Amores Distantes
33 Recordações
Notas iniciais
Jonas e eu sentamos em uma mesa distante. Sua expressão ainda era confusa. Ele estava com os braços sobre a mesa.
– Isso tudo é tão... Confuso. – disse ele. Ri de canto. Estiquei a mão esquerda e pus sobre as suas mãos que estavam com os dedos cruzados.
– Eu queria tanto que você se lembrasse de mim.
– Você é casada? – ele fitou minha aliança – Ah, não! Eu não vou me meter em briga de corno.
– Calma. É uma longa história.
– Conte.
– Quando eu tinha quinze anos, tive de me separar de você. Meu ex-namorado Erick me comprou dos meus pais. Ele não aceitava o fato de você me namorar. Passei vinte anos longe de você. Quando te encontrei, a gente...
– Fez... Sexo? – perguntou simplesmente.
– Isso. Eu tive que voltar para os Estados Unidos. Lá eu descobri que estava grávida...
– De mim? – seus olhos arregalaram – Esse bebê que você está esperando é meu?
– Eu não tenho certeza. Erick não me deixa sair de casa. Eu não sei nem o sexo do bebê. Continuando, você e o Nicolas foram para os Estados Unidos me buscar e o Nicolas se apaixonou pelas minhas filhas. Quando íamos fugir, Erick matou minha amiga Margaret e minha cunhada Ruth...
– Ele matou a própria irmã? – perguntou indignado.
– E a minha filha, que é dele também. Você perdeu a memória porque o Erick bateu na sua cabeça com um cano de metal e por isso você perdeu a memória.
Ele respirou fundo. Ficamos calados por um bom tempo. Deixei Ferris com Santiago.
– Como foi o nosso primeiro beijo? – perguntou curioso.
– Foi assim...
Flashback on
Entrei na lanchonete. Eu estava furiosa. Sentei numa mesa sozinha. Estava usando uma blusa de tricô vermelha, um short preto e um par de sapatilhas pretas. Meu cabelo cacheado estava preso num rabo de cavalo. Tinha treze anos.
– No que posso ajuda-la? – perguntou ELE. Jonas.
– Eu queria um suco de maracujá e um salgado de frango. – falei desanimada.
– Só tem empada, pode ser?
– Claro.
Dois minutinhos depois, Jonas veio com uma bandeja oval. Meu pedido estava lá. Ele pôs em cima da mesa.
– Bom apetite!
– Obrigado!
– Você parece tão para baixo. – disse sentando do meu lado. Ri de canto.
– É o Erick.
– O que aquele babaca fez?
– Ele é mal-educado, egocêntrico, metido.
– Ok. Agora fale uma novidade!
Sorri para ele. Ele retribuiu meu sorriso com outro sorriso.
– Terminei com ele.
Ele fez cara de surpreso.
– É sério?
– Sim. Acredita que...
Ele me interrompeu. Seus lábios se moldaram nos meus em um encaixe perfeito. Fui pega de surpresa. Foi um beijo calmo e sem malicia. Depois de uns dez segundos, nos separamos.
– JONAS EU NÃO TE PAGO PARA FICAR NAMORANDO NO ESPEDIENTE. – gritou o dono da lanchonete.
Jonas nem ligou. Seus olhos castanhos escuros ficaram fixos aos meus olhos verdes.
– Já tem um bom tempo que quero fazer isso. – admitiu.
– Quanto tempo exatamente?
– Desde que eu te conheci. Não entendia o fato de uma garota legal ficar namorando aquele Mané! Além do mais, eu te acho muito gata!
Ri desse comentário. Ele segurou a minha mão. E ficou me olhando.
Flashback off
– UAU! Nem sei o que dizer.
Sorri para ele.
– E... Como foi que a gente começou a namorar mesmo?
– É! Temos muita coisa a recordar!
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