Domingo, 01 de Novembro. (Continuação)

Georgia on.

Eu não consigo acreditar que a Taylor não se lembra de mim, é algo que nunca pensei que aconteceria, e o pior é que tudo isso só aconteceu porque fui uma tonta. Eu fui o mal para a minha melhor amiga!

Observador on.

Enquanto Georgia tenta voltar a si, Sr e Sra Wood conversam com Taylor. Tony fala no telefone com Catarina, parece alterado.

Georgia on.

Tony está no corredor brigando mais uma vez com Catarina, Tia Luna e Tio Lucas estão tentando ver se Taly se lembra deles, o médico não aparece. Acho que preciso de ajuda, coloco a mão no peito e sinto meu coração latejar, respiro fundo e meu corpo dói, meus olhos estão ardendo muito, deve ser do tanto que já chorei. Não sei o que estou fazendo sentada neste banco, todos passam de um lado para o outro, me sinto invisível pois não me notam; melhor assim.

Observador on.

Sozinha sentada no banco do corredor Georgia viaja em pensamentos. O médico aparece com uma prancheta na mão, ela se levanta rápido:
— Srta. Rose, onde estão Sr e Sra Wood? — A pergunta sério.

— Estão conversando com Taylor Dr. James. — Diz educada.

— Vou chamá-los, espere aqui! — Pede e sai.

— Sim senhor. — Ela inspira e expira devagar segurando a aflição e dor dentro do peito.

— Dr. James quer conversar conosco. — Tony diz do lado dela a assustando sem querer.

— Hã?! Ah! — Suspira. — Ele me avisou. — Informa amena.

— Como está? — Se vira para frente olhando para a parede como ela e coloca as mãos nos bolsos da calça.

— Sinto em dizer que não sei a resposta de tal pergunta. — Responde. — A melhor resposta no momento é o meu silêncio.

Tony abre a boca para falar, mas seus pais aparecem com o médico e ele se cala:
— Agora que estão todos juntos vou falar do estado da Taylor. — O médico comunica.

— Ela está muito mal Doutor? — Sra. Wood indaga temerosa.

— Ela vai ficar bem. — Afirma. — A Taylor não sofreu graves fraturas, os ferimentos estão se cicatrizando rápido. Bem, sobre a perda de memória, esta é a pior conseqüência do acidente. — Explica. — Ela não tem hora para voltar a si, pode ser hoje, amanhã, daqui duas semanas, 10 anos ou nunca. — Frisa. — Sua memória pode voltar aos poucos ou de uma só vez. Nestes casos, peço sempre muito cuidado, principalmente a vocês os pais dela.

— Nós?! — Sr. Wood indaga.

— Sim. Ela os esqueceu também, esqueceu todos, vai demorar para se acostumar, vão ser dias um pouco difíceis, peço que tenham paciência. Contar histórias e seguir a rotina pode ajudar Taylor a recobrar sua vida. Vou passar todos as restrições e cuidados que terão que seguir de agora em diante. Não desistam agora, vocês todos terão que ser fortes e determinados. — Ressalta.

— Nós seremos! — Sr. Wood assegura. — Seremos!

— Acredito em vocês! — Acentua. — Me acompanhem. — Pede aos pais.

— Ok.

Parados no corredor, Tony vê Georgia pálida:
— Devia se sentar. — Diz sério.

— Estou bem! — O olha e tenta sorrir. Sem sucesso. — Vou andar um pouco. Com licença! — Diz e sai.

Ela caminha distraída até a capela, que fica atrás do hospital, ele é rodeado de flores e árvores ornamentais, além de plantas medicinais. Várias pessoas são encontradas rezando, Georgia anda devagar até o altar, se benze, acende uma vela e se ajoelha no banco. Lágrimas começam a escorrer, ela abaixa a cabeça e entrelaça os dedos:
— O nome dela é Taylor Alyce Wood. — Fala com a voz trêmula. — Ela tem cabelo negro longo, olhos violetas, sim, olhos violetas, pele clara e altura de 1,70. Ela ama tirar foto e teatro, ela adora animais e bebês, não gosta de mentir e odeia injustiça. — Levanta o rosto chorando forte. — Ela é uma garota incrível, ela não merece ser castigada, ela nunca fez nada de errado, ela ama a família, os amigos e o senhor. Meu Deus, por favor, ajude ela, ajude ela. — Soluça. — Eu te peço, nunca te pedi nada, não tão grande assim, mas estou aqui hoje pedindo, pois sei que está me ouvindo. Senhor! — Soluça forte. — Me perdoe, se a Taylor está nesta situação é por minha causa, eu sou a culpada do estado da minha melhor amiga, me perdoa por ser uma péssima filha, me castigue, mas não a deixe pagar esse mal no meu lugar. Ajude a Taylor, ajude. — Implora. — Ela o ama, ela me ama, ela ama à todos. O nome dela é Taylor Alyce Wood, apelido, Taly. Deus, senhor, eu não sou melhor que ninguém, porém sou humana como todos, e uma humana ao qual amo está precisando de ajuda, por minha causa, eu não posso fazer nada para ajudá-la, recebo isso como sendo o meu castigo, e estou aqui como sua filha pedindo por ela que é a mais importante da minha vida, senhor, DEUS, AJUDE ELA! — Grita chorando. — Ajude ela! — Resmunga aflita. — Ajude-a, ajude-a. Ajude ela. Ajude!

Georgia permanece chorando de cabeça baixa pelos minutos seguintes. Uma mão toca seu ombro a fazendo despertar:
— Querida!

— Tia? — Levanta o rosto.

— Não precisa se culpar assim, a culpa não foi sua. — A levanta. — Venha! Vai ficar tudo bem!

— Tia! — A abraça chorando.

— Tudo bem querida. Tudo bem! — A consola.

Segunda, 02 de Novembro.
Pelo seu emocional estar prejudicado e abalado Georgia não vai a escola, passa a manhã no hospital ao lado de Taylor, com esperanças de sua memória voltar. Sem sucesso ela vai para casa almoçar à pedidos de Sra. Wood. Ao chegar abre a porta e caminha até a cozinha devagar:
— Olá querida!

— Oi tia! — Diz abatida.

— Como está a Taylor? — Questiona.

— Ela está se recuperando, mas ainda não tem muita lucidez. Os medicamentos são um pouco fortes. — Explica.

— Ah. Mas vai ficar tudo bem filha, tenha fé! — Ressalta. — Eu vou comprar umas coisas para fazer o almoço e já volto. — Avisa. — Vai ficar tudo bem! — Beija sua testa. — Deixe tudo fechado!

— Está bem! Boas compras! — Deseja meiga a vendo sair.

Após sua tia sair ela sobe a escada para o quarto; pega uma roupa qualquer e vai se banhar. A campainha toca logo em seguida do término do banho, Georgia desce os degraus correndo e abre a porta:
— Olá! — Exclama.

— Oi Geor! — Entra.

— Como foi a aula? — Pergunta como de costume.

— Normal! — Reponta. — Onde está mamãe?

— Titia foi comprar as coisas para fazer o almoço. — Conta secando o cabelo. — Daqui a pouco chega.

— Ah. Vou tomar banho. — Diz indo para a escada.

— Também vou subir, me dê sua bolsa que eu levo! — Pede.

— Obrigada prima. — Agradece.

— Por nada Lika! — Sobem a escada.

Lika é uma menina de 12 anos, estuda num colégio do bairro vizinho. Ela tem metade da gentileza da mãe e metade da coragem ao qual tinha o pai. É uma boa menina, às vezes muito meiga, às vezes muito orgulhosa, porém, uma boa menina!

Os dias passam rápido, Taylor se recupera forte, tão forte que os médicos a decidem dar alta do hospital, e na quinta-feira ela volta para casa.

Quinta, 05 de Novembro.
Tony abre a porta de casa, Sra. Wood segura na mão de Taylor e ela entra olhando tudo ao redor:
— Então? O que acha? — Sra. Wood pergunta receosa.

— É uma casa bonita! — Diz neutra.

— Você cresceu aqui! — Georgia conta. — Aquele sofá é o seu preferido e esta parede... — Corre. — É onde tia Luna marca sua altura desde que nasceu.

— Sim, é verdade querida! — Concorda.

— Bem, acho que vou me lembrar aos poucos. — Acentua. — Eu estou um pouco cansada, será que pode me mostrar onde é o meu quarto e o banheiro Sra... Mamãe? — Trava.

— Tudo bem querida! — Diz. — É por aqui, se quiser Georgia pode te ajudar.

— Sim. Posso! — Destaca.

— Hã... Não precisa, está tudo bem! — Nega. — Obrigada. Vamos!

— Ok! — Sra. Wood olha para Georgia lamentando e segue com Taylor.

Georgia suspira lento:
— Georgia!

— Sim tio? — Sai do transe.

— Me ajude a fazer o almoço, sim?! — Pede. — Vamos nos distrair um pouco!

— Está bem. — Sorri leve. — Torta ou lasanha?

— Lasanha! — Sorri. — Vou fazer a massa.

— Faço o molho!

Lucas e Georgia fazem a lasanha com queijos e presunto, salpicando com orégano no final:
— Vou ajeitar a cozinha! — Sr. Wood informa.

— Georgia Emanuelly, me ajude a colocar a mesa. — Tony diz sério.

— Está bem! — Entende. — Vou pegar os pratos.

Os dois arrumam a mesa em sincronia, a lasanha fica pronta, Taylor e Luna descem e todos almoçam, em um clima de desconhecidos.

A semana passa regularmente, todos tentam ajudar Taylor a se lembrar, porém nenhuma alteração se consegue, apenas o convívio que a vai deixando mais confortável aos pais e irmão.

Sábado, 07 de Novembro.
Mexendo no guarda-roupa a procura de um casaco desaparecido Georgia acha uma caixa de sapato pintada com tinta rosa:
— O que é isso? — Se pergunta.

Ela a abre:
— Não acredito que tinha esquecido disto! — Destaca e uma ideia vem em sua mente. — Mas é claro! — Corre e pega um casaco qualquer.

Descendo a escada correndo ela grita:
— Tia, vou sair. Não se preocupe, sabe aonde vou! — Explica. — Beijos!

— Tenha cuidado querida! — Laura pede. — Está marcando 3° graus! — Ressalta.

Correndo na rua o vento frio a faz tremer, ela vira a esquina e chega ao destino:
— Tia, tia! — Entra na casa.

— Olá querida, o que houve? — Indaga assustada.

— Tia, onde está Taylor? — Pergunta ofegante.

— Estou aqui. — Taylor aparece de trás de Luna.

— O que aconteceu Georgia Emanuelly? — Tony se levanta do sofá.

— Que barulheira é essa? — Lucas pergunta vindo até a sala.

— A Geor que nos contar algo querido. — Luna explica. — O que é querida?

— Primeiro, me desculpem pelo alvoroço, segundo... — Respira fundo. — Eu tive uma ideia que pode ajudar na volta da memória da Taylor. — Conta.

— O que é?! — Taylor indaga.

— Diga querida! — Luna pede curiosa.

— Vamos refazer a viagem dos nossos 15 anos! — Comunica.

Georgia abre um álbum de fotos com milhares de lembranças. E esperanças!