Amores Distantes
46 Final Feliz
Notas iniciais
– Eu Jonas Maciel, recebo-te Elizabeth Costa como minha esposa e prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
– Eu Elizabeth Costa, recebo-te Jonas Maciel como meu esposo e prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida.
Trocamos as alianças.
– E eu vos declaro marido e mulher. – disse o padre – Os noivos já podem beijar as noivas.
Amanda beijou o Nicolas e o Jonas me beijou. Escutamos aplausos e gritos de histeria do Santiago.
Flashback off
– Satisfeita? – perguntei à garota de cabelos pretos e olhos verdes de dez anos, sentada no colo do pai dela.
– Você e o papai casaram num casamento duplo com o Nicolas e a Amanda? E o tio Santiago usou um terninho rosa pink? – perguntou Natalie – E eu levei rosas até ao altar?
– Exatamente. – respondeu Jonas. Ele a tirou do colo dele.
– Mamãe – chamou um garotinho de três anos muito parecido com o Jonas sentado no meu colo – quem são aquelas três ali? – perguntou Eduardo apontando para o criado mudo ao lado da cama de casal em que estávamos sentados assistindo televisão.
Olhei para os porta-retratos que ficavam no criado mudo.
– Aquelas são Natasha, Margaret e Ruth. – falei apontando para cada foto – Elas são... Três anjinhos da guarda.
Terminamos o nosso café da manhã na cama. Natalie pôs tudo em cima da bandeja e saiu do meu quarto. Eduardo a acompanhou. Fitei Jonas. Ele já estava com alguns cabelos brancos.
– Vou tomar banho. – falei.
– Ok. – disse ele. Quando eu estava descendo da cama, ele puxou meu rosto e me deu um beijo. Abracei o e ficamos deitados na cama, eu por cima dele. Afastei-me por falta de ar.
– Depois, as visitas já estão chegando. – falei levantando da cama.
Entrei no banheiro, me despi e comecei a tomar banho.
Bom, o que aconteceu...
Depois que a polícia chegou, viram o Erick morto no chão da sala e Jonas disse para eles que o Erick estava drogado e caiu da escada com uma faca. Ele disse isso para não incriminar a Amanda, pois ela seria acusada de assassinato por ela ter cortado ele. Mas ela me explicou que o tempo todo ela segurou nos pulsos do pai dela, não na faca. Levamo-la imediatamente para o hospital. Ela sobreviveu. Levou alguns pontos na barriga e engessou o pé.
Nós quatro viemos para Argentina, nem fomos para o enterro do Erick. Como ele e Ruth estavam mortos, a empresa da família ficou toda para o César. Meus pais quase enfartaram quando descobriram que eu e o Jonas estávamos juntos de novo. Eles tiveram que voltar a trabalhar, no Brasil.
Não foi nada fácil ter sete pessoas (Eu, Jonas, Ferris, Guilhermina, Amanda, Nicolas e Santiago) morando numa só casa, ainda ela sendo pequena. Depois de um tempinho vendemos a casa e compramos uma maior, que é essa que estamos morando agora. Vale lembrar que Bernardo passou a morar conosco.
E os anos foram passando. Jonas conseguiu me convencer a ter mais um filho, que é o nosso querido Eduardo. Foi a única vez que fiz parto cesariana. A Amanda e o Nicolas não moram mais conosco. Moram muito, muito longe!
Terminei meu banho. Jonas foi tomar o banho dele. Vesti roupas frescas e saí do quarto. Desci as escadas em direção ao primeiro andar. Lá avistei um casal de adolescentes na sala de estar. Uma garota de dezoito anos, cabelo castanho claro e pele morena clara usando óculos de grau enquanto lia um livro. Ela estava sentada no sofá. E o garoto, da mesma idade, tinha cabelo castanho chocolate, pele clara e olhos verdes como os meus. Ele estava deitado no sofá com a cabeça sobre as pernas da garota.
– Ferris tira os pés de cima do sofá! – ordenei de longe. Ele bufou e sentou no sofá.
O que dizer sobre Ferris e Guilhermina? Agora ela faz faculdade de filosofia e ele disse que não quer fazer faculdade. Ferris ajuda Santiago a administrar o Restaurante do Santiago, que agora se chamava assim. Ah, Ferris e Guilhermina namoram já faz dois anos e meio. Eu lembro que foi ela quem pegou o buquê de noiva da Amanda, quando ainda era uma criança. O meu quem pegou foi o Santiago.
Olhei para ela. Parecia aflita.
– Tudo bem querida? – perguntei.
– Ah, sim mãe! – disse ela nervosa. Ferris encostou a cabeça no ombro dela. Com o tempo, o Nicolas e a Guilhermina passaram a me chamar de mãe, Amanda e Ferris chamam o Jonas de pai.
Ele deu um selinho nela. E mais um e mais um! Ela abriu um sorriso nervoso.
Jonas passou por mim, passando a mão no meu bumbum. Ele poderia estar envelhecendo, mas a sua safadeza era permanente. Ele mandou para mim seu típico olhar travesso. Bufei.
Escutamos a campainha. Jonas foi abrir a porta e ficou de joelhos. Duas criancinhas o abraçaram. Um casal de irmãos gêmeos, ambos com cabelo preto e liso e olhos azuis. Eles eram sorridentes e carismáticos. Os dois tinham cinco anos.
– Acho que o vovô está ficando velho! – falou Jonas levantando eles dois fazendo voz de cansado.
– Ora, ora, ora! Se não são o tico e o teco! – provocou Ferris. Lancei para ele um olhar de “não fale assim com os seus sobrinhos”.
– Oi vovó! – disse a menina. O menino disse o mesmo. Eles se chamam Melinda e Miguel.
Eles dois me abraçaram. Foi um abraço bem apertado, afinal fazia muito tempo que eu não os via.
– Cadê os pais de vocês? – perguntei.
– Estão lá fora. – disse Melinda – Descarregando as nossas malas.
– E discutindo! – completou Miguel.
Levantei uma sobrancelha. Apareceu um casal de adultos. Um homem atlético de cabelos negros como o pai. Muito parecido com o Jonas e o Eduardo.
– Ah, oi mãe! – disse Nicolas. Ele estava cheio de malas. Derrubou algumas no chão – Oi pai.
– Oi filho. – falei. Jonas também o cumprimentou.
Nicolas lançou um olhar irritado para esposa dele. Uma mulher esbelta de olhos azuis e cabelo cor de chocolate. Ela ergueu uma sobrancelha olhando para ele e fez biquinho.
– Amanda e Nicolas – chamou Jonas – o que está acontecendo com vocês dois?
– Ele quer que o nosso próximo filho se chame Antônio José, mas eu quero Tomás! – falou Amanda.
Jonas e eu rimos do motivo da discursão.
– Filha você tá grávida? – perguntei dando um abraço nela.
– Não! – respondeu – Planejamos ter mais um filho. Ou filha.
– Se for menina, eu quero Joanne. – rebateu Nicolas.
– Oh, Nicolas! – choramingou Amanda – Eu queria Sophie. – ela bateu as mãos nas pernas.
– Cadê Amanda? – perguntou Jonas.
Amanda abriu uma das malas e tirou uma caixa de papelão. Lá tinha um troféu. Mas não era qualquer troféu. Era o Oscar de Melhor Roteiro.
Bom, a Amanda se tornou atriz, produtora, diretora e roteirista. Além de dançarina também. O Nicolas terminou a faculdade de Engenharia. Eles dois moravam nos Estados Unidos com a Melinda e o Miguel. A cada seis meses eles vinham nos visitar.
– Parabéns. – disse o Jonas abraçando a – Eu me orgulho de ser seu pai Amanda.
Só eu e ela sabemos o quanto era bom ela ouvir isso.
E O QUE ACONTECEU COM O SANTIAGO? Eu tive que pagar a tatuagem dele. É uma borboleta verde perto da virilha. Eu não vi! Ele que me disse! Ele namora o Bernardo. Sem contar que o restaurante agora estava melhor do que nunca. Santiago estava feliz, muito feliz! Ele deu apelidos para os meus filhos: Amandita, Ferrizinho, NatLu e Duduzinho.
E quanto a Eleonora? Teve uma vez que eu e o Jonas estávamos vendo o jornal e ela apareceu. Foi presa por prostituição ilegal e tráfico de armas.
Você deve pensar que eu sou a única que não trabalha e nem estuda nessa família. Uma vez o Jonas brincou dizendo que a minha história de vida era quase impossível de se acreditar, porque parecia muito fictícia e maluca. Foi aí que uma ideia surgiu na minha cabeça. Eu publiquei um livro. Fiz hora com o Jonas pondo como título aquela frase dele: Amores Distantes. Consegui muito dinheiro com aquela publicação.
– QUEM AQUI ESTAVA SENTINDO A MINHA FALTA? – entrou Santiago, alegre como sempre. Melinda e Miguel foram abraça-lo – Como vão vocês minhas coisas fofas?
– Bem! – disse Melinda – Só que...
– É estranho a gente ter que responder quem são nossos avôs e avós maternos e paternos para a professora. – terminou Miguel.
Nós todos rimos, menos a Guilhermina. Ela continuava aflita. Ferris lançou para ela um olhar de “vai dar tudo certo”. O que ela tinha? Eles se beijaram. Um beijo apaixonado e puro.
Santiago estava preparando uma macarronada para todos nós. Sentamos à mesa a espera do almoço. Fiquei com o Eduardo nos braços. Que menino pesado! E ele ainda queria ficar pulando nas minhas pernas. Mas era impossível dizer não àquela fofura.
– Ai, que fome! – disse Jonas.
– Eu também estou morrendo de fome Jonas. – falou Ferris. Jonas olhou para ele duvidoso. Porque toda vez que o Ferris aprontava alguma coisa, ele chamava o Jonas pelo nome. Olhei de relance para Nicolas e Amanda. Ele deu um beijo na testa dela e ela lhe respondeu com um selinho.
Santiago trouxe a comida e nos serviu. Você deve pensar que somos uma família feliz, unida e que pouco tem desavenças! Mas...
– Guilhermina por que você está assim tão... Preocupada? – perguntou Jonas. Ela respirou fundo.
– Pai, eu preciso confessar uma coisa. – disse ela segurando a mão do Ferris – E acho melhor falar na frente de todo, porque assim o senhor não mata o Ferris por causa das testemunhas aqui presentes.
Jonas ergueu uma sobrancelha. FERRIS COM CERTEZA TINHA APRONTADO ALGUMA COISA! Por isso ela chamou o Jonas pelo nome!
– Fale. – disse Jonas segurando um pouco com suco de laranja. Começou a beber.
– Pai, eu estou grávida. – falou Guilhermina de uma só vez. Todos nós arregalamos os olhos.
Aquilo foi como uma bomba para o Jonas, pois ele cuspiu o suco a centímetros de distância.
– O QUE? –gritou Jonas – Ferris o que foi que você fez com a minha filha?
– Eu acho que o que eu fiz com a sua filha foi bem óbvio! – disse Ferris.
– Papai, o que o tio Ferris fez com a tia Guilhermina? – perguntou Miguel inocentemente. Amanda e Nicolas lançaram um olhar de “cala boca” para o irmão deles.
– O mesmo que o seu pai fez com a sua mãe. – respondeu Ferris sorrateiramente.
– Mamãe, o que o papai fez com a senhora? – perguntou Melinda.
– Cala boca Ferris ou eu juro que vou te dar uma surra! – gritou Amanda.
Jonas ia se levantar, mas Santiago, que estava ao seu lado o segurou. Guilhermina estava ao lado do pai.
– Eu sabia que esse menino de mente suja ia poluir a cabecinha infantil da minha filha! – falou Jonas.
– Também não precisa de tanto! – falei tentando acalmá-lo.
– Não precisa de tanto? – questionou Jonas – Eu sabia que deixar esse garoto dormir no porão não seria uma boa ideia!
O quarto do Ferris é o porão. Ele zela pela privacidade dele. Natalie e Guilhermina dormem num quarto só delas, Santiago dorme em outro com Bernardo, Eduardo dorme sozinho no quarto que antes era do Nicolas e eu durmo no meu quarto com o meu marido.
O Ferris podia explodir uma bomba naquele porão que ninguém ia escutar.
– Me deixa ver se eu entendi! – falou Ferris num tom alto – Você Jonas pode dormir com a minha mãe à vontade. O seu filho – apontou para o Nicolas – casou com a minha irmã e a engravidou de gêmeos! Mas eu não posso fazer nada disso com a sua filha que é minha namorada?
Jonas mandou um olhar mortal.
– CORRE FERRIS! – gritou Guilhermina.
Eles dois correram desesperados pela casa e o Jonas correu atrás. Todos nós corremos atrás deles três. Ferris se escondeu no porão junto com a namorada. Trancou a porta que dava acesso a escada que levava ao porão.
– ABRAM ESSA PORTA! – ordenou Jonas batendo na mesma.
– Não abro! – falou Ferris do outro lado da porta.
– AGORA NÃO É HORA PARA BRINCAR! – alertou Guilhermina.
– Jonas vem cá. – falei puxando o pelo braço. Pus o Eduardo no chão e ele abraçou a perna do Santiago.
Aos poucos fomos saindo dali. Fomos para uma varanda que fica na parte de trás da casa. Mandei-o sentar numa rede que estava estendida.
– Fica calmo! – falei de frente para ele.
– É aquele menino! Ele engravidou o meu bebê! – ele parecia um pai coruja angustiado.
– O seu bebê tem 18 anos e faz faculdade! – lembrei – E ele tem um emprego. Não há nada com que você tenha que se preocupar. Não se esqueça de que você o considera seu filho também!
Ele respirou fundo.
– Tudo bem. – falou.
Ele se levantou e beijou a minha testa. Voltamos para sala. Todos estavam lá. Ferris e Guilhermina olharam para Jonas de maneira medrosa. Mas o Jonas abraçou eles dois. Fiz o mesmo. Uma música começou a ecoar pela sala por causa de um programa de televisão.
Nicolas puxou Amanda para dançar. E não era qualquer dança. Era tango. Eles começaram com passos lentos de para lá e para cá, mas logo ela laçou a cintura dele com a perna direita. Ele a inclinou para trás, fazendo a encostar os cabelos no chão de cerâmica. Quando ela voltou, ele a beijou apaixonadamente.
– ECA! – falaram Melinda, Miguel e Ferris em coral. Ri disso. Vi que Bernardo já tinha chegado. Ele sentou ao lado do Santiago no sofá e os dois começaram a conversar.
Jonas sentou numa poltrona. Eu ia sentar no braço da poltrona, mas ele me puxou fazendo com que eu me sentasse no seu colo.
E ficamos a observar a família que construímos. Natalie brincando com Eduardo, Melinda e Miguel no chão. Guilhermina sentada ao lado do Ferris. Ambos sorridentes, sendo que ele estava acariciando a barriga dela. Santiago feliz com o homem da vida dele. Amanda e Nicolas dançando de maneira apaixonada.
Fitei Jonas. Ele ficava me olhando com aqueles olhos castanhos. Passei a mão nos cabelos dele. Vê-lo com cabelos brancos, por mais que sejam poucos, era... Não sei o que dizer. Toda vez que eu olhar para ele, vou lembrar-me daquele adolescente rebelde e brincalhão. Aquele adolescente por quem eu me apaixonei e construí uma história de amor diferente. Cheia de altos e baixos. Mas que apesar de todas as dificuldades... Continuamos nos amando!
– Que foi? – perguntou ele.
– Nada. – nós dois sorrimos – Eu te amo Jonas!
– Também te amo.
– E até quando vai me amar? – brinquei. Ele bufou sorridente.
– Até o momento da minha última respiração.
Nos beijamos. Um beijo intenso e apaixonado.
Desgrudamos nossos lábios sorrindo um para o outro.
Ah, como eu amo esse garçom!
Fim
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