Amores Distantes
42 Acorrentados
Notas iniciais
Meus olhos foram abrindo aos poucos. Percebi que estava sentado numa cadeira. Minhas mãos estavam algemadas para trás e meus pés amarrados nos pés da cadeira. Minha cintura também estava amarrada.
– Liz. – chamou calmamente uma voz masculina ao meu lado. Olhei para o lado esquerdo. Era o Jonas... Bom, uma versão destruída dele. Seu olho direito estava roxo, sangue saía do canto do seu lábio e do seu nariz. Estava amarrado e acorrentado numa cadeira como eu.
– O que fizeram com você? – perguntei ainda meio sonolenta – Cadê o Erick?
– Ele está no quarto dele. – respondeu Nicolas. Ele também estava amarrado e acorrentado, mas estava deitado no chão.
– Amanda! – chamei alto.
– Não adianta! – informou Nicolas – Eu já tentei.
Bufei. Percebi que estávamos no segundo andar, perto da escada.
– Ei Liz! – começou Jonas com a voz calma – Está na hora de encararmos os fatos. As chances de eu sair vivo daqui são mínimas, se é que tenho chances! – senti meu coração apertar – Quero que saiba que...
– Jonas não fala essas coisas. – pedi.
– Eu tenho que dizer, afinal... Essa pode ser a última vez que conversemos. – ele sorriu de canto fracamente – Você foi a mulher que mais marcou a minha vida. Eu não sei o que seria de mim se eu não tivesse te conhecido. Todos os momentos que passamos juntos foram especiais, mesmo que tenhamos brigado ou discutido. – ele disse tudo de uma maneira doce e gentil.
– Eu te amo Jonas. – falei enquanto lágrimas escorriam dos meus olhos.
– Eu te amo Liz. – ele também chorava. Olhou para o filho – Também te amo Nicolas.
– Também te amo pai. – falou Nicolas.
Erick apareceu. Ele segurava a Natalie nos braços. Ela usava apenas uma frauda descartável.
– Eu sinceramente não sei a graça que as pessoas veem nos bebês. – disse Erick – Eles são só criaturas pequenas que dão trabalho! Sem contar que só sabem comer, dormir, chorar e fazer cocô.
Olhamos para Erick mortalmente. Tinha um corte no seu nariz, no seu lábio inferior e na sua sobrancelha e perto do seu olho estava um pouco roxo. Olhei em seus olhos. Suas pupilas estavam dilatas.
– Você está drogado? – perguntei indignada.
– Ele usa drogas? – perguntou Nicolas.
– Sim, eu uso. – respondeu Erick feliz. É! Ele estava doido. Ele deitou minha filha no chão por cima do carpete. – Vou pegar uma coisinha na cozinha. E nem tentem chamar a Amanda! Ela está dormindo profundamente, afinal não há nada que um remedinho para dormir não resolva. – ele desceu as escadas.
Natalie ficou deitada no chão de barriga para cima. Ela estava sonolenta.
Erick voltou segurando uma faca. Sentou no chão ao lado da Natalie.
– Erick não a machuque, por favor. – implorei. Senti a respiração do Jonas ofegante.
– Não vou machuca-la – Erick fez uma breve pausa – ainda! – ele tirou um molho de chaves que estava pendurada na sua calça jeans – Brinca com isso, filhota de garçom. Se não for pedir muito, tenta engolir e se engasga! – ele deu a chave para Natalie – Agora, quem eu devo matar primeiro? O garçom pobretão ou o filho dele?
Ele ficou de pé e começou a caminhar até Nicolas.
– Mate-me primeiro. – falou Jonas. Arregalei meus olhos e o Erick também.
– Por que eu devo te matar primeiro? – perguntou.
– Porque eu não vou aguentar ver meu filho falecer na minha frente. – respondeu – Também não vou aguentar mais ver você torturar a Liz.
– Erick não machuque nenhum dos dois, por favor. – implorei desesperada.
– Por que não? Esses dois só trouxeram desgraça para minha vida. Jonas te tirou de mim e esse moleque matou a nossa filha!
– Deixe de ser sínico! – falou Nicolas – Foi você que atirou nela!
– Eu atirei na Natasha! Mas a culpa não é completamente minha. Agora vamos ao que interessa! – Erick puxou o cabelo do Jonas para cima, fazendo com que esse colocasse a cabeça inclinada para trás. Erick pôs a faca rente ao pescoço do Jonas. Comecei a chorar.
– Então, foi o senhor que matou a minha irmã? – perguntou uma voz.
Percebi uma pessoa que não havíamos percebido. Amanda.
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