Amores e Consequências
6 Capítulo 5 – Conhecendo
Notas iniciais
Damon
– Nós já estamos chegando? — tínhamos saído de Richmond há cinco minutos e acho que já era a milionésima vez que Emery me perguntava isso.
– Ainda não estamos nem na metade do caminho – revirei os olhos enquanto respondia.
– Não tinha ideia de que a distância entre as duas cidades era tão grande – reclamou, apoiando a mão no rosto e colocou o cotovelo no vidro da janela.
– Já te disse que a distancia entre Richmond e Mystic Falls é de uma hora – lembrei – Sei que não tem muita coisa para ver pela estrada, mas tenha um pouco mais de paciência.
– Essa estrada é tão esburacada – continuou – A sacudida do carro está me deixando enjoada.
Decidi ligar o rádio para ver se assim ela parava de reclamar. Emery começou a mudar as músicas até achar uma que gostasse, acho que agora vou conseguir ficar sossegado até chegarmos a Mystic Falls.
– Pelo jeito essa estrada não é tão monótona assim – comentou, algum tempo depois – Olha só o que tem ali, Motel Paradise.
– É mesmo! — dei uma rápida olhada na placa que ficava bem ao lado da estrada de terra que levava até o motel, era exatamente a mesma de quatro anos atrás.
– Bem que a gente podia vir aqui um dia – sugeriu – Não agora, mas depois que passar o casamento do seu irmão e a gente não esteja com tanta coisa para fazer.
Decididamente a minha resposta era não, eu não iria até lá com ela em momento algum, não podia. Tinha passado momentos inesquecíveis ao lado da Elena que, acredito, deva lembrar deles tanto quanto eu, não posso viver a mesma coisa com outra pessoa, seria muito errado.
– Não sabia que você gostava de motel – comentei, tentando mudar de assunto – Nunca comentou isso comigo.
– A gente nunca precisou ir a um motel, afinal, você tem o seu próprio apartamento, só para nós dois – deu de ombros – Mas é sempre bom dar uma inovada, você não acha.
– Falamos sobre isso depois – avisei, provavelmente ela vai esquecer disso em alguns dias e eu não vou precisar dar nenhuma outra desculpa. É com isso que eu estou contando.
Mais algum tempo se passou e já estávamos atravessando a ponte Wickery, outro lugar cheio de lembranças, a tendência agora é só “piorar”.
– Agora sim nós estamos chegando – avisei – A poste Wickery é, oficialmente, a entrada da cidade de Mystic Falls.
– É por isso que eu gosto de Atlanta, é uma cidade grande – disse – Sinceramente, não sei como é que alguém consegue morar em uma cidade tão pequena quanto Mystic Falls, deve ser um pouco entendiante.
– Nem tanto – apenas dei de ombros.
Logo, os prédio de Mystic Falls começaram a surgir no horizonte. Pedi para Emery olhar para mim o endereço que Stefan tinha me passado ontem a noite por telefone, eu não conhecia a casa “nova” deles, mas sabia, mais ou menos, aonde ficava.
Meu irmão e Caroline decidiram se mudar do apartamento em que moraram logo depois dela descobrir a gravidez. Começaram a procurar um outro lugar naquela época, quando eu ainda morava aqui, mas só conseguiram se mudaram uns dois meses antes de Dylan nascer.
– Pelo jeito é aqui – parei em frente a uma casa branca com vária janelas com contornos azuis, a porta da garagem estava fechada, então não dava para saber se tinha algum carro dentro ou não – Pelo menos esse é o endereço.
– O que acha de tocar a campainha e descobrir? — ela sugeriu enquanto saía de dentro do veículo – Não acredito que posso esticar as minhas pernas, não aguentava mais ficar dentro desse carro.
Antes que eu pudesse penar em ir até a porta e tocar a campainha, alguém foi para o lado de fora, Stefan, provavelmente tinha ouvido barulho. Assim que me viu, meu irmão veio caminhando na nossa direção.
– Finalmente você chegou, irmão – me abraçou – Pensei que você não fosse chegar hoje.
– Tive um pequeno problema na hora de alugar o carro na locadora perto do aeroporto e precisei ir de táxi até uma que ficava no centro da cidade – expliquei – Mas agora nós estamos aqui.
– Fico feliz com isso – sorriu antes de se virar para a minha namorada – Oi, Emery, como é que você está?
– Cansada! — respondeu – Achei que nunca mais fosse chegar aqui. Mas como você mora longe...
– Com o tempo você se acostuma – eu abri o porta malas para tirar a bagagem lá dentro e Stef foi me ajudar – Agora vamos entrar, eu quero te mostrar aonde vocês dois vão dormir.
O local aparentava ser bem maior por dentro do que por fora. A sala era gigantesca; de lá eu podia ver a escada que levava para o andar de cima, a porta da cozinha, duas porta fechadas que, imagina, ser o banheiro e o escritório, e uma última porta de vidro que levava ao jardim.
– Nós temos dois quartos de hospedes aqui, então vocês ficaram em um e a mamãe e o papai, quando ele chegar, vão ficar no outro – meu irmão começou a explicar, depois de levarmos tudo para dentro da casa – Disse para a Kath que ela podia ficar em uma cara no quarto do Dyl, mas ela não ficou muito feliz e foi ficar no hotel com o Enzo.
– Como assim? — minha voz saiu mais alta do que estava planejando – A Kath está sozinha em um quarto de hotel com o namorado? Como é que você deixou uma coisa dessas?
– A Katherine é maior de idade, nada do que eu fizesse ou falasse iriam impedi-la de nada – tentou explicar – Além disso, os dois namoram sério há um ano, você acha mesmo que eles ainda não fizeram nada?
– Gostaria de não pensar nisso, muito obrigado, Stefan – fiz uma careta, a ideia da minha irmãzinha caçula fazendo esse tipo de coisa era perturbadora demais.
– Bom, eu e a Caroline fomos para a cama pela primeira vez depois de duas semanas saindo juntos – observou – Você deve ter demorado até menos tempo para fazer a mesma coisa com a Emery, qual o problema da Kath não ser mais virgem? As nossas namoradas podem, mas a nossa irmã não? Sem contar que ela é bem mais nova que a Katherine, só para te lembrar.
Dei uma rápida olhada na Em, que estava mexendo no celular, provavelmente falando com alguém ou mexendo na internet, e não prestava atenção em nada da nossa conversa. Suspirei aliviado, tenho certeza de que não ficaria nem um pouco feliz com o nosso assunto.
– Tudo bem, vamos mudar de assunto – pedi, era melhor não arriscar – Você disse que a Kath estava no hotel com o namorado, mas aonde estão a mamãe e a Caroline?
– Elas saíram junto com o Dyl, disseram que tinham algo para fazer, não sei exatamente o que – deu de ombros como se isso não fosse importante – Agora vamos lá, vou mostrar o quarto de vocês.
Era um quarto simples, tinha uma cama de casa, duas mesinhas de cabeceira, um armário e uma televisão de LED na parede, o banheiro ficava no corredor e iriamos dividi-lo com os meus pais. Assim que meu irmão saiu, eu comecei a pegar as minhas roupas para poder guardá-las, enquanto Emery continuava mexendo no celular.
– Será que eu posso saber o que tanto você faz nesse celular que é tão interessante? — decidi perguntar – Você esta ai desde que chegamos.
– Estava falando com uma amiga minha do colégio – explicou – Ela pensou que que eu fosse para a casa dos meus nas férias de verão, mas eu expliquei que estava aqui em Mystic Falls, com você.
– Entendo! — continuei – Estava pensando em dar uma volta pela cidade, apenas para matar as saudades, você que vir comigo? Posso te mostrar todos os lugares que eu gostava de ir quando morava aqui.
– É uma ideia tentadora, mas hoje não – fez uma careta – Essa viagem de Atlanta até aqui me deixou exausta, sem contar que o carro me deixou enjoada, se importa se eu ficar aqui descansando?
– Claro que não me importo – garanti – Nós temos bastante tempo para que você conheça tudo.
Dei um selinho nela antes de sair do quarto. Voltando ao andar debaixo fiz o mesmo convite a Stefan e ele também disse não, pelo jeito seria apenas eu.
Por sorte, a casa do meu irmão não ficava tão longe assim do centro da cidade, então levei cerca de vinte minutos a pé. Aquele lugar quase não tinha mudado muito nesses últimos quatro anos, exceto por uma coisa ou outra e isso fez com que eu me lembra-se ainda mais de Elena.
Tinha passado por todos esses lugares junto com ela e, é claro, não posso deixar de pensar que vou reencontrá-la dentro de alguns dias, e vai ser tudo diferente, como se esses dias que passamos em Mystic Falls não tivessem existido. Talvez tenha sido bom não ter vindo aqui com a Emery hoje, era para eu estar aqui sozinho nesse momento.
Foi nesse momento que um homem passou empurrando um carrinho de sorvete. Não pensei duas vezes antes de chamá-lo.
– Com licença! — disse – Um sorvete de chocolate, por favor.
– Mamãe! Eve! Aonde estão vocês? — ele estava pegando o sorvete quando ouvi uma vozinha atrás de mim, era uma garotinha, que não devia ter mais que dois ou três anos, andando de um lado para o outro da praça, parecia estar perdida. Decidi me aproximar.
– Oi, bonitinha! — me ajoelhei ficando na sua altura, seus olhinhos azuis estavam cheios de água – Você está perdida?
– Eu não acho a minha mãe nem a minha irmã – explicou.
– Não se preocupa, eu vou te ajudar a encontrar elas – garanti, foi nesse momento que o vendedor veio me entregar o meu sorvete – Antes disso, por que não tomamos um sorvete? Por minha conta, é claro.
– Minha mãe sempre diz que eu não posso falar nem aceitar nada de estranhos – cruzou os braços, parecendo totalmente convencida.
– E ela está certa – concordei – Mas eu não sou um estranho, meu nome é Damon – estendi o braço na sua direção.
– E eu sou a Mind! — respondeu ao meu cumprimento.
– É um nome muito bonito, Mind – disse – Agora que somos amigos, o que acha de um sorvete – ela balançou a cabeça afirmativamente – Esse sorvete aqui é de chocolate, se você quiser outro sabor é só falar.
– Adoro sorvete de chocolate! — afirmou – É o meu sorvete preferido.
– O meu também – admiti, antes de me virar para o vendedor, mais uma vez – Outro sorvete de chocolate, por favor.
Quando já estávamos, ambos, com os nosso sorvetes, fomos sentar em um banquinho de concreto. Aquela garotinha ali, totalmente concentrada naquela doce na sua mão, me lembrou muito a Katherine quando tinha aquela idade, não sei muito bem por quê.
– Minha mãe nunca me deixa tomar sorvete antes do almoço – comento, de repente – Se ela souber, vai brigar comigo.
– Então esse vai ser o nosso segredinho – conclui e ela sorriu – Mas agora me diga, aonde foi que você viu a sua mãe e a sua irmã pela última vez? Assim fica mais fácil de achá-las.
– Eu estava com a minha irmã no parquinho – explicou – Então eu sai, correndo atrás de um passarinho e não sabia mais voltar para onde estávamos.
Tantos anos morando em Mystic Falls eu conhecia aquela praça como a palma da minha mãe. Sabia que tinha um parquinho de crianças que ficava quase em frente ao Mystic Grill.
– Pelo jeito você não se perdeu muito, Mind – avisei – Você só deu a volta, e não se preocupe, vou te levar até lá.
E foi o que eu fiz, joguei os dois potes de sorvete no lixo e a peguei no colo para irmos até o parquinho. O local não estava tão cheio, não seria tão difícil achar a irmã dela.
– Quando você encontrar a sua irmã ou a sua mãe, me avisa – pedi.
– Ela está bem ali! — apontou em direção de suas crianças que vinham na nossa direção – Eve! — a coloquei no chão e ela foi correndo na direção da outra garota.
– Mind, aonde é que você estava? — perguntou, totalmente preocupada – Nós estávamos procurando por você.
– Eu me perdi – deu de ombros, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Mas o tio Damon me ajudou a voltar – explicou, apontando para mim.
– Tio Damon! — foi só então que eu percebi que o garoto com elas era, ninguém mais, ninguém menos que o meu sobrinho Dylan.
– Dyl? — o abracei e dei um beijo no topo da sua cabeça – O que você está fazendo aqui? Cadê a sua mãe? E a sua avó?
– Estão no Grill – aprontou para o restaurante – Eu estou aqui no parquinho brincando com a Mind e a Eve.
– Eve? Foi quando eu, realmente, olhei para a menina mais velha. Aquela era Eve, filha da Elena com o Klaus. O que só pode significar uma coisa...
– Eu conheço você! — ela disse, por fim – Você é o amigo da mamãe aqui de Mystic Falls. O médico que cuidou do vovô Gilbert, não é mesmo?
– Exatamente – afirmei com a cabeça – Essa daqui é a sua irmãzinha? Mas nome dela é Mind? Pensei que a sua mãe fosse colocar nome dela de Miranda.
– O nome dela é Miranda – respondeu – Mas a gente chama ela de Mind.
Foi como um banho de água fria bem em cima de mim. Aquele jeitinho que me lembrava alguém, os olhos azuis, aquele cabelo preto bem lisinho, como foi que não percebi isso antes? Estava há quase dez minutos junto com a minha filha, conversando com ela, e não tinha a menor ideia.
Crianças, os hambúrgueres de vocês estão prontos – uma voz extremamente familiar fez com que eu me virasse na quela direção – Venham comer logo antes que esfrie.
Ela estava exatamente igual a última vez que a vi, há quase quatro anos. Não tinha envelhecido um dia sequer, apesar de seu olhar aparentar um pouco mais de maturidade que antes, e o seu cabelo também estava um pouco mais curto e com algumas mechas loiras. Uma coisa eu tenho que admitir, continua linda, como sempre.
– Lena... — sussurrei, fazendo com que ela reparasse na minha presença.
– Damon... — pronunciou o meu nome da mesma forma – Não sabia que você já estava em Mystic Falls.
– Eu cheguei agora pouco – respondi – Era para eu vir só na semana do casamento, mas o Stefan disse que precisava de mim aqui.
– Entendi... — estava olhando para os próprios pés nesse momento.
– Mamãe! — Miranda foi correndo na direção dela, que a pegou no colo no mesmo segundo – Então a Eve estava falando a verdade? Você conhece mesmo o tio Damon?
– Claro que é verdade, Mind – foi a irmã quem disse – Você acha mesmo que eu ia mentir sobre uma coisa dessas?
– Não sabia que você se lembrava dele, Eve – Elena virou-se, agora, para a filha mais velha – Você sempre diz que não se lembrar de muita coisa da época em que ficamos em Mystic Falls por causa do seu avô.
– Lembro de algumas coisas só – deu de ombros — Mas eu me lembro do rosto dele, bem vagamente, mas eu me lembro – estava se referindo a mim.
Sei que Elena estava pensando a mesma coisa que eu naquele momento. Logo depois que depois que ia ser pai, nós dois conversamos seriamente com a Eve, explicando para para ela que o bebê que ia nascer seria ser irmão, mas o pai dele não seria o mesmo que o dela, algo que provavelmente a deixou mais confusa quando as duas voltaram para Nova York. Mas, levando em consideração que ela só tinha dois anos na época, é capaz de que não se lembre, ou, simplesmente, não fale.
– O tio Damon é muito legal! — minha filha falou já que, pelo visto, estava sendo completamente ignorada naquela conversa – E ele é tio de verdade do Dyl, sabia disso?
– Sim, Mind, eu sei! — enquanto falava, ela voltou a me olhar.
– Que bom que você me acha legal – comentei, dando um pequeno sorriso na sua direção, estando bem perto dela e sabendo a verdade, pude notar várias semelhanças entre nós dois – Eu também te achei bem legal.
– Elena, querida, você está precisando de ajuda com as crianças? — como se a “reunião de família” já não estivesse completa, eis que surge minha mãe na porta do Grill – Damon? Quando foi que você chegou?
– Há cerca de um hora – calculei – Deixei as malas na casa do Stefan e vim dar uma volta pela cidade. Como a Emery não quis vir, deixei ela em casa descansando.
– Bom, ela que perde, então – deu de ombros – Já que você está aqui, o que acha de vir se sentar conosco? Aposto que ainda não comeu nada desde que saiu de Atlanta.
– Ora, Edna, se o Damon estava dando uma volta ele deve querer continuar fazendo isso – Lena apressou-se em dizer – Não vamos atrapalhá-lo.
– Vocês não me atrapalham – garanti – Eu estou mesmo com fome, vou me sentar com vocês sim.
Caroline estava sentada em uma mesa bem próxima a porta. Assim que ela me viu ficou totalmente espantada.
– Oi, cunhadinha – a cumprimentei – Espero que não se importe, vou almoçar aqui com vocês.
– Claro que eu não me importo – garantiu – Vamos chamar o garçom e pedir para ele trazer uma outra cadeira.
Miranda fez questão de que eu me sentasse ao seu lado, fazendo com que estivéssemos eu, Elena e a nossa filha no meio da gente. Não pude deixar de ter uma visão de uma família unida e feliz, será que as coisas seriam assim se estivéssemos juntos até hoje?
– A Eve falou que você é médico, tio Damon – Mind comentou, de repente, quando já estávamos todos acomodados – Meu vovô Gilbert também é médico.
– Eu sei! — afirmei – Para falar a verdade eu sou um médico igualzinho ao seu avô, nós dois somos cardiologista. Cuidamos do coração das pessoas — coloquei a mão aonde ficava o coraçãozinho dela.
– Legal! — riu – Minha mãe também é tipo uma médica, só que ela cuida de bichos e não de pessoas.
– Eu também sei disso – respondi.
– Sempre quis ter um cachorro – mudou de assunto completamente, como se eu não tivesse respondido nada – Mas o papai disse que eu não posso ter um porque moramos em um apartamento, então eu tenho que brincar com os cachorros que têm na casa da vovó.
Me deu um apartamento no coração quando ela se referiu ao Klaus como “papai”. Sei que ela não tem culpa disso e fui eu mesmo quem escolheu isso, mesmo assim, era difícil pensar que tem outro cara fazendo o papel de exemplo masculino para a minha filha. Elena percebeu isso, pois estava olhando para mim como se pedisse desculpas.
– Tudo bem, Mind, agora para de falar um pouco e termina o seu hambúrguer – pediu – Ou você vai acabar deixando tudo.
– Não tem problema, Elena – garantiu – Estou me divertindo conversando com ela, não é mesmo, Mind?
– Mesmo assim, ela precisa comer – insistiu – Depois vai ficar com fome e dizendo que não comeu nada.
– A Lena tem razão quanto a isso – foi Caroline quem opinou – É o que eu sempre falo para o Dylan, conversar na hora do almoço faz entrar ar na barriga e você perde a fome – meu sobrinho começou a gargalhar, como se achasse aquele assunto muito engraçado.
Miranda começou a comer, mas, vez ou outra, voltava a puxar assunto comigo. O restante do almoço foi bem tranquilo, Elena ainda parecia meio tensa com a minha presença, mas, mesmo assim, estava conversando bastante com Caroline com a minha mãe.
– Vou deixar o dinheiro que deve pagar a minha parte e das meninas – ela avisou, abrindo a carteira e tirando algumas notas lá de dentro – A Mind está quase dormindo e a Eve também está cansada.
Isso era verdade, Mind estava quase dormindo, mesmo sem deixar de balançar as pernas para frente e para trás, enquanto Eve estava distraída “desenhando” na toalha de mesa com o dedo.
– Está tudo bem, Lena, nós também já estamos indo – Car avisou.
Ela entregou o dinheiro para a amiga e saiu juntamente com as meninas. Mal tinham saído de dentro do restaurante quando eu me levantei também.
– Eu já volto! — disse antes de sair na mesma direção.
Tinha sido bem rápido, Elena ainda não tinha virado a esquina. Por um segundo, não sabia exatamente o que ia falar, só sei que precisava falar alguma coisa.
– Lena! — a chamei, fazendo com que se virasse na minha direção – Só queria dizer que gostei muito de ver você, e a meninas, é claro – dei uma rápida olhada em Mind, que agora dormia com a cabeça no colo da mãe, parecia bem tranquila.
– Também gostei de te ver, Damon – admitiu, deu um pequeno sorriso em seguida.
– Queria poder ver você novamente – continuei – Quem sabe assim eu poderia conversar um pouco mais com a Mind.
– Claro! — para minha surpresa, ela concordou sem pensar duas vezes, confesso que pensei que ela fosse relutar um pouco com essa resposta – Caroline vai fazer um almoço com todos os padrinhos na casa dela no sábado. A gente se vê lá.
– Daqui a dois dias então – de repente, fiquei totalmente ansioso para que o tempo passasse depressa – Como é que está o seu pai? Queria dar uma passada na casa dele para visitá-lo.
– Vai sim, eu sei que ele sente muita falta de você – garantiu – Agora eu preciso ir mesmo, Damon. Vamos, Eve? — segurou a mão da filha mais velha antes de se virar de costas para mim.
Fiquei esperando elas se afastarem e depois fiquei um tempo ali parado até que minha mãe aparecesse juntamente com Caroline, que estava com o Dyl, que também dormia, no colo.
– Nós estamos indo para casa – minha cunhada avisou – Você vai voltar conosco ou vai continuar andando.
– Não, vou voltar com vocês – avisei – Já chega de caminhadas por hoje.
Comecei a caminhar, juntamente com elas. Senti uma mão pousada nas minhas cotas, então eu me virei a tempo de encontrar a minha mãe, ela estava com um olhar solidário para mim.
– Você está bem, meu filho? — quis saber.
– Claro, mãe – afirmei com a cabeça – Só estou um pouco cansado, foi um longa viagem e agora que almocei, comecei a sentir isso.
– Se você diz – deu de ombros – Mas quero que você saiba que, se precisar de alguém para conversar, eu estou bem aqui.
Aquela conversa foi um pouco estranha, é como se minha mãe soubesse que eu sou o verdadeira pai da Miranda e estava sofrendo por conhecê-la já aos três anos e sem saber da minha existência. Claro que isso é impossível, então decidi deixar a minha paranoia de lado, ela só estava tentando ser simpática, mesmo que por um motivo desconhecido.
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