Amores e Consequências

13 Capítulo 12 – Família


Notas iniciais
Terminei o cap quase agora, então decidi postar mais cedo para vocês. O cap ficou bem grandinho, mas ele é muito importante para o desenvolvimento da história (principalmente para daqui há alguns caps). E no final temos uma revelação bombástica (acho que o título pode dar uma ideia do que seja...) E é isso, não vou enrolar muito aqui, espero que gostem no cap Nos vemos lá embaixo nas notas finais...

Foi muito difícil conseguir colocar Mind para dormir na hora de sempre. Tinha dito que Damon iria voltar para passar a noite aqui e ela queria ficar esperando o pai acordada de qualquer maneira.

– Miranda, minha princesinha, eu já disse que não sei, exatamente, que hora o seu pai vai chegar aqui – tentei explicar de uma maneira calma – E se você dormir muito tarde, amanhã vai ficar com sono e não vai aproveitar o dia.

– Não vou ficar com sono amanhã, eu prometo – insistiu, antes de soltar um pequeno bocejo – E nem estou com sono agora.

– Sei, percebi – ri enquanto passava a mão pelo seu cabelinho – Bom, vamos fazer um trato, então.

– Que tipo de trato? — pareceu interessada na minha sugestão.

– Você vai dormir agora – comecei – E quando o seu pai chegar, ele vai aqui te dar um beijo de boa noite. Além disso, amanhã nós vamos fazer uma coisa bem divertida, todos juntos. O que acha?

Ela colocou a mão no queixo, totalmente pensativa. Ficou alguns minutos dessa maneira e eu realmente não fazia ideia do que ela poderia responder.

– Tudo bem, eu concordo! — respondeu, dando um pequeno sorriso – Um dia eu, você, o pai e a Eve, vai ser o dia mais divertido de todos.

– Isso é verdade – dei um beijo no topo da sua cabeça – Mas para isso você precisa ir dormir agora.

– Certo! — afirmou com a cabeça – Vou dormir agora mesmo.

Afastei as cobertas para que Mind pudesse deitar e só depois disso a cobri, me sentando na ponta do colchão.

– Você vai contar uma história para eu dormir? — pediu – Pode ser uma bem curtinha, eu não me importo.

– Claro que vou te contar uma história – fui até a mesa de estudos que pertencia ao Jeremy e peguei um dos livros que tinha trazido para elas de Nova York, o mais fininho deles, depois voltei a me sentar o mesmo lugar de antes.

– Será que meu pai lê uma história para mim um dia desses? — quis saber, totalmente esperançosa.

– É só você pedir para ele – sugeri – Tenho certeza de que o Damon não vai se importar, ao contrário, vai ficar feliz em ler para você.

– Isso vai ser muito legal! — afirmou – O meu pai, lá em Nova York, nunca lia para mim.

Soltei um longo suspiro. Miranda parecia tão feliz e descontraída desde que soube que Damon era seu pai biológico que tinha me esquecido completamente do quanto ela tinha sofrido todos esses anos sendo destratada pelo Klaus.

– Não pense nisso agora, minha princesinha – fiquei passando a mão pelo seu cabelo – As coisas agora vão ser completamente diferentes, você vai ver.

– Isso vai ser mesmo muito legal – concordou.

– Mas agora a senhorita vai parar de me enrolar – lembrei – Já passou dez minutos da sua hora dormir.

– Tudo bem! — fechou os olhos, deixando bem claro que ela iria mesmo dormir.

Abri o livro e comecei a ler, mas não cheguei nem na metade da história e Mind já tinha caído em sono profundo. Dei mais um beijo de boa noite na sua testa, me levantei e sai com todo o cuidado do quarto para não fazer barulho e acordá-la.

***

Eve estava sentada no sofá da sala e balançava as perninhas para frente e para trás enquanto conversava com o meu pai. Minha filha mais velha tem o horário de dormir uma hora mais tarde que o da irmã, pois é nesse horário que costumo ajudá-la com a lição da escola quando está na época de aula. Miranda não se importa, pois sabe que quando tiver essa idade terá os mesmo privilégios e as mesma obrigações.

– Será que eu posso saber o que vocês estão conversando? — quis saber assim que cheguei ao último degrau da escada – Parece algo muito interessante.

– A Eve estava me contando todas as coisas que aprendeu na escola esse ano – ele explicou – E tenho que admitir, ela sabe muito mais coisas do que eu quando tinha essa idade.

– Não é por que minha filha, mas a Eve é muito inteligente – me sentei ao lado dela e a puxei para perto de mim – Meu pequeno orgulho.

– Eu fui eleita a melhor aluna da minha turma no último semestre letivo – seu rosto está levemente vermelho, um pouco envergonhada – Teve uma cerimônia na escola e eu ganhei um certificado e tudo.

– Mas que legal – meu pai comentou – Depois eu quero ver esse certificado.

– Está lá na nossa casa em Nova York – explicou – Papai disse que ia colocar em uma moldura e pendurar no escritório dele.

Eve tinha mesmo ficado muito orgulhosa disso e eu tinha certeza de que aquele seria o primeiro de muitos certificados que ela teria na vida.

– Isso é mesmo ótimo! — completou antes de se levantar – Ainda sobrou lasanha da hora do almoço, acho que vou esquentar um pouco, vocês vão querer também?

– Eu estou sem fome – minha filha negou com a cabeça.

– Já eu vou querer – fui eu quem respondeu – Para falar a verdade, eu também estou com fome – tinha almoçado no horário normal, mas não tinha comido mais nada desde então.

– Meu pai, então, se levantou e foi para o outro cômodo, me deixando sozinha com Eve na sala. Ela estava com o cabelo preso em uma trança mal feita e vestia uma blusa de alças, fazendo com que sua pinta no ombro ficasse exposta.

Fiquei ali olhando aquela pinta, a mesma que, não só todos os Mikaelsons, mas também Damon e Mind tinham. Era incrível como algo tão pequeno podia ter um significado tão grande e deixasse tantas coisas para serem pensadas. Tudo que eu sei nesse momento é que eu não vou sossegar até descobrir o que isso tudo quer dizer.

– O que foi, mãe? — Eve perguntou depois que eu fiquei alguns instantes em silêncio.

– Não é nada, só estava aqui pensando – falei – Sabe, eu acho que e não te agradeci pela sua atitude quando contei para você e a Mind sobre o Damon.

– Eu não fiz nada demais, mãe – deixou claro – Apenas disse a verdade, sei que você fica mais feliz ao lado do doutor Damon do que do meu pai.

– Mesmo assim, não é toda a criança da sua idade que aceitaria uma situação dessas – lembrei – Algumas preferem ter os pais em casa sem estarem feliz do que morando em casas separadas.

– Mas eu não penso assim – completou, rapidamente – Tem várias meninas na minha sala que os pais são separados e elas sempre dizem que, no começo, não queriam isso, mas depois perceberam que era melhor do que ver os pais brigando. Além disso, elas agora tem duas casas.

– E você também vai ter – sorri enquanto dizia – Klaus é seu pai e te ama mais que tudo nessa vida e, com certeza, vai concordar que você pode ir visitá-lo sempre que quiser.

– Isso vai ser ótimo – concordou – Eu ficar com saudades do nosso apartamento em Nova York se nunca mais fosse até lá.

Essa, sem dúvida, era uma das coisas da qual sentiria falta quando fosse embora definitivamente de Nova York. Nosso apartamento sempre foi um lugar agradável e, apesar de tudo, vivi bons momentos lá. Além disso ainda tinha a Rebekah e a senhora Mikaelson, são as poucas pessoas de quem vou sentir falta naquela cidade.

– Sei que o seu casamento com o papai não está indo bem desde aquela vez que voltamos de Mystic Falls – ela continuou – E vocês nem ao menos dormiam no mesmo quarto.

Fiquei totalmente chocada ao ouvir a minha filha de quase sete anos falando isso. Crianças são mesmo mais observadoras do que a gente pode imaginar.

– Além disso eu já reparei a maneira como o papai trata a Mind – falou, seriamente – Ela merece ter um pai que a trate bem, do jeito que ela merece.

– E ela vai ter, Eve – garanti – Mas nunca se esqueça de que o Klaus te ama e sempre vai te amar.

– Sei disso – concordou com a cabeça.

– Quando foi que você ficou tão sabia desse jeito? — dei um sorriso brincalhão, fazendo cosquinha na sua barriga – Você está muito filosófica hoje.

– Foi só algumas coisas que eu tenho observado ao longo desses três anos e agora consegui juntar as peças – dei de ombros – Mas agora eu estou com um pouquinho de sono, se importa se eu já for dormir? — perguntou, soltando um pequeno bocejo.

– Claro que não me importo, princesinha – garanti enquanto ela se levantava – Quer que eu vá junto para te colocar para dormir? Quem sabe ler uma historinha?

– Não precisa! — negou com a cabeça.

Fiquei observando Eve subiu as escadas rapidamente e tentando pensar quando foi que a minha filha passou a ser independente dessa maneira. Claro que é bom vê-la crescer, mas, ao mesmo tempo, também é muito doloroso.

***

– Estava mesmo precisando comer mais um pouco dessa lasanha – comentei quando dei a última garfada da minha comida, deixando o prato completamente vazio – Esse foi um dia cheio de emoções, acho que eu não tinha comido direito ainda.

– Hoje foi mesmo um dia cheio de emoções – meu pai concordou, levando todas as louças para a pia – Deixei um pedaço da lasanha para o Damon quando ele chegar aqui, imagino que ele vá chegar com fome.

– Provavelmente – dei de ombros tentando parece indiferente, mas na verdade é que eu estou muito preocupada.

Desde o momento em que Damon saiu daqui, não consegui parar de pensar sobre o que está acontecendo na casa do irmão dele. O que será que a senhora Salvatore pensou a respeito do nosso relacionamento? E qual foi a reação da Emery? O pior de tudo é não poder fazer nada quanto a isso.

– Você não precisa e preocupar, Elena, daqui a pouco o Damon está aqui – comentou – E vai te contar tudo que você quer saber.

– Assim eu espero – dei um longo suspiro – Não precisa lavar isso, pai, pode deixar que eu mesma lavo – avisei, dessa maneira eu tinha alguma coisa para distrair a minha cabeça.

– Não é problema nenhum eu lavar a louça – insistiu – Afinal, eu faço isso o tempo todo quando você não está aqui.

– Mas eu quero fazer isso – foi meu argumento final, ele sabia perfeitamente que não tinha como discutir comigo, ainda mais quando o assunto são tarefas domésticas.

Nesse mesmo instante a campainha tocou e nós dois nos entreolhamos. Só podia ser uma pessoa.

– Deixa que eu vou lá atender, então – meu pai avisou caminhando na direção a porta.

Assim que ele saiu da cozinha eu fui até a pia e comecei a ensaboar os pratos e talheres. Não demorou muito para voltar, juntamente com o Damon.

– Oi, meu amor – aproximou-se e deu um beijo na minha bochecha – Espero que não tenha demorado muito.

– Não se preocupe, você não demorou – menti.

– Eu disse que voltaria para cá, não foi – lembrou – Pois saiba que eu sempre cumpro as minhas promessa.

– Bom, Damon, eu deixei para você um pedaço da lasanha que comemos hoje de manhã – meu pai interrompeu a nossa conversa – Se você quiser, é claro.

– Vou querer sim – afirmou – Estou com bastante fome.

– É só esquentar por um minuto e meio no micro-ondas – avisou – Bom, acho que vou para o meu quarto. Talvez ler um pouco antes de dormir.

– Tudo bem, boa noite – respondi. Sabia que ele estava fazendo isso para poder nos deixar sozinhos e assim conversarmos.

Acenou para nós e voltou pelo mesmo local em que tinha entrado há alguns minutos. Assim que ficamos a sós, Damon olhou para mim e sorriu.

***

Ele esquentou o resto da lasanha e se sentou para comer enquanto eu lava a louça, assim que terminou, lavei o restante. Estava distraída, vendo a água retirar toda espuma do detergente, quando Damon me abraçou pela cintura e deu um beijo no meu pescoço.

– Está tudo tão quieto por aqui – comentou – Aonde é que estão as meninas?

– As duas estão dormindo profundamente lá em cima – respondi, virando um pouco, de modo que pude ver um pedaço do seu rosto – Embora tenha sido bem difícil colocar a Mind para dormir, ela queria ficar esperando.

– Você devia ter deixado ela ficar acordada... — disse, fazendo um pequeno biquinho – Teria sido bem legal chegar aqui e ser recebido pela minha filha.

– Acredite em mim, amanhã de manhã, quando ela não acordar mal humorada, vai me agradecer por não ter feito isso –agora eu me virei totalmente, ficando em frente a ele – Além disso, vai me dizer que não ficou feliz por eu estar aqui sozinha te esperando?

– É, acho que você serve – brincou, e eu dei um tapa de leve no seu braço – Ai, Lena, essa doeu!

– Pois era para doer mesmo – me fingi de brava – Seu bobo...

– Mas é claro que eu fiquei feliz por você estar aqui sozinha me esperando – me abraçou pela cintura, me puxando para mais perto de mim – Assim eu posso fazer isso – encurtou a distância entre os nosso rostos e me beijou.

– Perfeito! — sorri – Agora me conta, como é que foi a conversa com a sua mãe? O que foi que ela achou sobre nós dois estarmos juntos?

– Da maneira que achávamos que seria, ela amou – foi impossível não soltar um suspiro de alívio nesse momento – Lena, não acredito que você estava mesmo preocupada com isso. Minha mãe gostou de você no momento em que te conheceu e ela também ficou mais do que feliz em saber que a Mind é neta dela.

– A Mind também adora a sua mãe – garanti – No dia em que chegamos a Mystic Falls ela não parou de repetir o quanto tinha amado conhecer a senhora Salvatore.

– Parece que estamos no caminho certo, então – me deu mais um selinho.

– Tudo bem, agora vamos para a parte tensa da conversa – o olhei seriamente, colocando os braços em volta do pescoço de Damon – Como foi que a Emery reagiu?

Ele não me respondeu de imediato, apenas ficou encarando um ponto fixo parede atrás de mim. Tudo que consegui fazer foi revirar os olhos.

– Bom, já estávamos esperando por isso, não é? — lembrei – Talvez ela fique irritada agora, mas depois vai superar isso, você vai ver.

– Na verdade, ela reagiu até melhor do que eu poderia imaginar – tirou uma das mãos da minha cintura e passou pelo cabelo – Claro que a Emery chorou, disse que não conseguia viver sem mim e esse tipo de coisa, mas o escândalo até que não foi tão grade assim.

– Isso é bom – sorri – Pelo menos eu acho.

– Claro que é bom, Lena, isso é excelente, na verdade – afirmou – Agora só falta você pedir o divórcio do Klaus e nós dois estaremos livres e desimpedidos para sermos uma família: eu, você e as nossas meninas.

– Adoro quando você diz “nossas meninas” — brinquei.

– Pois é isso mesmo – concordou com a cabeça – Você sabe que eu amo a Eve como se fosse a minha filha e é dessa maneira que vou tratá-la, sempre.

E essa era a maior diferença entre ele e Klaus. Era bom saber que minha filha mais velha teria o carinho vindo do Damon, mesmo que ele não seja o seu pai biológico.

– Eu te amo! — sussurrei como se aquele fosse um grande segredo, e de certa maneira era; o nosso segredo.

– Eu também te amo – foi então que voltou a grudar os lábios.

Ele aprofundou o beijo e me puxou para que sentasse na bancada, que estava um pouco molhada, já que eu estava com a pia ligada até alguns minutos atrás, mas não estava me importando muito com isso no momento. Soltei um pequeno gemido antes de levar minhas mãos aos seus cabelo e bagunçá-los de leve com os dedos.

Um leve pigarro fez com que nos separássemos. Nos viramos na direção da porta a tempo de encontrar o meu pai, que estava de volta a cozinha.

– Eu decidi tomar um copo de leite quente antes de ir dormir – explicou – Pensei que vocês já tivesse ido se deitar.

– Nós já estamos indo – foi Damon quem respondeu, ele estava levemente envergonhado com aquele flagra, embora essa não fosse a primeira vez que isso acontecia, é claro – Só estávamos terminando de lavar a louça que usamos, não é mesmo, Elena?

– Claro! — concordei enquanto descia da bancada e ficava de pé – Já está bem tarde é melhor mesmo irmos dormir. Amanhã a Mind vai acordar cheia de energia e se estivermos com sono não vamos conseguir acompanhá-la.

– Tem razão, filha é melhor vocês irem dormir – estava com a leve sombra de um sorriso malicioso, provavelmente sem acreditar no meu discurso – Querem que eu prepare um leite quente para vocês também?

– Não precisa, pai, já estamos indo mesmo – segurei a mão de Damon, o puxando junto comigo.

***

Não sei exatamente qual o motivo, mas comecei a rir descontroladamente enquanto subia as escadas para o andar de cima da casa.

– Será que eu posso saber o que você está rindo? — Damon, que estava vindo logo atrás de mim, decidiu perguntar.

– Sinceramente, não sei – já estava no último degrau, me virei na sua direção – Acho que foi toda essa situação do meu pai nos pegando no flagra na cozinha.

– E você está mesmo achando essa situação toda engraçada – revirou os olhos e fez uma careta – Pois eu não achei.

– Damon, até parece que é a primeira vez que isso acontece – lembrei – Teve aquela vez que o carro, há quatro ano, sem contar a Eve aparecendo na sala há algumas semanas.

– Estou começando a desconfiar que precisamos tomar mais cuidado – concluiu, por fim.

– Ora, você mesmo disse que agora nós dois somos livres e desimpedidos – passei a mão pelo seu rosto – Já nos escondemos e escondemos os nossos sentimentos por tanto tempo, agora eu quero gritar para o mundo.

– Gostei de ouvir isso – me beijou, mais uma vez, e me puxou para mais perto de si, fazendo com que eu me desequilibrasse um pouco.

– Damon! — o reprimi – Estamos no alto da escada, garanto que não vai ser nada divertido se a gente sair rolando até lá embaixo.

– Tem razão – deu um sorriso travesso e me soltou – A proposito, a Caroline disse que vai mudar os pares de padrinhos no casamento dela, só para as coias não ficarem estranhas.

– Espera ai, você contou para a Caroline? — perguntei, em dúvida – Pensei que você tinha dito que só iria contar para a sua mãe e para a Emery, mas o resto só ia saber quando fizéssemos o anuncio oficial no jantar de ensaio da Car e do Stefan?

– E era esse o plano, mas a minha querida cunhadinha desconfiou de aonde eu poderia estar ontem a noite e hoje o dia inteiro e não tive como eu dizer não – deu de ombros – Mas se você não quiser ser o meu par no casamento, tudo bem, fala com a sua amiga – se fingiu de ofendido.

– Você sabe nada me deixaria mais feliz, do que ser o seu par no casamento da minha melhor amiga e do seu irmão – respondi, por fim – Além disso, vai evitar na Emery querer ficar perto de você durante toda a festa – cruzei os braços e fiz um biquinho.

– Mas como a minha namorada é ciumenta – brincou, me dando um selinho – Isso é uma coia muito feia, Elena Gilbert.

– Quer dizer que você poder sentir ciúmes de mim, mas eu não posso sentir ciúmes de você – observei – Ou pensa que eu esqueci do seu comentário sobre a minha conversa com o Tyler naquele almoço?

– Tudo bem, não está mais aqui quem falou – decidiu mudar de assunto, fazendo com que eu revirasse os olhos.

– Claro, engraçadinho – completei.

Voltamos a caminhar na direção do meu quarto, que era a segunda porta na parede oposta a escada. Ficava bem ao lado do de Jeremy, aonde as minhas filhas estavam dormindo nesse momento.

– Acho que você deveria ir dar um beijo de boa noite na Mind – sussurrei com medo de que sons altos no corredor pudessem acordá-las – Eu meio que prometi isso a ela antes de colocá-la para dormir.

– Mas é claro que eu vou lá, para ser sincero estava mesmo querendo fazer isso – deu um beijo no meu rosto – Te encontro daqui a pouco.

Abriu a porta com todo o cuidado e entrou no local.

***

Fui até o banheiro, fiz a minha higiene pessoal e coloquei o meu pijama de algodão. Não era muito sexy, mas Damon e eu já temos intimidade o suficiente para não se importar com isso.

– Voltei! — ele abriu a porta e entrou no quarto no mesmo instante em que eu saia do outro cômodo – Mind e mexeu um pouco quando dei o beijo nela, mas não acordou. Só acho que ela sabia que era eu, pois vi um pequeno sorriso nos seus lábios.

– Lógico que ela sabia que era você – concordei.

– Mas agora vamos voltar para onde paramos – me abraçou e encostou a testa na minha – Sabia que você está linda nesse pijama?

– Como você é mentiroso, senhor Salvatore – balancei a cabeça negativamente.

– Não estou mentindo – seus lábios estavam perigosamente perto dos meus – Na verdade, você fica linda de qualquer maneira.

Então ele me beijou profundamente. Me imprensou contra a parede, fazendo com que nossos corpos ficassem mais grudados um no outro (se é que isso era possível) e levou as mãos para dentro da camisa do meu pijama, explicando toda a pele até chegar aos meus seios.

– Espera, Damon! — consegui afastá-lo no momento em que começou a acariciar um do meus mamilos com o polegar, por mais que estivesse bom, o fiz parar – Não acho que seja uma boa ideia.

– Por que não? — me olhou confuso.

– As meninas estão dormindo no quarto do lado – lembrei – Tenho medo de que agente acabe acordando elas; não quero traumatizar as minhas filhas, as duas ainda são muito pequenas.

– Ter filho pequeno não é impedimento para transar, Lena – comentou – Pode perguntar para o Stefan e para a Caroline. Outro dia mesmo eu só consegui dormir no meio da madrugada por causa dos gemidos deles.

– Obrigado, agora não consigo parar de imaginar a cena na minha cabeça – fiz uma careta; imaginar minha melhor amiga e o noivo na cama não era a coisa mais agradável do mundo.

– Só estou dizendo que essas desculpas foram horríveis – completou – É melhor você arranjar outra.

– Tudo bem – acabei concordando – Mas é que eu pensei em hoje a gente só dormir abraçadinhos, sem fazer nada. Isso pode ser tão bom quanto o sexo – fiquei brincando com o lóbulo da sua orelha.

– É mesmo uma ótima ideia – deu um beijo no topo da minha cabeça – Eu aceito.

Tirei a colcha da cama e me deitava enquanto Damon tirava a roupa, ficando apenas com sua cueca boxer preta.

– Espero que não se importa de eu dormir só de cueca – falou – Eu esqueci de pegar um pijama quando estive na casa do Stef.

– Esqueceu, sei... — revirei os olhos – Não me importo, só não garanto que não vá te agarrar no meio da noite – brinquei.

Então ele deitou, puxou o lençol até a cintura e me puxou para perto de si.

– Isso é mesmo muito bom – fechei os olhos e me ajeitei, encostando a cabeça no seu peito – Boa noite, Damon.

– Boa noite, Lena – deu um beijo no topo da minha cabeça.

Estava com a mão sob o seu ombro, o que fez com que as pontas dos meus dedos encostassem na sua pinta alta, a famosa “pinta Mikaelson”, despertando toda a curiosidade que tinha ficado adormecida na minha mente por um instante. Me levantei um pouco para poder olhá-lo.

– Tudo bem, eu vou estragar o clima ótimo que está aqui, mas eu preciso fazer essa pergunta – Damon ficou totalmente atento ao que eu tinha para falar – Por acaso, a sua mão já esteve em Nova York ou algo parecido?

– Lembro de Edna ficando estranhamente incomodada quando citei o nome do meu cunhado, e agora desconfio levemente do porquê. Mas se seu filho mais velho dor mesmo um Mikaelson, é provável que tenha estado em Nova York em algum momento da vida.

– Para falar a verdade, ela morou em Nova York – respondeu, embora parecesse um pouco desconfiado – Minha mãe se mudou para lá quando foi fazer faculdade, estudou na New York University.

– Sua mãe fez faculdade? — agora foi a minha vez de se espantar, afinal, a mãe de Damon não trabalha fora de casa – Não sabia disso.

– Ela estudou direito – explicou, passou a mão, nervosamente, pelo cabelo – Na verdade, foi lá que ela conheceu o meu pai biológico, ele trabalhava na empresa que ela estagiava, ou algo parecido.

– Sério? — tentei parecer o mais surpresa possível com essa revelação, mas claro que não estava – Mas então isso quer dizer que você nasceu em Nova York, ou, pelo menos, foi feito lá.

Mesmo estando um pouco tenso, ele não pode deixar de sorrir com aquele meu comentário.

– Não é algo que eu conte para muitas pessoas, mas eu nasci em Nova York – afirmou, por fim – E sabe, essa é uma coisa em comum que eu tenho com a Mind, não é mesmo?

– Verdade! — concordei – Mas por que você nunca me contou isso? Quero dizer, achei que não tivéssemos segredos um com o outro.

– Não achei que fosse algo importante – deu de ombros – Eu nasci lá, mas, quando eu tinha dois meses, minha mãe recebeu a proposta para ajudar a montar um pequeno escritório em Atlanta, como ela estava esperando por uma oportunidade para sair dessa cidade, aceitou sem nem pensar duas vezes. Por isso eu não me sinto um novaiorquino.

– Entendo! — falei – Quero dizer, eu nasci em Mystic Falls e amo essa cidade, mas eu fui criada aqui, imagino que você deva sentir a mesma coisa em relação a Atlanta.

– E é exatamente, isso. Então, em Atlanta, ela conheceu meu pai, os dois se casaram, Stef e Kath nasceram e o resto você já sabe – beijou a ponta do meu nariz – Mas por que você está me fazendo todas essas perguntas?

– Sendo 100% sincera – comecei – Queria saber mais da sua vida, quem sabe assim eu não descubro mais sobre o seu pai biológico, se é mesmo o tio do Klaus ou...

– Lena, achei que tivesse deixado isso bem claro – explicou, calma e pausadamente – Eu não quero saber quem é o meu pai biológico, não tenho o menor interesse nisso.

Ele continuava na defensiva, mas sei que ele vai me agradecer depois. Toda criança adotada ou que não foi criada por um dos pais quer saber sobre a sua família biológica, mesmo que seja somente uma curiosidade sobre a origem.

– Damon, essa sua pinta pode mesmo significar que você é um Mikaelson – lembrei – Vai me dizer que você não está nem um pouco curioso para saber a verdade.

– Não, Elena, eu não estou curioso – elevou um pouco o tom de voz, fiquei com medo de que isso pudesse acordar – Não quero saber nada a respeito daquele homem que abandonou a minha mãe e nunca quis saber nem mesmo se eu estava vivo. Ao que me diz respeito, ele não é meu pai.

– Sei que você está com raiva dele por tudo que te fez, mas ele continua sendo o cara que te colocou no mundo – lembrei, agora eu estava bem cautelosa – Nem que seja para tirar essa dúvida da cabeça.

– Não tenho nenhuma dúvida na cabeça, sei muito bem que é o meu pai – deu de ombros – Meu pai é Giuseppe Salvatore, sempre foi e sempre será.

– Foi nesse momento que eu me levantei e caminhei até a entrada do quarto.

– Espera, Lena, aonde você vai? — quis saber.

– Vou até a cozinha tomar um copo d'água – usei o tom de voz mais frio que consegui – Acho que é melhor te deixar um pouco sozinho – bati a porta com toda a força, fazendo mais barulho ainda.

***

A casa estava totalmente apagada, meu pai já devia ter ido dormir. Por isso descia até a escada o mais lentamente possível.

Enquanto bebia um enorme copo cheio de água comecei a pensar em toda a minha intervenção, talvez Damon tenha razão, se ele não quiser saber sobre o pai biológico e eu não tenho que tentar forçá-lo a isso.

– Lena! — estava tão distraída que não percebi que ele tinha me seguido até ali – Eu queria te pedir desculpas por falar com você daquele jeito, lá em cima.

– Não, Damon, sou eu quem deve pedir desculpas aqui – fui caminhando na sua direção – Eu sou mesmo uma idiota por tentar te forçar a descobrir quem é o seu pai biológico, você sempre disse que não tinha interesse em saber quem ele era. Não sei porque eu pensei que ao saber da história da pinta, as coisas iam ser diferentes.

– Você apenas tentou me ajudar e isso é muito fofo da sua parte – colocou uma mexa do meu cabelo para trás orelha – E acho que tem o direito de saber por que eu não quero saber do meu pai biológico, a verdade.

– Claro que eu quero saber – afirmei – Mas só se você quiser me contar.

– Quando eu tinha uns onze anos, decidi perguntar a minha mãe sobre o meu pai, apenas por curiosidade mesmo – explicou – Então ela decidiu que eu já tinha idade o suficiente para saber de tudo – soltou um longo suspiro antes de continuar — Acontece que meu pai biológico era casado quando namorou a minha mãe e quando ela contou que estava grávida ele tentou dar dinheiro para um aborto, mas ela não aceitou, então disse que não queria saber nem dela nem de mim e que era para nunca mais procurá-lo.

– Damon... — foi tudo que eu consegui falar depois dessa história – Isso é mesmo horrível.

– Por isso eu considero meu Giuseppe Salvatore como meu verdadeiro pai – disse – Ele nunca se importou da minha mãe já ter um filho com outro quando se conheceram, me registrou e me deu um sobrenome e, o mais importante, nunca fez distinção entre mim e os meus irmãos por eu não ser seu filho biológico, sempre tratou nós três por igual – enumerou – Pai é quem cria, Lena, não quem faz e foi ele quem me criou.

O mais assustador de tudo isso é: eu só vi Finn Mikaelson uma vez (na época em que eu ainda namorava o Klaus) e não conversamos muito, mas sei que ele nunca foi casado, o tio de Klaus era um solteirão convicto e teve muitas namorada, embora tenha tido uma filha com uma delas (a menina é apenas alguns anos mas velhaque a Eve), mas mesmo assim nunca oficializou o casamento com a mãe dela, inclusive não estão mais juntos; algo muito diferente do meu seu sogro, que é casado com a Esther há exatos trinta e cinco anos, o que significa que as datas batem perfeitamente...

– Está tudo bem, Lena? — perguntou, interrompendo os meus pensamentos – Você ficou quieta de repente.

– Não é nada – menti, negando com a cabeça – Então vamos esquecer essa história do seu pai biológico, ele realmente não merece qualquer preocupação vindo de você.

– Fico feliz que tenha me entendido – me beijou no rosto – O que acha de irmos dormir agora?

A descoberta de que Damon pode ser irmão do Klaus é mesmo uma grande descoberta (e uma bela armação do destino, devo admitir), mas não serei eu a fazer essa revelação ao mundo. Ele me pediu para esquecer e vou respeitar essa escolha.

– Vamos sim! — concordei, decidi ignorar totalmente a minha mente, que no momento estava a mil.

Notas finais
E ai, quem ai está em estado de choque com a revelação? Será que o Damon é mesmo irmão do Klaus? Isso seria, como a própria Elena disse, uma bela armação do destino. Ou será que tudo não passa de uma grande conhecidência? *** Eu ia colocar uma hot Dalena, mas o cap já estava muito grande e eu precisava colocar essa conversa entre eles sobre o pai biológico dele... Mas se tiver bastante comentário e, quem sabe, uma recomendação, eu posso fazer uma hot daqui há alguns caps? (sem pressão kkkkkk) *** Bom, é isso Comentem e digam o que estão achando. Recomendações?