Amores De Lú
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Cheguei em casa exausta, com a desculpa de curtir minhas novas aquisições corri para o quarto e chutei o chinelo, joguei as bolsas no chão e fui ao encontro do meu grande amor... Minha cama. Fechei os olhos pronta para tirar aquele sono da beleza e escutei o toque irritante do meu celular “The Lazy Song” do Bruno Mars que estava cantando que não ia fazer nada e que só queria ficar deitado na cama... é cara eu também. Praguejei enquanto andava para buscar o celular caído do lado da bolsa e vi o sorriso lindo do Fernando na tela. Tá legal Bruninho, você está perdoado.
–Alô? Lú delicia? – ele disse com aquela voz de garoto que sabe apreciar as delicias da Lú... ah e ele sabia.
– E aí coisa linda? Já com saudades? – eu disse rindo me deitando na cama olhando para o teto.
– Ah sim, muitas mesmo. E aí te vejo hoje a noite? – eu suspirei mentalmente, será que eu dava conta?
– Hum, não sei...
– Tá tudo bem, então deixa eu te convencer. Festa na piscina.
– Que horas que eu chego? – respondi e ele riu. Ele sabia danadinho que a Lú aqui não resistia a oportunidade de estar rodeada de gente. Principalmente gente sarada e bronzeada.
– Chega as oito, chama as meninas, vem uns caras pra cá hoje, amigos de faculdade do Felipe e um primo dele que é um amigo meu de longa data e chegou de Amsterdã semana passada para me dar um oi.
– Bonito?
–Luciana cara, na boa não rola, sou seu ficante lembra?
– Nossa que maldade, eu estava pensando na Flávia, eu só tenho olhos pra você... – por enquanto, mas isso eu não precisava dizer.
***
Passei meu rímel e o brilho labial e ajeitei a trança pra cair no meu ombro. Cara eu não sou assim convencida, mas eu estava lindona. Não dizem que agente tem que se valorizar? Pois é, minha bunda estava muito bem valorizada no shortinho jeans e minha blusinha azul com meu biquíni branco por baixo que completava meu visual garota de festa de piscina. Coloquei o hidratante na cômoda e vi o gatinho arreganhado lá. Eu o peguei nos dedos e li o recadinho cafona. Ah ele até que não era tão cafona assim, seu status agora era... bonitinho. Revirei os olhos e coloquei o gatinho na minha gaveta.
– Flávia e Mag chegaram! – minha mãe anunciou super sutil do corredor. Corri até a porta apeguei a luz e fechei a porta. Eu estava estranhamente animada hoje, parece que o sono da tarde me fez bem.
– Beijos pra todos, mãe não me espera. – eu disse passando por ela e parando pra dar um beijo no Seu Alfredo meu pai, que estava na poltrona da sala assistindo televisão.
– Eu não vou esperar, — Clarice disse do outro sofá. Megera. Umas tequilas na veia e ela ia ser mosquitinho zumbindo ás três da manhã quando eu esbarrasse no vaso de planta que ficava embaixo da janela do quarto dela. Há! Quem manda não sumir com ele. Fechei a porta e sai pelo portão onde Mag e Flávia esperavam no carro.
– Gostosa! Arrasou no shortinho. – Mag com aquele cabelo ruivo lindo e olhos azuis me fez dar uma voltinha. Não disse? Mulher repara na outra.
– Vamos lá, vamos logo curtir – Flávia impaciente como ela era parou de enrolar o dedo nos cachos, mania de quando estava sem paciência, e já estava ligando o carro e partindo assim que eu entrei.
A frente da casa estava tomada de carro e motos, tinham alguns ao longo da rua sem saída e colocamos o da Flávia no final. Andamos em nossas sandálias baixas até a entrada e seguimos pela sala que estava cheia de gente conversando e bebendo. Passamos pelas portas dos fundos chegando á piscina quando uma garota passou correndo por nós de top less e se atirou na água, seguida por um cara de sunga super comprometedora branca. Eu disse super? Meu amor aquilo era mega máster. Fernando me viu e eu corri até ele pulando e enrolando as pernas em sua cintura, dando um dos beijos de arrepiar da Lú.
– Bem vinda delicia. – ele disse quando eu desci dele com aquele sorriso lindo, seus olhos castanhos brilhando e seu cabelo loiro desgrenhado. Só para constar, o desgrenhado sexy que descrevem naqueles livros, aquele o tal do ‘cabelo pós-foda’ e cara esse cabelo abria portas... se é que me entende.
– Tá bombando aqui hein? – eu disse e ele me puxou até ele e me deu aquele beijo gostoso.
– Vai bombar mais tarde delicia, mas só nós dois. – ele disse. Promessas, promessas.
– Vou dar uma volta com as garotas, Vivi chegou?
– Tá por aí com o Felipe, — ele disse olhando e piscando um oi pras meninas.
– Tá bom então, agente se vê por aí, — falei brincando para ele. Ele me deu outro beijo quase transformando meu cérebro em geleia e me soltou. O cara beijava.
– Parou hein? Esfrega só quando todas estiverem ocupadas, — Mag disse rindo quando me juntei a elas. Eu ri também.
– Cara não olha agora, mas no canto direito da porta de acesso do jardim tem um deus lindo com uma garrafinha de tequila na mão, de camiseta regata, tatuado. – Flávia disse e eu super discreta virei a cabeça 360º tipo garota do exorcista e encontrei aquelas covinhas. Puta merda! Era o cafona do gatinho que se chamava Edu, mais conhecido como o deus das covinhas. E pasmem! Não tinha vidro! Ele levantou a garrafa pra mim e acenou. E a Lú super confiante que sabia o que queria fugiu correndo pra lua me deixando sorrindo de volta pra ele como uma adolescente. Eu podia até estar babando.
– Puta que o pariu! Ele é lindo! – Mag exclamou quando o viu. Não tinha como não notar, e ele estava apetitoso naquela regata revelando seus braços musculosos com uma tatuagem tribal que descia do ombro esquerdo. Tatuagem! Quando ele começou a andar em nossa direção eu me ajeitei inconscientemente. Ele não tirava os olhos de mim e cara na boa eu já estava sentindo coisas com aquele olhar.
– Ele tá vindo pra cá – Flávia disse próximo ao meu ouvido. Sério? Eu nem notei. Vesti minha melhor cara de paisagem quando ele chegou até nós três.
– Boa noite meninas, — fodeu! A voz do cara era melhor do que o sorriso e todo o resto. Essa voz levemente rouca no meu ouvido ia me levar à lua. Ouvi as meninas suspirarem um “Oi” e Flavia praticamente beliscou minhas costas. Merda! Isso era o sinal universal pra dizer “Você esta babando... literalmente”.
– Nos esbarramos de novo, — disse me encarando e eu quase fui incinerada pelos olhares da Mag e Flavia em cada lado da minha cabeça.
– É, verdade. – eu respondi a única coisa que saia da minha boca. Cadê a porra do meu cérebro com as tiradas da Lú?
– Vocês se conhecem? – Flavia perguntou e eu me virei para fuzilar ela com o olhar. Que merda de interrogatório é esse?
– Na verdade não, nos vimos por duas vezes hoje mais cedo no centro da cidade, mas eu ainda não sei o seu nome, — ele respondeu olhando pra Flavia e na ultima parte olhou pra mim.
– Luciana, minha garota – Fernando disse me abraçando por trás e beijando minha cabeça. — Merda!– E Flávia e Mag nossas amigas, — ele concluiu. Eu queria chutar a canela dele ou o saco mesmo. Ele sabia que eu detestava rótulos, só ficávamos de vez em quando e ponto. Deus das covinhas sorriu e levantou as mãos em sinal de rendição.
– Entendi, sua garota. Então essa é a Lú que você me falou outro dia. – ele disse e eu me virei pra olhar Fernando que fingiu não ver meu olhar de “que porra é essa?”, porque era impossível ele não saber que eu estava muito brava.
– Essa mesmo. Meninas esse é Eduardo um amigo que chegou de Amsterdã semana passada. – Fernando apresentou e ele sorriu para as meninas. Aquelas covinhas....
– Lú! – o grito salvador da Vivi me chamou. Me virei e ela estava chegando radiante em um vestidinho branco realçando sua pele bronzeada e seus cabelos longos ondulados com o Felipe em sua cola e uma mulher de cabelos castanhos boi lambeu. A miss comercial de absorvente. A acompanhante do Edu no restaurante. Cara ela estava linda de short branco e blusa verde colada no corpo. Me senti estranha.
– Edu! Nossa te achei, você sumiu, — ela disse passando por nós e parando ao lado dele. Ele deu um beijo no rosto dela e eu juro, eu podia saltar nela. Fernando me apertou.
– Eu estava aqui o tempo todo, você que sumiu Nathalia. – ele disse e ela sorriu. Cadela.
Cumprimentei com aceno de cabeça quando ela me olhou da cabeça aos pés, e o pessoal começou um papo animado naquela roda improvisada. Eu não estava aguentando estar no meio daquilo, Fernando irritante grudento não me largava e Vivi me olhava de canto de olho com uma cara de quem estava curtindo uma piada particular. Eu ia quebrar a cara dela se não parasse com aquilo.
– Vou ao banheiro e circular mais um pouco, vamos meninas? – chamei e as traidoras estavam tão absortas nele que eu tive que cutucar Flávia para ela sair do lugar, o que não funcionou. Decidi ir sozinha mesmo. Passei por Vivi e digitei uma mensagem no celular para ela.
* QUE PORRA É ESSA? VOCÊ OS CONHECE?*
*CLARO, ELES SÃO PRIMOS DO FELIPE. LOUCA? SENTI ALGUÉM COM CIUMES...*
* NÃO VIAJA. SÓ NÃO GOSTO DE SURPRESAS SÓ ISSO.*
Mandei e revirei os olhos. Ah que ótimo eles eram irmãos, bem dava pra ver, os olhos azuis e os sorrisos lindos idênticos. Idiota.
Circulei um pouco e parei na sala bebendo uma garrafinha de cerveja conversando com o máximo de gente que eu conseguia, eu não queria voltar para o jardim. Fernando se aproximou de mim e tentou me beijar e eu virei o rosto.
– O que foi delicia? – jura que ele não sabia?
– Não gosto quando as coisas ficam com cara de estranhas pra mim. Somos ficantes sem compromissos e você sabe disso, não gosto que me trate como propriedade sua.
– Me desculpe delicia, mas eu não posso mais com isso, vem aqui – ele me puxou pela mão até o corredor que estava mais tranquilo. Merda, eu até gostava dele. Ele se virou e me olhou.
– Eu quero mais Lú, você é incrível, linda, inteligente e desencanada. A namorada perfeita pra mim. – ele disse e eu confesso que achei fofo, mas não rola. Não mesmo.
– Poxa obrigada por achar que sou perfeita pra você, mas você sabe que não rola, não comigo. – eu disse e a cara dele me disse que tínhamos ido longe demais. Ele já estava gostando demais se é que me entendem.
– Lú a gente se dá bem para caramba, vai dar certo.
– Desculpe Fernando. – disse e dei de ombros.
– Tudo bem, mas estou aqui tá bom? – ele disse e eu me segurei pra não dar um beijinho de despedida. O cara beijava tão bem, era uma pena mesmo.
– Tudo bem lindão, — disse e dei um soquinho no braço dele. Ele riu, mas não chegou aos olhos. Lú destruidora. Merda.
Voltei para a sala e dei uma olhada rápida tentando ver alguém para avisar que estava indo. Tinha gente demais e eu estava desanimada agora, queria ir pra casa. Saquei o celular do bolso de trás do short jeans e deixei uma mensagem pra Flavia.
*FUI ANDANDO*
*SAIU COM O GOSTOSO?*
Hã? Tava louca ela?
*HUM... NÃO. AMANHÃ NOS FALAMOS.*
Terminei e guardei no meu bolso e saindo pelo portão comecei meu percurso pela rua cheia de carros nas calçadas quando escutei uma voz levemente rouca de tremer as pernas e molhar calcinha.
– Gatinha? – aquela voz me chamou e porra como ele conseguia? Gatinha nunca ficou tão legal como agora. Definitivamente não era mais cafona. Me virei para o som e vi ele sair da escuridão desencostando de uma moto. Caralho aí a porra ficou séria. O pacote deus das covinhas, voz sexy, tatuagem e moto ia acabar com a minha sanidade.
– Perdido? – perguntei de cara. Não falei? Sanidade já era. Ele parou centímetros da minha boca.
– Estava, mas então eu vi você. – fechei os olhos sentindo ele se aproximar mais quando ele passou a mão até a minha bunda. Pera aí? Já? Eu abri os olhos e o senti tirar o celular do meu bolso de trás e com ele na minha frente discou seu próprio numero e esperou chamar, desligou e colocou de volta no meu bolso, parando milímetros da minha boca.
– Boa noite Lú, amanhã eu ligo, — aquele hálito quente fez um choque no meu núcleo e depois de beijar o canto da minha boca se virou voltando pra casa. Eu tinha certeza, eu estava perdida. Ele me pegou. Porra Lú!
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