Amores Congelados - Filha Do Gelo
7 Capitulo 4
O lugar em que eu estava era totalmente sombrio. Sem árvores, vegetação, sem qualquer resquício de vida a não ser por mim. Se tinha alguma vegetação, estava toda morta.
Nas árvores mortas e secas algum tipo estranho de animal mais parecido com um corvo misturado com morcego repousava. Eles tinham olhos vermelhos dos quais me arrepiei, em seus bicos negros dentes brancos e afiados manchados de um líquido azul escuro, as asas de morcego e o resto do corpo igual a do corvo, até mesmo as asas de morcego tinham penas. Se ele ficasse com o bico e asas fechadas, poderiam se passar apenas por corvos de olhos vermelhos — que mesmo assim é arrepiante -, mas quando levantaram voo eu gritei e corri, tentei correr para o mais longe possível dali, eu não estava cansada, suando nem nada, era isso que eu sentia. Nada. Mas eu estava com medo. Dos corvos-morcegos? Não. De algo pior. Acho que de alguém, ou de algo que estava prestes a acontecer. Não sei ao certo. Tudo estava em câmera lenta, o bater de asas dos "Corcegos", o vento rugindo em minha pele, eu em movimento correndo feito um raio balançando meus cabelos agitados.
Uma parede de vido brotou logo adiante e os corvo-morcegos ainda estavam atrás de mim, ou eu parava e era comido pelos Corcegos ou eu atravessava o vidro e fugia, caia em um buraco que apareceu logo depois, ele não parecia ter fundo, mas era isso ou ser atacada por um bando de Corcegos.
Ainda em câmera lenta atravessei o vidro e cai no buraco. Uma escuridão tomou o logar inteiro a medida que eu ia caindo, e a única e pouca luz vinha de cima, onde o céu e início do buraco ficavam.
Cai gritando até que acordei com alguém me sacudindo.
Abri os olhos exasperada e suando frio. Logo que acordei uma rajada de vento frio me acertou como um tapa na cara.
A janela estava aberta?
Me virei para o outro lado e me deparei com um par de olhos me observando, gritei cai da cama, fazendo com que eu batesse a cabeça fortemente na parede e com que apagasse novamente.
***
Quando acordei me sentei vagarosamente no chão, minha cabeça latejava, acho que o fato de ter caído da cama, ver alucinações e ter batido a cabeça na parede era sinal de perturbação mental.
Senhor amado, não me deixe enlouquecer.
Procurei por todos os lado, mas desta vez estava tudo normal, sem janelas abertas, sem olhos dourados me observando, eu estava no chão aveludado branco e minha coberta estava em cima de mim e eu não estava mais suando.
Pois é, acho que estou imaginando coisas. Tenho certeza de que a janela estava aberta até pouco tempo.
Levantei devagar do chão onde já estava quentinho e fui para o banheiro e me deparei com imensas olheiras, obras da noite de sono mal dormida.
Eu já tinha me esquecido do sonho completamente maluco e fui tomar um banho gelado para me despertar. Tinha me esquecido de como é bom o silêncio, já que eu quase não ficava em casa, e quando ficava lia meus livros e assistia minhas séries, nunca tive a oportunidade de apreciar o silêncio por completo. A casa sempre estava cheias barulhenta, ou com os empregados, ou com os meninos ou com convidados dos meus progenitores. Ah, porque será que eu não chamo eles de pai e mãe? Porque pais e mães normais dão carinho e afeto aos filhos, enquanto eu levava uma surra por sempre ser atrapalhada e "estragar" — de acordo com meus progenitores — as festas que eles davam. Teve uma vez que eles tinham falado para eu não aparecer na festa que eles iam dar, mas como eu era muito pequena eu não iria entender exatamente a palavra "não", então acabou que eu fui e derrubei a mesa de comes e bebes. Levei uma surra e ainda fiquei de castigo por um mês.
A verdade era que meus pais me deram bem mais do que uma surra, e por isso eu os odiava. Essa fato nunca, jamais, NEVER, vai ser contestado. Eu vou odiá-los até l fim de minha existência.
Sai do banheiro enrolada na toalha, fui no meu guarda-roupa e peguei uma muda de roupas. Vesti uma blusa grande e frouxa com uma caveira de olhos com o formato de corações roxa, uma calça de moletom azule um chinelo. Pois é, não sei me vestir de acordo com os quartos da moda. Para mim não tinha esse negócio "Ah, tem que usar moletom com malha ou top! Não pode usar tênis com vestido! Não pode usar maquiagem azul com vestido vermelho! Não pode blah blah blah! Ai que enjoança! Cara, meu corpo, minhas regras! " Don't touch my opinion.
Enrolei uma toalha na cabeça e fui abrir a janela notando apenas agora que ainda estava escuro. Corri para a mesinha de bebedeira que ficava ao lado da minha cama e vi que ainda eram 4:21 da manhã.
— Ótimo! Agora mesmo que o sono não volta. — falei para mim mesma. Se eu ainda tivesse amigos eles iriam estranhar o fato deu estar falando sozinha e provavelmente eu iria falar: " Não liguem, quando eu crescer eu vou acabar indo para o hospício". Fiquei triste só de pensar em Charlie, apesar de estar brava com ela, ainda a queria, ela desde sempre fora a minha amiga.
Decidi parar meus devaneios e sair de casa. Sai pelo corredor afora e vi que meus pais ainda não tinha chegado em casa. Estranho. Dei de ombros e peguei minha bicicleta e é sai de casa. Fui para o Central Park, o único lugar onde eu teria realmente paz. Pás de meus pensamentos, de meus pais, de minha vida.
Apesar de já estar quase amanhecendo podia-se ver ainda várias estrelas. Fiquei ali observando-as por muito tempo, pensando em nada especificamente, até que uma estrela cadente cai tirando-me do transe.
Ah vá? Ela é cadente e caiu? Não!!! Jura?!
Sim, eu eu juro pela minha vida... subconcientizinho de uma figa!
Sei que isso parece infantil, mas eu fiz isso mesmo. Eu juntei minhas mãos, fechei os olhos e fiz um pedido á estrela que caia lentamente aos meus olhos.
— Eu só quero que esse tormento pare. — e uma lágrima rolou pela minha bochecha que estava rosa por causa do frio.
Desisti de ficar ali por mais tempo, apesar de não querer sair dali nunca mais.
Peguei minha bicicleta e fui andando com ela na mão mesmo. Quanto mais tarde chegar em casa, melhor.
Fui passando pelas ruas desertas vagarosamente até que me deparei com uma loja que estava aberta.
Estão abertos a essa hora?
Nunca a tinha visto, devia ser nova. Eu já ia dar o pé dali quando o vi.
Ele era lindo!! Era muito volumoso, acho que também tem um cheiro ótimo. Acho que me apaixonei! Antes de entra poisei minha bicicleta no chão. Entrei na loja e já fui falar com a pessoa responsável pelo lugar.
— Bom dia, gostaria de saber quanto custa aquele livro ali na vitrine.
O balconista, ou melhor, a balconista me olhou com os olhos brilhando de emoção e um sorriso na cara. Era uma velhinha na casa dos 90 e poucos anos. Tinha os cabelos brancos e várias rugas pela cara. Apesar da aparência daquelas vovós doidas e sem noção era uma pessoa muito simpática. Por isso existe aquela lema, qual era mesmo? Ah sim. Não julgue um livro pela capa. Amo essa ditado. Ela me lembrava um bloco a minha avó.
— Oh, vejo que tem bom gosto. Esse é um do melhores que eu tenho. Você vai se encantar. — disse saindo de trás do balcão e assim que saiu percebi que era menor do que eu. Acho que antes ela estava em um banquinho, um banquinho bem alto. Ela se dirigiu a vitrine e pegou o grande livro com detalhes dourados e pratas, sua capa era feita de couro velho. Na própria capa tinha um cadeado.
Ué.... para que serve um cadeado em um livro?
A velhinha percebeu minha cara de curiosidade e deu um risinho.
— Você deve estar se perguntando o porque de ter um cadeado em um livro.
Dei um sorriso sem graça.
— Bem menina, é apenas um enfeite, para dar mais charme e encanto ao livro.
Seu sotaque era diferente, seus R's eram bastante puxados, devia ser francesa.
— Com licença, você é francesa?
A velhinha sorriu mas continuou a explicar sobre o livro. Ele tinha sido dado a ela por uma amiga que era dona de uma loja de antiguidades, e que o livro tinha viajado por todo o mundo antes de chegar a mão de sua amiga que consecutivamente a ela.
Ela abriu o livro com uma chave dourada decorada de pedras, provavelmente de mentirinha, apenas para decorar, como disse a velhinha antes.
As páginas tinham um cheiro novo para mim, a cada página que ela virava, um cheiro diferente, não era aquele cheiro de livro, era algo totalmente descontratado, no fim não consegui identificar. O livro era cheio de gravuras mostrando florestas, lagos, castelos, desertor e outros lugares que nem conseguia descrever, cheios de criaturas que eu não consegui ver porque ela passou muito rápido.
Não aguentei de curiosidade e perguntei sobre o que se tratava o livro.
— Não tem uma definição ao certo, depende da escolha de cada personagem. Podem escolher tanto o caminho do bem quanto o do mal. A história é diferente para cada pessoa que o abre.
Eu sei que a velhinha estava me enrolando para ganhar dinheiro mas eu estava tão curiosa e apaixonada pelo livro que já nem me importava mais. Decidi entrar em seu jogo.
— E qual história foi para você?
Aquele brilho apareceu novamente em seus olhos e ela finalmente disse, ainda sorrindo.
— Minha história, foi uma linda tragédia romântica. O garoto pelo qual a personagem principal se apaixona a trai e ela acaba se suicidando. E quando este descobre se arrepende profundamente, ele jurou mais uma vez seu amor à personagem e se suicidou também, na vida após a morte eles se reencontram e vivem felizes para sempre.
— Isso me parece mais Romeu e Julieta de Shakespeare. — comentei.
— Bobagem — crispou. — de onde acha que Shakespeare tirou essa história? Da cabeça? Claro que não. Ele leu esse livro várias e várias vezes. Cada vez uma história diferente. Ainda não acredito que ele divulgou aquelas histórias e ainda levou crédito por isso. Aquele homenzinho de uma figa.
Por caso ela disse que esse livro já pertenceu a Shakespeare, um dos maiores escritores de todos os tempos?!
Claro que não né Alexya, isso é só enrolação. — disse a mim mesma.
— Pois bem, acho que você vai querê-lo não? — disse sorrindo.
— Sim. Muito. — falei entusiasmada. — Quanto custa?
— 250,00 $$ dólares. — disse calmamente como se não fosse nada de mais.
— WHAT?! — gritei confusa.
Isso arrancou mais uns risinhos da velhinha.
Isso definitivamente não é engraçado.
— Calma, mas como posso ver que é uma amante te livros e uma boa pessoa, com certeza vai cuidar bem dele? Façamos o seguinte ok? Você leva ele em troca de 125,00 $$ dólares e ainda leva um anel que abre o livro.
Como assim? Ela sabe que está fazendo um péssimo negócio não é? Um livro assim deve custar uns 1000,00 $$ dólares, e primeiro ela vem me vender por 250,00 $$ dólares e agora ela diminui o preço e ainda levo um anel de graça? Tem alguma coisa errada. E como eu não sou desonesta, digo a ela a mesma coisa que pensei e ainda disse que era errado, que ela deveria repensar melhor na proposta que estava a me fazer. Claro que eu gostaria de levar uma antiguidade dessas para a minha casa por apenas 125,00 $$ dólares, mas não é por isso que eu vou ferrar outras pessoas.
A mesma apenas sorri e balança a cabeça em negativa sorrindo ainda mais.
Depois de um certo tempo ela desapareceu atrás da bancada e logo em seguida reapareceu com um livro igual e um anel do mesmo dourado que o livro. Ela pegou os dois e me entregou.
— O que? — perguntei confusa.
— Vem, toma, são para você. — disse estendendo o livro.
— Como assim? Acabei de dizer para você aumentar o preço pois se você fizer isso sairá prejudicada e você vem e me dá de graça?!
— De graça não, tudo na vida tem um preço. Eu testei você e você passou. — pausou para respirar e depois continuou. — Quando disse a você que esse livro custava muito menos do que eles realmente custa muitos aceitaria na hora e e lavariam o falso livro. Mas você respondeu certamente. Disse a verdade sem medo das consequências. Pois então mereces-te o livro. A honestidade é o preço que se tem que pagar para merecer a real oferta da vida.
— Mas...
— Sem mas, ande, vá ler o livro, e no final de tudo volte e me diga o que você achou, mas só quando você realmente acabar de lê-lo.
Ela saiu do balcão, colocou o livro e o anel dentro de uma embalagem e este em uma sacola e me entregou, apesar de pareceu fraquinha era bem forte, tanto que me empurrou para fora da loja rapidamente. Olhei para a loja atrás de mim e esta já havia fechado, nem pareceu que a alguns minutos atrás eu estivera ali. Olhei na calçada e não vi mais minha bicicleta.
Ótimo, fui roubada.
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