Amores e Consequências
2 Capítulo 1 – Reencontro
Notas iniciais
Três anos depois...
Já estava escuro quando terminei de atender o meu último paciente, um filhote Yorkshire que foi tomar as suas primeiras vacinas, a dona dele também comprou algumas coisas no petshop.
– Aqui está – entreguei a sacola com os produtos para ela – Espero você aqui em duas semanas para fazermos a segunda dose das vacinas do Toby.
– Pode deixar que eu virei – garantiu – Agora eu preciso ir, a Amanda, minha filha, deve estar louca em casa para saber como está o bebê dele. Ela queria vir comigo, mas tinha escola hoje.
– Oh sei, como é – comentei – Imagino que ela esteja muito feliz com o cachorrinho novo.
– Sem a menor dúvida – afirmou com a cabeça – A senhora tem filhos, doutora? Aposto que tem vários animais em casa, com uma veterinária em casa.
– Tenho duas filhas, Eve e Miranda – respondi – E eu até que queria comprar um cachorro para elas, mas é um pouco mais complicado que isso.
Já tinha tentando convencer o Klaus vária vezes que seria bom para as meninas terem um animal de estimação e que isso ia trazer responsabilidade para elas. Mas não adiantou nada, ele não aceitou de nenhuma maneira.
– É uma pena – deu um fraco sorriso.
Ela se despediu e saiu do local, ao mesmo tempo que uma outra pessoa entrava. Era Elijah Smith, o dono da clínica veterinária e do petshop.
– Elena, o que você está fazendo aqui ainda? — comentou no mesmo instante.
– Acho que posso perguntar a mesma coisa para você, Elijah – disse – Você não tinha tirado o dia de folga para preparar uma surpresa pelo seu aniversário de casamento?
– Eu vim até essa floricultura que tem do outro lado da rua para comprar flores para a Celeste quando vi que a clínica ainda estava aberta – explicou – Então vim ver se tinha algum problema.
– Não tem nenhum problema – expliquei – Acontece que chegou um paciente de última hora e eu precisei atendê-lo, mas já estou indo.
– Certo – completou – Imagino que vá buscar as suas filhas na escola, ou pediu para alguém ir buscá-las no seu lugar?
Elijah sabe que eu sempre faço questão de ir buscar as meninas no colégio as sextas-feiras para poder passar um tempo com elas, o que eu não tenho tempo durante a semana desde que comecei a trabalhar. Infelizmente, hoje não foi possível.
– Pedi para a Bonnie ir buscá-las – disse – Mas agora eu vou para casa e poderei aproveitá-las, nem que seja um pouquinho.
– Divirta-se então – sorriu.
Obrigada – retribui os seu gesto – E dê lembranças e Celeste por mim. Espero que ela goste da sua surpresa.
Tranquei tudo antes de ir para o meu carro. O transito estava bem tranquilo para um final de sexta-feira em Nova York, mas não achei ruim, pois logo cheguei em casa; assim que abri a porta encontrei minha filha caçula sentada no sofá e segurando seu ursinho de pelúcia favorito.
– Mamãe! — ela esticou os bracinhos na minha direção.
– Mind, minha princesinha – a peguei no colo e dei um beijo no topo da sua cabeça – Você se comportou direitinho enquanto eu estive fora?
– Sim! — balançou a cabeça afirmativamente.
Lembro que, com três anos, Eve já era totalmente dependente e não precisava de mim para muita coisa, enquanto Miranda é bem manhosa e fica querendo minha atenção o tempo todo. Claro que essa diferença entra as duas não me surpreende, levando em consideração as circunstâncias.
– Fico feliz com isso – disse – E aonde é que está a Bonnie?
– Estou aqui, senhora Mikaelson – nossa governanta apareceu na porta da cozinha – Não se preocupe, assim que chegamos eu dei o lanche delas e agora estou fazendo o jantar.
– Obrigada, por tudo, Bonnie – agradeci – Acho que não sei o que eu faria sem você aqui.
– A Bonnie fez um bolo de chocolate para nós – Mind explicou – Estava delicioso, mamãe.
– Eu imagino – sorri enquanto falava.
– Ainda tem bolo lá dentro, senhora – explicou – Se quiser um pedaço eu posso pegar.
– Quem sabe mais tarde – dei de ombros – Aonde é que está a Eve? Pensei que ela estaria aqui vendo televisão com a irmã.
– Assim que ela terminou de lanchar foi para o quarto – respondeu – Disse que tinha que tinha dever de casa para fazer e queria terminar o mais rápido possível.
– Então está bem – nesse momento coloquei minha filha caçula sentada no sofá novamente – Acho que vou até lá vê-la um minuto.
– Pensei que você fosse ficar assistindo televisão aqui comigo – Miranda fez um biquinho de tristeza.
– Eu já venho, minha gatinha – garanti – É que eu preciso trocar de roupa e ver como está a sua irmã. Você me espera aqui?
– Tudo bem – afirmou com a cabeça.
Sorri para ela antes de que subir as escadas em direção ao andar de cima. Fui diretamente até a porta do quarto de Eve.
– Posso entrar? — dei uma batidinha antes de perguntar. E recebi um murmuro afirmativo.
Em três anos o quarto da minha filha mais velha não mudou muito. Ele continua com a mesma cor rosa nas paredes, duas estantes com várias bonecas de louça (todas presentes da Rebekah) e uma que fica em cima da cama, a sua favorita; a única diferença é uma mesinha de estudos em que tinham vários livros infantis e os cadernos do colégio. É lá que ela está sentada nesse momento.
– Oi, mãe – sorriu para mim antes de se virar novamente para a sua tarefa.
– Será que eu posso saber o que você está estudando com tanta vontade? — perguntei, colocando a mão sob o seu ombro – Ainda mais em uma sexta-feira.
A turma de Eve está aprendendo a ler e a escrever esse ano. Na última reunião de pais,a professora dela contou como as crianças estão empolgadas com isso e já pude verificar em casa.
– Hoje na aula fizemos um texto sobre as nossas famílias – explicou – E na segunda-feira teremos quer ler na frente da turma toda e eu estou treinando.
– Mas que legal – disse, totalmente aninada – Por que você não lê para mim para eu ver como é que fica? — pedi, sentando na ponta da cama, de onde eu podia ficar de frente para ela.
– Está bem – afirmou enquanto pegava o caderno – A professora ajudou todo mundo a escrever os textos.
– Entendi – completei.
Minha família, por Eve Mikaelson
Meu nome é Eve Marie Mikaelson, eu tenho seis anos e moro em Manhattan. Meu pai se chama Niklaus, ele é advogado e trabalha na empresa da família; minha mãe se chama Elena, ela é veterinária e trabalha em uma clínica para pequenos animais.
Eu também tenho uma irmã mais nova, de três anos, Miranda, mas sempre a chamamos de Mind. O nome dela é em homenagem a nossa avó, mãe da nossa mãe, não a conheci, mas pelo que vi em fotos era muito bonita.
Os meus outros três avós eu conheço, mas os que eu mais vejo são os pais do meu pai. Vovô Mikael é o governador do estado de Nova York e vovó Esther é dona de casa e trabalha com várias causas sócias para ajudar pessoa carentes. Já o vovô Grayson mora em Mystic Falls, mas vem aqui nos visitar sempre, ele é médico cardiologista.
Eu também tenho dois tios e uma tia. Tio Jeremy é irmão da minha mãe, ele mora em Richmond e é casado com a tia Anna, e em alguns meses eles vão ter o meu primeiro priminho ou primeira priminha. Já o tia Kol é irmão do meu pai, eu não o conheço pois está sempre viajando por todo mundo. A tia Rebekah também é irmã do meu pai, ela é gêmea do tio Kol, ela morava em Londres na época em que eu nasci, mas agora mora aqui em Nova York, o que é muito bom, assim está sempre me levando ao parque e ao shopping.
E essa é a minha família e posso dizer que sou muito feliz por ter todos eles perto de mim.
– E então, o que achou? — perguntou totalmente esperançoso quando acabou de ler – Está bom?
– Está maravilhoso, Eve! — garanti – Você está escrevendo muito bem e lendo muito bem também.
– Será que eu vou conseguir ler bem assim na aula? — quis saber – Tenho medo de ficar com vergonha e ler tudo errado.
– Tenho certeza de que você vai conseguir – garanti – Agora, o que você acha de ir assistir desenho comigo e com a Mind?
– Tudo bem – concordou enquanto se levantava.
– Então vai indo lá enquanto eu troca de roupa – pedi – Eu já encontro vocês em alguns minutos.
Foi o que eu fiz, troquei de roupa e fui para o andar debaixo da casa, aonde as minhas filhas já estavam. Ficamos assistindo televisão por uma hora e meia antes de Bonnie avisar que o jantar estava pronto.
– Mais uma vez, obrigada, Bonnie – falei – Imagino que já esteja tarde para você ir para casa hoje, não é mesmo?
– O ônibus que eu pego deve estar passando dentro de alguns minutos, acho que não vou ter tempo para trocar de roupa e chegar lá a tempo – respondeu – Mas eu posso dormir aqui hoje e pegar o ônibus amanhã bem cedo.
– Então está bem – completei – Pode ir dormir, se quiser, imagino que você esteja cansada.
– Obrigada, senhora Mikaelson – despediu-se antes de ir para a área em que fica o quarto dos empregados.
Servi três pratos, um para mim, um para Eve e um para Mind. Já estávamos comendo quando ouvi barulho de chave abrindo a porta.
– Papai! — Miranda saiu correndo em direção a sala.
Decidi ir atrás dela e quando cheguei Klaus estava retirando o paletó e ignorando a “filha”, como se ela não estivese ali na sua frente.
– Oi, papai! — disse, com o seu melhor sorriso. Ele não disse nada, então o olhei com o meu olhar mais mortal.
– Boa noite, Miranda – a cumprimentou.
– Sabe, papai, eu fiz um desenho lindo para você hoje no colégio – explicou – A Eve disse que você sempre levava os desenhos dela para o trabalho, então eu fiz um meu para você levar também.
– Depois eu olho – garantiu, mesmo sabendo que ele não ia fazer isso, a não ser que eu insistisse.
– Não esquece! — pediu.
– Nós estamos jantando, a Bonnie fez macarrão com molho de tomate – avisei enquanto pegava Mind no colo – Se você quiser comer, ainda tem um pouco na panela.
– Acabei comendo alguma coisa na empresa – deu de ombros – Falando em Bonnie, sei que amanhã é o dia de folga dela, mas você poderia ligar pedindo para ela ficar com as meninas a noite.
– Ela está aqui, mas posso pedir, antes dela sair, se ela não pode voltar a noite – avisei – Mas por que seria? Se é que posso saber?
– Amanhã é a festa de lançamento da campanha de reeleição do meu pai, já se esqueceu? Eu te falei isso há uma semana – lembrou – E, como minha esposa, você precisa estar presente.
– Oh sim, claro – balancei a cabeça negativamente, eu realmente tinha me esquecido disso.
– Mas agora você já se lembrou – continuou – Então, amanhã, você vai ao shopping e compre um vestido novo, quero você bem bonita ao meu lado.
Revirou os olhos, rapidamente, sem que Klaus visse. E, mais uma vez, seria a “esposa objeto” dele, alguém para ser mostrado para a família Mikaelson como se o nosso casamento continuasse as mil maravilhosas, e eles não tem ideia da verdade.
Fui até a cozinha e meu marido foi atrás, indo diretamente pegar água na geladeira. Depois disso, ele se virou para Eve.
– Oi, minha filha – deu um beijo no topo da cabeça dela – Como foi no colégio hoje? Você se comportou direito?
– Mas é claro, pai – respondeu como e fosse a coisa mais óbvia do mundo – Eu fiz uma redação na aula hoje, li para a mamãe e ela adorou.
– Também quero que você leia para mim – pediu – Antes de você dormir eu passo no seu quarto para você me mostrar, tudo bem?
– Claro – afirmou com a cabeça.
Quando ele terminou de tomar água, saiu da cozinha. Sentei na cadeira em que eu estava, então percebi que Mind estava parada olhando para o prato.
– Filha, você não vai terminar de comer o seu macarrão? — perguntei.
– Perdi a fome – disse, dando um pequeno suspiro em seguida – Acho que a minha barriguinha já está cheia com o que eu comi.
Sabia muito bem qual a razão dessa falta de fome dela. Era tudo por causa da indiferença com o Klaus e por causa da maneira diferente com que ele trata ela e a Eve, isso já está começando a ficar irritante.
De maneira nenhuma, a senhorita precisa comer tudo – a coloquei no colo e trouxe o seu prato para mais perto de mim – Pode deixar que eu te ajudo.
Logo depois de conseguir fazer as duas terminarem de comer, estava na hora de prepará-las para dormir. Miranda foi bem fácil, logo ela já tinha caído na inconsciência, mas Eve estava excessivamente elétrica naquele dia.
– Pode deixar que eu a coloco para dormir hoje – surpreendentemente, Klaus apareceu na porta do quarto – Ela queria mesmo ler a redação para mim.
– Está bem – concordei enquanto me levantava – Bem que você podia colocar a Miranda para dormir também, nem que seja apenas uma vez.
Ele não respondeu nada, então fui diretamente para o meu quarto. Então eu peguei um livro e fiquei lendo até dormir.
***
No dia seguinte eu falei com Bonnie e ela disse que não tinha problema de que ficar tomando conta das meninas a noite, então ela iria para casa e voltaria no fim da tarde. Depois disso fui para o shopping juntamente com as minhas filhas levando, é claro o cartão de credito do Klaus, pois, apesar de eu estar trabalho e ganhando o meu dinheiro, não me importo de gastar o dele, já que estou sendo obrigada a ficar aqui, esse é o mínimo.
Acabei escolhendo um vestido azul escuro simplesmente lindo e comprei dois brinquedos para Eve e Miranda. Eu ainda fui ao salão, fiz a unha e o cabelo, em casa eu só precisei me maquiar e trocar de roupa.
– Uau, Elena, você está incrível – Klaus segurou a minha mão quando cheguei ao último degrau da escada – Certamente vai ser a mais linda na festa.
– Obrigada! — disse – Bom, acho melhor nós irmos logo.
– Tem razão – concordou – Você precisa dar alguma recomendação final para a Bonnie?
– Não, afinal ela está sempre cuidando das meninas, então sabe todos os horários delas – lembrei – E quanto a vocês duas, obedeçam a Bonnie e façam e tudo que ela mandar – disse para minhas filhas, que estavam sentadas no sofá.
– Tudo bem! — disseram ao mesmo tempo.
Dei um beijo nelas antes de sairmos. O caminho até a mansão da família Mikaelson foi feito em total silêncio, quando chegamos, tive que me apoiar no braço do meu marido, afinal, precisamos manter as aparências.
– Finalmente vocês chegaram, meus queridos – minha sogra foi na nossa direção assim que passamos pela porta de entrada – Elena, você está, simplesmente, deslumbrante.
– Obrigada, Esther – agradeci – Você também está ótima.
– Obrigada! — repetiu o meu gesto – Agora venha, eu quero te apresentar a umas amigas minhas que estão doidas para te conhecer.
– Vão até lá – Klaus concordou – Vou procurar o papai, ele, com certeza, deve estar precisando de mim.
Então ele foi em direção ao escritório do pai, enquanto eu segui juntamente com Esther. Fomos para perto de umas mulheres que conversavam animadamente sentadas em um sofá e minha sogra fez as devidas apresentações.
– Esther nos disse que você é veterinária – uma delas comentou – Sabe, estamos começando a montar uma ONG em defesa dos animais.
– Mas isso é uma ótima iniciativa – sorri – Eu sempre quis trabalhar em uma ONG assim, desde que estava na faculdade. Se precisarem de ajuda, não exitem em me chamar.
– Acredite, estamos sempre precisando de ajuda – garantiu – Pegue o endereço com a Esther e apareça lá um dia . Sempre precisamos de alguém para fazer os cartazes.
Na verdade eu estava pensando em atender os animais que vocês resgatam – sugeri.
– Ora, minha querida, nós não resgatamos animais – explicou, balançando a cabeça negativamente – A nossa ONG é para proteger os animais selvagens, para que eles não sejam usados como casaco de pele.
– Ah, entendo – dei um meio sorriso – Quem sabe eu não apareça lá um dia?- mas a verdade é que eu não irei aparecer, tenho muito trabalho para fazer e não preciso perder tempo fazendo cartazes com elas.
Me afastei, deixando que elas continuassem a conversar sobre o que quer que estivessem conversando antes. As festas na casa dos pais do Klaus eram sempre assim, não conseguia me sentir enturmada.
– Oi, Lena – me virei a tempo de encontrar a minha cunhada, ela estava maravilhosa em um vestido vermelho, ao seu lado estava um homem que nunca tinha visto antes – Fico feliz em te ver.
– Digo o mesmo, Bekah – disse.
– Já ia me esquecendo de fazer as apresentações – revirou os olhos – Lena, esse é Marcel Gerard. Marcel, essa é minha cunhada, Elena.
– É um prazer conhecê-la, Elena – apertou a minha mão, me cumprimentando – A Rebekah sempre falou muito bem de você.
– Eu e o Marcel trabalhávamos juntos quando eu morava em Londres e perdemos o contato quando eu voltei para Nova York – disse – Mas ele também veio para cá e acabamos nos encontrado, por acaso, lá na empresa.
– O destino sempre armando para encontrarmos as pessoas – dei de ombros.
– Pode ter certeza – afirmou – E aonde é que está o meu querido irmão mais velho?Queria muito falar com ele.
– Deve estar no escritório do pai de vocês ou em algum lugar junto com ele – respondi – Ande por ai que daqui a pouco você encontra ele.
– Então daqui a pouco nos falamos de novo, Lena – se despediu de mim, puxando Marcel junto consigo.
Continuei andando e me misturando aos outros convidados da festa. Mais alguns minutos se passaram até que eu avistei meu marido mais uma vez, ele estava junto com um outro homem, alguém que eu conhecia muito bem.
– Elena, querida, quero que você conheça Tyler Lockwood – apontou para o meu ex-namorado, assim que estávamos perto o suficiente – Ele é prefeito de uma cidadezinha no interior da virgínia e é do mesmo partido que meu pai.
– Oi, Tyler – me virei diretamente para ele enquanto fala – É muito bom te rever depois de todos esses anos.
– Posso dizer o mesmo, Elena Gilbert – pegou a minha mão e beijou a ponta dos meus dedos – Ou, devo dizer, Elena Mikaelson.
– E essa cidadezinha no interior da Virgínia é Mystic Falls – Klaus revirou os olho – Sou mesmo péssimo com nomes, me desculpem.
– Tudo bem – Tyler disse – Eu e Elena nos conhecemos desde pequenos, estudamos no mesmo colégio, embora não na mesma turma.
– Isso sim é uma coincidência – observou – Bom, vou procurar o meu pai, outra vez. Ele vai fazer o discurso de lançamento de campainha e pode precisar da minha ajuda.
Ele se afastou, então eu e Tyler ficamos ali, apenas nos encarando. Confesso que aquele silêncio estava começando a ficar constrangedor.
– Então, o que acha de irmos dar uma volta pelos jardins? — sugeriu, por fim.
– Eu adoraria – estiquei o braço na sua direção para que ele entrelaçasse com seu – Vamos até lá.
A festa estava toda localizada dentro de casa o que significa que o jardim estava totalmente vazio. Caminhamos um pouco até chegarmos ao chafariz que ficava bem em frente ao portão de entrada, nós sentamos ali.
– Acho que posso dizer que você está muito bem de vida – Ty comentou – Você se casou com o filho do atual governador de Nova York, deve ter tudo que desejar, não é mesmo?
– Eu não diria exatamente isso – dei um longo suspiro e fiquei encarando os meu próprios pés – Só não entendo porque você não contou para o Klaus que nós dois já fomos namorados.
– Não queria arranjar problemas para você – explicou – Klaus parece ser o tipo de cara ciumento.
– Acredite ele não teria o direito de sentir ciúmes – garanti e ele ficou me encarando totalmente confuso – É um pouco complicado, não quero te preocupar com os meus problemas.
– Você pode me importunar com os seus problemas a hora em que quiser – colocou a mão sob a minha – Tenho bastante tempo, por que você não começa a me explicar?
– Basicamente, nosso casamento não é essas maravilhas que aparentam — comecei, calmamente – No inicio até era, mas agora eu e Klaus estamos juntos apenas de fachada.
– Uau! — comentou – Essa é a famosa falsa felicidade da alta sociedade novaiorquina que vemos nos filmes.
– Engraçadinho – fiz uma careta – Mas acho que é por ai. Vamos dizer que eu sei que meu marido tem uma amante e não faço nada quanto a isso.
– Me parece uma maneira muito cruel de se viver – falou – Não sei se seria capaz disso.
– Não posso dizer que tenha sido 100% fiel – dei de ombros, de maneira casual – Minha filha caçula, não é do Klaus e ele também sabe disso. Digamos que tive um tórrido romance com o pai dela, mas agora acabou.
E essa era a primeira mentira que conto para o Tyler nessa noite. Claro que meu “tórrido romance”, como acabei de me referir ao meu relacionamento com o Damon, acabou, mas nunca vou esquecer dele, por mais que eu queira.
– Acho que isso é bom para mim, então – começou a passar os dedos pelo meu ombro – Tenho que admitir, todos esses anos eu não consegui te esquecer, Elena, mesmo sabendo que você estava com outro ou que tinha se casado e tinha uma filha. Mesmo sabendo que era quase impossível, sonhava em ter uma segunda chance com você.
– Talvez não fosse um sonho tão impossível assim – completei.
E, no segundo seguinte, estávamos nos beijando. Tudo bem, o Ty não é não é o Damon, mas isso não impede que eu aproveite o momento; já estou sozinha há quase quatro anos e sinto muita falta de ter um cara que goste de mim de verdade e que me faça feliz.
– Acho que não é uma boa ideia fazermos isso aqui – sussurrou quando nos separamos e ele colou a testa na minha – Se alguém nos vir aqui vai acabar com o seu disfarce de casamento perfeito.
– Eu não me importo – dei de ombros – Aliais, não tem ninguém aqui mesmo.
Ele me deu mais um selinho antes de se separar, definitivamente de mim. Nossas mãos continuaram entrelaçadas.
– Quero te ver de novo – admitiu – Infelizmente vou voltar para Mystic Falls amanhã bem cedo.
– É mesmo uma pena – dou um longo e frustrado suspiro – Mas você vai voltar a Nova York outras vezes, não é? Quero, dizer, você vai ajudar na campainha de releição do Mikael, não é mesmo?
– Sim – respondeu – Mas quando eu vir vai ser por um curto período de tempo, para ir embora no mesmo dia, e vou passar o tempo inteiro em reuniões chatas.
– Entendo – completei.
– Mas você pode ir até Mystic Falls – lembrou – Quero dizer, você não vai visitar seu pai e a Caroline, não é mesmo?
– Não tenho planos de ir a Mystic Falls tão cedo – disse – É um pouco complicado de explicar assim, mas eu simplesmente não consigo colocar os pés na cidade.
Consegui passar os últimos três anos sem ir até Mystic Falls. Tudo naquela cidade me fazia lembrar o Damon e reencontrar todos os lugares que estive junto com ele será doloroso demais.
– Tudo bem, nós damos um jeito – puxou meu rosto para junto de si – Eu prometo que daremos um jeito – então ele me beijou, outra vez.
– Ora, mas que cena mais linda – nos viramos e Klaus estava ali parado, nos encarando – É uma cena fofa de ver.
– Bom, Lena, vou deixar vocês conversando – Tyler avisou se levantando e me dando um beijo no rosto antes de se afastar.
– Estou totalmente chocado – cruzou os braços e ficou me encarando – Nunca imaginei que fosse do tipo que tem um relacionamento extraconjugal, bom, de novo.
– E você pode falar muita coisa, não é mesmo? — repeti o gesto dele – Se você pode, eu também posso.
– Mas não na casa dos meus pais aonde toda a sociedade de Nova York pode ver – comentou – Temos que manter as aparências.
– Ninguém viu e isso que é importante – falei – Agora eu não falo dos seus casinhos e é bom você também não falar dos meus.
– Tudo bem, então – concordou – Vamos lá para dentro, meu pai vai fazer o discurso dele.
Ele segurou a minha mão e nos juntamos ao restante da festa. Como um casal feliz que devemos aparentar.
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