Amores Congelados - Filha Do Gelo
9 Capítulo 6
Assim que sentei na carteira baixei minha cabeça.
A Sra. Helmans ainda não estava na sala, o que achei estranho, já que ela era sempre pontual. Ela tinha cabelos castanhos, pele morena e os olhos puxadinhos, os pais dela eram do Japão e era professora de Literatura, era meio cheinha mas era incrivelmente linda.
Era dia 01/06, dia de troca de sala. A cada dia 1º a cada três meses trocávamos de sala. A coordenadora chegou e disse-nos que a Sra. Helmans faltou porque estava constipada e nos entregou papeizinhos indicando nossas novas salas assim como o novo horário. Eu fiquei na sala 18E, a pior sala que alguém poderia estar, o bom disso era que as salas não eram organizadas por notas, o que significa que minhas notas continuavam intocadas.
Peguei minhas coisas mal-humoradamente e fui para o inferno. Chegando lá só vi três carteiras disponíveis, todas em último lugar, uma do lado da outra.
Já que eu sei que vai acontecer não tem problema falar, será que esse dia pode ficar pior?!
Ate agora nada, ufa. Sentei na mesa ao lado da janela e fiquei olhando para fora, a sala estava uma bagunça, papéis e outros objetos voavam pela sala, as pessoas conversavam alto, e para meu azar, a sala só tinha garotos. Na nossa escola havia um grande carvalho que eu gosto de chamar de O Grande Carvalho — não sou nada criativa. Eu gostava de ficar lá no intervalo, já que eu agora preferia ficar sozinha.
Acho que o três é o meu número de azar. Ele só me causa problemas.
A primeira aula, de acordo com o horário, era Artes, fiquei animada, o Sr. Alan era o meu professor favorito, além do mais eu tinha que me desculpar pelo o que tinha acontecido mais cedo, o fato deu ter feito ele se preocupar comigo não foi legal. Podia aproveitar essa chance também e perguntar como meus irmãozinhos estavam.
Eu adoro arte, sabe aquele tipo de pessoa que desenha palitinhos e uma bolota redonda para a cara? Sou eu... bem, não exatamente, quero dizer, era eu, não é mais porque eu me inscrevi em um a aula de arte a quatro anos atrás, então agora posso me considerar boa.
O professor Alan chegou e todos na sala ficara quietos, apesar do fato do Sr. Alan ser gentil ninguém nunca se atrevia a interromper sua aula. Assim que ele me viu parece que deu um suspiro de alívio, logo em seguida explicou que hoje iríamos sentar em duplas e faríamos um retrato do parceiro de uma maneira fictícia, para ampliar nossa imaginação, mas que antes de começarmos a aula ele iria nos apresentar um aluno novo.
Aluno novo? Que estranho, nesta época do ano?
E foi aí que eu me lembrei de alguém que eu nunca tinha visto na escola e que eu vi esta manhã.
Não. Não pode ser ele, é só coincidência. Ai Gosh, me diz por favor que não é ele!!!
— Entre. — pediu o Sr. Alan.
Por uma fração de segundos o meu coração parou. Uma cabeleira negra junto com um par de olhos daquela cor esmeralda que fazia o coração de qualquer adolescente disparar atravessou a porta, estava usando as mesmas roupas de antes, uma calça jeans preta e uma camisa de algodão verde, o que dava contraste à sua pele, e uma jaqueta jeans.
Viu?! Foi só pensar na merda da frase que isso acontece!!!
Ele entrou e percorreu os olhos pela sala, parecia estar procurando por algo, seus olhos pousaram em mi, e ele soltou um sorriso branco. O que fez com que os meninos ali na sala se virassem para mim, como se percebessem apenas agora, corei diante de tal atenção e deitei minha cabeça na carteira, me fechei no próprio mundo, não escutava mais nada. Levantei a cabeça apenas na hora em que tocaram meu ombro e neste mesmo momento a porta fora quase que arrancada das drobradiças.
A mão do meu ombro se fora, e nem sequer um sinal que quem que tenha o feito.
Todos se assustaram, principalmente o Sr. Alan e Arthur que estavam perto dela. Da mesma saiu uma cabeleira de cor castanho-ruivo e um par de olhos azuis, que estavam com uma roupa simples mas estilo largado. Vestia uma camisa branca com duas faixas — uma pequena e uma grande -, vermelhas que faziam o padrão: faixa pequena, branco e depois a faixa grande no centro da camisa. Usava um jaqueta de couro preta. A mochila pendurada por só uma alça no ombro esquerdo e tinha uma expressão de aborrecimento.
— Desculpe o atraso. — claramente se podia ver que estava muito, mas muito mal-humorado. Saiu de perto da porta, parou quando viu Arthur, o encarou mas logo depois foi-se para a carteira do lado da minha.
— Cameron! — repreendeu Sr. Alan.
— Desculpa pai, a porta estava emperrada, então tive que fazer força. — disse dando de ombros. Descarado.
O Sr. Alan suspirou cansado.
— Tudo bem, vou pedir que verifiquem a porta mais tarde, agora como eu ia falando, vocês irão fazer duplas para desenhar , mas ao invés de fazer a sua dupla de uma maneira fictícia como mencionei mais cedo, quero que soltem a imaginação, façam o que lhes vier a mente, e não precisa ser necessariamente do perceiro. — ele olhou para mim e me chamou. — Srta. Alexya, por favor venha aqui.
Enquanto a sala ia aprontando os materiais, os cavaletes, os quadros e os blocos de desenhos, fui andando até a mesa de Alan, eu não o podia chamar assim na escola, mas ele tinha me pedido para que o chamasse assim fora dela, já que ele era como um pai para mim e ele me considerava como sua filha eu acatei seu pedido.
— Sim Sr. Alan? — perguntei esperando um bronca.
Ele suspirou e então começou.
— Sabe o quanto desesperado eu estava? Você não atendia nenhuma de minhas ligações. Pensei que alguma coisa ruim tivesse te acontecido.
— Me desculpe Sr. Alan. — abaixei a minha cabeça demonstrando a ele o quanto estava arrependida.
Ele suspirou novamente.
Deu para hoje suspirar hein?
— Apenas não repita isso novamente. — assenti com a cabeca e fui me afastando da mesa até quando ele me chamou de novo — Ah, Alexya, esqueci de te dizer. Você irá acompanhar Cameron e Arthur nas atividades.
Meu queixo caiu. O inferno está mais próximo do que eu pensava. Os dois garotos dos quais eu tentei evitar são o meu grupo para o resto da etapa.
E como eu havia dito, o número três me dá muito, muuuiiito azar. Eu acabei em um trio. Prevejo muitas tretas.
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