Amor à moda antiga
10 Capíulo 9
Notas iniciais
Não tão cedo quanto eu esperava, mas numa hora boa eu cheguei ao studio. Estacionei meu carro na entrada e observei a fachada do prédio com pouco interesse. Meu negócio era numa das salas que havia naquele prédio.
Sorri de lado e entrei com alguma cerimônia dentro do prédio. A recepcionista me indicou onde funcionava a sala de dança que Ino utilizava. Passei por várias portas, onde os mais diferenciados tipos de dança eram ensinados pelos professores contratados por Ino e segui um corredor bem iluminado até a sala principal.
Antes de ir até o meu objetivo, fui atraído por uma música animada que vinha de um enorme salão completamente coberto de espelhos nas paredes. Estreitei meu olhar e dei uma rápida olhadinha para dentro. Havia um grupo de mulheres todas de roupa de academia dançando em frente os espelhos seguindo as “coordenadas” de um grupo mais a frente. Eu reconheci o meu loiro favorito e a minha provável futura inimiga.
Ele gritava palavras como “Saltei!”, “Rebola!”, “Cadê meu passinho?”, “Gigando!”. Não sei bem se isso era algum tipo de comando, eu sei que elas faziam parecidas com ele. Entrei discretamente e fiquei assistindo mais um pouco. Então acabou a dança.
Lá estava Naruto, Ino e outras mulheres que eu não conhecia e eles pareciam esperar por algo em um pequeno grupo, talvez outra música começar.
Esperei para ver que tipo de coreografia eles fariam. O grupo se virou e todas as mulheres sentaram-se no chão, dando espaço para eles. Naruto sorriu bobamente e ajeitou sua camisa, olhou para Ino, essa sorriu, e fitou as outras mulheres, elas sorriram também. A batida da musica começou e Naruto começou a se mover, com as outras mulheres seguindo os seus passos. Todos os presentes gritaram desesperadamente e eu fiquei boquiaberto.
–Incrível... – sussurrei. Ele realmente se especializou nisso. A música falava de uma tal de Anaconda, talvez fosse isso.
Mesmo eu entendendo que Ino queria chamar atenção mais que todo mundo, mas não tinha como tirar os olhos de Naruto: de suas caras-e-bocas, de seus rebolados e de suas pernas ligeiras. Esse cara é realmente habilidoso com o corpo. Eu que o diga, pensei sorrindo.
Saí dali antes que os ensaios terminassem e segui pelo corredor, observando as portas. Havia uma em especial, que a recepcionista me dissera ser onde Naruto trabalhava comumente. Li rapidamente a placa na porta: “Profissionais”.
Fui pego de surpreso pela a aparição rodopiante de uma garota muito alegre com os cabelos lisos longos demais, a jovem esposa de Itachi fazendo passos giratórios de ballet.
Só para simplificar as coisas: Itachi é “pseudo-casado” com Hanabi Hyuuga, que eu descobri ser irmã mais nova da finada Hinata. O caso é que Hanabi é um golden retrivier que casou muito jovem para salvar sua família da falência, tinha dezoito anos. Hanabi e Itachi vivem de aparências, mas pudera: o cara está na sua quinta vida de gato, enquanto Hanabi mal tem dezoito anos e faz cinco anos que eles são casados. Era uma criança casando com um velho.
Enfim, deixei um pouco de lado a presença da minha cunhada e me direcionei para a discussão que começara a passar por mim. Eram os dois que se aproximavam alguns minutos depois daquela aula. Ino encarou Naruto e cruzou os braços na frente do corpo.
–Isso se chama “Quem paga mais”! E eu não quero conversa mais com você! O pai da garota está pagando alto e eu estou me lixando para o que você pensa! – ela passou por ele fazendo seus saltos altos e finos serem ouvidos. – Você é o dançarino e eu sou a empresária, faça o seu trabalho que eu faço o meu!
Assim que ela se virou, Naruto fez um careta de monstro e gesticulou um “Praga dos Infernos”, que provocou risos em todo mundo, mas assim que ela se virou para vê-lo, Naruto estava com cara de “Fazer o quê?”.
Ino veio correndo para me cumprimentar assim que me viu parado na porta. Ela é amiga de Sakura e eu não sei como diabo elas se conheceram, pois Ino é russa, com sua pele pálida, seus longos cabelos loiros sem dar uma única volta e olhos tão azuis que chega a serem cinza. Seu corpo de bailarina ficara apenas mais forte com os anos dedicados ao circo. Ela me abraçou com carinho e depositou um beijo no meu rosto.
–A que devo a digníssima visita de Sasuke Uchiha ao meu humilde estabelecimento?
Eu ri com sua sutileza forçada.
–Eu vim conversar com um dos seus dançarinos. – falei tranquilamente.
–Isso vai ter que ficar para daqui a pouco, porque precisamos ensaiar agora. – ela me indicou um local para que eu pudesse sentar e assistir. Caminhou para o meio de um círculo de pessoas animalescas sentadas e colocou as mãos na cintura – Muito bem pessoal! Hoje temos um espectador, então vamos fazer direito! – ela me olhou e piscou um dos olhos – Quem sabe não conseguimos patrocínio!
Eu ri da sugestão. Olhei de lado e percebi que Naruto não se juntara ao grupo, ele ficara diante de alguns espelhos laterais se exercitando – ou seria se alongando? – enquanto os outros conversavam sobre a tal apresentação. Ele usava uma bermuda laranja bem clara e uma camisa branca com os dizeres “Deal with it”. Eu sorri novamente e voltei meu olhar para o grupo sentado, pois Naruto começara a caminhar para lá.
–Seguinte. Nós vamos cuidar da animação de uma festa de quinze anos de uma garota filha de um gringo muito rico! Todo mundo sabe que estamos precisando de verba para a boate, de modo que eu estou no “Aceito qualquer coisa”. – Naruto cruzou os braços e fitou Ino, causando um estranho tremor nela – Acontece que ela é fã dessas modas idiotas que saem de vez em quando na internet, então...
Os resmungos inconformados foram inevitáveis. Naruto foi o que menos retrucou ao que me pareceu, pois já tinha dito o que queria na discussão anterior. Ino fez sinal pedindo calma.
–Quase esqueci! Sasuke, essa é a minha companhia! – ela abriu os braços e as pessoas me fitaram, sorrindo e me cumprimentando a distância – Essa é Tenten, ela é uma ursa chinesa e está conosco há três anos. Do lado dela, Temari, uma tanuki que nos suporta há sete longos anos. – as duas riram juntas.
Assenti, eu conheço o irmão dela. Gaara é um tanuki de temperamento forte e muito raivoso, pode lhe atacar sem motivo nenhum, ele é militar daqueles que você não vai querer conhecer enquanto for vivo. Conheci-o antes de ir ao CTS. Ino apontou para um rapaz de cabelos brancos, descendente de tubarões e de jeito muito sorridente. Revirei meus olhos e bufei. Não acredito que ele está aqui.
–Esse é Suigetsu, está nessa companhia há cinco anos.
Em algum momento louco da minha vida, eu fiquei com Suigetsu. Nosso relacionamento era regido por uma única palavra: sexo. Nada, além disso. No entanto ele me passou um chifre e, como castigo, eu matei o cara que ele pegou, além de dar uma surra em Suigetsu. Eu quero distância desse moleque o máximo que eu puder.
–Olá Sasuke. – ele falou com sua voz nasalada.
Apenas acenei com a cabeça. Para melhorar o meu humor, eu fitei o rosto tranquilo de Naruto deitado no chão, com as pernas cruzadas e as mãos abaixo da cabeça. Ele parecia tão tranquilo que eu me tranquilizei.
–Temos Hanabi, que chegou recentemente! – Hanabi apenas encolheu os ombros – Temos Rock Lee, um macaco habilidoso que está conosco há cinco anos. – cabelo de cabaça? Como assim? – Onde está aquela cobra velha?
–Orochimaru? – Naruto perguntou e Ino assentiu – Saiu.
–Enfim... Orochimaru faz um milhão de coisas, uma delas é ser médico da turma. Geralmente ele assiste aos ensaios. E... Espera, cadê ele? – Ino olhou em volta com preocupação.
Repentinamente a porta foi escancarada e por ela passou outra pessoa que nunca viu o sol, correndo sorridente e ofegante para o centro do grupo. Ino reclamou um pouco com ele, mas acabou por perdoá-lo pelo atraso. Observei mais atentamente aquele cara, pois ele era um gato muito familiar para mim. Cabelo negro, olhos escuros, expressões de estátua, jeito meio estranho de ser e pouca noção para comprimento de camisas.
–Sai?! – falei alto demais para o meu pensamento.
Ele se virou e sorriu em cumprimento.
–Como vai Sasuke? Veio participar do grupo de dança também? – neguei rapidamente – Imaginei que não, afinal tia Mikoto sempre disse que seu jogo de pés só é bom em combate corporal. – aquele sorriso falso sempre me tirou do sério.
Sai beijou suavemente os lábios de Ino e foi sentar-se ao lado de Hanabi. Então o meu maldito primo em segundo grau era namorado de Ino? Mas ela não é casada com duas pessoas? Ela traiu os dois com o Sai? Mas que diabo... Esse Sai só arrumando mais problemas para a família se envolvendo com as pessoas que podem entrar em guerra contra nós.
–Sasuke, esse é Menma Inuzuka e dança pela companhia há quatro anos. — o garoto sorriu e acenou para mim. Um cachorrinho, que lindo, pensei com desdém. Acho que não sabem, mas eu não suporto a família Inuzuka. – Caso não saiba, Sasuke, esse é o irmão caçula de Naruto.
Acho que eu vou gostar um pouco dos Inuzukas agora.
–Não sabia que tinha irmãos, Naruto.
–De sangue não. – ele falou dando de ombros – Tenho só esse moleque aqui! – ele afagou com força os cabelos do rapaz e os dois se fitaram – Eu não já te disse para não riscar sua cara?
–Disse, mas eu gosto de ficar mais parecido com você... – ele falou timidamente. Só naquele momento eu percebi os riscos nas bochechas feitos de tinta parecidos com as cicatrizes de Naruto e os cabelos de Menma tinham o mesmo corte do de Naruto. Que curioso.
Todo mundo riu e Ino foi até Naruto, que já estava de pé, e passou um braço sobre seus ombros. Fitamo-nos com algum grau de intimidade.
–Esse é o vovô da turma. – Naruto fitou-a com um sorriso largo e depois sorriu para mim – Seu nome é Naruto, é um lobo maroto, e começou essa escola comigo há dez longos anos. É o meu consultor pessoal nos negócios, mas hoje eu não estou a fim de ouvir os conselhos dele. – ela bateu palmas e todos se colocaram de pé no automático – Chega de conversa! Vamos trabalhar que dinheiro não dá em árvore!
E os ensaios se seguiram até perto do horário do almoço. Quando se encerraram, Naruto e eu saímos para almoçar num local enfrente do prédio onde funcionava o studio. Buscamos uma mesa e fizemos um pedido. Descobri mais uma coisa sobre esse cara que eu quero tanto para mim: ele como igual a um cavalo, como por três pessoas, praticamente. E o bom é que ele simplesmente não está nem aí para o fato das pessoas encararem-no com admiração por causa da quantidade de comida ele engolia.
–Tirando o fato que eu odeio dançar Gentleman, What makes you Beatiful e outras modas idiotas, hoje o dia foi razoavelmente produtivo. – assenti sorrindo e ele deu de ombros — Então, você me chamou para...? – ele me encarou.
Parei de cortar a carne e fitei-o. Realmente eu havia esquecido o motivo pelo qual eu liguei para Naruto de madrugada. Eu perdera uma madrugada inteira por causa dos pensamentos que surgiram em minha mente por causa daquela ligação e de outra saraiva de pensamentos que subitamente caiu sobre mim loucamente. Era se eu pudesse ver todos os fatos de longe, como um gigante amontoado de peças de quebra-cabeças. Passei toda a madrugada organizando esse maldito quebra-cabeça.
Suspirei e retirei uns papeis dos meus bolsos, estendendo sobre a mesa, no pouco espaço que sobrara entre os pratos sujos. Naruto viu os papeis e empilhou alguns pratos num canto para dar mais espaço. Ele me fitou e arqueou as sobrancelhas, puxou uma caixinha de sua bolsa e de lá veio um par charmoso de óculos.
–Você usa óculos? – indaguei.
–Só para ler. – ele respondeu me mostrando lindos olhos azuis. – Quando se passa muito tempo atirando, trabalhando em missões noturnas, agindo no breu, fazendo cirurgias delicadas, usando e abusando da visão para os mínimos detalhes e para maior precisão, seus olhos acabam por sofrer um pouco. Mas eu só preciso para ler de perto. De longe eu tenho os olhos de uma águia, segundo o meu oftalmologista.
Assenti brevemente.
–É sobre isso que eu quero conversar. – iniciei.
–Meu oftalmologista? – ele sugeriu brincando.
Eu ri e soquei de leve seu ombro. Apontei para o papel e ele fingiu que havia entendido a grande questão. Serviu-se um pouco mais de refrigerante e desdobrou o documento.

–Um contrato matrimonial? – ele sussurrou enquanto lia as linhas – Já vi e investiguei muitos desses. Qual é o problema? – Naruto me fitou por cima das lentes. – Você não me parece o tipo de cara que perde as estribeiras por causa de um mero contrato matrimonial e fica rosnando por aí. Aliás, você nem parece ligar para essas coisas. Qual é o problema?
–Meus pais querem evitar uma guerra contra uma família quase extinta, mas que ainda detém muito poder de influência. Acho que você conhece os Uzumakis, pelos seus conhecimentos de policial. – simplesmente ele assentiu – Eu não quero me casar com alguém que não conheço e não gosto, até porque eu já estou interessado em outra pessoa, mas o caso é que se esse contrato não for comprido, além dos Uchihas perderem metade das posses, pagarem uma multa de cinco milhões e meio, ainda temo que uma guerra, a pior que você já tenha visto na sua vida, vá começar por causa disso.
Curvei-me para frente, chamando-o com um breve aceno de mão, e ele fez o mesmo, quase que os óculos caíram do seu nariz. Naruto é ainda mais lindo de perto. Que coisa!
–Ino é uma das envolvidas com o outro lado desse problema. – ele estreitou o olhar – Você deve saber que ela também faz parte da máfia, não é? – Naruto assentiu – A família dela vai se voltar contra a minha e uma chacina pior que o Grande Extermínio pode acontecer.
Ajeitamos nossas posturas e eu esperei ele dizer algo, mas Naruto só assentia e lia o papel, levantando de vez em quando os olhos para me fitar. Seus olhos ora se estreitavam, ora se abriam um pouco além, mudando suas expressões de sério para admirado. Fiquei um pouco apreensivo com o que ele iria dizer, afinal informações borbulhavam em minha mente.
–Esse documento é muito velho e eu quero saber se há meios de cancelá-lo ou invalidá-lo. – falei rapidamente. Naruto continuou sem me dar uma resposta. Levei uma mão a testa e apoiei o braço na mesa. – Eu nem deveria estar conversando isso com você, afinal é um policial, mas eu preciso da ajuda da lei para me livrar desse problema.
Naruto assentiu e suspirou profundamente, parecia incomodado com alguma coisa. Correção: com algo que eu dissera. Ele piscou lentamente e me fitou.
–Estou aposentado, Sasuke. – com um dedo, ajustou suas lentes – Não se esqueça disso. Por favor. – seus olhos voltaram para o papel – A situação é um pouco amarrada. Pelo o que consta aqui, existem poucos meios de você invalidar esse documento. – Naruto deitou o papel na mesa e apontou para os selos nas bordas – Sabe por que esses selos dão o que as pessoas chamam de “validade infinita”? – neguei – Vou te contar rapidamente uma coisa e vê se não espalha. Esses selos foram criados pelos Uzumakis, que antes de se tornarem os notórios líderes da Matilha Vermelha, eram respeitados e poderosos advogados. Qualquer porcaria criada por eles era praticamente inviolável.
–Qualquer coisa?! – ele assentiu sorrindo de modo estranho – Só pode estar de sacanagem comigo, Naruto. – ele negou ainda sorrindo – Como é que eu posso burlar uma coisa dessas?
–Simples. – ele serenou seu semblante e apontou para uma das cláusulas – Usa o documento contra ele. – fitei-o. Eu senti que era óbvio, mas não consegui enxergar esse óbvio. Naruto revirou os olhos, puxou a carta para si e ajustou os óculos para ler – Diz “Essa cerimônia contratual só estará devidamente firmada mediante a apresentação de indivíduos férteis, livres de relações conjugais comprovadas, pertencentes consanguineamente às famílias supracitadas, registrados apropriadamente em cartório como legítimos”.
Apertei meu olhar e raciocinei um pouco, colocando meus pensamentos numa linha de produção fordista, ajeitando a “sequência de situações aparentes” que eu percebera na madrugada anterior. Eu tinha que instigar o acesso às respostas certas, então indaguei:
–Quer dizer que eu só vou me casar se existir um Uzumaki fértil legítimo, é isso? – nota mental: informação um confirmada.
Naruto sorriu e voltou a ler.
–Parece que não leu tudo nesse contrato. Diz logo abaixo “Parágrafo único: caso as exigências não cumpridas citadas acima, este contrato não poderá ser revogado, nem a união oficializada, tampouco as famílias das partes, penalizadas”.
–Ótimo! – sorri com desdém – O caso é que eles têm um Uzumaki que cumpre as exigências. – rede lançada para pegar um peixe.
–Pensei que você fosse mais esperto, Sasuke. – Naruto falou dobrando os papeis e me entregando, ele tomou um gole longo de refrigerante e sorriu – Não nasce um descendente fértil legítimo dos Uzumakis há mais de 300 anos.
Lembrei-me dos registros que eu lera. Mencionavam que nenhum Uzumaki nascia a mais de 250 anos, mas Naruto mencionou um fértil legítimo descendente, bem antes do Grande Extermínio. Arregalei imensamente os meus olhos. Segunda informação confirmada.
–Como é?
–Uzumakis são raposas e raposas praticamente não existem mais. Outra, elas são os únicos seres que vivem tanto quanto a elite felina dos Gatos da Noite. – ele se referia ao fato de termos nove vidas. Raposas podiam viver tanto assim? Terceira informação confirmada. — Se você vai casar com alguém que diz ser um Uzumaki, provavelmente é uma pessoa de cabelos ruivos apenas, não uma raposa. Se não é raposa, não é Uzumaki.
–Isso é sério? – estou quase lá. Agora só preciso da fisgada final.
Ele assentiu e voltou a comer. Fitei-o novamente, observando suas enormes orelhas alaranjadas abaixadas para trás, mostrando o quanto ele estava calmo. Lembrei-me de Boruto e da primeira vez que eu fui para a casa dele.
–Você é uma raposa... – murmurei, levantando lentamente o meu olhar – Mesmo que eu nunca tenha visto pessoalmente uma raposa na minha vida, eu sei que você é por causa dos seus olhos. – rede lançada novamente. Fitamo-nos e seus olhos estavam com uma dor intensa de âmbar. Suas pupilas se afilaram ao passo que ele sorria – Não existem gatos de pelo vermelho e não existem lobos com pupilas verticais.
Naruto cruzou as mãos diante do queixo e aumentou seu sorriso ainda mais.
–Descobriu o meu sobrenome com poucas informações, muito bem, Sasuke Uchiha, mas e daí? – quarta informação confirmada. Ele falou sugestivamente – Eu sou um macho, Boruto é um macho, e não existem fêmeas Uzumakis, pelo menos solteiras. Vai fazer o quê?
Sorri de lado. Agora é a hora da verdade, Sasuke Uchiha, é a hora de pegar o que é seu. Quebra-cabeça montado e como Deus, olhando tudo do alto, vejo as coisas com mais clareza e com maior atenção, entendendo as coincidências do destino. O mundo dá muitas voltas.
–Tocar o foda-se. – ele franziu o cenho, sem entender a minha postura — Acha mesmo que eu vim despreparado para conversar com você? – estreitei meu olhar e o vi estremecer – Acredita que eu não sei nada sobre as raposas, mesmo sem nunca ter visto uma antes? Logo eu! Acha mesmo que eu não sabia que raposas puras podem engravidar, Naruto Uzumaki, independentes de serem machos ou fêmeas.
–Que garantia você tem que eu sou uma raposa pura? – ele retomou sua postura superior.
Bingo! Jack point! Finish him!
Sabe aquele sentimento que você tem sempre quando vai derrotar uma pessoa e essa derrota vai simplesmente incrível? Eu estava sentindo aquilo no instante que formulei a minha resposta para aquela pergunta. Parece que eu e Naruto seremos marido e mulher.
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