Amor é um Vício
5 Capítulo 5 - Jogo de Palavras
A manhã desapareceu com rapidez. Quando acordou pela terceira vez já passava das uma da tarde. Daniel não estava ali ao seu lado, devia ter saído depois que ele caiu no sono novamente. Pegou o celular, mas não havia nenhuma mensagem, nem dos falsos pais, nem de Ana. Isso o deixava aliviado. Não tinha vontade de lidar com nenhum dos dois nesse momento.
Porém, não pode deixar de sentir o desapontamento. Depois de tantos anos, ele nunca mudou. Sua família havia sido seu avô, no final, mesmo com todos seus erros e pecados. Havia sido seu salvador e seu destruidor. Seu ódio e amor. Para alguém que ansiava por ser amado não poderia ser culpado por amar seu próprio avô, seria? Ele se perguntava isso constantemente. No final, tudo o que tinha era graças ao avô, desde a vontade de viver até a vontade de amar e morrer. Tudo o que lhe restou era o desejo de amar e ser amado.
E com Daniel não era diferente. Alex tinha que fazer um esforço grande para não machucar o garoto. Seja fisicamente ou psicologicamente. Tinha medo de que pudesse sair do controle como já lhe aconteceu tantas vezes. E se algo acontecesse com Daniel por conta dele, como poderia se perdoar? Mas por mais que tentasse algumas coisas nele acabavam sempre sendo incorrigíveis. E quando menos ele desejava, seus traumas o forçavam ao desespero e esse desespero escurecia sua mente.
Como posso viver com isso seu velho maldito? O que me deixou além de um corpo instável e sentimento de controle e dominação? Nada. Você não me deu nada fora esse corpo maculado por suas incontáveis punições.
Tudo isso devia ficar no passado. Alex lutou tanto tempo para abdicar dessas memórias, não precisava delas, não as queria. Não queria nada que viesse daquele velho saco de ossos. Contudo, de tempos em tempos aqueles sonhos o acometiam. E então ele se afundava em dor e pesar.
Suspirou. Não fazia sentido agora. Enquanto tivesse Daniel haveria um motivo para estar sempre no controle. Nada mais importava. Amava Daniel desde os onze anos, talvez não da forma como amava agora. Na época, coisas como amor eram misteriosas e sem sentido. Nutria um forte desejo de proteger o garoto quando era criança. De manter ele seguro como um passarinho dentro de uma gaiola, mas sem privá-lo de sua liberdade.
Naquela época seu único e real desejo era que Daniel o olhasse com aqueles olhos determinados. Que visse em Alex algo da qual pudesse se agarrar. E quanto mais tempo passava com o garoto mais ansiava por isso. Daniel era genuinamente inteligente, mas bastante frágil em comparação com ele. Se conseguisse preencher essa lacuna, então seria a parte que completaria aquilo que faltava no garoto. Só assim poderia estar em pé de igualdade com ele. Com isso não se sentiria um estorvo, só assim Daniel o amaria como seu igual.
Nada disso importou para o amigo, no final, Dan o aceitou sem a necessidade de algo em troca. O aceitou com a pureza de um garoto que tinha a inocência intacta. Para Alex que viveu um antigo réquiem para a inocência, Dan era o ser mais puro que conheceu. E apesar de só estudarem juntos depois do segundo ano do colegial se viam quase todos os dias. Daniel morava não mais que três quilômetros de onde Alex passou a morar com os tios. E o garoto sempre ia ao parque onde se encontraram pela primeira vez, onde Alex sempre o encontrava com frequência. E conforme o tempo passasse e seus desejos e apetite sexual se desenvolvia, começou a notar que queria ter Daniel em seus braços de uma forma totalmente impura, se antes ansiava por proteger o rapaz, agora só pensava em foder ele.
Achou que isso era normal, não importava se eram garotos, Alex não se importava em ser gay, bi, hétero, não se importava com esses rótulos. Para ele, que já havia se envolvido anteriormente com outro rapaz, quando ainda tinha catorze anos, mesmo que não por sua vontade, isto nada mais era que um tipo de desafio. Porém, nunca havia visto nada em Dan que indicasse interesse nele, não até pouco tempo atrás. Quando o rapaz o olhava mais do que o necessário, como ele ficava desconfortável ao seu toque. Alex notava como os olhos dele analisavam seu corpo quando estava sem camisa, percebeu toda mudança de Dan em relação a ele. Então, como um ser maculado e sujo, usou isso para ter Dan sobre seu controle. Tinha total ciência de que o garoto seria totalmente fácil de manipular e desejava absurdamente fragilizar o garoto até o ponto onde não restasse nada que onde impedisse de ter e Daniel em seus braços.
Alex também tinha ciência de que era bonito o suficiente para ter pessoas o encarando com todo tipo de olhar. Desde garotas, até garotos e mulheres mais velhas. Ele se relacionou algumas vezes com algumas mulheres mais velhas, uma forma de obter experiência. Algumas vezes o fazia pelo tédio, outras por estar com relativa curiosidade. Não se importava de fato com metade das pessoas com que ficava ou dormia, e a outra metade nem ao menos lembrava o nome. Poucas o faziam ter interesse, mas tudo desmoronava em poucas semanas. Não conseguia manter um relacionamento e não tinha interesse em manter.
Mas com Daniel era diferente. Não se tratava só de interesse sexual, isto era só seus hormônios reagindo automaticamente ao amigo. E Dan era alguém que deixava Alex excitado. Não só pelo garoto ter uma fragilidade excitante, como por ele ser tão passivo que o deixava tentado a fazer coisas ruins. Isso deixava Alex completamente louco para tirar proveito. Não que estivesse brincando com os sentimentos de Dan, não era isso, não conseguia enganar a si mesmo, amava o garoto e tinha total clareza disso. Mas quando se tratava de Dan ele conseguia lhe tirar tudo que era bom e ruim ao mesmo tempo.
Aqueles pequenos olhos determinados, o sorriso gentil, mas ao mesmo tempo impassível. Tudo nele me deixa louco. Louco para fodê-lo. Louco para ouvi-lo gemer.
Alex não deseja dar a impressão de que queria forçá-lo a uma escolha rápida, nem mesmo machucar ele, mas tinha horas que não conseguia evitar e agia por impulso. Sabia que tinha sido bastante invasivo com Dan anteriormente. E sabia que havia invadido seu espaço utilizando de sua única vantagem para ter o garoto entre si e a parede. Não se orgulhava disso e só ao pensar nisso se sentiu envergonhado.
Droga! Não vou conseguir me manter no controle por muito tempo.
Enfiou a cabeça no travesseiro, sentindo o cheiro dele na cama. Droga! Droga! Já faz mais de dez dias que não me alívio, estou completamente excitado. E pensar em Dan o havia deixado excitado novamente. Se eu me masturbar aqui, posso me aliviar ao menos um pouco. Mas sabia que isso não adiantaria de nada enquanto o garoto estivesse por perto.
— O que você está fazendo? – perguntou a voz de Dan na porta do quarto
— Dan – chamou Alex levantando da cama. – Vamos fazer só umazinha? Deixa eu foder você, por favor?
— Você ainda continua com isso?
Alex o abraçou afundando sua cabeça em seu ombro. Ele cheirava a banho, e os cabelos negros ainda estavam úmidos. Alex o abraçou ainda mais forte.
— O que significa isso?
— Só me deixe ficar aqui, abraçado com você.
— Você está roçando seu pau em mim – disse Daniel. – Você tem que parar com isso.
— Mas eu estou todo acabado. Só quero me aliviar.
— Você pode se aliviar sozinho.
— Isto não é a mesma coisa. Quero me aliviar com você. Qual é, é só sexo.
Alex o levou até a cama depositando seu corpo em cima dele. Dan o olhava com cautela, como um animal observando o seu caçador à distância, pronto para fugir antes de ser pego. Aquele olhar deixou Alex ainda mais excitado.
— Me deixa foder você. Eu prometo ser gentil.
— Gentil? – perguntou Dan. – Um troglodita como você?
— Eu não sou troglodita.
— Olhe a diferença entre mim e você. E você continua utilizando sua vantagem para me manter entre você e você.
— Mas eu...
— Sem mais.
— Poxa, Dan, facilita.
— Você veio aqui só pra tentar enfiar seu pau no meu cu?
Alex o encarou. Aquelas palavras vindas de Dan significava que ele estava irritado. Ele não era o tipo que se utilizava termos tão grosseiros com tamanha normalidade.
— Não foi só por isso – respondeu Alex tentando apaziguar a situação. – Mas, você está certo. Claro que quero meter em você. Deixei isso claro.
— Não foi só por isso? Então por quê?
— Vários motivos.
— Quais motivos?
— Um monte.
— Pode dizer.
Alex bufou.
— Claro que vim com intenções, queria foder com você, mas não é só por isso – respondeu com sinceridade. – Eu tô aqui porque te amo também.
— Amor é? – Dan repetiu as palavras com malícia. – Os gregos diziam que existem três formas de amor: Ágape, Philia e Eros. A primeira era o amor fraternal, de uma mãe com seu filho. A Philia podia ser o amor entre amigos, parentes, mas também podia ser uma forma sexual. A Eros era o desejo sexual, a paixão a atração sexual. A que tipo de amor se refere?
— Hããã – Alex pareceu confuso. – Do que você está falando? Para de me confundir.
— Confuso é? Você não estava fazendo o mesmo comigo? Utilizando sua força para me deixar vulnerável e me confundir com seu corpo?
— Mas eu não fiz por mal – tentou soar inocente.
— Não, é? Então você não tentou me seduzir para enfiar seu pau em mim?
Droga. Ele está totalmente certo.
— Agora sai de cima de mim, você é pesado.
— Virou um mantra você pedir para eu sair de cima de você.
Dan franziu a sobrancelha, irritado.
— Se você parasse de ficar subindo em cima de mim como um tarado, eu não precisaria fazer dessas palavras um hábito. Seu pau tá duro e tá roçando em mim.
— O seu também tá.
— É uma reação natural do meu corpo, você está roçando em mim. É claro que vou ficar excitado.
Alex riu e aproximou seu rosto do dele.
— Então você fica excitado com outros garotos?
O amigo empurrou seu rosto para longe do dele.
— Não, até porque não costumo ter garotos em cima de mim. Além de você.
— Oh, então eu te excito?
— Cala a boca.
— Se outro garoto te excitar eu quebro ele na porrada – disse Alex.
Daniel riu.
— Isso é extremo demais. Possessivo demais até para seus padrões.
Ele concordou.
— O único garoto que pode te excitar sou eu.
— Isso é bastante unilateral, não?
— Talvez.
— Agora sai de cima de mim.
Alex bufou. Daniel realmente parecia pequeno em baixo dele. Uns dez centímetros menor, mais frágil e magro. E isso deixou Alex ainda mais excitado.
— Vai, vamos transar.
— Eu já disse que não. Somos garotos, isso não é para ser tão comum assim, além do fato de sermos melhores amigos. Melhores amigos não podem foder o outro.
— Eu posso. Por que não poderia?
— Conversar com você é ineficaz.
— Eu não me importo se somos garotos. Eu te amo, e isso deve bastar certo? Além do mais que você é quase uma garota pra mim – Alex disse rindo. – Estou só brincando. Não fique zangado.
— Você pode me comer, mas eu não posso comer você?
Ele concordou com a cabeça.
— Eu sou ativo. Você passivo. Isso não é o melhor para ambos?
Dan suspirou.
— Para você talvez. Não é quem vai ser fodido. E outra, existe um termo chamado “versátil” também.
Alex deu de ombro.
— Eu faço com carinho – implorou Alex com os olhos brilhando.
— Já disse que não. E seu rosto diz que você não vai ser gentil.
Ele está vendo por de trás de mim?
— Eu vou ficar por aqui então.
— Hm?
— Vou ficar na sua casa. Na sua cama. No seu quarto.
— Você não devia ao menos avisar seus pais?
Pais, ele riu daquela palavra, eles não se importam comigo. Não sou nada mais que um estorvo que eles tiveram que assumir por ser do sangue deles.
— Meus pais não ligam – falar "pais" em voz alta deixou um gosto amargo na boca de Alex. – Eles têm meu número, mas não mandaram mensagem ou ligaram. Provavelmente sabem que estou com você.
— Vai ficar aqui até quando? – perguntou Dan, havia algo como desespero na voz dele.
— Até acabarem as férias.
— Meus pais não vão demorar tudo isso pra voltar. E eles vão suspeitar se ficar no meu quarto.
— Tudo bem, eu digo para sua mãe que sou seu namorado. Ela gosta de mim. Aposto que não ligaria. Assumo toda a responsabilidade.
— Namorado? Responsabilidade pelo quê? Acha que sou alguma donzela que precisa de dote para ser tomada? Você não está sendo precipitado demais? E esse não é o problema. De fato, nem meu pai ou minha mãe acharia isso horrível, mas esse não é o problema.
— Se o problema for os meus, eles não se importariam. Eu poderia aparecer namorando um alienígena em casa que eles nem notariam.
A única coisa que eles perguntariam é se tem dinheiro. É só com isso que se importam. É a mesma coisa que pensam de você, Dan. Eles achariam ótimo isso. Me vêem só como uma fonte de dinheiro extra.
— Ainda acho que você deveria avisar seus pais.
Alex negou saindo de cima dele. Não queria falar disso e via nos olhos do amigo que ele estava preocupado com o que aconteceu mais cedo. Sobre seu pesadelo. Sobre seu sonho e reação. Mas Dan era abnegado demais para perguntar. Ele esperaria. Esperaria até não aguentar mais. Alex não estava pronto para falar sobre sua família, sobre seu avô. Não queria. Não queria que Dan visse o pior dele. Que ele visse o monstro que era por dentro.
Pensar nisso o deixava nervoso. E o nervosismo atrapalhava seu raciocínio. Pegou o pão que Daniel havia deixado na bandeja pra ele e começou a comer. Viu os olhos do amigo sobre ele, buscando qualquer informação necessária para entender o que havia ocorrido. Alex entendia que tudo que Dan queria era seu bem. E que por mais que tentasse esconder o garoto notava que havia algo de errado. Não podia apenas fingir que seu relacionamento com seus pais falsos eram dos melhores. E como Dan não sabia disso, ficava ainda mais complicado dele contar ao garoto.
— Você já havia beijado outro garoto? – perguntou Dan quebrando o silêncio.
Alex o olhou. A pergunta tinha sido tão repentina que o pegou desprevenido e por um momento sua resposta saiu sem que percebesse:
— Já.
Ele viu a curiosidade no rosto dele crescer.
— Quem?
— Você, é claro que foi você – respondeu, tentando mudar o mais rápido possível o rumo da conversa. – Quem mais poderia?
Dan suspirou cansado.
— Não era de mim que eu falava. Era de outra pessoa.
— Então não. O único garoto que quero transar é você.
— Estou falando de beijar. Para de pensar só com a porra do seu pau por um minuto – pediu Daniel. – Só queria saber se havia beijado outro garoto.
Alex negou.
É uma mentira, mas não posso dizer a ele. Não posso contar sobre as coisas que aconteceram há três anos. Caso contrário irei me recordar das coisas que não devia. Coisas que não quero reviver.
Não podia contar a Daniel sobre o outro garoto. Ele já não está mais aqui, não preciso me lembrar dele. Não quero recordar. Tinha catorze anos naquela época, não passava de um menino confuso. Não quero mentir, mas falar disso agora não é algo que eu queira.
Dan não pareceu desconfiar do que ele havia dito. Na verdade, pareceu bem mais tranquilo.
— É que você me beijou com tanta naturalidade. Achei que já havia feito com outros garotos.
O rosto dele estava avermelhado de vergonha. Alex não se conteve e o agarrou empurrando-o até a parede.
— Se você continuar fazendo essa cara e corando sempre, eu não vou conseguir me controlar. Vai, vamos só umazinha. – Implorou novamente.
Estou pensando só com a cabeça de baixo e não com a de cima. Assim que viu os olhos de Dan percebeu o erro. Sentiu um murro bem na barriga e ele se afastou com dor.
— Por que me bateu? – perguntou Alex, perplexo. – Doeu.
— Você está sendo invasivo de novo. Não tinha dito que não ia fazer mais isso?
— Não precisava me agredir, Dan.
— Precisava sim. Você só fica falando e pensando em me foder, e nem parou pra pensar que isto pode ser confuso para mim? E você fica tendo essas atitudes rápidas, você me deixa confuso com isso. E vulnerável.
— Com o quê? – Alex perguntou sem entender o que ele havia dito.
— Com esses seus toques. Você não percebe, mas você é bom nisso e me deixa constrangido. Eu nem sei como reagir, droga. Você é o tipo de cara que não pensa antes de agir. Você não pode só chegar e me colocar contra a parede e me pedir para me comer. Você precisa me deixar pensar sobre isso.
— Por quê? Eu não sou seu tipo? Você não gosta de mim? Você não é virgem, então porque está tão tímido?
Daniel estourou.
— Você chega do nada, forçando esse corpo grande e atraente em cima de mim. Sem me dar espaço, esperando que eu simplesmente me deixe ser fodido? Tu não percebe o absurdo disso? – Daniel falava tão rápido que Alex quase não entendia. – É eu não sou virgem, porra, mas até uns dias eu não tinha interesse em garotos. Entende isso? Nunca havia pensado em dormir com um garoto. Aí você chega, fica se jogando em mim, me fazendo pensar em coisas que não deveria. Faz com que fique confuso, porque você é bonito e atraente, e sabe disso, mas não tem um pingo de controle sobre isso. E só fala em me foder. Foder. Foder. Acha que eu não quero? Eu quero. Mas você é impulsivo demais.
Alex ficou parado ouvindo enquanto ele falava. Nunca havia visto Daniel tão exaltado e ao mesmo tempo tão tímido. Ficou tanto tempo pensando em como seria foder com Dan que nunca pensou no que o rapaz queria. Isso o chateou um pouco. Ficou chateado consigo mesmo. Tinha medo de perder Daniel, era a única coisa da qual tinha medo. Então ficava sem controle perto dele e acabava se deixando levar pela excitação.
Mas ao ouvir Daniel ele concluiu que o problema não era o sexo, era só por serem amigos. Ele não conseguia conciliar um e outro. E por isso se reprimia. Alex podia ter pensado em várias coisas para dizer, mas só conseguia sorrir como uma criança maliciosa.
— Se eu ouvi bem, você disse que quer ser fodido por mim? – Alex perguntou. – Posso fazer isso quando você quiser. Sou todo seu.
Daniel corou imediatamente assim que terminou de falar. Alex já havia perdido qualquer controle que tinha sobre o corpo. Mas se forçou a não tentar nada. Respirou fundo e ficou sério.
— Agora vou tomar banho. E me masturbar. Você não quer tomar banho comigo e me ajudar?
— Hã? – a reação de Daniel foi exagerada.
— Sabe você me viu pelado. E eu não me lembro de tê-lo visto pelado. Então acho justo.
— Eu não o vi pelado por contra própria. Você que foi se mostrar.
— Mas você gostou, não gostou?
— Isso não vem ao caso – retrucou Daniel.
— Prometo que não faço nada – disse Alex e depois completou: – Nada que você não quiser.
Ele viu nos olhos de Dan que ele queria, mas o garoto estava tão determinado a ficar firme em suas convicções que não se abalaria.
— Não, dispenso. Pode se masturbar sozinho.
Alex virou as costas e deu de ombros. Tinha uma última carta para usar.
— Okay. Eu vou ser paciente. Mas você já me disse sim, então, decidi que vou ser só um pouco paciente.
— Isso é contraditório.
— É... eu sei droga. Mas você gosta de ficar me fazendo de idiota.
— Eu não faço você de idiota. Você é idiota.
— Sim, eu sou. Fui idiota de me confessar pra você – disse chateado.
Daniel se aproximou dele.
— Você está sendo birrento de propósito? – perguntou.
— Tudo bem. Eu estou acostumado a ser usado pelas pessoas – confessou Alex de forma dramática. – Eu disse que eu te amo e você nem retribuiu.
— Quê? Você está sendo totalmente coercivo com isso.
— É, você só sabe me tratar com desleixo.
— Isso não é verdade – negou ele. – Não faço isso.
— Se você diz. Quem sou eu pra discordar? Se minha presença é intimidadora eu vou embora.
Alex sabia que isso era como uma faca de dois gumes. Podia vir a calhar ou se voltar contra ele. A resposta de Dan foi quase um sussurro:
— Está bem, eu tomo banho com você. Mas nem pense em tentar algo, entendeu? Se fizer algo ao menos impulsivo, eu vazo.
Alex sorriu maliciosamente antes de se virar para Daniel. Substitui o sorriso por um olhar sério e sincero.
— Juro ser mega bonzinho.
Daniel engoliu em seco.
— Sinto que acabei de cometer um erro.
É, caiu na minha armadilha, Dan, e agora, você não escapa.
Fale com o autor