Amy Tokisuru em Portland

22 Capítulo 22 - A Escolha Certa


WALTER

Walter não sabia o que fazer. Ele nunca havia visto alguém chorar de uma maneira tão desesperada. Sofia simplesmente não conseguia se controlar. Ela ficou um bom tempo abraçada ao corpo de Sárius, que retornara a sua forma humana após ter morrido.

Ele sentiu que deveria dizer algo. Tomando coragem, ele falou a primeira coisa que veio em sua cabeça:

— Sofia... Eu sinto muito.

Ouvindo aquelas palavras, a garota dos ventos parou de chorar. Mas ela não havia ficado reconfortada. Longe disso. Sofia segurou o choro e olhou para Walter com o mais puro ódio que ele já tinha visto.

— Você sente muito? — Sofia falou, entre dentes. — Isso tudo... é culpa sua. Tudo o que você disse foi apenas para me distrair.

O vento começou a soprar mais forte, como acontecia sempre que Sofia alterava seu tom de voz.

— Vai com calma aí, Sofia. — Rick entrou na conversa. — Walter não teve nada a ver com isso.

Rick tinha razão, mas mesmo assim Walter ainda estava com um sentimento terrível de culpa.

— Não era minha intenção. — Foi tudo o que ele pensou em dizer. — Se tiver algo que eu possa fazer...

— Não existe nada que você possa fazer — Sofia respondeu, cruelmente. — Agora vão embora daqui. Me deixem sozinha! — Ela gritou na última frase, quase voltando a chorar.

Bart foi o primeiro a virar as costas e se retirar. Desde que matou Sárius, ele não havia dito uma palavra sequer. Será que aquele cara não sentiu nem um pingo de remorso? Walter tinha que esclarecer as coisas. Bart havia passado dos limites.

Depois de tomarem distância do lago onde tudo acontecera e voltarem para a floresta, foi Rick quem começou a dar o sermão.

— Não precisava ter feito aquilo, Bart.

Bart levou alguns segundos para responder.

— Ela matou a minha esposa. Eu matei o marido dela. Nós estamos quites.

— Sofia não matou sua esposa — Walter disse. — Ela só queria te provocar.

— Ah é? Então por que eu não estou vendo a Alice aqui? — Bart respondeu, enfurecido. — Me deixem em paz. Vocês fariam a mesma coisa no meu lugar.

Walter não tinha certeza disso. Ele queria responder que não. Ele nunca seria capaz de matar uma pessoa. Mas de uns tempos para cá, principalmente depois de seu sonho com TR e tudo o que descobriu sobre o espírito após isso, Walter vinha pensando seriamente na hipótese de matar aquele desgraçado. O que TR estava fazendo era imperdoável. Chantagear as pessoas a quem ele dizia ser pai para fazer coisas horríveis era no mínimo doentio.

Os pensamentos de Walter foram interrompidos quando ele ouviu um som muito estranho. Parecia o barulho de uma manada de bois correndo em um campo aberto a uma velocidade muito alta. A julgar pelos rostos de Rick e Bart, eles também estavam ouvindo o barulho.

— O que é isso? — Rick foi o primeiro a questionar.

Bart fechou os olhos para aguçar a audição. Sua expressão foi de assassino frio para gatinho assustado em dois segundos.

— Essa não. São curupiras. Muitos deles.

Walter sentiu como se alguém tivesse dado um tapa em sua cara. De repente, ele se lembrou de algo que não deveria ter esquecido de maneira alguma. Os caiporas... A chuva... A história do Deus Amanaci... Walter havia se esquecido completamente disso.

— Droga — Rick resmungou. — A droga do símbolo localizador dos caiporas. Nós esquecemos de pedir para o Bart apagar.

— E o que vamos fazer agora? — Walter perguntou, entrando em desespero.

— Calma Walter. — Rick fez uma pausa breve. — Eu estou com o símbolo. Os curupiras estão atrás de mim. Eu só preciso ir para longe de vocês e do vilarejo.

— De jeito nenhum — Walter negou automaticamente. — Acha mesmo que eu vou deixar você lutar sozinho contra esses monstros? O que a Lilly iria pensar?

Rick pareceu não ter respostas, provavelmente pela parte que tocava em sua esposa. Lilly ficaria arrasada se soubesse que Rick morrera de uma forma tão horrível.

— Que opção nós temos? — ele perguntou.

— Se lutarmos juntos nós podemos ter alguma chance — Walter respondeu, com firmeza.

Talvez eles não tivessem chance alguma. Talvez aqueles curupiras os estraçalhassem. Mas de jeito nenhum iriam desistir e se entregar tão facilmente. Já estava na hora de Walter crescer e aprender a tomar as decisões certas, e não fugir nunca mais.

— Obrigado Walter. — Rick olhou para Bart. — E você? O que vai fazer?

— Sei que devem estar com raiva de mim, mas eu quero lutar — Bart respondeu. — Além do mais, eu posso curar a sua perna, Walter.

Então era isso. Os três iriam lutar contra o que poderia ser uma alcateia enorme de monstros furiosos sedentos por chuva. O barulho de seus passos estava ficando cada vez mais alto. Walter começou a ficar mais nervoso, mas isso o fez ter uma ideia.

— Nós deveríamos voltar para o lago — disse. — Afinal só posso lutar se tiver água por perto.

Bart e Rick concordaram, e eles deram meia volta e se dirigiram mais uma vez às águas cristalinas no meio da floresta.

Sofia e o corpo de Sárius não estavam mais lá. Ela provavelmente saíra levando o marido consigo, o que, particularmente, deixara Walter aliviado. Convencer uma pessoa que acabara de perder alguém a cair fora porque uma batalha estava prestes a acontecer não seria uma tarefa simples.

Após curar a perna de Walter usando magia e algumas ervas locais, Bart teve a seguinte ideia: Rick criaria um muro de pedra, que funcionaria como uma espécie de barreira contra os curupiras. Os três ficariam em cima desse muro, atraindo todos os curupiras para o mesmo lugar.

Enquanto que Rick ficaria prendendo as patas — que Bart informou do estranho fato de elas serem invertidas —, Bart atacaria usando magia, e Walter usaria a água do lago para defender a todos.

Parecia um plano simples e eficiente, o que deixou Walter um pouco mais confiante. Logo, Rick começou a construir a muralha e todos fizeram como o planejado, subindo em cima dela.

Então, o primeiro deles apareceu. Uma criatura felina, de pelo avermelhado, juba vermelho-rubra, dentes afiados e olhos de gavião. Tinham aproximadamente um metro e meio de altura, e as patas, como Bart dissera, eram viradas para trás. Sua cauda era longa e arredondada na ponta, como a de um gato. A fera procurava avidamente por sua presa, a pessoa com o símbolo, e logo localizou o trio sobre o muro rochoso. Feroz, ele se lançou contra a parede.

Imediatamente depois, outros iguais ao primeiro apareceram atrás dele. Eram dois... não, eram três. Eram cinco. Eram dez. Eram tantos que Walter não foi capaz de contar.

Ele sentiu vertigens, mas seria impossível para aquelas coisas que escalassem qualquer coisa. Suas garras nunca se fixariam na parede pois estavam invertidas. Vantagem para os três.

— Em hipótese alguma desçam desse muro — Rick advertiu, desnecessariamente, e logo começou a atacar.

Com sua magia de terra, ele afundou as patas de diversos curupiras no chão, deixando-os estáticos e facilitando que Bart os atacasse com sua magia verde escuro, atordoando-os.

Agora era a vez de Walter. Com toda a sua concentração, ele levitou as águas azuis do lago em formato de tromba-d’água e com toda a força que conseguiu, despejou sobre os animais raivosos, deixando vários confusos e alguns até mesmo incapazes de lutar. Walter repetiu o mesmo ataque mais algumas vezes, e ficava feliz ao ver que o número de curupiras que ainda queriam lutar estava diminuindo.

Tudo estava indo muito bem. Porém, algo estranho aconteceu. Um dos curupiras deu meia volta e deixou o muro. Walter tentou enxergar mais além para ver o que o estava atraindo. Era uma pessoa. Um rapaz que provavelmente estava perdido e que estava prestes a virar comida de monstro.

— Essa não, aquele garoto está em perigo — Walter informou aos seus amigos, apontando para o jovem há vários metros de distância.

— O que vamos fazer? — Rick perguntou, aflito.

Walter respirou fundo e disse:

— Eu vou ajudá-lo.

Sem pensar duas vezes, Walter pulou o muro, e foi para a terra, onde poderia ser atacado por um curupira a qualquer momento. Felizmente, isso não aconteceu, pois Rick afundava as patas de qualquer fera que tentasse avançar contra seu amigo, enquanto gritava que Walter havia enlouquecido.

Mas Walter não podia pensar muito ou acabaria desistindo, e o curupira estava quase alcançando sua vítima. Ele começou a correr o mais rápido que pôde. Estava se afastando da água, sua maior arma, mas ele ainda tinha a adaga que Jaci lhe dera, e a usaria para tentar atacar a criatura.

Quando ela estava prestes a abocanhar sua presa, Walter gritou, chamando sua atenção, e o curupira esquecera completamente do rapaz para ir atrás de Walter. Aquilo fora muito rápido e ele não conseguiu se prevenir. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, o monstro saltou furiosamente e abocanhou o braço esquerdo de Walter.

A dor que se seguiu foi extremamente aguda e ele gritou de dor. Entretanto não podia deixar que aquilo o vencesse. Usando a mão direita, Walter desferiu um golpe com a adaga na garganta da fera. Com um olhar morto, ela soltou o braço dele e caiu no chão.

Um ferimento horrível agora jazia no braço. Marcas de vários dentes afiados escorriam sangue de seu braço, que desciam para suas mãos e pingavam no chão.

Walter tentou ignorar a dor o máximo que pôde e se dirigiu ao rapaz que ele acabara de salvar.

— Ei — ele o chamou. — Você está bem?

O garoto devia ter aproximadamente dezesseis anos. Era alto, tinha pele morena e cabelos negros.

Ao focar nos olhos castanho-escuros do rapaz, Walter teve uma sensação estranha, como se já o conhecesse de algum lugar.

— Eu estou bem — o rapaz disse. — Graças a você, Walter, eu estou salvo.

Todos os pelos do corpo de Walter se arrepiaram. Como aquele garoto sabia seu nome? Walter o enxergou dos pés à cabeça e só então se tocou de que havia algo muito errado. As roupas do garoto... Tênis branco com um detalhe em verde. Calça jeans azul-marinho. Uma camisa branca levemente manchada de vermelho. Essas eram roupas que alguém do planeta Terra deveria estar usando.

— Quem é você? — Walter perguntou, afastando-se vagarosamente.

— Sou eu, Walter. O seu papai. Nos vimos no seu sonho na noite anterior. — O garoto sorriu de uma forma medonha.

— TR — Walter sussurrou.

Não era à toa ele não ter o reconhecido. Em seu sonho, TR havia usado a figura de Renner para se comunicar. Agora, TR estava completamente diferente, naquela forma de um simples garoto fraco e esguio. Seria essa sua forma verdadeira forma? Se era ou não, ele e Walter tinham algumas contas a acertar.

— Você... é o culpado por tudo isso! — Sem hesitar, Walter deu um soco de direita no rosto de TR fazendo-o cair no chão.

Ao invés de sofrer a dor, TR sorriu e encarou Walter como se pedisse por mais.

— É só isso o que tem Walter? — TR perguntou, levantando-se. — Por favor. Eu te criei melhor do que isso.

— Cale essa boca! — Mais uma vez, Walter deferiu mais um soco contra seu inimigo, novamente com seu punho direito. — Essa foi por ter sequestrado a esposa do Rick.

TR recebeu o golpe, que parecera ter sido ainda mais forte que o anterior. Ele começou a cuspir sangue. Apesar disso, ele continuou com o olhar confiante.

— Ah é, Walter? E o quê mais?

Walter o bateu novamente, dessa vez, com o punho esquerdo, que apesar de estar cheio de sangue e dolorido, deu um golpe bastante efetivo.

— Essa foi pela esposa do Bart.

TR caiu novamente, ficando manchado com o próprio sangue e o sangue de Walter. Dessa vez não se levantou. Ficou no chão esperando que Walter terminasse seu trabalho.

— E essa... — Walter segurou firme a adaga e se agachou sobre TR. — Essa... — Ele olhou no fundo dos olhos do garoto. — Essa foi por ter feito Rick, Sofia e eu termos feito todas essas coisas horríveis por você.

Assim que terminou de falar, Walter, sem piedade, afundou a adaga no peito de TR. Seu olhar, sem demora, perdeu qualquer expressão que poderia ter. Agora estava vazio e sem vida. Walter o matara. Ele acabara com tudo de uma vez por todas. Ele vingou todas as pessoas que sofreram nas mãos daquele monstro.

Levantou-se devagar e olhou para o que tinha feito. Largou sua arma no chão, com as mãos trêmulas. E se aquele não fosse o verdadeiro TR? E se ele estivesse possuindo alguém como fizera com Renner em seu sonho? Independente das respostas, Walter não podia se dar ao luxo de pensar nelas agora. Além disso, já estava feito, e ele não podia voltar atrás.

Olhou para trás e viu que a batalha de seus amigos contra os curupiras ainda não havia terminado. A magia de Rick e de Bart pareciam estar quase se esgotando, em razão de que seus golpes não estavam mais surtindo efeito. Os curupiras, apesar de não escalarem, eram fortes, e quando se chocavam contra o muro de pedra, o rachavam um pouco. Logo ele iria ceder, e Bart e Rick acabariam virando o prato do dia.

Walter precisava de algo que derrotasse todos os curupiras de uma só vez. Tentou forçar seu cérebro o máximo que pôde para pensar em alguma coisa construtiva até que a resposta surgiu em sua mente como um relâmpago.

Relâmpagos, raios, trovões... Era uma tempestade que Walter precisava. Todo aquele problema surgira porque ele se passara por um deus da chuva para enganar os caiporas e prometera que traria uma tempestade para saciar a sede da tribo. Se ele cumprisse essa promessa, talvez tudo se resolvesse. Mas como Walter faria chover?

— Vamos lá, Walter — ele sussurrou para si mesmo. — Você pode controlar a água. Você pode invocar uma chuva. — Ele fechou os olhos e se concentrou.

Diversas imagens se passaram na cabeça de Walter. Lembrou-se de seus tempos na Terra, quando trabalhava com Renner e todos os seus outros companheiros. Lembrou-se da garota a qual ele tinha uma queda. E então, lembrou-se de Rick aparecendo. E de Sofia o trazendo para Portland. Todas essas memórias se embaralharam em sua mente e se condessaram como se fossem uma nuvem carregada. Uma nuvem carregada não só de água, mas de todos os seus problemas e sentimentos.

Um trovão pôde ser ouvido.

Walter abriu os olhos. Não foi um trovão muito alto, mas com certeza foi um trovão. Nuvens escuras surgiram no céu antes azul. Mais um trovão se rompeu e todos os curupiras pararam de atacar e começaram a observar ao céu atentamente.

De repente. Uma gota caiu no rosto de Walter. E depois outra e mais outra. Uma garoa se irrompeu, até se transformar em uma chuva forte, com direito a trovões altos e relâmpagos que iluminavam todo aquele cenário que de uma hora para outra havia ficado escuro.

Todos os curupiras se acalmaram. Um a um, eles se afastaram do muro de pedra e deram meia volta. Passaram por Walter completamente calmos e mansos, e vagarosamente, seguiram em direção às suas casas.

Rick, Bart e Walter voltaram para o vilarejo, carregando com eles o corpo de TR. Como a casa de Bart havia sido destruída, eles haviam se hospedado na casa de um velho, a qual Bart disse que era curandeiro. Seu nome era Berto. Ainda estava chovendo, mas não tão forte quanto antes. Apenas uma leve garoa.

Bart e Berto haviam levado TR para o quarto, enquanto que Rick e Walter ficaram na sala, sentados em cadeiras de madeira, se encarando, pensando no que dizer um para o outro.

— Aquilo o que você fez de controlar o clima — Rick finalmente puxou assunto. — Foi incrível.

Walter não respondeu. Aquilo nem fora grande coisa. O que ele realmente achou um barato foi o fato do ferimento de mordida de curupira em seu braço ter desaparecido, dando lugar a mais escamas cinzentas de peixe. Ele não ligou muito. Já havia se acostumado ao fato de ser metade sereia.

Deixando esse pensamento de lado, Walter pensou em como assassinara TR friamente antes de fazer a chuva acontecer.

— Rick, eu... Eu matei uma pessoa — ele encarou o chão. — Eu fiz o mesmo que o Bart fez.

— Não pense assim Walter — Rick o reconfortou. — Bart matou Sárius por vingança. E você matou TR porque sabia que ele estar vivo era um perigo a todos nós.

Walter continuou sem resposta, e ficou feliz quando Bart apareceu para interrompê-los, pois aquela conversa já o estava deixando nervoso.

— Então — Walter se dirigiu a Bart. — TR está realmente morto agora, certo?

— Sim. — Bart respondeu. — Walter, você fez a coisa certa. Mas está ciente de que você não matou apenas o TR, certo? TR era um espírito que usava seres humanos como casca. Você matou os dois.

Walter suspirou. Era exatamente isso que ele estava com medo de ouvir.

— Bart. Deixa ele em paz — Rick o repreendeu. — Você fez o que eu te pedi?

— Sim. Elas estão prontas. — Bart voltou ao quarto onde estava, provavelmente para pegar o que quer que tinha feito.

— O que você pediu? — Walter perguntou, curioso.

— Sua passagem de ida para a Terra, como eu prometi — Rick respondeu, sem olhar o amigo nos olhos.

Walter levou um susto ao ouvir aquelas palavras. Ele nem sequer estava lembrando de que era nesse momento em que deveria cobrar de Rick sua viagem de volta para casa. Ele sabia exatamente o motivo do porquê havia se esquecido.

— Rick, eu não vou voltar para a Terra.

— Do que está falando, Walter? — Rick perguntou, confuso. — TR está morto, eu e Lilly estamos juntos de novo, e nós até conseguimos resolver nossos problemas com os caiporas. Você não tem mais motivos para estar aqui.

— Olha, Rick. Eu ainda não me acostumei com o mundo Portland e as coisas loucas que acontecem nele, mas — Walter disse, confiante — era exatamente desse jeito que eu me sentia na Terra também. Pelo menos aqui eu tenho algo que lá na Terra eu não tinha.

— E o que é?

— Um amigo de verdade.

Eles ficaram calados mais uma vez. Bart mais uma vez veio à sala e apresentou uma pedra lilás a Walter, parecida com a que Rick usara para que eles viessem para Portland.

— Então, Walter. Você sabe o que fazer. É só quebrar ela no chão e você estará na Terra mais uma vez — Bart explicou.

Com cautela, Walter afastou a mão de Bart de seu rosto e finalmente respondeu:

— Obrigado, mas, não vou precisar dela. — E então ele sorriu, confiante de que, pelo menos dessa vez, ele havia feita a escolha certa.