Anônima

3 Capítulo 3 - Hole In My Soul


Notas iniciais
Boa noite minhas lindas!Trazendo mais um capítulo de Anônima para vocês. Espero que gostem! Queria muito agradecer a vocês leitoras, que me incentivaram a continuar a fic, que fizeram lindos comentários e me fizeram muito feliz.Muito Obrigada!Boa leitura ^^

Anônima

by: Coffee Mint

Capítulo 3 — Hole In My Soul

Às vezes nos perguntamos se somos o bastante; se somos capazes de conseguir fazer algo e se somos capazes de construir uma vida sozinho. Muitas vezes, uma dessas perguntas é respondida de uma maneira suave, como se fosse algum tipo de eufemismo para tampar o horror que vem depois, brutal, animal e devastador. Com essas formas de respostas, denominamos coisas da vida e, sendo coisas da vida, nós humanos, temos que aprender a superá-las e seguir em frente.

I'm down a one-way street

With a one-night stand, With a one track mind

Out in no-man's land

(The punishment sometimes don't seem to fit the crime)

Estou seguindo uma rua de mão única

Com um caso passageiro, e uma ideia fixa na cabeça

Andando em uma terra sem dono

(O castigo às vezes não parece ser justo ao crime)

Para a nossa garota, essa sensação não era nova. Desde que aprendeu a se levantar de um fracasso, ela — a sensação — sempre esteve presente. Na verdade, ela chegava até a ser bem-vinda. Acostumada a sempre ser humilhada e sempre perder algo, nada do que pudesse acontecer era novo. Podia ser algo diferente, que pudesse machucar muito ou somente marcar uma parte de si, mas aprendendo a ter uma vida como a sua e aceitando-a, ela sempre esteve preparada para esse tipo de sentimento.

Então, sentada em meio a milhares de fotografias — imagens que faziam todo o sentindo para ela e que para uma pessoa comum, não tinha sentido algum -, as unhas grandes e sem pintar, traçavam entre cada uma delas, cada rosto, cada sorriso... Cada movimento.

Yeah there's a hole in my soul

But one thing I've learned

For every love letter written

There's another one burned

(So you tell me how it's gonna be this time)

Is it over, Is it over

'Cause I'm blowin' out the flame

Take a walk outside your mind

Tell me how it feels to be

The one who turns the knife inside of me

Take a look and you will find there's nothing there girl

Yeah I swear, I'm telling you girl yeah 'cause

There's a hole in my soul that's been killing me forever

It's a place where a garden never grows

There's a hole in my soul, yeah I should have known better

'Cause your love's like a thorn without a rose

É, tem um buraco em minha alma

Mas uma coisa aprendi

Para cada carta de amor escrita

Existe outra queimada

(Então você me diz como será desta vez)

Acabou, acabou

Pois estou apagando a chama

Dê uma volta fora da sua cabeça

Me diga como se sente sendo

Aquela que gira a faca dentro de mim

Dê uma olhada e vai descobrir que não há nada lá, garota

Sim, eu juro, estou dizendo, garota, é, pois

Tem um buraco na minha alma que está me matando há tempos

É um lugar onde um jardim nunca cresce

Tem um buraco na minha alma, sim, eu deveria ter imaginado

Pois o seu amor é como um espinho sem uma rosa

O rádio estava ligado, como sempre. Uma caixa negra e com grande comprimento, estava ao seu lado direito, a maioria de sua fotos estavam lá dentro. Todas organizadas, separadas por envelopes coloridos, cada cor uma característica, cada cor um sonho, cada cor uma parte dela.

Algumas lágrimas escapavam de vez em quando, os envelopes ficavam com uma pequena mancha de tinta preta borrada, as palavras "Felicidade e Virtude", foram as mais afetadas. Quando já estava todos os envelopes coloridos dentro da caixa, os dedos finos e delicados levantaram a tampa e com uma hesitação repentina, por alguns segundos, um pequeno sorriso triste surgiu em seus lábios e ela fechou a tampa.

Ela poderia continuar tentando, como das outras vezes. Quando um pouco dela era arrancado, ela procurava se curar com seus hobbies e sua músicas. O problema, é que não foi só uma parte dela que foi arrancada, foi a parte de um todo. O que a levava a seguir em frente, sua motivação, seu auxílio e seu suporte.

Então, ela desistiu. Não por falta de opção, mas por medo, medo de conseguirem acabar com o resto que ainda sobrara de seu ser, e enfim, a barreira que julgava ser forte o suficiente para aguentar, desmoronar e a frágil Sakura retornar dos mortos.

I'm as dry as a seven-year drought

I got dust for tears

And I'm all tapped out

(Sometimes I feel broken and can't get fixed)

Estou seco como uma estiagem de sete anos

Minhas lágrimas viraram poeira

E estou totalmente vazio

(Às vezes me sinto quebrado e não posso ser consertado)

Guardou a caixa negra na parte superior de sua prateleira. Retirou os All Star com cuidado e os encostou perto da porta. Seu quarto estava parcialmente desorganizado, precisava urgente de uma faxina.

Parou em frente ao espelho, retirou os óculos, soltou os cabelos e se desfez das blusas e das calças. A moça se enrolou na toalha aos poucos e seguiu ao banheiro. Não aguentava se olhar no espelho, sabia que o que veria agradaria seu olhos, mas não o seu coração. Imaginava que se saísse mostrando o que a imagem refletida no espelho mostrou, as pessoas se importariam com a sua aparência e com seu nome, não com seu interior e nem com seus gostos.

Lavava os cabelos calmamente, quando ouviu o barulho da porta do quarto sendo aberta. Desligou o chuveiro, enrolou-se na toalha e abriu uma fresta da porta.

Era Yumi, ela estava procurando algo, mas pelo que Sakura percebeu, ela não estava encontrando. Desenrolou-se da tolha e cobriu-se com o roupão em cima do box. Fechou a porta do banheiro, recuperou os óculos na cômoda e a olhou. Por um momento, mostrou-se surpresa, em seguida relaxou e avaliou o quarto novamente.

– O seu quarto é tão organizado...- Pela primeira vez, Sakura escutou sua irmã ser sincera, não usar gírias em suas palavras e nem as cortantes que a feriam e abaixava sua auto-estima. Ela estava sendo verdadeira e não a pessoa hipócrita que costumava ser.

– Yumi, desculpe, mas... O que quer aqui?- Relutante e tentando se esconder sob o roupão, Sakura fez a pergunta que despertou Yumi de sua avaliação.

– Nada de mais. Só vim avisar que a festa da Asami foi cancelada. Como os pais dela voltaram de viagem, ela cancelou antes mesmo que ela comprasse as bebidas. Então, como uma boa amiga que sou, decidi que eu e ela juntas, daremos uma festa aqui, nesse final de semana. Papai e mamãe já foram avisados...

– Não estou entendendo...

– Eu vim pedir que sábado, por mais que se sinta incomodada — ou sei lá que coisa vai "tar" fazendo aqui -, peço que não saia do quarto!

Como se fosse algum tipo de ordem, Sakura aceitou com um aceno de cabeça. Yumi saiu do quarto como entrou, rápida e silenciosa. Desamarrando o roupão, Sakura escolheu seus moletons e vestiu. Ficaria embaixo dos lençóis o dia todo, mas antes organizaria seu quarto. Se perguntou aonde Yumi achou que seu quarto estava organizado; livros estavam fora de ordem em cima da cômoda, todos os tipos de papel em cima do criado-mudo — resultado do trabalho de artes — e sapatos juntos encostados na porta.

Chamou Aishika, a empregada gentil, que a ajudava a organizar o seu quarto. Ela a cumprimentou com um sorriso no rosto e um "Oi" bem caloroso. Riam, com as histórias da família de Aishika e com algumas piadas que ela contava enquanto limpava o chão e Sakura organizava seus livros e cadernos.

Às sete horas da noite, o quarto já estava limpo e com lençóis e edredons trocados, hoje eram vermelhos, como pedira. O abajur estava ligado e o quarto estava escuro. Embaixo das cobertas, Sakura derramava as últimas lágrimas que se permitia derramar. Chorava pelos pais; por não ser a filha que a mãe sempre quis e por desistir de seu sonho. Aos poucos, seus olhos foram se fechando e ela caiu em sono profundo.

I know there's been all kinds of shoes underneath your bed

Now I sleep with my boots on but you're still in my head

(And something tells me this time I'm down to my last licks)

Sei que já teve todos os tipos de sapatos debaixo da sua cama

Agora durmo de botas mas você ainda está na minha cabeça

(E algo me diz que desta vez estou nas últimas)

Quando acordou já era outro dia, o relógio marcava cinco e meia da manhã; estava adiantada, mas pelo menos daria tempo de se arrumar sem pressa e colocar seus deveres em ordem. Iniciou sua rotina matinal, pegando as largas calças negras e colocando-as em cima da cama, a camiseta verde dois números maiores que o seu, juntando com as calças, e aos pés da cama, colocou seus All Star azul marinho e de cano longo.

Demorou alguns minutos a mais no banho, utilizou alguns óleos de erva doce em sua pele, coisas que sua mãe não sabia que usava e saiu enrolada na toalha e os cabelos em outra. Vestiu-se o mais lentamente possível e penteou os cabelos, vestindo um moletom longo e cinza por cima da camiseta.

Quando a bolsa estava pronta, desceu as escadas e dirigiu-se a cozinha, a essa altura os cabelos estavam secos e presos em um coque frouxo. Comeu seu café da manhã na cozinha e meia hora depois, estava saindo de casa. Andava pelas ruas com fone de ouvido em volume baixo, mãos no bolso e a bolsa de ombro próxima as sua coxas. Se sentia meio preguiçosa e indisposta, devia ser por ter dormido com os cabelos molhados.

Precisava retomar suas corridas matinais, praticava antes de dedicar seu tempo aos estudos, ultimamente, desde que começou o último ano do colegial, deveres e atividades consumiam quase todo o seu tempo; havia também suas fotografias, que mesmo não tendo nenhum minuto de sobra, sempre conseguia algum tempo para se dedicar. Mas agora, nenhum minuto será utilizado.

'Cause if it's over, Then it's over

And it's driving me insane

Take a walk outside your mind

Tell me how it feels to be

The one who turns the knife inside of me

Take a look and you will find there's nothing there girl

Yeah I swear, I'm telling you girl yeah 'cause

There's a hole in my soul that's been killing me forever

It's a place where a garden never grows

There's a hole in my soul, Yeah, I should have known better

'Cause your love's like a thorn without a rose

Pois se acabou, então acabou

E isso está me deixando louco

Dê uma volta fora da sua cabeça

Me diga como se sente sendo

Aquela que gira a faca dentro de mim

Dê uma olhada e vai descobrir que não há nada lá, garota

Sim, eu juro, estou dizendo, garota, é, pois

É um lugar onde um jardim nunca cresce

Tem um buraco na minha alma, sim, eu deveria ter imaginado

Pois o seu amor é como um espinho sem uma rosa

Chegou na escola e foi para sala. O material sobre a mesa e os olhos fixos na janela. Hoje estava mais frio; as folhas das árvores levantavam com o vento e dançavam no ar. Ela desejou ser as folhas, aonde a brisa levava em uma viagem fenomenal e junto, conseguiria levar os medos e inseguranças.

De repente, um som na porta lhe chamou atenção. Uma garota de longos cabelos escuros e uma saia de pregas, estava com as mãos na parede e os olhos manchados por lágrimas. Sakura a reconheceu, era Hyuuga Hinata. Mas, por quê uma garota tão bonita, meiga e popular, estava chorando daquele jeito? Sakura não teve tempo para pensar em uma possível resposta, pois Hinata fechou a porta com extrema força, fazendo com que ela se assustasse e derrubasse um caderno, chamando a atenção da garota.

– Desculpe, e-e-eu não queria te assustar. — Desculpou-se, com a voz chorosa e indo de encontro a rosada. — Está tudo bem?

– Sem problemas. Acho que você precisava disso. — Não sabia aonde conseguiu coragem para falar com ela, simplesmente as palavras saíram de sua boca por conta própria. — Estou bem, Hinata. Você não deveria falar comigo.

– Nem vou perguntar como sabe o meu nome. E isso não tem mais importância, eu não pertenço mais aos populares. Eu posso falar com você sim, ahn... Qual o seu nome?

Sakura estava nervosa. Hyuuga Hinata estava falando com ela! Mesmo tendo conseguido falar algumas palavras com ela, não sabia como Hinata ia reagir quando soubesse seu nome. Os professores, por pedido seu, não diziam seu nome, mas com Hinata, era uma situação bem diferente.

– Desculpe, m-mas eu não me sinto segura em falar meu nome. — Meio gaga, respondeu e abaixou os olhos.

– Ei, não se preocupe. Agora eu sou igual a você, invisível. Eu sempre quis saber o seu nome, mas não podia nem me aproximar por causa daquele grupo idiota. Mas agora... Não há nada que me impede, quer dizer, a não ser você.- Enxugou as lagrimas e sorriu. — Então... Você é?

– Haruno Sakura. — Respondeu, baixo e em um sussurro.

– Perdão. Como? — Insistiu Hinata.

Sakura suspirou, levantou a cabeça e respondeu:

– Sou Haruno. Haruno Sakura.

If it's over, It is over

'Cause I'm blowin' out the flame

Se acabou, acabou

Pois estou apagando a chama

Surpresa, Hinata levou as mãos a boca. Olhou-a por um tempo e muitas vezes tentava formular uma frase, mas não saía nada de sua boca. Sakura, ainda envergonhada, abaixou o rosto e subiu os óculos. De repente, Hinata cortou o silêncio, despertando Sakura.

– Nossa, confesso que estou surpresa. Não imaginava que uma Haruno estudasse aqui. Isso não interessa mais. Agora, será que você pode me fazer um favor? — Olhando meia desconcertada, Sakura concordou com a cabeça. — Poderia se sentar comigo no intervalo?

– M-Mas, e os seu amigos...?- Interrompeu Hinata, com os olhos cheios de lágrimas novamente.

– Não se preocupe. A partir de hoje, eles não são mais meu amigos. Na verdade, jamais foram. Então, aceita?

– S-Sim. — Abaixando a cabeça novamente, Sakura escondeu o rosto rubro e não viu o lindo sorriso que Hinata abriu e nem percebeu quando ela levantou da cadeira, rodeando seu pálidos e delicados braços em torno de si.

– Obrigada, Sakura.

Quando se deu conta do que estava acontecendo, Hinata já tinha ido para sua sala e os alunos da sua estavam entrando. Ela pegou o caderno no chão e começou a copiar a matéria na lousa.

Ao sinal do intervalo, o nervosismo veio à tona. No corredor, Hinata estava radiante, segurando seu caderno roxo nas mãos e acenando com a cabeça para irem ao refeitório. Seguindo cautelosamente, Sakura mexeu nos bolsos e pegou seu I Phone 5, mexendo em algumas funções só para disfarçar.

O refeitório estava cheio, só uma única mesa estava vazia. Hinata apontou para ela e as duas seguiram em sua direção. Colocaram os materiais na mesa, todas as atenções estavam voltadas para as duas, Sakura se sentiu exposta e pelo que percebeu, Hinata também, já que suas bochechas estavam vermelhas como pimentas.

– O que vamos comer? — Perguntou Hinata, envergonhada e mexendo na bolsa.

– Desculpe, não estou com fome. — Respondeu em um sussurro, Sakura.

– Olha que coincidência, eu também não estou com fome. O que acha de conversarmos? — Perguntou, largando a bolsa e a olhando nos olhos.

– Pode ser. O que quer saber?

– Bem, eu não quero — pelo menos não agora — que você me diga algo sobre você. Posso te fazer uma pergunta?

– P-Pode.- Respondeu a rosada, meio assustada.

– Eu posso confiar em você, Sakura? Você pode ser minha amiga?

A Haruno, estava estática. Era isso mesmo o que ouviu? Hyuuga Hinata, querendo ser sua amiga? Só podia ser fantasia de sua cabeça. Mas quando a olhou, viu expectativa em seus olhos perolados e uma leve hesitação em seu rosto. Sakura estava ansiosa e por mais que tentasse, ela não conseguia esconder. Mais uma vez, respirou fundo, acalmou os nervos e respondeu:

– Sim, Hinata. Você pode confiar em mim e podemos ser amigas.

Take a walk outside your mind

Tell me how it feels to be

The one who turns the knife inside of me

Take a look and you will find

There's nothing there girl yeah I swear

I'm telling you girl, yeah 'cause

There's a hole in my soul that's been killing me forever

It's a place where a garden never grows

There's a hole in my soul, Yeah, I should have known better

'Cause your love's like a thorn without a rose

Dê uma volta fora da sua cabeça

Me diga como se sente sendo

Aquela que gira a faca dentro de mim

Dê uma olhada e vai descobrir

Que não há nada lá, garota, sim, eu juro

Estou dizendo, garota, é, pois

Tem um buraco na minha alma que esta me matando há tempos

É um lugar onde um jardim nunca cresce

Tem um buraco na minha alma, sim, eu deveria ter imaginado

Pois o seu amor é como um espinho sem uma rosa

Hole In My Soul — Aerosmith

Notas finais
Estou aguardando suas opiniões. Kiss, TanksC.M;