Anônima

17 Capítulo 17 - Culpa


Notas iniciais
Boa Noite! Anônima atualizada! Desculpem a demora, mas a vida não esta facil! Agradeço aos comentários e pretendo respondê-los em breve! Boa Leitura!

Anônima

By Archangel

Capítulo 17 : Culpa

O sinal tocava indicando o fim das aulas naquele dia. Ele respirou fundo e esfregou as mãos suadas em um ato nervoso. Estava se sentindo ansioso e tinha medo do que podia lhe ocorrer fora daquela sala. Olhou para janela esperando que as folhas das árvores no pátio a fora , onde as filhas desgrudavam dos galhos indicassem o que deveria fazer.

Nenhuma resposta. Ninguém poderia ajuda-lo e ele tinha plena consciência que ninguém o faria. Ele estava sozinho mais uma vez. E a única pessoa responsável por isso, era ele mesmo. Não existia um Naruto e nem mesmo um Sasuke para culpar.

Sai o largou assim que viu seu nome no site da escola. Não podia nem mesmo ficar furioso com ele. Sai tinha namorada, dinheiro e um futuro que só seria garantido se continuasse a manter as aparências. Ele era só mais um pobre coitado, classe média, que buscava um pouco de atenção dos demais. Inventou uma historia que prejudicou duas pessoas, conseguiu um lugar no time que tanto almejava e agora tudo estava indo para o ralo.

Sua mãe sempre dizia que tudo aquilo que você planta um dia você colhe. Talvez se ele tivesse prestado mais atenção no que ela dizia e não ficado tão furioso quando ela o largou com o pai, não estaria nessa situação. Não queria admitir que sentiu falta da mãe. Todos esses anos vivendo com um Pai ausente, bêbado e que só aparecia em casa para berrar o que ele tinha que fazer e depois sumir.

Já podia imaginar a surra que ia levar quando chegasse em casa. O Pai, com aquele tom ameaçador diria “Isso é para o seu bem. Você vai virar homem nem que eu tenha que mata-lo” para depois bater até cansar. Quando tudo acabasse, só restaria a dor e a raiva, raiva essa que descontaria na escola onde só havia pessoas aleias aos seus problemas e os consideram culpados. Culpados por ter uma vida perfeita, com família e uma boa quantia de dinheiro para gastar.

Levantou-se rapidamente e jogou sua mochila nas costas. Ao longe, avistou os alunos da sua turma rirem mais abertamente, apontavam e faziam comentários sobre a novidade da escola. Sai estava com a namorada, Ino, conversando animadamente com o circulo de amigos e nem sequer notou a sua existência. Isso o deixou mais furioso.

Viu Hinata andar calmamente ao bebedouro. De repente a ideia do culpado de toda aquela história finalmente começou a fazer sentindo desde aquela noticia no jornal. Hinata era sua ex namorada, linda, inteligente e absurdamente rica. No começo a achava sonsa demais. Uma garota frigida e que daria tudo para ser aceita na sociedade elite da sua família, o motivo de orgulho do Pai.

Se aproveitou da timidez e da boa índole que o fez quase desistir do plano que bolou quando se aproximou dela. Ela era boa demais. Só que isso não foi o bastante para nada. Ele continuou se aproximando, indo as festas que as lideres de torcidas organizavam, até que isso o levou a pedi-la em namoro. Uma semana depois, ele já conhecia os Hyuuga e saia com os caras ricos do time de futebol.

As coisas iam tão bem que ele a levou para cama com um mês de namoro e no outro, já estava sendo um dos garotos mais populares da escola. O plano estava quase concreto. Só precisava da cartada final. Que Hinata gentilmente fez o favor de ajudar.

Foi com satisfação que ouviu quando ela apareceu no outro dia da festa dos Harunos lhe informando que a festa do Uchiha tinha sido cancelada. A garota sem ter ideia do que tinha feito, sorriu quando o namorado a arrastou para dentro do quarto e rasgou suas roupas.

Pela manhã seguinte, ele acordou antes dela. Sorriu com sarcasmo ao perceber que em tão pouco tempo conseguiu tudo que queria. Agora ele amenizaria um pouco do inferno que é a sua vida. E de repente, o sentimento de culpa o consumiu quando olhou para o rosto dela. Imaginou o que tinha feito para chegar até ali, quantas pessoas teve que passar por cima só para ter o que queria sem se importar com as consequências de seus atos. E por um minuto, ele foi só o garotinho separado da mãe, escondido no armário antes de levar mais uma surra do Pai frustrado por deixar a vida que tinha com a mulher parar no fundo do poço quando deixou que ela saísse pela porta.

Ela se remexeu na cama e sorriu quando o olhou. Ela estava feliz, ele notou e fingiu indiferença da pontada que a culpa trouxe ao seu peito. O que estava fazendo? Hinata era uma garota boa, se importava com as pessoas, além é claro de diferente das demais meninas de sua classe, preferir parar em museus e butiques de arte em vez de gastar seu tempo torrando dinheiro em compras no shopping. Era uma menina sensível, de personalidade frágil e que se deixou levar pelos sentimentos puros que ela lhe oferecia e que aos poucos se destruía com a sua ambição egoísta.

Enquanto acumulava a raiva dentro de si enquanto a observava no bebedouro, notou o quanto ela estava magra e as olheiras roxas expressavam a sua realidade agora. A menina alegre, tímida e que escondia o brilho atrás de um olhar meigo, se tornou a representação perfeita de sua loucura. Era isso o que conseguiu ganhar depois de tudo que fizera e por fim, não haveria razão para fazer mais nenhum mal a ela.

Abaixou a cabeça, mesmo seus instintos querendo que ele esmagasse o crânio dela naquelas paredes e por fim sanasse sua vontade. Andou rapidamente e não encarou as pessoas por onde passava. Esbarrava em algumas, ouvia os xingamentos e frases de zombaria que lhe jogavam como uma bola de ping e pong, como castigo por todas as pessoas que ele maltratou e humilhou naqueles corredores.

Nada que se consegue desonestamente, dura muito tempo. Tudo que vai volta, seja lento ou rapidamente. Chegou a hora de pagar pelas coisas que fez.

E era apenas o começo.

~//~

Sakura largou a bolsa dentro do carro e esperou encostada na porta até o que os dois aparecessem. Podia fingir que estava tudo bem, sentaria no banco do carona, ouviria as mesmas músicas e a tarde combinaria de sair com Sasuke e Naruto. Só era inevitável a sensação de estar fazendo algo errado.

Todos sabiam agora da vida de Kiba Inuzuka. Não podia evitar a droga de a consciência pesar ao ler a noticia do jornal da escola. A vergonha nos olhos dele e a raiva. E saber que parte disso era culpa sua, só piorava as coisas.

Quando Sasuke e Naruto apareceram, ela preferiu não falar nada e entrar no carro. Estavam todos em silêncio e apreciavam mais a paisagem do que a companhia que desfrutavam um do outro. E isso não era normal, pois sabiam que o que fizeram não era certo.

Quando avistou sua casa ela e Sasuke desceram juntos. Nunca o vira tão sério. Ele se aproximou dela e encostou seus lábios sussurrando um “volto mais tarde”. Esperou que o carro sumisse de sua vista e entrou em casa.

O fardo da culpa era insuportável e mesmo que tentasse pensar que ele merecia a sensação não deixava que esquecesse. Não era algo tão simples como manchar uma camisa de café e depois colocar para lavar e estaria tudo em perfeita ordem, era muito mais que isso. Talvez a razão de sentir tão culpada, era o medo de ter sua vida exposta da mesma maneira. Kiba podia devolver o que ela fez.

– Chegou cedo. – A voz baixa chamou sua atenção até os sofás da sala. Sua mãe repousava a cabeça em uma das mãos e na outra segurava um a revista de imóveis qualquer.

– Eu vim de carona. – Respondeu firme e virou-se para subir as escadas em direção ao andar de cima. No entanto, antes que subisse, ouviu a mãe mais uma vez lhe chamar a atenção. Dessa vez, a revista estava no lugar de sempre, em cima da mesinha de centro, junto com um bule de chá e xícaras e sua mãe a encarava. Os olhos percorriam seu corpo e a analisavam atentamente.

– Vejo que andou... Se modificando? – Disse se servindo de uma xícara de chá.

– Sim. – Respondeu, hesitante. – Preciso ir. Desculpe interromper seu chá. Sei que gosta de silêncio.

– Não se incomode. Sinto-me feliz que esteja querendo se enquadrar nos padrões de nossa classe. – A voz de sua mãe soou fria aos seus ouvidos. Mas era um avanço, considerando que mal se dirigiam a palavra.

– Obrigada. — Estranhou o fato de sua mãe ainda a continuar a observando. Não deixou de sentir esquisita por estar sendo analisada pela pessoa que lhe deu a vida e não se importou com sua existência metade dela. – Tenho que ir. Preciso me trocar.

– É claro. – Sakura entendeu suas palavras como a deixa para se dirigir ao seu quarto, no entanto, ao subir o primeiro degrau, Mebuki falou algo que fez seu coração dar um pulo.

– Esteja pronta as três. Vamos na sede da revista e visitar seus avós. – Após essas palavras, ela correu escada acima e trancou-se no quarto.