado de um suco de uva e saiu do refeitório sem ao menos olhar para a mesa deles.

— Sabe o que aconteceu com ela? – Perguntou a Naruto.

— Ela quem? – Naruto largou seu lanche e seguiu o olhar do amigo. – Sakura? Ah! Ela tá fora.

— Como assim “ Ela tá fora”, dobe?

— Simples, oé. Ela não quer mais se envolver nos planos. – Sasuke lançou um olhar raivoso e contraiu o maxilar. Naruto conhecia aquela expressão que dizia “ Desembucha ou morre” . Engoliu em seco e tratou de explicar. – Ela acha isso tudo uma bobagem e não vai levar a gente a lugar nenhum. Ela estava me contando na aula de história, como aquela garota Hyuuga estranha estava hoje mal hoje de manhã e como isso a fez perceber como era errado.

— Quer dizer que ela vai largar a gente por causa da Hyuuga? Que por sinal é mais uma que merecia uma lição depois de ter ajudado o namoradinho dela.

— Eu sei, Teme. Mas eu também comecei a notar que isso não esta fazendo bem para gente. Olha só onde estamos agora? Ficamos sentados sozinhos nessa mesa todo santo dia decidindo como vamos fazer para terminar de ferrar a vida do cara quando a gente devia tá se divertindo, falando sobre garotas apaixonadas e jogos de basquete. Percebe o quanto estamos deprimentes?

Apesar de estar irritado, Sasuke não podia discordar do Uzumaki. Ele estava certo. Cada dia naquela escola se tornou um inferno pessoal e, mesmo sendo ele, não deixava de sentir falta das risadas com os amigos e apostas com o placar dos últimos jogos da NBA. Sua vida estava se tornando um inferno total e o pior de tudo é que a única pessoa que podia culpar era a si mesmo.

— Mas isso não muda como as pessoas nos olham, Naruto. As garotas ainda me olham como se eu fosse jogá-las nos armários e estupra-las ali mesmo no corredor. E ainda acham que você é viciado, mano. Isso não podia ficar barato!

— Eu concordo. Apesar de que depois que comecei a conhecer a Sakura, parei de me importar com os outros pesavam sobre mim. Olhe pra ela, linda e legal e ninguém falava com ela até que ela se enfiou em uma saia de prostituta e empinou os peitos. – O loiro suspirou e passou a mão nos cabelos rebeldes. – Eu sinto falta dos caras, Sasuke. Nem todos tiveram culpa e também não precisamos dos interesseiros com a gente, já basta o pessoal que frequenta a nossa casa por causa do dinheiro. Sei lá... Eu só acho que devíamos tentar esquecer tudo isso e deixar que ele aguente as merdas dele sozinho.

— Eu entendo. – Suspirou também e percebeu o quanto estava cansado de tentar ser o que os outros queriam. Assim como Naruto, ele só queria curtir e sair com os caras. Ele se lembrou da sensação de quando todos descobriram o segredo de Kiba. Por um lado ficou satisfeito com a vingança, no entanto outra parte de si mesmo não deixou que sentisse a alivio que achou que teria.

— Não sei. Tenho que pensar um pouco. E por que a Sakuara se afastou? – Ele também sentia falta da garota e já tinha se acostumado com ela. Chegou a perceber que não era mesma coisa quando estava só ele e Naruto.

Naruto deu de ombros e respondeu com um leve pesar. – Talvez ela ache que nós só fomos amigos dela por causa do plano.

— O que não deixa de ser verdade.

Quando o sinal tocou, Sasuke e Naruto levantaram da e saíram mesa e voltaram para suas salas. Os dois com pensamentos voltados para Sakura e sua súbita vontade de se afastar deles e ainda a dúvida que permanecia se deviam continuar ou não com o plano de vingança deles. No caminho, viram quando o pessoal da galera popular ria enquanto Kiba atravessava os corredores e gritavam “bichinha” e outros comentários preconceituosos, Sasuke encontrou o olhar de Sakura naquele corredor e viu o olhar de desgosto e culpa. Naruto estava cabisbaixo e sem uma palavra entrou na sua sala. Sem saber como reagir ao olhar de Sakura, Sasuke segurou com força a alça da mochila e seguiu o loiro.

Notas finais
Obrigada por ler! Até a próxima! Archangel ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.