Amy Chase & Olimpianos
4 Diego consegue me deixar sem palavras
Notas iniciais
Se eu estou conseguindo compreender as coisas estranhas que estão ocorrendo comigo nesses últimos minutos? Não, eu não estou. Cada vez que eu tento organizar os pensamentos que ecoam sobre minha cabeça, acabo caindo nas águas profundas das duvidas.
Passei todos os dias da minha vida convivendo com a metade da verdade sobre mim. Uma verdade obscura que eu preferiria nunca ter visto. E neste momento, com tudo que acabou de acontecer, o fato de saber que minha mãe vive deveria me fazer feliz. Deveria me fazer ter a vontade de correr ir atrás dela e abraça-la, conhecer a mãe que nunca tive. Mas muito pelo contrario. Eu não posso. Mesmo que ela tenha me reconhecido como filha, eu não a reconheço como mãe. E não sei o motivo de ela ter que precisar de mim. Afinal, ela é uma deusa. Não sei por que teve de esperar metade da minha vida passar. Depois de ter me convencido que eu nunca iria ter uma mãe.
Então ela aparece.
Agora, pensando em tudo o que acabou de acontecer comigo, e observando todo o acampamento fixado em mim, me sinto uma completa estranha. Não consigo descrever a expressão de Diego depois de ser reclamado junto comigo. Ele esperou tanto por isso. Mas eu não. E quando Diego fixa seus olhos incrivelmente verdes em mim, percebo que ele está feliz. A verdade é que não consigo entender o porquê disso. Rachel Elisabeth Dare acabou de ditar uma profecia que pode acabar com tudo que somos, e Diego só consegue ver o lado positivo disso.
– Bem – Dionísio finalmente corta o silencio. – Muitas emoções durante esta noite, mas isto não significa que o toque de recolher seja desconsiderado. Todos para seus chalés! Menos vocês, Ana Tese e Diogo.
Todos os campistas começaram a se dispensar da Arena, cada um seguindo pra seu próprio chalé. Mas antes, nenhum deles se esqueceu de me olhar como se estivessem com medo de mim, o que me fez desconfortável.
– Annabeth, Bruce. — Quíron interrompe – Também preciso de vocês aqui.
Sentamos todos a mesa onde estávamos anteriormente junto a Quíron, Sr. D, e Rachel Elisabeth. O silencio que ficou sobre a mesa parecia tão assustador quanto o olhar que Quíron nos dava. Até que finalmente, Bruce corta o silêncio:
–Bom, aqui estamos em família. Bem vinda Amy Chase e Diego Hector! – Eu poderia responder com um caloroso obrigado, mas a única coisa que eu poderia pensar era no perigo de fazer parte desta família.
Rachel deu suas primeiras palavras:
–É inevitável deixar de notar os eventos que ocorreram nesta noite, já que Lady Atena fez questão de cegar a todos.
–Desculpa Rachel, mas foi meu pai, Apolo, que cegou a todos, já que foi ele quem irradiou esta luz para me proclamar. – Diego retrucou com um sorriso.
–Não Diego. – Quíron Interrompeu. – Não é nisto que acreditamos.
Com estas palavras, o sorriso de Diego se desintegrou do seu rosto. Substituído por um olhar profundamente triste.
–Apolo está um pouco ocupado demais arrumando confusão pra dar atenção aos seus filhos Diego. – Sr. D retrucou sem nenhuma sensibilidade, fazendo-o levantar brutamente com um olhar fulminante. Ele encostou-se a uma das colunas que sustentava o refeitório. Eu preferiria nunca ter o visto neste estado.
–Mantenha a calma, Diego! Isso não significa que Apolo não seja seu pai. Ele é seu pai! Mas a única coisa que estamos em dúvida de acreditar é que seja ele que o tenha reclamado. – Rachel tentou consola-lo.
Absolutamente, isso não o ajudou a se acalmar.
–Espero que tenha uma boa explicação para isto. Eu não acredito que esperei um ano pra saber que meu pai não se importa comigo. E provavelmente nem sabe que eu existo.
Eu não poderia somente observar a tristeza no seu olhar e não fazer nada a respeito. Não sei o que eu poderia fazer para ajudar, mas estar ao lado dele já deve ser o bastante. Levantei do meu lugar, caminhei até ele e pus a mão sobre seu ombro:
–Diego, não se precipite. Eu sei que existe um bom motivo para o que acabou de acontecer. Você só precisa deixar o tempo fluir...
–Amy... Eu agradeço por se importar, mas você não entende como são as coisas. Você não teve que esperar tanto tempo para saber quem é seu pai. No seu primeiro dia aqui, — Seus olhos verdes fixaram em mim – Atena já a reconheceu como filha. Eu queria poder ter a sua sorte.
Isso me deixou sem palavras. Ele estava certo, eu não posso entender. Eu já havia me acostumado em saber que eu não teria uma mãe. Já ele, esperou muito por isso.
–Diego...
–Não Amy, tudo bem. Não posso culpar você. Obrigado por tentar me reanimar. Vou me retirar. Já sei onde fica o chalé 7, não precisa me acompanhar.
Então ele sai de braços cruzados, olhos fixados no chão, e com uma triste expressão. Quando ele se foi, olhei para Annabeth, e estava com aquele olhar que ela sempre me dá quando desconfia de algo.
–Então eu sou a abençoada de Atena não é? O que vocês querem de mim?
–Me surpreende que tenha entendido uma profecia tão rápido Amy – Quíron explicou – Mas não é assim tão simples. Com o tempo entenderá o que realmente estas palavras querem dizer.
–No momento Amy, só quero que descanse. Já teve informação demais por hoje. Apesar de ser filha de Atena, conhecimento nem sempre é poder. Annabeth lhe mostrará o caminho. Amanhã bem cedo preciso que esteja aqui. Você tem uma missão a seguir.
*************
Caminhamos em silencio até o chalé dos filhos de Atena. Quando chegamos à porta, pude ver o quanto me identificava com meu novo lar. Por dentro, os beliches ficam todos agrupados em uma parede. A maior parte do quarto estava ocupada por bancadas de trabalho, mesas, estojos de ferramentas e armas. Os fundos eram uma imensa biblioteca entulhada com antigos pergaminhos, livros encadernados em couro e brochuras. Há uma mesa de arquiteto com um jogo de réguas e transferidores e com algumas maquetes de prédios em 3D. Mapas de guerra enormes e antigos cobriam as paredes até o teto. Armaduras pendiam sob as janelas, as placas de bronze cintilam ao sol. Exatamente como eu imaginava um quarto perfeito.
Meus meios-irmãos me olhavam com certo receio. Não sei se seria pelo fato de eu ser a escolhida para morrer. Annabeth me mostrou onde eu iria ficar, que seria logo acima de sua cama no beliche. Perguntei-me se ela teria guardado esse lugar pra mim caso eu fosse reclamada.
Uma garota loira e relativamente bela chegou até mim. Pelo olhar ela parecia amigável:
–Oi mana!
–Meu nome é Amy na verdade.
–Que seja. Só queria dar as boas vindas. Meu nome é Elaine. Já fomos avisados há certo tempo que você chegaria até aqui, então me certifiquei de ter algo para lhe dar.
Do seu bolso ela tirou um cordão revestido de ouro. Logo pude notar que seu pingente era uma bela pequena coruja.
–É lindo!
–Eu sei. Aceite como presente de boas vindas. Espero que passamos ser boas irmãs. E boa sorte na sua missão.
–Ah minha missão. Sabe alguma coisa sobre isso? – Ela colocou o cordão sobre meu pescoço.
–Todos sabem. E você saberá em breve.
–Obrigado.
Fechei meus olhos e dormi facilmente por conta do cansaço que senti das emoções deste dia. Depois de algumas horas, fui atingida por um sonho perturbador me fazendo pular da cama.
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