— Não suporto Aidê! — Justine reclamou.

— Não entendo! Agda é um amor de pessoa! Não sei como sua prima pode ser assim...

— Eu te explico. Zaquiel, o ex-marido de titia Agda, era terrível. Uma verdadeira cobra. Quase gritei de entusiasmo quando descobri que iria se divorciar.

Eu e Justine estávamos sentada em sua cama. Cheguei aqui logo pela manhã e, infelizmente sua prima também. É uma dessas garotas que acha pode ter o mundo nas próprias mãos. Muito metida.

— Dessa vez não vou nem te repreender por dizer uma coisa dessas — Falei

— Menina inteligente... — Comecei a rir da careta que ela fez.

— Ahhh! — exclamei — Lembrei o que tinha que lhe contar. Eu e meu pai tivemos uma luta corpo a corpo ontem... Eu venci! Tinha ficado até tarde aprendendo uns golpes. Derrubei ele com um de judô.

— Que incrível, Mora! Só não entendo o por que de você insistir nessas lutas. Não é como se as amazonas fossem simplesmente aparecer em sua casa. Sabe muito bem que elas só escolhem bebês para fazerem parte!

— Pelo o amor, Justine! Quantas vezes vou ter que lhe pedir para ser um pouco mais mente aberta. Claro que eu adoraria fazer parte das amazonas, mas já percebi que isso não vai acontecer. Luto apenas para saber me defender.

— Pois não precisaria disso se tivesse um homem que te defendesse.

— Não preciso de homem nenhum para me defender! Posso muito bem me cuidar sozinha!

— Tudo bem... Se você diz. E eu que sou cabeça dura depois.

— Hahahaha, engraçadinha. O que acha de darmos uma volta pelo seu jardim? Poderíamos ir cantando... — Disse e lhe dirigi um sorriso maroto. Nós adorávamos cantar, e toda vez que tínhamos a oportunidade saímos cantando por aí.

Ficamos nos olhando por mais um momento antes de começar a correr como se fosse a última coisa que conseguiríamos fazer antes de morrer. Segurávamos as pontas dos vestidos para não tropeçarmos, porém, acho que deveríamos ter sido um pouco mais cuidadosas em relação a isso.

— QUE FALTA DE MODOS! — Ouvimos o berro esganiçado de Aidê. Paramos no mesmo momento e olhamos para o diabo. — Suas mães nunca lhes disseram que é uma falta de modos absurda uma dama correr, ainda por cima com as pontas do vestidos levantadas?

— Sua mãe nunca lhe ensinou que é uma tremenda falta de modos se intrometer em assuntos que não lhe dizem respeito? — Rebateu Justine usando o mesmo tom que a maravilhosa prima.

A garota, ignorando completamente a fala anteriormente dita, olhou para mim com um grande desprezo e disse.

— E você? Não consigo nem acreditar que Justine ainda continua se relacionando contigo. Não posso contar nos dedos os motivos de ser uma péssima companhia. Comecemos por seu nome. Am...

— Aidê. — Minha amiga começou a repreendê-la, mas como sempre, a garota simplesmente ignorou e continuou de onde tinha parado.

— Amora. Que nome mais escroto, com todo o respeito. É uma fruta ridícula, que espalha seu veneno por todo o lugar. Muito parecido com o que sua reputação representa. Não podemos chegar perto que já nos manchamos. Inclusive, ainda continua com aquelas ridicularidades de lutar como um homem? Pelo o amor de Deus. Se se concentrasse em em sua vida social, arrumaria um homem bom, ou tão bom quanto sua reputação lhe permite, e não precisaria disso. Mas, é o que dizem. O mundo está perdido.

— Realmente, estimada Aidê. O mundo está perdido pois ainda existem pessoas como você na Terra. Pessoas que colocam o nariz nos assuntos que não lhe dizem respeitos. Agora pense comigo, se você conseguir. Se cada pessoa cuidasse apenas da própria vida, o mundo seria um lugar bem melhor, onde não haveriam fofocas, olhares tortos, guerras, tantas mortes. Se pessoas como você parassem de invejar as outras como está fazendo conosco agora. Diga-me Aidê, o que tanta inveja? Nossas famílias, que tem uma estrurura sólida, nossa liberdade de nos divertirmos, ou talvez o nosso dom de não ligar para o que pessoas inconvenientes dizem? Por que com toda a sinceridade, tudo o que disse, foi apenas um desperdício de saliva e voz. Não me atingiu em nada. — Falei. Ela apenas ficou me olhando com o olhar incrédulo, como se não acreditasse que eu tivesse dito tudo aquilo. — Ah, inclusive, perdoe-me se fui rude em algum momento de meu discurso. Não tive a intenção de te ofender, muito pelo contrário. Estou tentando apenas te ajudar a perceber que seu comportamento não está ideal para uma dama. — Disse e sorri, um sorriso um pouco cínico com certeza. Virei meu rosto para Justine e percebi que ela também me olhava meio incrédula, para tentando, sem muito sucesso, esconder o riso que insistia escapar. — Bom, foi ótimo ver vocês meninas, mas agora tenho um compromisso então já vou indo. — Terminei

— Não se esqueça de pegar suas coisas em meu quarto! — Me lembrou Justine. Sorri para ela em resposta e me dirigi para seus aposentos.

Quando pisamos dentro do lugar, ela desatou a gritar.

— MAS QUE DISCURSO FOI AQUELE! COLOCOU AIDÊ EM SEU LUGAR TÃO LINDAMENTE E COM TANTA CLASSE! ALGUÉM DEVERIA TER ANOTADO SUAS PALAVRAS PARA USÁ-LAS EM ALGUM CONGRESSO QUE PROMOVE A PAZ!

— Que exagerada, Justine! — Falei rindo. — Também não é para tanto!

— Oh, mas é! Foi incrível! Simplesmente incrível! — Disse enquanto me observada pegar minhas coisas para ir embora. — Mora.

— Diga.

— Vai cavalgando sozinha novamente? — perguntou, com o seu anterior euforismo dando lugar a um toque de preocupação.

— Já conversamos sobre isso, sendo assim, não vou discuti-lo novamente. — Respondi. Fui até ela e lhe dei uma abraço antes de me virar e ir em direção aos estábulos, onde estava meu cavalo.

Montei nele de lado, por causa do vestido e me pus a cavalgar. Enquanto engatava em um trote lento, ia pensando no que faria para o treinamento. Meu pai me designou para ajudar a lutar contra algum guardas, para mostrá-los alguns pontos fracos deles mesmo, com o objetivo de melhorar a guarda da propriedade.

Estava tão distraída que nem vi o homem que estava parado no meio da trilha por onde estava a cavalgar. Puxei as rédeas com brusquidão enquanto sacava a faca e me punha em posição de luta ainda montada no cavalo.

Notas finais
O que acham que vai acontecer? Quem será o homem na estrada?