Amortentia
1 Amortentia
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Amortentia
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Luna farejou o ar com uma ânsia que beirava o desespero. Havia cheiro de umidade e de coisas guardadas. Era cheiro de porão, só que o cheiro de porão sempre estivera ali.
Revisou os escritos do seu livro de poções pela sétima vez, mesmo sabendo que não tinha feito nada errado. O brilho perolado desprendia-se do caldeirão dando um tom etéreo à sua pele branca. Luna pegou entre os dedos uma mecha do seu cabelo loiro-sujo e os fios cintilaram prateados, iluminados pela poção. Quase como por instinto ela sabia que nunca estivera tão bonita na vida.
Tocou a superfície da poção com a ponta da varinha, e imediatamente o vapor tornou-se mais intenso. Fumaça branca subindo em espirais inconfundíveis, completamente inodora.
Cheiro de sangue, de suor de testrálio, cheiro de visgo na sala do professor de poções. Harry.
Cheiro de terra, de seiva e de planta, um cheiro doce meio que de coragem. Neville.
Cheiro do campo de quadribol, de roupa tricotada à mão e de algo como verão. Rony.
Apesar de poder imaginá-los à perfeição, quase a ponto de torná-los reais, não existia nenhum desses odores no ar. Inspirar fundo com as narinas dilatadas e manter a fumaça nos pulmões até quase sufocar não mudava isso.
Doía, mas não era uma surpresa. No fundo Luna sempre soubera que seu amor teria aquele cheiro inócuo de amizade, incapaz de impregnar a fumaça da poção.
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