Amável Fraquejar

1 Amor ou assassino?


Notas iniciais
- Saiba, plágio é crime!

As águas que ali caiam, não escorriam por entre as folhas encharcadas, elas estavam presas no desnível, formando uma pequena poça d’água. Confesso que não era agradável sentir o vento gélido soprando em meu rosto, nem a névoa baixa impedindo minha vista para o local, conseguia apenas observar dois palmos ao meu redor. A poça teimou em refletir minha imagem, que agora parecia impaciente e temerosa. Me embrenhar no meio da mata não foi, com certeza, uma atitude inteligente. Forcei um sorriso tentando acalmar minha mente que estava em turbilhões, mas infelizmente, o riso saiu mais irônico do que eu temia.

A noite já havia tomado conta do céu, e mesmo que não o tivesse, aquelas pequenas nuvens molhadas que encostavam em meu corpo não deixavam-me sair do local. Pensei algumas vezes em gritar, mas afinal, do que adiantaria? Era apenas mata. Mata e um pedaço de mim, porque a outra parte já havia sido destruída pela fera que me atacara anteriormente. Meu pulso sangrava de uma forma sem igual, no entanto a dor já não se fazia presente, ou se fizesse, eu já nem a sentia mais.

Quando pensei que minha morte era eminente, ouvi alguns passos esmagando a terra molhada. Mais uma vez pensei em gritar, agora não mais para o nada e sim para alguém ou alguma coisa, que, provavelmente, estava a alguns passos de meu corpo caído. E depois de pensar estar salva, eis que minha voz se rebela contra mim. Não importava quantas tentativas fizesse para que ela saísse, ela simplesmente se divertia em me desobedecer. Meu corpo também não queria colaborar, por mais que minha mente pedisse. Eu estava caída no chão molhado, ao lado da poça d’água, encoberta pela névoa gélida, suja de sangue que se misturava com a terra, sem voz, faminta e provavelmente, febril.

Felizmente a boa alma tinha me visto. Bem, felizmente até o momento em que vi sua feição pela segunda vez no dia. Meu assassino era realmente deslumbrante. Sua pele clara se misturava com a névoa do lugar. Era muito provável que havia voltado para pegar o resto que sobrara de sua presa e, nesse momento, eu não sabia mais se meu cérebro se mantinha racional, afinal, quem é o ser que no ato de sua morte, olha para seu assassino, encantada com tamanha beleza? Seja como for, ele realmente me encantava, e mesmo sem forças, não me contive em olhá-lo. Seus lábios, eram pouco mais rosados que sua pele, seu olhos cor de mel, dentes.. bem, neles eu não me atrevi a olhar. Rosto perfeitamente simétrico, cabelo curto e bem cortado, castanho. Por entre a realidade e meu estado quase avançado de loucura, percebi sua jovialidade.

Já desesperada, peguei uma pedrinha que estava a meu lado e antes que minhas pálpebras se fechassem, joguei nele. Assinei ali minha sentença de morte, mas como recompensa, agora sabia que meu cérebro havia parado de funcionar. Por que cargas d’água eu jogaria pedra no assassino? Minha visão, já estava escurecendo, mas, apesar disto, vi seu sorriso maligno nos lábios, mostrando os dentes perfeitamente alinhados. Neste instante, um calafrio ainda maior percorreu meu corpo como ultimo vestígio de vida. Meus olhos se fecharam.

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