Amortentia — Sev&Lily
1 Amortentia — Sev&Lily — Único.
Notas iniciais
Quem me dera ter a sorte de ser amada como Lily foi.
Boa leitura.
Amortentia — Sev&Lily
Um garoto mal compreendido, de aparência considerada feia, com um pai trouxa bêbado e uma mãe bruxa que aceitava tudo calada. Eu não queria aquilo pra minha vida, eu queria ser considerado especial. Eu era especial.
E também queria provar a mamãe que sua condição não era adequada ao título de realeza que havia em seu sobrenome, se ela não queria deixar de ser a princesa maltratada para ser uma rainha imponente, eu seria esse príncipe. Um príncipe mestiço, com o maldito sangue trouxa correndo pelas minhas malditas veias.
Como dizem os sábios trouxas, o coração ás vezes pode ser bem cruel, até perverso.
Lembro-me com clareza a primeira vez que tive coragem de dirigir a palavra á Lily Evans, eramos só crianças e a sua irmã trouxa a estava importunando porquê mesmo sem saber, ela já era uma bruxa formidável.
Atrás das moitas, pude sentir algo imenso e bom tomar forma dentro de mim quando “renasci” aquela delicada flor.
Amizade, descobri que isso era o mais próximo do amor que eu nutria e que Lily podia me oferecer. Aceitei de bom grado, era melhor do que não ter nada. A cada encontro, ela parecia ainda mais bela, aqueles cabelos de cobre dourado e olhos verdes como esmeraldas me deixavam nervoso, até com as faces rubras.
Tudo na minha miserável vida tornou-se mais... Lily.
Deixei de lado o ódio pelo meu maldito genitor, e a pena pela minha progenitora. Se eles queriam viver daquela maneira, que vivessem. Eu iria para Hogwarts, iria ser o melhor bruxo de todos, iria ser alguém especial como eu merecia ser, iria ser o cara que Lily quisesse ter por perto todo o tempo, eu seria o que ela quisesse.
O Chapéu Seletor nos separou, mas nunca conseguiu desfazer o que foi produzido pelo olhar de Lily atrás daquela moita. E eu estava disposto a lhe ofertar tudo que desejasse.
Então nossa amizade — o único amor de Lily que me fora ofertado — foi posta á prova, minha mente estava crescendo conforme minha sabedoria abria-me os olhos. Ser sonserino era motivo de orgulho para mim que sempre fui desprezado. Agora eu tinha semelhantes, eles me aceitavam como eu era.
Lily crescera, meu pequeno lírio estava conquistando seu lugar ao sol, despertando todo ser vivente ao seu lado, inclusive o detestável Potter e seus cupinchas. Descobri meu dom, eu era um bom lutador nas Artes das Trevas, meu rancor pelo sangue trouxa chegou a ser maior pelo meu imenso carinho pela garota de penetrantes olhos verdes e cabelos ruivos.
Então conheci Tom Riddle, temido pelo seu novo nome, Lord Voldemort. Com pensamentos semelhantes aos meus referentes aos sangue-ruins, vi nele a oportunidade de mostrar que eu era um bruxo de grande valor. E eu mostrei, quando em público num momento de ira, chamei a melhor das pessoas de sangue ruim.
Sem notar, eu a empurrava para os braços de Potter.
Quanto mais Potter e seus amigos me importunavam, mais eu queria provar a Lily que eu era melhor do que eles, pelo simples fato de não revidar e aguardar com paciência extrema pela hora da minha vingança. Tive-a pouco depois quando descobri o segredo de Remus Lupin, porém o “generoso” Tiago Potter, me “salvou.”
E por causa disso, não pude conquistar meu objetivo.
Os últimos anos vieram, estávamos para nos formar quando a grande notícia chegou. Lily estava de casamento marcado com Tiago. Não tinha mais nada a perder, não tinha família, amigos, não tinha mais... Lily e seu amor em forma de amizade. Aliei-me á causa de Lord Voldemort e junto com ele, desgracei o resto de minha vida.
Desgracei a vida de minha preciosa Lily.
Naquele fatídico 31 de Outubro, o que restava de um coração que tanto amou e nunca foi correspondido, despedaçou-se por completo.
O lírio que vi despertar e crescer, estava se desfazendo diante de meus olhos. O corpo inerte da mulher que se sacrificou pela vida de seu filho me chamou, clamou por mim e eu não resisti. A tomei no colo como uma mãe pega sua criança, e a apertei forte, sentindo a maldita Marca Negra arder sem dó em minha carne, lembrando-me da parcela de culpa que tive naquele homicídio.
As lágrimas que de mim saíram, não deixou minha alma mais leve. A deixou ainda mais pesada, não me restava mais nada. Não havia Lily. Seus olhos verdes abertos esvaindo sua vida, me mostraram que eu ainda podia me redimir. Olhei para seu filho no berço, qual chorava sem saber o real motivo de toda aquela agitação.
Olhei-o bem, e nele vi os olhos que tanto amei.
Albus Dumbledore, o maior bruxo que conheci, recebeu o filho de minha amada de minhas mãos. Designou-me a mesma missão que os olhos sem vida de Lily havia me dado. Aceitei sem hesitar, aquele menino poderia ser o filho que não tive.
Certamente que ele foi.
O mesmo Chapéu Seletor que havia me separado de Lily, designou sua cria ao mesmo recinto. Aqueles olhos curiosos no mesmo tom esverdeado de sua mãe, estavam sempre ali, me estudando. Mas, aqueles malditos óculos redondos e cabelos espetados me faziam recordar o rapaz que entrou no meio de Lily e eu, quis desprezá-lo por isso.
Mas eu amei demais quem lhe pôs no mundo para conseguir tal feito. E amei o garoto como se fosse fruto do amor que nutri durante toda minha vida.
Os anos se passavam sem demora, minha missão estava se aproximando de seu estopim. Um deja vú me assaltou quando notei o nítido sentimento mútuo entre Harry e a menina Wesleay. Uma ruiva grifinória autêntica com um moleque despenteado.
Ela lembrava muito a Lily, mas Harry a tinha como nunca tive Lily.
Minha missão fora cumprida, tirei a vida da única pessoa que depositou confiança, respeito e orgulho em mim. Dumbledore se foi, uma hora eu teria que ir também. Tudo acabou em mil fagulhas, e O Menino Que Sobreviveu teria sua chance de recomeçar.
Queria ter tido a oportunidade de pedir perdão á Lily, ao Tiago, ao Sirius, ao Remus, ao Dumbledore, ao Harry.
Em meus atos mais covardes, mostrei minha coragem á um alto preço.
Estou pagando.
Como herança á Harry, deixo as mais doces lembranças com Lily, o despertar do lírio, o crescer e seu amor, na época que o recebi não achei-o suficiente, mas, agora eu sei que puxa, eu fui amado por Lily, não importa qual proporção, tipo.
Fui amado.
Por Lily.
Livros.
Grama verde.
Lírios.
Cabelos ruivos.
Lily...
always
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