Amores Distantes

19 Injustiças amorosas


Notas iniciais
Talvez, nesse capítulo, vocês fiquem com um pouquinho, beeeem pouquinho de pena do Erick.
Vai aparecer partes do cap. 1 e do cap. 10!

Toda a família estava à mesa. Estávamos jantando filé à parmegiana. Erick ficou olhando para mim o tempo todo. Ele me olhava com preocupação, medo, raiva, desespero, infinitas coisas ruins.

- Que foi que a Liz fez querido? – perguntou Clarisse.

- Por que a senhora acha que ela fez alguma coisa? – retrucou ele.

- Porque você está só encarando ela! – respondeu – Mal tocou na comida.

- Não é nada demais! – declarei – Erick só está preocupado com o bebê! – menti – Eu não sou mais tão jovem. Nós dois tememos que aconteça algo de ruim!

Ela deu de ombros. Terminamos nosso delicioso jantar. Fomos para sala de estar. Nós temos um piano. Um grande piano preto. Amanda começou a tocá-lo. Todos nós ficamos ouvindo a quinta sinfonia de Beethoven. Só Erick que não tinha expressão nenhuma. Nicolas e Natasha voltaram do passeio.

- Oi família! – disse Natasha chegando. Amanda parou de tocar para receber o abraço da irmã. – Ah, não pare de tocar só porque eu cheguei. Continue.

- Olá Sr. Gomes – disse Nicolas. Ele estendeu a mão para o Erick, que pareceu não ter visto nem ouvido, então, não reagiu. – Bom, só vim deixar a Natasha. Então boa noite a todos.

- Boa noite! – respondemos todos nós juntos. Nicolas foi até a porta de entrada acompanhado pela Natasha. Ela o beijou, antes que ele partisse.

- Você passa a maior parte do dia com ele! – questionou Ferris – O que vocês tanto fazem? – ele levantou uma sobrancelha.

- Aonde você quer chegar? – perguntou ela pondo as mãos na cintura.

- Você não respondeu minha pergunta! – alertou ele. Sorriu maliciosamente.

- Seu mente poluída! – falou ela.

- Ei, eu não tenho a mente poluída! – rebateu – Tenho uma imaginação sexy!

- Ok, hora de dormir! – falei.

Todos foram para os seus quartos. Fiquei sentada na minha cama, escorando as costas no travesseiro, pernas cobertas pelo lençol e de braços cruzados. Estava esperando Erick terminar o banho para conversarmos. Cinco minutos depois ele apareceu. Usava apenas uma bermuda. Os cabelos estavam molhados. Erick não era feio. Era muito, muito bonito.

- Você ainda está acordada! – disse ele. Deitou ao meu lado, de costas para mim.

- Precisamos conversar. – falei.

- Sobre o que?

- Não se faça de idiota! – ele virou para mim – Há quanto tempo você é usuário de drogas? – perguntei. Ele não gostou da pergunta.

- Já tem cinco ou seis anos.

- Por que não se tratou?

- Eu não quero ser a imperfeição da família! – respondeu.

- Como assim? – eu não tinha entendido.

- Nossa família é perfeita. – ele abriu um sorriso – Tenho uma linda esposa, três belos filhos... Futuramente serão quatro. Sou rico e bem sucedido. Para ser mais perfeito, só precisamos tirar da cabeça da Amanda essa escola de artes. – ele bufou – Aí sim! Seríamos perfeitos. Sim, eu uso drogas. Mas, eu sei me controlar! Não preciso de tratamento nenhum!

- E a arma?

- Caso apareça algum ladrão, tenho como nos defender! – ele achou mesmo que eu cairia nessa?

- Você apontou aquele revólver contra mim. – ele se sentou – Você teria coragem de atirar em mim? – lágrimas queriam sair dos meus olhos, mas fiz força para que elas continuassem lá.

- Eu apavorei você! – ele começou a passar uma das mãos nos meus cabelos. – Eu nunca faria isso com você! Eu te amo muito, só você não percebe!

- Eu sei que você me ama muito, mas... – ele me beijou. Foi um beijo muito... Forçado. Ele chegou mais perto e me abraçou. Ele me soltou e olhou no fundo dos meus olhos -... Eu não te amo.

- É muito doloroso amara alguém e não ser correspondido!

Ele ficou sério e com raiva. Dormimos.

– Você me vendeu!- gritei. Erick passou a mão no meu cabelo. Jonas surtou.

– Se encostar nela eu arranco sua mão fora.- gritou ele- Não vai tirá-la de mim!- olhou para meu pai — Sr. Rafael, eu ganho na loteria, trabalho duro, faço o que for preciso para ficar com sua filha. Eu a amo mais que tudo.

Meu agarrou meu pulso esquerdo e Jonas o direito. Fiquei entre um verdadeiro cabo de guerra. A mão do meu amor escorrega e sou tirada de perto dele. Erick tenta socar Jonas, mas ele desviou do soco, chutou-o e lançou-o contra a prateleira da minha mãe. De repente aparecem os dois seguranças de Erick e fazem Jonas cuspir sangue.

– Elizabeth!- grita ele- Eu vou te buscar aonde quer que você esteja. Não se esqueça de mim!

Minha mãe me arrasta até o meu quarto. Só que quando eu abri a porta e entrei, não era meu quarto. Era o aeroporto da Argentina. Jonas olhou para mim e disse:

– Você me pediu uma coisa. Eu também quero pedir.

– O que você quer?

– Um beijo.

Beijei ele. Ele me apertou muito forte. Minhas costas estavam doendo muito. Mas eu não queria estragar o momento com os meus gemidos de dor. Continuei o beijo ignorando a dor. Ele tinha tirado a barba.

– Chega! – me separei dele – Eu tenho que ir! – comecei a andar, mas ele não soltava minha mão. – Por favor, pare. Você está tornando as coisas piores para mim. Esse foi nosso último beijo! Solte-me e prometa que não vai me buscar!

– Eu prometo que não vou lhe buscar! – ele falou bem devagar. Lágrimas saíram de seus olhos. Eu nunca tinha visto ele chorar.

Ele me soltou. Eu não queria ser tão dura.

– Você vai continuar me amando? – perguntou ele.

– Até o momento da minha última respiração!

Acordei.

Outro sonho ruim. Quando meus pais me venderam, fui obrigada a soltar a mão de Jonas. Quando eu estava na Argentina e tive que voltar para casa, obriguei o a soltar minha mão. Como será que ele estava? Decidi que iria pedir ao Nicolas notícias do pai dele. Olhei a hora no despertador do Erick. Dez e meia da manhã. Há essa hora ela já teria ido trabalhar. Fui tomar banho, escovar os dentes e trocar de roupa. Saí do quarto. Enquanto estava no corredor escutei música vinda do quarto das meninas. Abri um pouco a porta e coloquei só a cabeça para dentro. Vi Amanda pulando em cima da cama escutando sua banda preferida: The Beatles. Ela girava no ar. Deu um salto mortal para trás e caiu perfeitamente no chão. Saí de lá. Escutei o som de um tiro vindo do quarto do Ferris. Será que o Erick tinha resolvido usar sua arma? Fui imediatamente até lá. Abri a porta de maneira desesperada.

- Erick não! – gritei. Era só o Ferris jogando seu videogame. Ele olhou para mim estranho. Apertou um botão do controle e saiu de novo o som do tiro.

Fui para cozinha. Era dia de folga da Margaret. Peguei uma tigela e coloquei nela cereal e leite. Meus pais estavam na piscina. Escutei o som de um grito vindo da calçada.

- O QUÊ? – gritou uma voz feminina. Gritou muito alto para eu ter escutado da cozinha. Fui até lá, abri a porta e saí. Era a Natasha brigando com Nicolas. Ela apontava o dedo na cara dele. – Você está me dando um fora? – olhou furiosa para ele.

- Eu gosto de você, só que... – tentou ele, mas ela o interrompeu.

- Eu sou linda, legal e inteligente! Somos compatíveis! – agora olhou desesperada – Por que quer terminar?

Ele respirou fundo e respondeu:

- Estou gostando de outra garota!

- O QUÊ? – bateu um pé no chão e voltou a ficar furiosa – Quem é a piranha?

- Não se refira a ela dessa maneira! – falou alto.

- Quer saber Nicolas, você não me merece! – olharam para mim. Depois de toda essa confusão finalmente perceberam que eu estava lá. Natasha veio até mim, tomou minha tigela e rebolou meu cereal no Nicolas. – Quero que você e a sua periguete vão se lascar! IDIOTA! – ela foi para dentro de casa pisando forte no chão.

Olhei para ele. Encharcado de leite e com rosquinhas coloridas de diversas cores no cabelo.

- Ela puxou a histeria do pai! – declarei. Ele bufou.

- Eu não queria que tivesse terminado assim. Gosto muito da Natasha, só que... – ele não continuou.

- Gosta de outra! Tudo bem, ninguém tem culpa!

- Sabe quando você não consegue parar de pensar numa pessoa? – perguntou. Fiz sim com a cabeça pensando no Jonas. – Você só quer estar perto dela e, quando não está, só pensa nela. Eu não consigo parar de pensar na Aman... – ele parou. Acho que ele não queria que soubesse quem, mas eu já sabia.

- Eu sei que você está gostado da Amanda. – disse. Ele olhou para baixo. – Nicolas não fique assim. A Amanda também gosta de você – olhou para mim com os olhos brilhando de esperança – só não sei se gosta do mesmo que você!

- Onde ela está? – perguntou curioso.

- No quarto.

- Fazendo o que?

- Dançando. – eu queria poder responder: endoidando. Ele olhou para cima com cara de sonhador. Deve ter imaginado ela dançando.

- Que situação! Eu estou afim da irmã gêmea da minha ex-namorada.

- A minha é pior. – declarei.

- Por quê?

- Estou grávida e não sei quem é o pai. Minhas filhas provavelmente vão brigar por causa do mesmo garoto, que é filho do meu amante.

Ele concordou e foi embora.

As horas se passaram. Toda a família estava na sala assistindo um filme: O Homem da Mascara de Ferro.

- Não entendo porque o D’Artagnam defende tanto o rei Luís. – questionou Ferris – Esse cara é o cão!

- No final do filme você entenderá! – disse Amanda. Ferris cruzou os braços e bufou.

Escutamos o som da campainha.

- Deve ser meu namorado! – disse Natasha. Mas ela e Nicolas não tinham terminado? Ela foi até a porta e quando voltou estava acompanhada pelo Hunter. Erick fez cara de furioso.

- Hi guys! (Oi pessoal!) – disse Hunter sorridente.

- Hello! (Olá!) – respondemos todos estranhamente.

- You are not university! (Você não é universitário!) – provocou Erick. Olhou para Natasha. — Where is the Nicolas? (Onde está o Nicolas?).

- He is past! (Ele é passado!) – respondeu ela.

- Nicolas terminou com você? – perguntou meu pai.

- Não, eu que terminei com ele! – mentiu.

Continuamos a ver o filme. Vi o Erick bocejar de tédio unas duzentas vezes. O filme chegou ao fim. Ferris ficou em depressão por causa do final. Todos estavam indos para cama enquanto eu e ia para cozinha procurar o que comer e fazer uma ligação. Peguei sorvete e o telefone. Disquei o número e fiquei esperando a pessoa atender.

- Alô? – disse Nicolas do outro lado da linha.

- Oi, aqui é a Liz! – disse.

- Oi Liz e aí? Quais as novidades?

- Natasha está namorando!

- Já? – ficou espantado – Ela é rápida! Com quem?

- Hunter Lesnick, você não o conhece.

- E como está a Amanda? – dava para sentir a alegria dele ao pronunciar o nome dela.

- Está bem!

- Ela não está namorando não, né?

- Não!

- Que alivio! Posso continuar te chamando de sogrinha?

- Quer que eu te chame de Niquinho?

- Acabou a brincadeira! – eu ri.

- Bom, foi só por isso que eu liguei mesmo...

- Espera! – interrompeu – Tenho notícias do pai.

Meus batimentos cardíacos aceleraram.

- Diga logo! – ordenei.

- O pai se envolveu numa briga. Ele tá bem. Tinha um cara que queria bater no tio Santiago, porque ele é gay. Aí o pai foi defender ele.

- Que bom que ele está bem! – falei aliviada.

- Guilhermina arrancou um dente e Eleonora queimou uma blusa sua que você esqueceu lá e casa.

- Maluca!

Nós dois rimos.

- Ah, só mais uma coisa! O pai pediu que eu te dissesse uma coisa, só que como se fosse ele falando.

- O que?

- Eu te amo!

Notas finais
Gostaram?
Ficaram com pena do Erick?
Gostaram do final do capítulo?
é o fim do casal Nitasha (Nicolas e Natasha).
Comentem por favor!