Amora Azul
1 Dois anos e ainda tem dúvidas?
Notas iniciais
Beijinhos :*
— Eu acho que você deveria preparar algo mais sofisticado, é o aniversário de dois anos de namoro. – Kai olhou pra mim sério, isso só aumenta ainda mais minha dúvida. – Eu acho que um simples bolo é muito sem graça. Sem falar que parece até coisa de aniversário de criança.
— Humpf! Eu sei, mas é difícil agradar o Yuu, ele é muito exigente. E também, sempre acerta nos presentes. Fica difícil comprar coisas pra ele, ele tem tudo. Ano passado dei uma blusa, ele gosta, mas sei que ele ganhou outras milhões que gostou bem mais, conheço bem ele.
— Se o conhece tão bem como pode ainda estar em dúvida sobre o que dar? – Dessa vez quem se dirigiu a mim foi Ruki que acabara de chegar e sentou ao meu lado no sofá, o Reita não estava prestando muita atenção na conversa, estava somente ensaiando umas notas no baixo, o que era engraçado, dava meio que uma trilha sonora pra conversa.
— Sei que é absurdo namorar uma pessoa por dois anos e não saber o que dar, mas o Yuu é complicado de presentear. Às vezes as fãs parecem que conhecem mais ele do que eu.
— Bom... E se não desse nada material, sei lá, algo simbólico. – Somente nessa hora nossa querida calopsita se pronunciou. — Você devia cozinhar pra ele. Isso seria romântico, pode até chamar ele pra cozinhar junto com você. Isso sem falar que o Aoi é um comilão, só pensa em comida.
— Gostei da idéia! Vou cozinhar alguma coisa! Mas o que?
— Uruha-kun, você sabe cozinhar? – Ruki estraga prazeres.
— Acho que sei... É só fazer algo simples. Tipo... Tipo...
— Miojo pronto! – Kai disse rindo da minha cara.
— Ainda é melhor que você, Kai. – Um dia eu ainda vou ver o Kai e o Reita se beijando, essa implicância toda só pode ser amor.
Bom, mas será que tem mesmo algo que eu possa fazer pro Yuu, eu sei que ele é difícil de agradar. Sei lá, talvez eu devesse fazer um doce, mas não sei de que... Será que o Yuu gosta de amora azul? Eu ando com uma vontade de comer amora azul. Será que sou bom o suficiente pra fazer um bolo de amora? Mas claro que também devo preparar um juntar, né? Quem sabe comida mexicana, minha irmã pode me ensinar a fazer nachos com chile, ela aprendeu a fazer com uma amiga mexicana que conheceu numa viagem pros Estados Unidos. É, acho que vou fazer um jantar mexicano e pra sobremesa vou preparar uma torta de amora, posso chamar o Aoi-kun pra decorar a torta junto comigo. Vai ser perfeito.
— Oi amor. – Yuu entrou na sala bem no momento em que tomei minha decisão, ele sentou-se do meu lado, de onde Ruki já havia saído, e me deu um beijo de leve no lábios, me fazendo sorrir.
— Pombinhos! Desculpe atrapalhar, mas é hora de ensaiar! – Disse Kai rindo e nos fazendo levantar do sofá e entrar de vez no estúdio. Yuu foi na frente, eu fiquei um pouco pra trás, sorrindo.
Ótimo, acabei de destruir toda a comemoração do meu aniversário de dois anos de namoro! Queimei o chile e não consegui fritar os nachos, isso sem falar que acabou o leite não tem como fazer a torta, e nem dá tempo de comprar mais o Yuu deve chegar em menos de 5 minutos, acabou de me ligar que está saindo de casa, que não é longe daqui. DROGA TRIPLA! ACABOU O VINHO QUE EU JURAVA QUE TAVA CHEIONHO!
Muito bom, agora tenho um monte inútil de chantili, uma bacia cheia de amoras azuis e uma latinha de cerveja. Tudo inutilizado. Isso sem falar do cheiro de queimado da casa toda. Que beleza de cozinheiro eu sou. O que eu faço agora?
O que? O telefone?
— Moshi Moshi?
— Kou, vou demorar um pouco, mais uns vinte minutos, ta com engarrafamento aqui perto de casa.
— Ah, tudo bem... Eu estou de esperando, num precisa se preocupar.
— Vou ser o mais rápido que posso.
— Não se preocupe! Pode demorar o quanto for!
- Tem algo errado Kou?
— Que nada, melhor prestar atenção no transito amor, não quero que sofra nenhum acidente, já estou avisado, dirija com cuidado.
— Ok... Te amo. Beijos.
— Tembém te amo, beijos.
EU AMO OS MAUS MOTORISTAS E O ECESSO DE CARROS NAS RUAS! Tneho vinte minutos pra arrumar a bagunça da cozinha e decidir o que fazer pro Yuu, que bom que comprei um livro sobre guitarras caso o jantar não desse certo, pelo menos se num der pra arrumar nada eu me viro com o livro, e sei lá, meu corpo... Como se meu corpo fosse novidade pro Yuu.
Bom, agora, pensa Kouyou, o que pode fazer, mas enquanto pensa lava a louca imunda de chile queimado.
Uhm... Minha irmã ta viajando, minha mãe já deve ta dormindo... Talvez pedir comida seja minha única opção. Isso, vou pedir algo rápido, sushi e sashimi do restaurante aqui perto, posso pedir um giôsa e um chitaque também, sei que o Yuu gosta. E bom, como sobremesa... Vai ser só amora com chantili mesmo, ele que não reclame.
Liguei pro restaurante e eles entregaram até que bem rapidinho, mas o Yuu já está demorando mais que o esperado, acho que vou dar uma ajeitada na sala.
Arrumei a mesa de uma forma simples, com uns pratos bonitos, os rachis vermelhos que ganhei da minha mãe quando me mudei pra morar sozinho, são muito especiais pra mim, são de madeira nobre a tem detalhes pintados a mão, só tenho quatro deles, por isso deixo pras vindas do Yuu mais especiais, pus umas velas baixas e gordinhas e as acendi, tinha um aroma leve de cerejeira. Até que ficou bonitinho.
AH! E não pensem que esqueci da bebida, também pedi um sakê de primeira qualidade do restaurante.
— Tadaima! – A voz de Yuu me fez despertar de mais devaneios, ele tem a chave da minha casa há um bom tempo.
— Okaeri! – Eu disse chegando perto dele e lhe abraçando. – Eu já estou com muita fome.
— Desculpe o atraso, mas o transito estava horrível. Nossa, que bonito que está aqui, e cheiroso. – Ele disse apertando-me mais em seus braço.
— Ia ser mais bonito... Mas deixa isso pra lá... Durante o jantar te conto a história toda. – Eu disse rindo, logo depois indo fechar a porta, e em seguida o puxando para a mesa, onde já estava nossa comida.
Nosso jantar foi maravilhoso, eu contei a ele toda a minha odisseia com o jantar, o que lhe fez dar boas gargalhadas. Yuu idiota, rindo da minha desgraça.
— Sabia que você fica lindo quando se atrapalha. – Ainda por cima me faz um comentário desses?
— Não me atrapalhei o fogão que não estava funcionando direito.
— Sei... – Ele disse virando mais um copo de sakê, devia ser seu quinto ou sexto, ele já estava um pouco alterado. Não que eu estivesse bem, devia estar no sétimo ou oitavo copo, Yuu sempre dizia que eu bebia demais, mas isso é mentira, só bebo socialmente.
— Vem cá senhor cozinheiro... – Ele disse me puxando para um beijo intenso, que eu retribui com entusiasmo. Nossas línguas travavam uma disputa pacifica espaço na boca do outro, vez ou outra brincávamos com a boca do outro, dávamos leves mordidas, chupadas língua, as mãos de Yuu já envolviam minha cintura e eu já passava ambas minhas mãos por seus cabelos. Aqueles doces lábios... DOCES! AINDA TEM SOBREMESA NÃO POSSO ME DEIXAR LEVAR PELO YUU AGORA!
Separei nossos lábios lentamente, vendo a decepção nos olhos do meu moreno.
— TEM SOBREMESA! – Eu disse rindo pra ele.
— Mas essa sobremesa tava tão boa. – Ele me olhou com a maior malícia do mundo, ele tarado.
— Pervertido. – Disse sério o olhando, me dirigi a cozinha e peguei a pote cheio de amoras e latinha de chantili.
Ok, eu sei que normalmente são morangos, mas fazer o que? Não tive outra opção foi na pressa.
— Chantili com... AMORA? – Ele olhou pra mim divertido. – Não seriam morangos?
— Ai... Não foi só no jantar que eu errei... A sobremesa também não deu muito certo. Eu ia fazer torta de amora, mas não tinha leite. – Eu disse emburrado colocando as amoras sobre a mesa.
— Ótimo, prefiro amoras mesmo. Me parece menos... Clichê. – Ele riu e me puxou pelo braço pra sentar em seu colo. Esse pervertido.
— Aqui... – Eu coloquei a chantili sobre as amoras e em seguida enchi uma colher com a mistura e levei até a boca dele. Ele a abocanhou por inteiro, comendo tudo e logo depois sorrindo, vendo que eu já me deliciava com uma colherada também.
— Bom, você preparou isso pra mim... Mas eu só trouxe um presente simples. – Ele disse sério, tirando do bolso uma pequena caixinha de veludo. Uma aliança não é, já temos isso, o que será?
— Vindo de você tenho certeza que vou amar. – Eu disse abrindo a caixinha, e estava certo, eu amei, um par de brincos de prata com um pequeno rubi, eram realmente lindos, porém antes que eu os pegasse Yuu o fez, botando um brinco na minha orelha e outra na dele.
— Hum... Brincos iguais, que coisa mais romântica... – Eu disse rindo. – Depois vem falar de clichê.
— Oras... Se não gostou pode ficar com o brinco que tem seu nome gravado também. Mas achei que ia querer ficar só com o que tem o meu.
— Nome?
— É, olha. – Eçe tirou o brinco que estava em sua orelha e me mostrou, e não era no metal, estava gravado na pedra, bem no meio do rubi.
— Que lindo! Pode ficar com o que tem meu nome então. Mas eu ainda acho isso desnecessário, temos alianças de compromisso. Mas eu amei o presente, de verdade.
— Que bom que gostou.
— A! Falando em presentes materiais, comprei um pra você também...
— Não preciso que me de presentes, desde que não demore muito pra entrarmos por aquela porta. – Ele disse apontando para a porta do meu quarto, que é claro, eu já tinha preparado também, mas isso não interessa nada a vocês.
— Hum... Bobo pervertido.
Peguei o livro embrulhado e entreguei para o meu amado moreno.
— Espero que goste, é edição de colecionador. – Eu o vi sorrindo quanto abria o presente.
— Eu estava doido atrás desse livro! – Ele me deu um beijo longo e gostoso de agradecimento. – Como descobriu? Não lembro de ter comentado com você.
— Não descobri... Só achei que ia gostar, vi por acaso na livraria outro dia.
— Você realmente me conhece né? – Não posso negar que estou um pouco frustrado por ele ter gostado mais do presente improvisado do que o que preparei com carinho, mesmo que não tenha dado certo. – Sabe, as vezes eu queria saber como você consegue ler minha mente?
— Uhm... Depois de dois anos juntos a gente aprende muito sobre a outra pessoa... – Mas estou feliz dele estar feliz
— TE AMO! – Dissemos juntos por acidente, sorrimos, e de propósito, nos beijamos.
Notas finais
Beijinhos :*
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