Amores póstumos

Dona eu não daria a minha vida

Por você.

Se acaso o fizer, como irei ao seu

Lado viver?

Não creio em amores póstumos

Como lhe amarão meus ossos?

Não pretendo remeter à eternidade

O que uma doce ansiedade

Me impele a fazer.

Minhoquinhas

Essas sim serão minha companhia.

Imaginemos uma paixão espírita:

Dentre a bruma surge o meu espectro

Pálido

A contemplar seu corpo deitado

Na noite quente, dorme nua.

Enquanto isso meu espírito flutua.

Sinto a necessidade do toque...

Transpasso seus seios.

Não choro, não suo.

Como um desejo irrealizado.

Assim eu flutuo.

(um “eu” que já nem sou eu)

Nenhum beijo, nenhum abraço....

Nem fui notado no quarto.

Durma, durma. Este fantasma

Acaba de descobrir

Que precisa ter um quê

Fisiológico pra o seu amor

Se cumprir.

Desisto volto ao limbo.

Ah, dona me beije logo,

Que a vida é curta!

By: allisson

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