Amora
6 Capitulo 5
Olhei para o meu pai, pela primeira vez enxergando o homem frio e calculista que conseguiu se tornar tão bem sucedido. Entendia que toda a situação era delicada, mas e enquanto a todos os outros krings não rebeldes? Dando o assunto por encerrado, arrastei minha cadeira rapidamente para trás e me levantei, atravessando a sala com passos rápidos, pronta para sair. Assim que abri a porta me deparei com um guarda atrás dela.
— O deseja senhor Verrot? — Perguntei.
— Gostaria apenas de saber sobre a minha trocas de turno que venho debatendo com senhor Abner há tempos.
— A sim. Claro. A reunião acabou de terminar, mas sugiro que se quiser falar algo desse gênero com ele deveria esperá-lo em um outro lugar. — Disse no automático.
— Claro senhorita, perdão. — Me respondeu e saiu, dando meia volta no corredor. Inspirei profundamente, passando as mãos pelo meu rosto. Minha banheira seria uma ótima aliada agora.
Ansiando por realizar esse meu desejo, me dirijo aos meu aposentos. Por sorte, eu encontro Nehemia vagando , assim como eu, pelo corredor.
— Nehemia? — Chamei
— Sim, senhorita?
— Está ocupada? — Perguntei-lhe
— Não realmente. Do que precisa?
— Poderia trazer alguns sais para mim? Acho que os do meu quarto acabaram, e eu estava realmente precisando de um banho de banheira.
— Claro, vá indo que em um instante eu chego com eles. — Me respondeu. Concordei com a cabeça e segui meu caminho.
Chegando em meu quarto, me despi e me cobri com um robe, sentando na cama para esperar Nehemia. Depois de alguns minutos houveram leves batidas na porta.
. — Nehemia? — Perguntei
— Margarida. — Respondeu minha mãe. Certamente, eu teria esperado mais um tempo para entrar em contato com minha progenitora, visto que toda a discussão sobre a guerra eminente ainda estava muito fresca em minha mente. Porém, sem querer desrespeitá-la ou aparentar uma desfeita, pedi que entrasse.
Ela adentrou o cômodo com seu típico andar seguro e determinado, vendo que eu estava sentada na beirada da cama, se sentou ao meu lado, com as mão recolhidas no colo.
— Amora. — Disse meu nome. Somente disse, não para me chamar, mas para apreciar a forma com que o som preenchia o quarto silencioso.
Permanecemos quietas por mais uns cinco minutos, tentando nos acostumar com a companhia uma da outra, coisa que antes, era tão fácil.
— Querida... Sobre hoje... — Ela finalmente se pronunciou, escolhendo as palavras com cuidado.- Quer saber? Vou lhe contar uma história... — Quando ela começou a falar, novamente batidas na porta soaram.
— Nehemia? — Perguntei pela segunda vez.
— Sim, senhorita. Estou entrando. Licença... — Disse ao passar por nós em direção ao banheiro.
— Vai se banhar? — Perguntou minha mãe.
— Sim.
—Ótimo. Ficarei conversando com você enquanto relaxa na água quente.
Em minha cabeça, eu pensava que esse banho não seria tão relaxante assim.
— Está pronto... — Ouvimos a voz de Nehemia de dentro do banheiro. Suspirei brevemente e e me levantei, me dirigindo ao banheiro.
Assim que tirei minhas roupas e entrei na banheira, minha mãe chegou com um pequeno banquinho que pôs ao lado da banheira.
— Continuando a contar sobre a história... Quando eu era mais nova, e ainda servia às amazonas houve um momento em que eu fiquei confusa como você. Não sabia qual caminho seria certo. Eu tinha acabado de voltar de uma cavalgada e estava levando minha égua de volta aos estábulos. Na época haviam 3 bases espalhadas por Fortid, e eu tinha acabado de me mudar.
— Não sabia que amazonas podiam mudar de base.
— Eu fui uma exceção á regra — Me respondeu com uma risadinha. — Enfim. Desde o dia que eu havia chegado nada de diferente tinha acontecido até aquele dia. Eu estava voltando para o meu dormitório quando ouvi alguns gritos,que com facilidade percebi serem femininos. Qualquer mulher que fosse, estava sentindo muita dor.
"Sempre movida por minha curiosidade, segui o som, mesmo sabendo que eu não podia me intrometer em assuntos que não me diziam respeito. Quando enfim cheguei entrada da construção de invasores..."
— Espera. — Interrompi. — Tem uma construção chamada construção para invasores?
— De invasores, e sim, realmente existe. Foi feita para invasores — Falou minha mãe, apontado o óbvio.
— Sério? — Perguntei sarcasticamente, fazendo- a rir.
— Quando cheguei na entrada da construção de invasores percebi que os gritos vinham mesmo da li. Eu sabia que em alguns casos era necessário a tortura pela busca de informações, mas isso apenas em tempos de guerra, coisa que não estava acontecendo.
" Mais uma vez, minha curiosidade me ganhou, mostrando que eu realmente precisava de mais autocontrole. Com medo de ser pega e castigada por minha infração, entrei silenciosamente, mas nada, poderia ter me preparado para o que encontrei. Eu tinha 16 anos, e mesmo assim nunca havia visto um parto. Aquela foi a primeira vez que vi uma criança nascer, e a primeira vez que tive medo de ter filhos.
— Achei que as amazonas não podiam ter filhos. — Falei.
— Não podem — Me respondeu — Mas eu nunca fui uma santa no quesito obedecer regras. Meu espírito sempre foi rebelde. — Me disse com a diversão estampada no olhar.
— Era uma amazona tendo um filho? — Perguntei. As histórias da minha mãe sempre foram as melhores.
— Calma! Vou chegar lá — Me repreendeu. — Mesmo assustada com a cena a minha frente, a mulher estava sentindo muita dor, continuei. Observei todo o processo, e quando a criança enfim nasceu, as minhas companheiras que estavam auxiliando no parto a colocaram em um saco.
— O bebê?!
— Sim. Iam jogá-la no rio. Sem conseguir me conter dei um passo a frente.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ 18 anos atrás ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Ponto de vista de Margarida
— Não podem fazer isso! — Exclamei.
— O que faz aqui, Margaríta? Volte já para lá!
— Não podem matar a criança! Por que estão fazendo isso?
— É necessário. — Respondeu a líder, Theía Ypóschesi.
Por que? — perguntei mais uma vez.
— Ela chegou ontem vinda de Kringsdown. Não podemos deixar um Kring nascido em Fortid vivo.
— Como não? Se ele for educado como nós e conosco saberá como se portar. Nem mesmo precisa saber que é Kring. — Argumentei.
— Mas e quanto a mãe? — Se pronunciou uma outra amazona, que estava segurando o saco com o bebê.
— Não é necessário se preocupar com ela. — Falou a primeira. — Que descanse em paz.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Dias atuais ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
— Então elas deixaram a criança crescer na base? — Perguntei.
— Sim. Essa foi a primeira vez que eu, com meus argumentos, consegui convencer líderes de um outro ponto de vista.
— Que demais, mãe... Inclusive. Qual nome escolheram para ela? — Perguntei.
— Ele. Era um menino. O chamaram de A...
— MARGARIDA! ESTAMOS SOB ATAQUE!
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