Notas iniciais
Eita Negada, que saudade de vocês! Meu Deus, quantos milhões de dias fazem que estou sem notícias de vocês?! Primeiramente, desculpas. Desculpas por parecer que abandonei a fic. Não, eu não abandonei, na verdade meu computador fora para o conserto e eu fiquei todos esses dias sem ele. Como o arquivo está salvo no HD dele, não tinha como eu ter acesso e postar, infelizmente. Me perdoem por toda essa espera. Segundamente, a fic está chegando ao fim e esse é o antepenúltimo capítulo, ou seja, falta muito pouco para acabar. Eu espero que gostem do cap de hoje, que está realmente bombastico e revelador! Mas como eu havia prometido no cap passado, é a treta final, então segurem-se, ajustem seus fones, coloquem uma música bem tensa e vamo que vamo!

Quem é você?

—Não me reconhece mais?

—Eu reconheço cada pessoa que eu matei na minha vida. Quem é você?

—Eu sou a única pessoa nesse mundo capaz de lhe controlar e lhe parar. Eu sou o seu passado, o seu futuro, eu sou o início da sua lenda. E agora, eu quero conversar.

—Não troco palavras com homens mortos. — o campo de visão desceu, pois ele saíra de cima do carro, e se aproximou daquele morto até estar numa distância consideravelmente perigosa – Vou perguntar só mais uma vez, antes de arrancar fora a sua cabeça, quem é você?

Aquele homem sorriu de forma feroz e sombria.

Eu sou Hashirama Senju, meu amado filho monstruoso.

A risada tenebrosa de Naruto ecoou por todo o lugar. Mito ficou ao lado de seu suposto marido e Nagato colocou-se perto dos dois, claramente assustado. Apertei minhas mãos em prece e respirei fundo, temeroso com o que essa aparição fora de cogitação poderia influenciar no retorno de Naruto. Que se dane a missão, esse é o único homem – que deveria estar ardendo no inferno – que pode realmente matar Naruto.

Eu não posso matar Naruto, não porque o amo, mas porque eu não tenho poder para isso, não sou forte suficiente para derrotá-lo, para matá-lo. Mas Hashirama Senju pode, é o único com poder para isso, pois ele é a única raposa no mesmo nível que ele. Engoli em seco.

No inferno que você é Hashirama. Eu arranquei a sua cabeça. Raposas são poderosas, difíceis de matar, mas não imortais. Todo mundo sabe que o modo mais eficaz de matar uma raposa é arrancando fora a cabeça. Como é que você está vivo?— ouvi o som metálico das garras de Naruto atravessando as luvas resistentes. Essa não! Ele está perdendo o controle! Será que...

Era esse o plano?!

Esfreguei meus cabelos desesperado, minhas mãos tremiam e eu não conseguia focar em nada a minha frente. Parece que toda a minha mente se abriu num momento louco de epifania. Eu podia enxergar tudo com clareza agora.

Eu jamais fui o alvo, eu fui apenas uma isca, uma motivação, uma forma de chegar mais rápido ao objetivo. Era Naruto, sempre foi ele. Aldeia do Som, droga alucinógena, venda em massa a preços baixos, OGN terrorista, ataques isolados a Uchihas fracos, tudo isso era apenas fachada, pois o que realmente queriam era Naruto. Matá-lo.

—Madara... Hashirama... – murmurei abrindo meus olhos em proporções nunca antes conseguidas por mim. Foi como um soco na minha mente, tão forte que me fez ter náuseas.

Uma vingança dos dois. Uma vingança por quê? Esfreguei meus cabelos nervosamente, não acreditando no que minha mente chegara a concluir. Por amor? Meu avô amou tanto o pai de Naruto ao ponto de planejar algo assim? Hashirama tentou contra a vida da filha, da esposa, de toda a sua família por causa da ferramenta de guerra perfeita para conquistar o mundo, e meu avô era de acordo para ter a soberania. Uma vingança motivada pelo amor?

Madara deixou Naruto nas mãos dos Uchihas com a pena de 3.575 anos para que ele jamais fugisse da vingança de Hashirama. Uma raposa pode viver esse tempo milenar. Por isso o conselho concordou e só permitiu que meu esposo fosse para Israel, para a sua própria morte. Todos sabiam, menos eu. Encarei meu pai, que se aproximava lentamente, claramente envolvido em culpa.

Hashirama sobrevivera, tivera ajuda da esposa e de outro Uzumaki para conseguir acobertar a sua existência e seus planos de vingança e os Uchihas deram suporte a esse plano durante todos esses anos. Esperaram pelo momento de maior instabilidade.

Pisquei.

Eu.

Eu sou o ponto fraco dele. Me drogaram, me fizeram enlouquecer, me fizeram fraco e acabei enfraquecendo Naruto, com a minha doença e com o meu amor. Tivemos filhos. Ele ainda não se recuperou totalmente do parto das gêmeas, de modo que está fraco física e emocionalmente.

Foi enviado sozinho para o seu túmulo e eu possibilitei isso.

—NÃO!!! – gritei me levantando bruscamente da cadeira e correndo até meu pai. Minha mãe tentou me segurar, mas eu a afastei, lançando-a longe de mim. Soquei com toda a minha força a cara dele, fazendo cair rolando no chão com o nariz quebrado. Encarei os dois – VOCÊS SABIAM DE TUDO?! POR QUE NÃO ME DISSERAM?!

—Sasuke... – mamãe se levantou com dificuldade, com meu pai lhe ajudando – Não podíamos, se contássemos, você não permitiria... Hashirama mataria a todos nós... Ele... – ela gemeu de dor – Só queria vingar-se de Naruto, ter seu filho de volta... Não podíamos sacrificar todos por causa dele... Não podíamos por tudo a perder por causa de um só.

Eu estava desesperado, em choque, em pânico, selvagem e fora de controle.

—Não... Não... Não... – chorei sentindo meus olhos arderem – Por que... – era raiva, dor, o sentimento de traição, fúria, angústia, medo, desespero – VOCÊS SABIAM QUE EU AMAVA NARUTO, QUE ELE É A ÚNICA COISA QUE EU TIVE A MINHA VIDA INTEIRA!!! – caí de joelhos, sem forças para acreditar – É a razão da minha vida... – chorei de olhos fechados, sentindo meu peito doer mais do que eu podia suportar – Naruto é minha vida... Por que fizeram isso comigo? Por que tiraram ele de mim...? – fiquei prostrado, cravando minhas garras no chão, chorando loucamente – POR QUÊ?!?!

Minha mãe veio até mim, tocou nos meus ombros e me levantou.

—Porque era preciso, meu bem... – encarei-a, arregalando lentamente os meus olhos – Você é o único que poderia fazer isso, salvar a família e a organização... O único que aguentaria... Por isso nós queríamos que não se envolvesse com a raposa, para que não sofresse...

Franzi meu cenho, fechei o punho e soquei com toda a força que me era permitida a cara de minha mãe. Foi uma explosão de adrenalina que a fez desmaiar ao se chocar contra a parede, rachando-a. Levantei-me e encarei meu pai.

Ele estava desesperado ao ver a minha mãe daquele jeito. Tornei ao computador e vi que Naruto lutava com todas as suas forças contra Hashirama, numa batalha brutal e feroz, mas ele estava fora de si. Perderia, com certeza. Sentei-me e baixei meu rosto, sentindo minha cabeça pesar. Era isso. Todos queriam ver Naruto morto: os Uchihas, os Uzumakis, os Inuzukas, os Yamanakas, os Harunos, os Aburames, os Sabakus, os Akimichis, todos os mafiosos da terra queriam ver meu esposo morto.

Tornei a chorar, dolorido, magoado, ferido. Aos poucos as pessoas foram saindo do hangar, deixando-me sozinho. Apenas Yamato ficara, ao meu lado, dando-me apoio. Minhas filhas também estavam comigo, mas dormindo, silenciosas, serenas, mal sabendo que logo ficarão órfãs de mãe. E eu não poderei fazer nada para salvá-lo, nada.

Coloquei os headphones nos ouvidos e respirei fundo. Encarei o monitor, sem conseguir controlar as minhas lágrimas. Eu tinha que dizer adeus.

—Naruto... Eu te amo. – disse antes que o nó em minha garganta tapasse-a completamente – Eu te amo mais do que tudo, do que minha própria vida... E se eu pudesse morrer em seu lugar, eu morreria. – as palavras saíam sem que eu sentisse e Naruto só lutava, a segunda tela avisava que ele recebera um dano fatal e fora contaminado por algum tipo de veneno letal – Em minhas alucinações nós nos casávamos, Sarada e Boruto eram grandes e felizes conosco, nos amávamos todas as noites e éramos felizes... Era como eu sempre quis que fosse... Por isso tive tanta dificuldade de aceitar a... – fitei o monitor: Naruto acabara de arrancar fora a cabeça de Nagato e perseguia Mito – De saber que você não era meu de verdade, que era meu escravo, eu só queria ter uma vida feliz ao seu lado... Eu...

Naruto parou de correr, observando Hashirama vir contra ele ferozmente.

Do que está falando sir?— arregalei meus olhos franzindo o cenho – Fomos e somos felizes, eu e você, até o fim. Nunca foi meu dono e eu nunca fui seu escravo...! — ele estava ofegante, correndo, fugindo do ataque bestial de seu pai – Fiz o que fiz porque meu único desejo era estar ao seu lado a cada dia da minha vida, porque você, Sasuke, me deu sentido e razão para viver antes e depois que perdi a minha mãe. Eu sou o homem mais feliz do mundo, Sasuke, porque eu tive a oportunidade de ser seu amigo, seu amante, seu esposo, a mãe de suas filhas e agora... — ele deu uma risada fraca, escondendo-se em uma construção em ruínas – A razão do seu viver... Eu te amo incondicionalmente, eu te amo a cada novo amanhecer e a cada pôr-do-sol, eu te amo como só uma raposa pura pode amar...

—Dando adeus ao seu marido, Naruto?! — gritou Hashirama agarrando a cauda dele e lançando Naruto contra um prédio, derrubando parte da parede.

Fitei a segunda tela. Estado crítico. Não, deuses, não, não tirem Naruto de mim de novo, por favor, deuses, não o tirem de mim, não me deixem viver sem ele.

Observei os dados da segunda tela: uma carga assustadora de energia e adrenalina se apossara do corpo de Naruto de tal forma que fez seus sinais vitais se estabilizarem repentinamente. O que aconteceu? Encarei o monitor.

Hashirama recebia uma sequência violenta de socos na cara. Naruto tirou fora o capacete, jogando-o de lado, que pousou de forma que eu pudesse acompanhar a batalha. Dois minutos depois da luta mais assustadora e sangrenta que eu já vi na minha vida, a cabeça do pai de Naruto foi mais uma vez arrancada fora com os dentes. Ele estava de pé, encarando o corpo brutalmente decapitado de Hashirama, quando se voltou e veio até o capacete.

Ficou de frente a viseira, os olhos dourados ganhando tons azulados, seu corpo inteiro tremendo. Naruto baixou a viseira e me mostrou sua barriga. Abriu o colete e mostrou-me um enorme hematoma perto do pâncreas. Tornou a fazer a câmera me fitar.

Eu vou morrer, Sasuke... – disse com a foz engasgada – Injetaram aquela droga em mim... A que te fez ter alucinações... Eu fui... — ele engoliu a saliva que começava a escorrer de seus lábios, notei-o tonto, fazendo um esforço para manter sentado – A dose em mim foi letal, muito maior que o esperado... Ainda levei um tiro no pulmão e um corte na perna... Acho que por pouco não pegou numa... Artéria. – seu corpo caiu e o capacete rolou. Eu não conseguia vê-lo, mas podia ouvi-lo – Cuide delas, Sasuke... Cuide de Chiharu e Hotaru... Pro-pro-pro... Proteja-as...

—Não me deixe, Naruto, não me...

Ouvi-o tossir.

Vem... – franzi o cenho – Vem me... Buscar... Leve-me... Para casa...

Mandei ao inferno tudo e subi no primeiro avião que eu vi. O piloto foi, por assim dizer, na velocidade máxima para chegar o mais rápido possível a Israel. Assim que estávamos perto dos prédios, eu saltei do avião, caí rolando, me chocando contra pedras e entulhos. Ergui-me sem me importar com a dor em meu corpo por causa da queda e corri.

Meus olhos só buscavam a Naruto, meus instintos me guiavam até ele. Encontrei os caminhões explodidos, saltei por cima deles, passei pelo carro com o teto arrancado e segui correndo desesperadamente pelo campo que fora uma base militar. Passei pelos corpos destroçados do que fora um exército pequeno. Vi os restos de Nagato e a cabeça de Mito. Então, finalmente, encontrei o corpo de Naruto estirado no meio do que fora uma via.

Ajoelhei-me e peguei-o em meu colo. Escutei seu coração. Ainda batia. POR TODOS OS DEUSES, O CORAÇÃO DELE AINDA BATE. Era fraco, mas ainda batia. Retirei das minhas roupas o sinalizador e atirei para o alto, para que o helicóptero dos médicos nos encontrasse. Ele abriu lentamente os olhos, meio sem brilho, mas azuis.

Sorri, chorando. Meu amor ainda está vivo, obrigado deuses, ainda está vivo. Sua mão ergueu-se, trêmula, e a tomei, entrelaçando nossos dedos. Eu enrosquei minha cauda na sua e encurtei a distância entre nossos corpos.

—Eu estou aqui, meu amor, nunca vou te deixar... – sussurrei beijando seus lábios – Fica comigo, Naruto, para sempre... Não me deixe, meu amor, fica comigo...

Naruto forçou seu corpo e me abraçou.

—Sa... Sasu... – ele tossiu sangue em cima de mim – Eu não quero... Morrer... Não agora... Eu quero... – ele me fitou, os olhos banhados em lágrimas – Eu te amo tanto...

Abracei seu corpo.

—Eu vou te esperar, Naruto. – disse ao perceber seus olhos se fecharem – Vou te esperar pelo tempo que for preciso. – os médicos finalmente chegaram e começaram os procedimentos de estancar o sangue de seus ferimentos.

Naruto foi levado para o hospital em atendimento intensivo. Os médicos me avisaram que ele conseguiria sobreviver, mas não sabiam o que aconteceria depois. Partiram.

Fui até a cabeça de Hashirama e percebi algo estranho em seu aspecto. A pele do rosto parecia estar descamando, como se fosse de uma cobra. Peguei-a e puxei cuidadosamente a pele. Era sintética e por baixo dela havia outro homem, com igual cabelo comprido.

—Esse é... – um milhão de arquivos regrediram em minha cabeça e entendi – Orochimaru... O estudioso de química genética... Então foi isso... Uma farsa. – meus homens vieram para registrar o caso. Entreguei a cabeça a um deles e caminhei para o avião – Usaram o único homem que poderia descontrolar Naruto para, assim, contaminá-lo e matá-lo... Um plano que quase deu certo... – entrei no veículo e suspirei – Quase, deuses, quase...

Uma semana depois, Naruto estava em coma induzido. Eu ordenara que fosse feito, pois quem poderia segurá-lo se ele se descontrolasse em virtude da quantidade absurda de alucinógeno em seu sangue? Eu não poderia deixar que ele se machucasse ou machucasse alguém. Nem eu mesmo conseguiria conter todo o seu poder e a sua fúria.

Não há como saber que tipo de alucinações as drogas podem estar provocando em seu corpo e em sua mente. Ele pode estar vivendo um pesadelo ou o sonho da sua vida. Não há como saber, nem mesmo eu que o conheço tão bem posso saber.

A Aldeia do Som foi destruída, seus membros presos, julgados e, em sua maioria, mortos, muitos espiões em cada família foram encontrados e também mortos. Uma operação que durou um longo ano. Eu orientei cada passo dado, cada etapa ultrapassada, cada momento superado, era uma limpa pessoal.

A minha família? Meu pai, minha mãe, meu irmão? Os prendi sob lei marcial na mansão Uchiha. Foram presos pelo crime de Alta Traição.

Tornar Naruto meu esposo, e mãe dos meus filhos, fez dele parte da família e, portanto, um Uchiha, ou quase, de modo que trair um Uchiha é Alta Traição. Além de que ele era Capitão, meu braço direito, “homem de confiança”, de modo que as mesmas regras aplicadas a família seriam aplicadas aos “homens de confiança”.

Trair o líder dos Gatos Negros, tentar contra a vida do esposo dele e conspirar contra a família e a organização foram o somatório de crimes que meus pais e meu irmão conseguiram. Eu não posso deixar impune, para que outros não tentem fazer algo parecido no futuro. Não houve grandes estragos para a sociedade, uma vez que Naruto destruiu toda a base, mas os danos que nós dois recebemos talvez sejam irreparáveis.

Crianças sem a mãe. Um marido sem seu esposo. Um batalhão sem seu capitão. Uma família sem seu ponto forte. O mundo sem o último Uzumaki. A vida sem a última raposa pura.

Um ano depois da operação em Israel, Naruto ainda estava em coma e médico algum sabia como curá-lo ou quanto tempo levaria para ele tornar. Não havia amostras do alucinógeno para testes, não havia nem indícios de que caminho seguir. Só podíamos esperar as drogas se dissiparem de seu sangue com o tempo.

Minha missão era manter a saúde de Naruto bem para que ele pudesse continuar se curando, se salvando, mas, em um ano, nenhuma mudança relevante foi percebida.

Talvez... Naruto nunca mais torne a acordar.

Notas finais
Sério... Não sei como lidar com esse capítulo. Quem esperava por esse plot final? Foi ou não foi de arrepiar? Agora, o que será que vai rolar? Negada, ainda dá tempo de comentar, compartilhar com seus amigos, recomendar, mandar beijo, ser feliz, enquanto não acaba! Vejo vcs semana que vem!