Amy Tokisuru em Earthland
3 Capítulo 3 - Carros
AMY
— Meu ônibus está vindo. A gente se vê amanhã.
Amy levou um susto enorme, como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo. Ela cambaleou para trás deixando o caderno de Caus cair no chão e tropeçou no meio-fio, porém, o ônibus que havia acabado de estacionar a protegera da queda.
— Ei, você está bem? — Caus se aproximou de Amy com preocupação. — Nossa, você ficou pálida do nada. — O rapaz a puxou para frente para que Amy se desencostasse do ônibus. Então, acenou bruscamente para o motorista afim de que ele pudesse ir embora.
— Vem, senta aqui. — Segurando o braço de Amy gentilmente, Caus a guiou até o assento do ponto de ônibus e a fez se sentar. — Vai, me diz o que você tem.
Amy tentou colocar a cabeça no lugar, o que foi uma tarefa praticamente impossível. Caus não deveria estar ali. Ela já havia se despedido dele e o vira entrar no ônibus. Logo após isso, ela continuou seu caminho, até que...
Antes mesmo de se lembrar do que tinha acontecido, Amy ouvira o som do motor turbinado de um carro que acabara de fazer uma curva arriscada na rua perpendicular à do ponto de ônibus e passou na frente dela, claramente acima do limite de velocidade permitido.
Amy se lembrava do barulho daquele motor. Ela o ouvira segundos antes de ser atropelada pelo carro. Lembrou-se de ter sido jogada com violência contra o asfalto e de perder a consciência. Mas aquilo não havia acontecido de verdade, havia? Não deveria, já que Caus ainda estava à sua frente, agachado, olhando para Amy como se ela estivesse doente. Ela podia ver seus lábios se mexendo, mas não conseguia ouvir. Sua mente estava pipocando em pensamentos. Seu corpo estava trêmulo. Ela tentou se estabilizar.
— Chega. — Amy conseguiu ouvir Caus dizer, enfim. — Vou ligar para um hospital. — O rapaz pegou um celular do bolso de sua jaqueta, mas antes que pudesse começar a digitar, Amy o impediu.
— Não, Caus — ela disse. — Não precisa. Eu já estou bem.
— Tem certeza? — Caus perguntou, não convencido. — Você está mais branca que um boneco de neve.
— Acontece sempre — mentiu Amy. Ela tinha flashbacks uma vez ou outra, mas o que havia sentido agora era completamente diferente, duas vezes mais real e mais assustador, como uma premonição.
Caus ainda parecia querer discutir sobre o assunto e demorou alguns segundos antes de guardar seu celular, dessa vez no bolso de sua calça jeans.
— Tudo bem — disse. — Mas, pelo menos, deixe que eu acompanhe você até sua casa. — Caus ergueu-se.
— Não precisa fazer isso. — Amy se levantou, com lentidão por ainda estar trêmula. Depois, recuperou o caderno do garoto, que havia deixado cair no chão quando se assustou, e o colocou em sua bolsa. Fazer aquilo mais uma vez lhe deu uma sensação horrível de déjà vu.
— Não vai acontecer de novo. — Não tinha como ter certeza, mas Amy não queria que alguém que acabara de conhecer se sentisse obrigado a tomar conta dela.
— Deixe disso — ele falou, como se lesse a mente da garota. — Você já me fez perder o ônibus mesmo. O mínimo que pode fazer é me deixar acompanhar você.
Amy suspirou. Ela imaginou que se continuasse dando desculpas, Caus iria continuar insistindo, então resolveu parar de protestar e concordar logo de uma vez.
— Faça o que quiser. — Ela o empurrou para trás com calma e começou a andar. Ele a seguiu, andando ao lado dela.
— Você está tremendo. Deve estar com frio. — Antes que Amy pudesse dizer qualquer coisa, Caus já havia retirado sua jaqueta e jogado sobre os ombros da garota.
Aquilo era ridículo. Amy não sentia frio. Ela só estava tremendo porque a imagem do carro a jogando para frente ainda era nítida em sua cabeça. Pensou em dizer algo e devolver a jaqueta. Porém, por algum motivo, ela não o fez. Passou os braços por entre as mangas e deixou o zíper aberto. A jaqueta era incrivelmente macia, e o cheiro que exalava era suave e inebriante, o que, de certa forma, fez com que Amy se sentisse mais calma, parando de tremer.
— Então — Caus começou a puxar assunto. — Você mora há bastante tempo em Vila Real?
— É. Desde criança — disse Amy, faltando com a verdade mais uma vez. Ela era sempre desconfiada de todos ao seu redor. Não conseguia evitar. Quanto menos pessoas estranhas soubessem sobre ela, melhor.
— E você? — ela perguntou, para mudar o foco para ele. — Onde morava antes de se transferir?
— Eu morava com meus pais em Portland.
Amy parou de andar e, por um momento, ficou paralisada, pois quando ela ouviu a palavra Portland, pensou que Caus estava se referindo ao planeta. No entanto, segundos depois, ela se deu conta de que o garoto na verdade quis dizer o estado de Portland.
— Está tudo bem? — Caus perguntou, percebendo a reação dela.
— O quê? — Amy chacoalhou a cabeça em busca de colocar a mente no lugar. — Ah, sim. Está tudo bem. — Ela precisava parar de ter esses lapsos ou não só Caus como todas as outras pessoas iriam achar que ela tinha algum problema, e o que menos queria era chamar atenção para si.
Logo, eles voltaram a caminhar normalmente. Dessa vez não houve mais conversas ou perguntas aleatórias. Ficaram em silêncio, entrando em sincronismo com a rua, que também estava em quietude, quase que cem por cento. Amy gostava disso. Vila Real não tinha uma alta população, tampouco havia um trânsito movimentado. Apenas alguns carros simples passavam, vez ou outra, em velocidade reduzida.
De repente, como que para contradizer os pensamentos de Amy, um carro prateado e rebaixado veio descendo a rua lentamente, com uma música estilo rap tocando em um volume desagradavelmente alto. As coisas começaram a ficar estranhas quando o carro, de vidros escurecidos, parou ao lado de Amy e Caus, deixando a garota nervosa. Então, a música foi desligada e o vidro da janela do motorista começou a descer. Amy levou um espanto com quem viu.
— Estava te procurando, Amy. — Bart retirou seus óculos escuros e pendeu a haste na gola de sua camiseta azul. Lançou um sorriso malicioso para a garota e um olhar entediado para Caus.
Ela o encarou por um tempo. Onde Bart havia conseguido aquele carro? O dinheiro que ele ganhava com seu trabalho era escasso. Mal dava para pagar todas as despesas do trio. Não tinha chances de ele ter comprado aquele carro, principalmente por ele parecer ser de última geração. Teria Bart roubado aquele carro? O pior era que Amy não duvidava que fosse esse o caso.
— Amy, conhece esse cara? — Caus perguntou, obviamente preocupado, e não era para menos, já que Bart estava agindo como um daqueles namorados ciumentos que perseguem suas parceiras por todas as partes.
— Sim — ela respondeu. Mas gostaria de não conhecer, completou mentalmente.
— Anda, Amy. Entra aí — Bart convidou, ao mesmo tempo que destravava as portas do veículo, fazendo com que se ouvisse aquele típico click de mecanismos se movendo.
Amy preferia não entrar. A ideia de estar dentro de um carro que provavelmente fora furtado de alguém a deixava com náuseas. Bart havia se mostrado ser muitas coisas ultimamente. Autoritário, irritante, machista, agressivo, entre outros sinônimos. Mas nunca parecera ser um ladrão. Todavia, já fazia um tempo que ela não o via. Ele poderia muito bem ter encontrado alguma pista sobre TR e, consequentemente, sobre seu pai e, se fosse o caso, Amy precisava saber.
— Tudo bem. — Rapidamente, Amy retirou a jaqueta de Caus e a devolveu para o garoto. — Obrigada pelo caderno. Vou devolver ele o mais rápido que eu puder.
— Certo — o rapaz disse, desconcertado.
No fundo, Amy queria ter oferecido carona para Caus, pois, no fim das contas, por culpa dela, o garoto perdera seu ônibus e provavelmente teria que ir a pé para casa. Talvez ela até tivesse feito isso, se não fosse por dois motivos. O primeiro, porque queria conversar com Bart em particular. E o segundo, porque não queria que Caus descobrisse que eles não deveriam ter posse daquele carro. De qualquer modo, abriu a porta de trás do veículo e acenou um tchau apressado para ele, que acenou de volta com um sorriso torto no rosto.
O termo “cheiro de carro novo” era perfeito para definir a fragrância do veículo. A última vez que havia sentido esse aroma fora há vários anos atrás, quando seu pai alugara um carro para que os dois, em companhia de Jau, fossem passar um fim de semana em uma pousada no interior de Bragança. Pensar nisso trazia a Amy uma sensação tão nostálgica que umedeceu os seus olhos, afinal, aqueles tinham sido dois dos melhores dias de sua vida. Ela piscou os olhos com força para afastar as lágrimas. Não era hora e nem lugar para chorar.
Bart estava dirigindo numa velocidade normal, e não tinha voltado a ligar o som, o que deixou Amy particularmente grata. Não teria que ficar gritando enquanto conversava.
— Fala sério, Bart — ela começou, com um tom ríspido que ela não sabia que tinha até agora. — Como conseguiu esse carro?
Bart estava estranhamente feliz. Geralmente, ele tinha uma expressão carrancuda, que assustava a maioria das pessoas que vinham tirar satisfações com ele. Hoje essa expressão simplesmente sumira. Ele estava sorridente e com um brilho estranho na íris. Amy imaginou que a única coisa que faltava era Bart começar a assoviar cantigas felizes.
— Esse carro? — Ele ajustou o espelho retrovisor no teto do carro para focar no rosto de Amy. — Achei ele por aí.
Aquela resposta não era apenas ridícula, como também inadmissível. Carros caros como esse não ficavam por aí à toa. Todos eles possuíam travas elétricas, alarmes, rastreadores GPS, entre outras tecnologias que Amy desconhecia. E ela sabia que Bart definitivamente não tinha condições de comprar um. A única explicação lógica era furto.
— Fala sério. — Amy disse, frustrada ao perceber que Bart ria como se o que acabara de dizer foi uma piada.
— Não se preocupe, Amy. Eu não roubei esse carro — ele falou, ainda com um sorriso estampado na face. — Só peguei ele emprestado.
Outra resposta estúpida quesó deixou a garota ainda mais nervosa. Ela pensou seriamente na hipótese de abrir a porta do carro e saltar para fora ainda com o veículo em movimento. Porém, ao olhar para o lado, percebeu que as portas estavam travadas. Amy reprimiu a vontade de soltar um palavrão.
O lado bom era que já estavam quase chegando em casa. Em menos de dez segundos, Bart deveria reduzir a velocidade, virar à próxima esquina e dirigir por mais alguns segundos até estacionar em frente ao precário lugar onde viviam. Deveria, mas não foi o que ele fez. Ao invés disso, continuou subindo a avenida, aumentando a velocidade. Em três segundos, ele foi de sessenta quilômetros por hora a setenta. De setenta, a oitenta.
— O que pensa que está fazendo? — Amy perguntou, apreensiva. — Deveria ter virado duas esquinas atrás.
— É, mas nós vamos fazer uma parada em um lugar diferente hoje — ele respondeu. Seu tom de voz não era mais sarcástico, mas sim um tom devasso, quase maligno.
Amy já ia perguntar para onde eles estavam indo, quando ouviu um barulho abafado de algo batendo contra metal. O som viera de trás, e ela não hesitou em olhar em direção para ver o que poderia ser. Ficou alguns segundos estática até ouvir o mesmo barulho novamente.
Agora Amy tinha certeza. Sem dúvidas havia algo no porta-malas. Algo não. Alguém.
— Bart, o que está acontecendo? — Amy agora perdera o tom de rispidez e o substituíra por uma voz aflita.
— Como assim? Não está acontecendo nada demais — ele respondeu, secamente, enquanto afundava o pé no acelerador.
Antes que a garota pudesse entrar em desespero, o carro acabou entrando por debaixo de um túnel. Amy não se recordava que por ali havia algum túnel. Tinha alguma coisa muito errada acontecendo. Por vários segundos, ela não conseguiu enxergar nada, nem um palmo diante de seu nariz. Ela pensou que deveria iluminar o carro usando suas chamas. Mas não seria preciso, visto que já era possível ver a luz no fim daquela passagem subterrânea.
A expressão “luz do fim do túnel” está sempre ligada a algo de bom que acontece ao final de um caminho tortuoso. Obviamente, a frase não se aplicava ao sentido literal, pois assim que o carro saiu do túnel e a luz encheu os olhos de Amy, ela não conseguiu evitar escapar um grito de susto.
Ao volante, estava sentado um ser que definitivamente não era Bart. O motivo de tanta certeza era simples. Em sua cabeça agora era visível um par de enormes chifres dourados, que partiam do meio se seu couro cabeludo, e faziam uma circunferência até se encontrarem com as orelhas. Há um ano atrás, Amy pensaria que aquilo era uma alucinação ou que estava sonhando. Mas ela já sabia o bastante sobre criaturas mágicas, monstros e outros seres sobrenaturais para saber que tudo era possível. Ela ficou muito tempo paralisada antes de perguntar:
— Quem diabos é você?
A coisa não respondeu. Ao invés disso, freou o carro com violência, lançando o corpo de Amy para a frente, fazendo com que seu rosto batesse contra o banco. Ela fez uma careta de dor e tentou se recompor. Quando voltou a atenção para o banco do motorista, seja lá o que estava controlando o carro antes, não estava mais lá.
De repente, a porta ao lado de Amy se abriu. Uma mão esbranquiçada e com dedos excessivamente compridos agarrou o braço da garota com força e a puxou para fora do carro. Tentou lutar para se soltar, mas o homem de chifres era bem mais forte que ela.
Ele começou a arrastá-la pela calçada, em direção a um lugar que aparentemente estava abandonado. Aliás, todas a rua parecia vazia. Quando Amy mais precisava que alguém aparecesse, ninguém vinha. Para se soltar da criatura, então, ela começou a aumentar a temperatura de seu braço. Ela havia aprendido a fazer isso enquanto treinava o uso de magia com Alice e Bart. No começo ela teve dificuldades. Sempre que tentava usar esse truque, seu poder saía do controle e ela acabava queimando as próprias roupas e outras coisas ao seu redor. Fazer isso agora era mais fácil. Ela só precisava ter muita concentração na parte do corpo que ela queria que esquentasse. O fato de estar em perigo e indefesa a ajudou, uma vez que sentimentos negativos aumentavam seu poder.
O homem que a segurava gritou de dor e a olhou furiosamente. Ela retribuiu com o mesmo olhar.
— Droga, garota — ele resmungou. — Como você é irritante.
Amy fitou o homem com cautela. Em sua cabeça, além dos chifres, jazia um emaranhado de cabelos louros acinzentados e encaracolados. Seu rosto era fino, fazendo com que seus cornos parecessem maiores. Ele possuía um par de olhos prateados, separados por um nariz pontudo e empinado. Era possível ver em sua expressão que ele estava louco para pegar Amy de novo e levá-la para sabe-se lá onde. Mas a garota não iria deixar isso acontecer. Ela levantou seus dois braços e envolveu suas mãos em chamas vermelhas e radiantes.
— Tudo bem então — ele deu de ombros. — Vamos lutar, se é isso o que quer.
Amy lançou seu fogo em direção ao ser, mas ele desviou com uma velocidade que os olhos da garota não conseguiram acompanhar. Ela olhou em volta, procurando por ele, mas a criatura havia desaparecido.
Então, uma força invisível e poderosa empurrou Amy para o chão, a dois metros de distância. Seu braço bateu contra o asfalto e ela sentiu uma dor aguda percorrer toda a região. Com uma expressão de agonia no rosto, ela conseguiu se levantar. Havia alguém a sua frente, mas não era a mesma pessoa. Agora, era uma garota com cabelos negros longos e de pele rosada. Em seu rosto, um olhar intimidador que Amy conhecia muito bem.
Sofia.
— O que está fazendo aqui? — ela perguntou, confusa. Não tinha como Sofia ter vindo de Portland para a Terra sem Bart ou Alice, os únicos capazes de produzir uma pedra do portal.
Amy ficou tão perplexa que não notou que a garota dos ventos havia chegado perto dela e agora segurava seu braço com força, a mesma força que o homem com chifres de antes possuía.
Não importava. Ela só precisava superaquecer seu corpo de novo. Concentrou toda a sua mente nisso.
A mão não se movera. Ao invés disso aconteceu algo muito mais estranho. Agora, quem a segurava não era mais Sofia, mas sim um rapaz. Ele tinha cabelos castanhos na altura do pescoço e olhos verdes como minérios de esmeralda.
Se Amy estava confusa antes, agora achava que estava vendo coisas. Só haviam duas explicações possíveis. Ou ela estava ficando maluca, ou a criatura de chifres podia mudar de forma. Independente de qual opção era a correta, o fato era que o novo indivíduo que a segurava agora parecia ser imune ao calor de Amy, não importava o quanto ela elevasse a temperatura.
— Desista, Amy — ele disse, num tom de voz severo. — Seu calor não incomoda a pele de pedra de Richard.
O jeito como falou na terceira pessoa só reforçou a ideia de que ele estava usando a aparência e as habilidades de outras pessoas, todas elas do mundo Portland. Outro fato que Amy notou, era que ela conhecia o nome que ele citara. Richard, assim como Sofia, era uma das criações de TR, o que significava que aquele maldito espírito estava por trás deste rapto.
— Você trabalha para TR — ela falou, olhando-o nos olhos.
Ele não respondeu. Começou a arrastá-la novamente, em direção ao mesmo lugar de antes, uma fábrica abandonada. Dessa vez Amy não tentou lutar. Se TR havia ordenado aquilo, tinha uma chance alta de ele estar por perto, e ela queria mais do que qualquer coisa se encontrar com ele para ver seu pai.
— Fique aqui enquanto eu busco a loirinha. — O homem usando a aparência de Richard a deixou em frente ao portão da fábrica. — E nem pense em fugir, a não ser que queira ver sua amiguinha morta.
Amy não se mexeu. Richard a soltou e foi em direção ao carro, abrindo o porta-malas, e tirando de lá — com dificuldade, já que a garota lutava — Alice. Ela tentou um chute, mas o homem desviou facilmente e a segurou pelo pescoço, obrigando-a a sair do carro e a seguir em frente. Pelo modo como as mãos de Alice estavam atrás das costas, Amy julgou que estavam amarradas.
— Quietinha. — Richard empurrou para perto de Amy e as duas garotas o encararam com olhares de cães furiosos.
— Quem é você? — Alice repetiu a mesma pergunta que Amy fizera minutos antes.
Então, cada célula do corpo do rapaz começou a se alterar, mudando o tom da pele, a cor do cabelo, dos olhos, a estrutura física e, o mais importante, chifres nascendo no topo de sua cabeça. Aquela era sua verdadeira forma, a que Amy vira logo depois de saírem do túnel.
— Meu nome é Yak — ele respondeu, olhando para Alice. — Eu sou uma criação de TR. — Ele dirigiu seu olhar para Amy. — Prazer em conhecer irmã.
Amy sentiu vontade de vomitar quando Yak usou a palavra irmã. Eles não eram parentes. Amy definitivamente não era filha de TR.
— Por que nos trouxe aqui? — Alice continuou fazendo perguntas. — E o que você fez com o Bart?
— Fala daquele loiro? — Yak sorriu. — Ele foi enxerido o bastante para descobrir nossa localização. É nosso prisioneiro agora. Eu fiquei preocupado em relação a isto, mas TR disse que não tinha problema. Já está na hora.
— Hora de quê? — Dessa vez foi Amy quem questionou.
Yak olhou para ela e, com um sorriso ainda maior, respondeu:
— Hora de começar a colocar seus planos em prática.
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