Amores Congelados - Filha Do Gelo
3 Prólogo
— Que dia tedioso...
— É o que eu diga...— Fale alguma coisa.— Alguma coisa.— Não sua besta, comece um assunto.— Tá legal.— Estou esperando.— Sabe, eu queria muito ser jornalista um dia. E você?— Eu sei lá. Ainda nem pensei o que vou fazer amanhã.— Você é muito folgada.— Não amore, isso é ser calma. Sabe, tipo aqueles hippies. Eu vou levando tudo na maior tranquilidade.— Que desculpa mais esfarrapada para alguém relaxada.—Não reclama vai, minhas notas são quase as melhores da sala, bem, depois de você é claro.— Como se eu fosse perfeita.— E não é? Querida, eu morreria só para ter esse seu corpão e esses atributos de deusa grega. Se eu não te conhecesse, diria até que é a própria deusa Afrodite.A loira balançou a cabeça negativamente e rindo, o que fez com que os cabelos balançassem suavemente. A morena fez cara de ofendida e balançou a mão em descrença.— Hellou! Você tem tudo. Uma vida perfeita, casa perfeita, uma família perfeita...— Pode parar por aí! Se você tivesse gêmeos que gostam de ver filmes de terror ainda pequenos e que, juro por Deus que não sei como eles fazem isso, ficam fazendo aquelas coisas maníacas de gêmeos nos filmes de terror, tipo falam ao mesmo tempo, aparecem de noite agarrando a mão um do outro falando: "Você quer brincar com a gente?" só para meter medo em você de propósito vive não falaria isso. Isso dá muito medo mesmo, e do jeito que você é, com certeza já teria pulado da janela a esse ponto. Além do mais, meus país não gostam de mim, me tratam como uma aberração.— O.k! Nisso eu concordo. Morro de medo de gêmeos assassinos. Mas tirando isso você tem tudo. Tem até mesmo uma amiga super sexy que te ajuda em tudo.A loira e a morena começaram a rir. Alexya, em seus 1,75 de altura ficou de pé, seus cabelos loiros que batiam nas costas balançaram com a pequena brisa ao campus do colégio WisternHigh. Seus olhos violetas, ou ametistas como ela mesma gostava de falar, encararam a amiga. Pareciam ler sua alma. Tinha a pele clara e pálida, sem nenhuma manchinha sequer, a não ser pela pequena tatuagem em seu pescoço que era coberta por seu cabelo, escrita em celta. Sua língua preferida na matéria Línguas Mortas. Na pequena tatuagem estava escrito: "Nenhum infinito é grande demais para os que acreditam."Uma frase que sua avó costumava ditar para ela quando ela vinha correndo e chorando por não conseguir satisfazer a vontade dos pais.— A parte da amiga sexy até eu concordo.A morena levantou uma só sobrancelha. Alexya ainda não sabia como ela fazia aquilo. Sempre que tentava acabava fazendo caras e bocas.— Não se preocupe. Eu não curto morenas.A morena ruiu e se levantou. Tinha a pele cor de chocolate e os cabelos castanhos claros. Os olhos verdes, e a altura se comparava a de Alexya, 1,75. O sino tocou e elas sabiam o que estava por vir, aula de Biologia. A pior aula de todas.— Ahhh, você não curte morenas? Meu bem, eu é que não curto loiras.— Assim você me ofende sabe?— Claro, claro. Vamos?— E eu tenho escolha?— Hummm.... deixa ver... Não.— Sabe, de delicada você não tem nada.— Agora é você quem me ofendeu.— Awwnnn, a pequena Charlie vai chorar. — Alexya fez beicinho.Charlie bateu de brincadeira na amiga, e as duas foram rindo em direção à sala de aula.— Alex, preciso falar com você.— Claro, do que se trata?— Agora não. Depois da aula. Me espere no estacionamento. — O.k.Ambas foram para seus respectivos armários e pegaram seus materiais. Foram para a sala B-15, onde teriam a tão infame é chata aula de Biologia. A aula passou devagar mas até que em fim acabou. — Lex, você vem? — indagou a morena.Alexya fez que não. Ainda estava arrumando seus pertences.— Ainda tenho assuntos com o Sr. Alan. Pode ir na frente, vou daqui a pouquinho.— Você é quem sabe. Te espero no estacionamento. E não demore por favor, é importante. — Charlie parecia apreensiva.— Prometo que não demoro. — Alexya não entendia o desconforto da amiga, porque ela era sempre sem pudor, por que a repentina mudança? Desta vez o tempo passou rápido. Alexya saiu pelos corredores um pouco apressada, tinha demorado muito, já passava das seis. Saiu pelos fundos indo direto pelo estacionamento. Pegou seu celular e tentou ligar para Charlie. Chamava, mas ninguém atendia. Apareceu no estacionamento momentos depois. O lugar parecia inabitável, estava pouco ilumináveis, ela pensou em pegar um táxi ou um trem e voltar para casa quando ouviu gemidos. Quase como sussurros, eles foram preenchendo o ar. Alexya prendeu a respiração, achava que estava vivendo mais um daqueles filmes de terror, poderia ser alguém passando mal ou pior, sendo o que quer que fosse foi substituído por uma voz masculina familiar, mas ela não ligou para aquilo naquele momento.— Li... Eu não aguento mais! — falou alto a voz. — Eu quero você toda para mim.— Nhhhh. — a loira reconheceu a voz que saiu como o mesmo gemido de antes na mesma hora, Charlie. Quem quer que fosse parecia estar estuprando sua amiga. A atitude mais sensata seria ligar para a polícia, mas quando se tratava de Alexya, a sensatez nunca parecia dar as caras. Ela foi devagar na direção dos sons e deu graças aos céus por não ter escolhido a bota barulhenta que a amiga insistira que ela colocasse.
O som estava vindo de traz de um sedã vermelho, que também lhe era muito familiar, mas ela se esqueceu de tudo naquele momento. Se aproximou o suficiente para ver Charlie e Mike, seu namorado, transando no meio do estacioamento, sem ser vista. Mike tinha a pele branca e cabelos encaracolados castanhos escuros, olhos cor de chocolate, ele era bonito e amável, tinha sardas no rosto e era dois anos mais velho que ela, o que significava que já estava na faculdade.Sem pensar largou a bolsa que fez um baque forte ao entrar em contato com o chão frio de cimento do estacionamento. Mike e Charlie olharam para sua direção com o olhar espantado. Charlie soltou um grito e se escondeu atrás do carro de Mike como se aquilo fosse capaz de apagar o que Alexya tinha visto. Seus olhos se encheram de lágrimas quando percebeu o que tinha acontecido. — Não pode ser... — foram as únicas palavras da loira. Charlie saiu de trás do carro já vestida e com as mãos para cima em um sinal de "espere um pouco" e Mike ainda estava pasmo e pelado em sua frente. — Lex calma. Espere um pouco ok? Não é o que você está pensando. Eu posso explicar. Alexya foi dando passos curtos para trás, a ira e o espanto destacados por tuda sua feição. — Me explicar o que Charlie?! Han!? Que você o meu suposto namorado estavam transando no meio estacionamento enquanto eu ficava preocupada em relação ao que você tinha que me dizer? Que estavam escondendo tudo isso bem debaixo do meu nariz?!— Tecnicamente não mais debaixo do seu nariz agora que você nos descobriu. — Mike tentou falar baixo, apenas para ele mesmo. Mas parece que isso só irritou ambas as garotas. — Cala a boca Mike!! — gritaram as duas. Charlie se virou para Alexya.— Lex, eu posso explicar. — Não Charlie. Já está tudo explicado. Eu sou uma idiota não é, por acreditar que eu realmente poderia ter uma amiga e um namorado? — a loira começou a rir por nervoso. — Eu não acredito que eu realmente achei que eu podia... Nossa, que idiota que eu sou.— Não! Alexya, você não é idiota. Eu sou sua amiga de verdade. Eu não menti para você. Na verdade eu estava querendo te contar sobre isso hoje depois da aula. Mas você não apareceu, e então o Mike surgiu e tudo passou tão depressa... Por favor, me perdoa.— Quando isso começou? — Lex... — Charlie estava com medo de falar para a amiga.— Quando isso começou? — gritou com raiva. A morena suspirou temendo a reação da amiga. — A cerca de um ano e meio... — Alexya riu em descrença. — Quando tivemos aquela briga em Setembro na escola, você estava com tanta raiva que não falava nem comigo nem com Mike. Então ele foi me consolar, eu estava muito triste e... e.... e ele também. Não sei ao certo, mas aconteceu. Ficamos próximos um do outro e simplesmente aconteceu. Dias depois nos reencontramos e decidimos esquecer isso, porque sabíamos que você ficaria super mal, porque você acharia que etária sozinha no mundo de novo.— Porque nos preucupamos com você. Sabíamos que se contássemos o que tinha acontecido, aconteceria o que está acontecendo agora. Não queríamos você reprimindo seus sentimentos. — Mike continuou. Ele já estava de calça. Estava triste por ter sua agora preciosa "amiga" descobrindo aquilo daquela maneira.— Mas não deu. Continuamos nos encontrando, e acabamos... você sabe, nos aprofundando mais ainda. Não quero que você pense que eu não me importo com você, é justamente eu contrário. Mas, puxa Alex, como eu o amo! Alexya sabia que era difícil sua amiga se apegar tanto em alguém. Era difícil ela se apaixonar por alguém. A loira não sabia se sentia raiva, tristeza, uma pontada de felicidade ou indignação. Sua melhor amiga tinha a traído com o namorado. E o pior de tudo, ela entendia aquilo. — Lexya, não é mentira. Eu a amo também..... — Mike começou mas Alex o interrompeu. — Por favor não diga mais nada. — pegou sua bolsa do chão. — Desde que vocês sejam felizes para mim está bom. Mas, não falem comigo por um tempo ok? Preciso pensar. — Mas Lex... — a morena tentou fazer sua amiga mudar de ideia. — Por favor Charlie. — levantou a mão em sinal de pare — Só... só me dê um pouco de tempo. Esta tudo bem, eu... vou ficar bem. A verdade era que Alexya não iria ficar bem. Mas ela viu que se ela pedisse para os dois não se vissem mais eles assim fariam, e isso a fez ferver de raiva, pois não queria aquele tipo de relacionamento falso.Ela então apenas os deixou parados no estacionamento enquanto saia e ia para a casa a pé.
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