Notas iniciais
Com quem será, com quem será, com quem será que o Sasuke vai casar!!!! Vai depender, vai depender, vai depender, vai depender do que acontecer!!! Desculpem a demora, mas em breve estarei respondendo os comentários. Eu não vos abandonarei, se não me abandonarem! Negada, vai ter uma pergunta lá embaixo, então, se puderem - os fantasmas e os não fantasmas - respondam, porque se tiverem uma boa quantidade de respostas positivas - ou não - pode ser que eu poste uma nova fanfic. Além de que eu já estou devendo um filler - sorry, ando sem tempo - mas espero que semana que vem eu já esteja postando ele. Vamos ao capítulo? Novidade! Esse capítulo é duplo! Isso mesmo, vc não leu errado, são dois em um! Olha o presente para quem já é pai de família aê.

Naquela mesma noite Sakura, Naruto e eu saímos para beber e conversar. Sakura tentou ir o mais encantadora – ao seu estilo – possível, pois estava empenhada em chamar atenção de Naruto a todo o custo. Realmente eu não sei o que ela viu nesse cara, porque visualmente falando Naruto é um cara normal, ele não chama atenção quando ele não o quer fazer. E a personalidade dele nem é essas extravagâncias todas. Foi só o fato de ele saber dançar? É muito pouco motivo para ficar arreada os quatro pneus mais o estepe.

Vocês devem estar pensando que simplesmente eu não deixei barato e bati de frente com a Sakura por causa dele. Não, eu não fiz isso, sinto muito em dizer isso, se acabei por desagradar alguém. Sim, eu estava me corroendo de ciúmes, mas não afrontei Sakura.

Eu tive que a deixar fazer o quisesse, porque eu iria me casar com um Uzumaki que sequer eu conhecia. Um completo estranho – não que eu me importasse muito com esse tipo de coisa — de modo que eu não poderia ficar com Naruto, de toda forma. Pelo menos, se ele ficasse com a Sakura, eu o teria perto de mim algumas vezes. Pelo menos eu teria o vislumbre de sua presença como tio da minha filha.

Não é o melhor dos consolos, mas é um consolo.

–Está bonita... é Sakura, certo? – ele comentou enchendo seu próprio copo.

–Isso! Sakura Haruno! – ela falou toda sugestiva.

–Vocês dois são namorados? – Naruto perguntou de um jeito tão natural que eu nem liguei e tomei um gole longo do meu drinque.

–Não, não! – ela ficou desconcertada – Somos amigos, bom amigos! Na verdade ele foi casado com a minha irmã gêmea!

–Foi...? – ele indagou me fitando.

Ergui minha mão direita e mostrei a ele as alianças, tal como ele usava as dele. Naruto assentiu e tocou de leve o fundo do meu copo com o dele, num brinde silencioso as esposas amadas que vivem com Deus. Sakura ficou sem entender bem o que acontecera, mas nada disse.

–Você só não está tão na merda porque é rico. – ele riu – É só o que falta para ficar pé-a-pé comigo. Viúvo, pai de uma criança e solteiro.

–Tem toda razão. – falei rindo também.

–Diga-me Naruto. – ela chamou a “conversa para si” – Se você é um dançarino, como foi que se machucou? – ela apontou para os curativos no rosto e tocou de leve os dedos com band-aids – Por algum acaso faz coisas suspeitas? – olhei para aqueles dedos, que tocavam suavemente a pele da mão de Naruto, como se pertencessem ao próprio diabo e tive bastante vontade de estourar o meu copo naquela mão, mas não fiz por que era de Sakura. – Fora da lei?

Continuei quieto, vendo Sakura flertar em vão com ele. Naruto recuou suas mãos para baixo da mesa e se recostou na cadeira onde estava sentado, seu semblante mudou e isso eu percebi rapidamente, pressentindo que de algo ele não gostara. Quem fala com orgulho que foi estuprado? Faltou bastante tato em Sakura.

Naruto virou o copo de uma vez e baixou o olhar.

–Fui estuprado. – falou com gravidade. – Há uma semana.

Ela arregalou os olhos e engoliu em seco.

–C-como assim?! Estuprado?! – sua voz soou tão alta que as pessoas perto de nós pararam e nos olharam com assombro. Naruto fechou ainda mais a cara, suspirou cansadamente, coçou os cabelos e fitou-a como um pai que olha para o seu filho que fala demais.

–Fala mais alto, Sakura. O pessoal no fundo do bar não ouviu o que você disse. – ela se encolheu com a sacada que ele deu. A garçonete trouxe outra rodada para nós e Naruto fitou-a com seus olhos âmbar cintilando de desprezo comedido – Simplesmente invadiram minha casa, me espancaram e me drogaram... Eu não me lembro de muita coisa. Quando fizeram os exames de corpo-delito, descobriram que eu fora estuprado.

–E já pegaram o criminoso? – perguntei com tranquilidade e ele negou enquanto bebia. A polícia nada poderia dizer a ele, pois eu “dei um jeito” para que as provas do meu crime – sêmen principalmente, digitais, sangue, fios de cabelo, etc, etc, etc — sumissem de vez.

–Mas não se preocupe comigo. – ele sorriu de lado no momento que fui beber – Eu achar a pessoa que fez isso comigo e vou fazer ele me pagar por isso. – estremeci discretamente com aquela revelação em tom de ameaça.

–Como? – ela perguntou inocentemente. – Se nem mesmo a polícia conseguiu encontrar.

–Eu sempre acho o que eu procuro. – ele falou e me fitou ainda sorrindo de lado – Nada escapa de mim... Eu só espero que a pessoa que fez isso comigo esteja aproveitando seus últimos momentos de vida, porque... – eu vi um sorriso diabólico se alargar em seu rosto – Eu vou levá-la ao inferno pessoalmente!

Eu fitei a cara de assombro de Sakura com um sorriso digno do País das Maravilhas. Lembrei-me de um conselho que minha mãe me dera durante um porre que dividimos certa vez: “De todas as pessoas que existirem na porra do planeta, meu filho, por favor, por tudo que lhe for mais amado e mais importante, não vá se apaixonar pela caralha de uma pessoa que tem tudo para lhe ferrar, ou será seu fim”. Vulgaridades a parte, esse conselho faz muito sentido, se pensar bem, e se aplica muito bem a mim.

–E você está bem? – ela murmurou com preocupação.

–Eu... Bom... Estou bem, como pode ver. – ele deu de ombros – Mudando de assunto, o que é que você faz da vida? – perguntou pedindo outra bebida.

–Não faço nada! – ela sorriu – Na verdade, para não dizer que não faço realmente nada, eu cuido da Sarada, porque, como pode ver – ela apontou para as próprias orelhas – Eu sou uma coelha e o pai dela é um gato. Coelhos não sabem criar gatos! – Naruto assentiu – Em questão de trabalho, eu realmente não faço nada.

Naruto e eu levamos os copos à boca e nos fitamos por cima dos copos de vidro. Era como se ele me dissesse “Sério isso, Sasuke? Você anda com esse tipo de gente?” e eu respondi “É com isso que eu tenho que conviver quase todos os dias. Não me abandone.”. Nós rimos dessa telepatia escrota que se estabeleceu repentinamente com a bebida. Baixamos os copos em sincronia e ele gesticulou “Você está ferrado!”.

Fiz o que pude para segurar meu riso escrachado, mas não deu. É oficial: Naruto ganhou meu respeito, minha admiração, meu coração e o resto que tinha para ganhar. Ele virou o copo de uma vez e buscou seu celular. Ele ficou lendo algumas coisas nele.

–Na verdade... – ela continuou a falar – Eu sou herdeira da máfia Haruno. Aquela máfia muito famosa por envenenar as pessoas, provocando crimes misteriosos. Acho que já ouviu falar de nós e de nossos feitos. – Sakura só pode estar bêbada para falar essas coisas.

Fitei-a sem acreditar que ela abrira a boca para Naruto. Mas é muito idiota mesmo! Será que ela não percebeu que no bolso do casaco estava o distintivo? Meu Deus, será que isso mesmo que eu estou vendo? A louquíssima Sakura Haruno se apaixonou por um homem que vai ferrar mesmo com a vida dela, simplesmente ela abre a boca falando em público que é herdeira mafiosa. Puta que pariu. É muito idiota mesmo.

Naruto ficou observando o rosto sugestivo dela, respirou bem fundo, retirou algumas notas do bolso, colocou sobre a mesa embaixo do seu copo e buscou seu celular. Observou-o, fingiu que acabara de receber uma mensagem, também fingiu digitar algo e saiu às pressas do bar. Como eu sei de tudo isso? Conheço quando alguém mente e, por mais que eu não queira acreditar que tenha sido fácil assim, eu percebi que Naruto mentira a respeito daquele gesto tão comum dos seres e tão previsível. Recebemos mensagens urgentes a todo tempo, não é? Não, só recebemos quando nos é conveniente.

Naruto saiu sem chamar atenção, mas não tão às pressas quanto eu imaginei, pois eu ainda consegui acompanhá-lo com Sakura em meu encalço. O que aconteceu para ele sair com tanta pressa? Alguma coisa aconteceu em sua mente que eu não percebi.

–Naruto! Se foi algo que eu disse... – ela gritou para ele.

Revirei meus olhos. Ah vai se ferrar Sakura! Pelo amor de Deus, essa mulher não pode parar de agir como uma adolescente afobada. Somos adultos, haja como tal. Naruto parou no meio da calçada e virou lentamente o olhar, como uma cobra que está muito enfadada e prestes a atacar num bote certeiro. Seus olhos encontraram os meus, como se ele dissesse “Pare esta mulher ou eu a pararei para sempre”. Segurei a mão de Sakura, impedindo que ela continuasse caminhando. O problema de ter um estilo louco de viver é que se raramente se vê o que vai acontecer quando se dá um passo errado. É quase certo de se cair num maldito buraco. Por mais que eu amasse a ideia de ver Sakura ferrada, eu não podia permitir que os Harunos perdessem seu único herdeiro numa roubada tão sinistra.

Ele terminou o giro e cravou as mãos nos bolsos do casaco, estreitando seu olhar para cima de nós e movendo lentamente sua cauda semideitada na calçada, suas orelhas se moviam com lentidão, ajustando-se aos mínimos sons. Preocupei-me com aquela atitude, ele poderia ter uma arma escondida em suas roupas. Eu e Naruto fomos treinados para matar e para morrer no CTS, de modo que eu tinha que esperar tudo dele.

Sakura moveu a mão, para livrar-se do meu aperto. Ela não sabe com quem está se metendo.

–Estão de sacanagem comigo?! – ele alterou a voz repentinamente. Ele retirou as mãos dos bolsos e eu suspirei aliviado ao ver que não havia arma nenhuma em suas mãos — Querem me ferrar?! Vocês são da máfia! Todos os dois! Qual é a de vocês? – Naruto esfregou o cabelo rapidamente e virou o rosto.

–Desculpa Naruto! – Sakura se aproximou sorridente – Eu sou da máfia, mas não vou fazer nada com você. Eu gosto de você, Naruto! E eu posso te proteger! – suas mãos ficaram em cada lado de seu rosto e ela tentou puxá-lo para um beijo. Eu quase saltei no pescoço dela quando vi a possibilidade deles dois concretizarem aquele ato maldito.

Naruto a empurrou para longe dele. Sakura estranhou a atitude, mas acabou por sorrir quando que ele deu dois passos para ficar bem perto dela.

O problema fora o que ele fizera logo em seguida. Eu reconheceria aquela atitude em qualquer lugar, fazendo Sakura encolher completamente as orelhas, estremecer em cima dos saltos abaixo de seus olhos âmbar quase dourados na escuridão da noite. Arrepiei-me completamente com os feromônios que Naruto emitira para intimidar ela, para reprimi-la. Aos poucos ela foi se abaixando, sufocando, tossindo e quase vomitando tudo o que bebera, se colocando de joelhos perante toda a imponência dele, até que finalmente ela se curvou numa posição mulçumana no chão. Ela ficou completamente encolhida e curvada na calçada fria.

Fitei Naruto com preocupação, pois ele passou por ela como se Sakura fosse apenas uma pedra e veio até mim imperiosamente, com as mãos dentro dos bolsos das calças.

–Eu sou seu amigo, Sasuke. – ele falou com a voz bem intimidadora – Mas não vou entrar no seu jogo. Eu não sou idiota.

–Do que está falando? – perguntei arqueando uma sobrancelha. Aquela áurea intensa que ele emitira para cima de Sakura não estava mais no ar, ele reprimira para falar comigo. Naruto não queria me prejudicar com os seus feromônios, isso eu seu percebi em seu olhar, apesar de eu ver mais do que isso naqueles olhos azuis irritados.

–Acha que porque eu sou um dançarino agora, eu vou servir de entretenimento para vocês, em suas mansões feitas de milhões e milhões de montanhas de dinheiro sujo? Acha que eu vou aceitar ser um joguete na mão do seu povo? – ele pegou no meu colete e me puxou para perto do seu rosto – Ninguém, Sasuke, ninguém brinca comigo.

–Naruto. Eu não sei do que você está falando! – ele me soltou lentamente – Sakura é meio louca mesmo! Ela age desse jeito mesmo, faz essas coisas esquisitas com quem vê! – finalmente Naruto me soltou e ajeitou minha roupa que ficara amassada. Seus olhos estavam com um tom mais sereno de azul, com um brilho especial sob a luz do poste. Quase lhe roubei um beijo se de repente Sakura não tivesse gemido.

Nós olhamos para ela. Ela estava de quatro no chão se contorcendo de dor e vomitando toda a bebida que consumira durante a noite, juntamente com outras coisas que eu não defini o que era, além de sangue. Ela parou e sentou-se sobre os calcanhares.

–O que você fez com ela? – eu perguntei assistindo ao estado patético em que ela ficara.

Naruto sorriu com desdém e voltou a caminhar.

–Vai me dizer que nunca fez isso com ninguém antes, usou seu poder de macho para dominar uma fêmea? Você é muito bonzinho com as mulheres, Scarface. – arqueei uma sobrancelha e sorri assistindo-o partir, passar pela Sakura, ajudá-la a se levantar e ir embora como se nada tivesse acontecido. Mal sabe ele que foi os meus feromônios que fizeram com que suas memórias e seus sentidos ficassem embaralhados, quase se rendendo a mim.

Quando Naruto virou na esquina eu ouvi um novo gemido de Sakura. Novamente ela estava vomitando, agora a bílis. Saco. Amizades à parte, essa garota sempre estraga alguns dos meus melhores objetivos e nem percebe o que está fazendo, semelhante aqueles casos de garotas egoístas. Segurei em seu braço e a sustentei um pouco.

–Eu não vou desistir. – ouvi a voz chorosa e determinada de Sakura. Ela me fitou e apontou o dedo na minha cara – Eu não vou desistir dele! Eu encontrei aquilo que eu procurava e não vou desistir tão facilmente de um homem só porque ele é um dançarino com uma habilidade incrível de destruir a mente das pessoas! Eu vou dar um jeito de ficar com Naruto para mim!

Soltei seu braço e encarei-a.

–Como é, Sakura Haruno? Ficar com Naruto para você? – eu comecei a rir. Se eu vou me casar obrigado, o mínimo que eu vou obrigar ele a ser é o meu amante, porque eu não vou aturar uma pessoa que eu nem conheço sozinho. – Você não o conhece como eu o conheço. Ele não é um objeto e você não vai querer tratá-lo como tal.

–O que está querendo dizer, Sasuke Uchiha? – eu sorri bobamente. Pronunciar meu nome daquela maneira não tinha nada de ameaçador – Que não sou forte o suficiente para ter o que eu quero? É isso? – ela estava começando ater lágrimas nos olhos.

Respirei fundo, empurrei-a para dentro do carro e dirigi de volta para casa. Sakura continuou falando sobre como ela podia conquistar o que queria, como era uma fêmea superior e como eu era um idiota por não acreditar nela. Arfei de cansaço por ouvir toda aquela ladainha infernal e parei o carro bruscamente de frente a casa dela. Ela quase bateu a cabeça contra o porta-luvas e me encarou com fúria.

–Chega! – eu gritei dentro do carro – Sakura, eu te conheço desde o dia que nasceu e todos esses dias eu tenho tolerado o seu comportamento idiota em respeito à amizade que a sua mãe tem com a minha e em respeito a nossa amizade. – fitei-a de forma intimidadora – Mas desta vez, você vai calar a porra da boca e me ouvir atentamente. Você não vai ficar com Naruto, nunca nessa vida, nunca!

–Por quê? Qual é o problema em eu fic...

Desci uma tapa na cara dela, fazendo-a afundar no banco do carro e começar a chorar. Segurei com força em seus cabelos e a trouxe para perto de mim. Sibilei e ela engoliu em seco.

–Você se quer aguenta me olhar nos olhos, como acha que vai viver com Naruto, que é mil vezes pior do que eu?! Você nem aguentou uma breve demonstração dos feromônios dele, como pode dizer que vai ficar com ele?! Sua mulher idiota!!! – larguei-a contra o banco do meu carro e ela chorou – Se alguém vai ficar com Naruto nessa vida, esse alguém sou eu.

–V-você?! P-por que que...

Ela quis me olhar, mas tinha muito medo de fazer isso.

Sasuke deal with it

–Não é da sua conta. – interrompi-a – Naruto é meu e não ouse se meter no meu caminho ou mato você sem pensar duas vezes. A família Haruno tem Sarada, que seria uma ótima herdeira, você é substituível. – fitei-a novamente – Não se esqueça das minhas palavras: Naruto me pertence. – eu repeti lentamente.

Sakura nada mais disse e saiu chorosamente do carro. Assim que ela entrou em sua casa, eu acelerei para casa. Só Deus sabe o quanto eu estou irritado. Assim que cheguei aos terrenos da minha casa, eu vi que os carros do Uzumakis ainda estavam por lá, o que significaria que eles só sairiam, se minha intuição felina não me enganasse, quando o casamento já tivesse acontecido. Em breve eu conheceria “a minha noiva”.

Fui treinado para a guerra, como uma máquina de matar, de lutar e de sobreviver, mas não para a diplomacia e para o diálogo. Eu não fui criado para a paz. O fato de ter que lidar com uma situação a qual não fui preparado, me deixava num estado de nervos tão ruim que eu poderia matar qualquer um que me olhasse torto. E ainda mais com Sakura dando em cima de Naruto na minha frente.

Passei direto para o meu quarto, sem olhar para a cara de nenhum dos residentes. O olhar que eu mais evitei fora o de minha mãe. Não, eu não queria olhar para ela e ver que ainda estava o sentimento de “Desculpa, mas era preciso fazer isso.”, confirmando mais ainda os meus temores e aumentando os fantasmas da minha mente. Debaixo da água quente do chuveiro, meus músculos relaxaram e eu suspirei, descolando meu cansaço da minha alma.

Lembrei-me da tentativa de Sakura. De seus lábios quase alcançarem os de Naruto e o quanto eu ficara furioso por aquilo ter quase acontecido. Nunca eu imaginei que algo tão simples como um beijo poderia me martirizar tanto e deixar meus nervos a flor da pele. Eu devo estar completamente ferrado pelo Naruto, só pode. Ela ficar falando dele, que o quer, na minha frente, quando eu tenho tantos sentimentos verdadeiros por ele.

Ao sair do banho e procurar roupas leves para me vestir, eu olhei para o relógio do meu celular. Eu queria conversar com Naruto, mas ele poderia estar furioso comigo, poderia estar cheio de problemas por causa da profissão. Já bastavam os fatos de ele ser um policial deixando o ofício para tentar viver normalmente como um dançarino, de ele saber que pertencemos às máfias mais perigosas de que se tem notícia, de eu tê-lo estuprado e isso estar me causando um remorso dos infernos, de que ele tivera problemas com o filho por minha causa e de ter Sakura como concorrente.

Eu não queria importuná-lo com mais essa de que eu teria que me casar obrigado com outra pessoa para evitar uma guerra como uma virgem mártir. Nem sou virgem, nem sou altruísta, nem sou tenho vontade de agir com bondade. Mas que merda de vida! Soquei com força a parede do meu quarto e vi o buraco se abrir. Soquei outra vez e afundou ainda mais, soquei outra e mais outra e mais outra e mais outra, até que o buraco estava enorme, fundo e ruindo até o outro lado. Lembrei-me do meu treinador e do que me ensinara, um homem gato que perdera a sua alma para o diabo e seu coração para os mortos, Madara Uchiha, o mais sombrio dos gatos negros que eu tive a honra de conhecer.

“Sasuke, saiba de uma coisa. Os Uchihas sempre perdem para o seu coração. Se não der ouvidos a ele, você prevalecerá”. “Então devo ser sem coração, Mestre Madara?”. Saí da parede e arrastei o tapete do chão, mostrando os enormes buracos ali.

–Devo ser sem coração? Devo deixar de amar? Devo matar Naruto para não interferir na minha vida e nas minhas decisões?

Saltei, girei no ar e ao descer cravei pela milionésima vez meu pé no chão. “A raiva, o medo, a força, a esperteza, e todas as outras emoções podem ser nocivas ou não para você, isso quem determinará é você, porque os Uchihas são donos de seu próprio corpo e mestres de suas mentes”. Sempre me dizia isso depois de uma surra ou um teste de sobrevivência mortal.

Lembro-me daquela expressão sombria que sorria para mim. O grande problema de Madara fora o fato de que ele nunca conseguira concretizar seu último ensinamento. “Uchihas só serão realmente fortes quando seus corações se tornam mais fortes, quando suas almas são mais fortes. Só entenderá isso quando encontrar aquela pessoa que despertar em si seu lado mais selvagem e sem controle, para então domá-lo.”

–Selvagem?! Sem controle?! – eu ofegava, mas eu pude me olhar no espelho e me ver. – Selvagem e sem controle. Selvagem e sem controle. Selvagem e sem controle.

Notas finais
Perguntinha! O que vocês pensam sobre uma fanfic NaruSasu?